quarta-feira, 18 de novembro de 2009

(A) Dúvida

Não sei porque regressei. Talvez porque, ao ser picado, a vaidade tenha primeiro enrubescido e depois ganho ascendente, e no impulso abri a janela. Ou a necessidade de construir mais que segredos, construir tempo e respirar. A vida nunca é vazia, e tanta vez o doceiro é abstémio das suas criações que se satura, ele é espírito mas é papilas e a dose de condimentos passa a marca quando a receita perde a magia e perde-se na montra das tentações, sem o brilho, o desenho e o gosto que a fariam única. Não são vazias as artes de adoçar ou escrevê-lo, não é vazia a vida de quem cria para os outros. Mas não tenho tempo e não sei compor receitas: corro sem tabelas, regras, manuais. E regressei, doente de faminto e enjoado, vim para casa contá-lo.

Sem humor, sem palato. Ardor. Ácido. Adoça-o o carinho que não nos abandona quanto àquilo que é nosso, criamos, erguemos, o olhar a tentar - a procurar? - a benevolência quanto aos erros, os maus humores, os excessos de mel ou de ocre, a razia do que era bom e, porque não alcunhá-lo, foi belo. Um blogue, e tanta vez o li e senti!..., é realmente um espelho e até na insinceridade o é quando ela espreita. Eu sou belo, há momentos em que sou belo mas escondi-o, amarfanhei-o, sei lá se por mau desvio se por bom pudor. Fi-lo. É-se olhado pelos actos mais que pelas intenções. Um mês não me chegou e não sei se resiste algum tempo, tempo-tempo, que recupere, afaste a névoa e rebente a crosta absurda, má, infantilmente má que sem ética e é suposto a consciência sedimentá-la com o crescer e o correr. Escondi-me nesse não, nesse recusar da medida adulta, e nesse jogo infantil afundei muito mais que um blogue.

Blogar é isto. É é. Voltar a olhar-se sem medos, inibições, falar fazendo pé raso da imagem turva final. Acreditar e acreditarmo-nos. Há consequências e é tão difícil reclamar que além dos actos há as intenções, uma paridade de julgamento, uma mão que alguém erga para afastar o embaciado, e a imagem original regressar. Que ela existe, escondi-a e é ela a autêntica (sou belo.) O tempo longo onde me fugiu o reflexo, a maturidade e a adolescência e a infância, a minha expressão.

Por hoje chega. Continuo sem descobrir porque regressei.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

teste

1, 2, 3, experiência.

Cumpri trinta dias de abstinência e entro hoje em regime de precariedade. Se me portar bem continuo à solta, se não regresso à clausura.

Não tenho nada profundo para dizer. Disso, do importante, sussurro-o aos ouvidos e não espalho gritos poluidores, que as minhas dores são as universais: um eu falivelmente humano e individualmente arestas específicas. É destas que se trata, é destas que busquei a lima perfeita e, nesse engano, menosprezei a grosa que não apura contornos à perfeição mas desbasta os acerados o suficiente para não aleijarem quem (me) toca. Um passo de cada vez, que para correrias já perdi provas suficientes.

Até breve, acho. Aqui, minha casa.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fim da minha linha




Não sei fazer balanços, e já lá vai a fase choramingas do abre-e-fecha. Ainda me interroguei sobre se teria perdido e o quê, ou ganho e o quê também. Mas logo achei a interrogação parva, que sim, ganhei muito e o perdido é para tentar recuperá-lo. Acabou-se, só assim. Ganhei medo a esta merda.
Obrigado aos muitos que comigo aqui se cruzaram, cinco blogues em seis anos e meio: querendo, lembrem o bom e esqueçam o outro. Leitor? continuarei sempre.

(foto daqui.)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

:-)

Enviei um "mail circular" a dizer quer me ando a portar mal com quem não devo (sim! já sei que não nos devemos 'portar mal' com ninguém, mas perceberam-me, não é? vá, deixem lá a seca!...), e recebi algumas respostas.
Entre elas um braço cheio de memórias musicais, doce maneira de dizer que recebi um carinho amigo. Estes, todos:






shame on you, mr Gil!


Tenho tanto correio atrasado que nem sei por onde começar.
Por aqui: quem leu 'Bartleby' entenderá. Quem não leu, é assim: mentalmente escrevi, senti, respondi. Em picotado de teclado lá irá. Estou travado e nem eu próprio entendo o porquê.

procurei no Google imagem para "lot of mail" e saiu esta. estava aqui.

domingo, 11 de outubro de 2009

"Há que tempos que não o via!..."



Os dias de eleições são como as festas de casamento ou as reuniões a meia voz por funerais, em conceito de família alargado.

E como as questões familiares são importantes, há que usar com equidade os três papelinhos coloridos.



(imagem de 'festa cigana', daqui.)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

...e não PELA errada!



"Com base em juízos o Homem toma decisões: é prerrogativa da sua condição de Ser superior na Natureza; que sejam pelas razões certas é a confirmação dessa superioridade"

Charles Brenton Walters, 1855 - 1909

imagem daqui, aplicável igualmente aqui.

domingo, 4 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

antena

Os blogues são gente, e gente que normalmente fala, escreve sobre si. Mesmo quando não o faz, youtubiza a montra e a máscara, escreve sobre a filoxera da batata ou o último Porto-Sporting, digo, o último Cavaco-Sócrates, pelo meio das linhas mínimas lê-se gente e não a máquina de dactilografia. Os blogues são gente, e andamos cá há muito tempo, lendo-nos. Um abraço, pá.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

acenderam mais um bico de gás no inferno!



Eu gosto de confusão. Juro que gosto. E não tenho culpa: as coisas acontecem e não consigo evitar-me de pensar nelas de forma... criativa? maleficamente criativa? Ora vejam:


Cenário 1: quando chamado para apresentar a(s) sua solução governativa após o molho de bróculos parido domingo passado, o Partido Socialista declara que perdeu a confiança no Presidente da República e, assim, recusa-se a formar ou participar num governo sob um mapa político que integre o "caído em desgraça". Era giro!

Cenário 2: ouvidos os partidos que elegeram representação parlamentar (o tal molho de bróculos que de papelinho riscado parimos, blá blá) Sua Excelência entende que o mais votado não tem postura de Estado que garanta um funcionamento digno, o segundo mais votado tem falta de combustível e passageiros para ser um meio credível parlamentarmente, e os outros claro que não contam. Porra, que era bestial!


E porque é que era giro, ou bestial, escolham-me o júbilo?


Vexa poderia fazer três coisas, para já:

a) demite-se (tá quieto!... o man é de quebrar antes de torcer...)

b) declara os resultados eleitorais inconclusivos e convoca novas eleições (porreiro pá! esta cena de viver em permanente campanha eleitoral dava-nos visibiliadde externa, case study, etc etc. Deve ser bom pró turismo e mais qualquer outra que agora não me lembra)

c) a parte primeira de b) e nomeia um governo presidencial, sob o aplauso da Srª que disse que a democracia podia ser suspensa seis meses, e se chega à frente. O mercado de arrendamento habitacional recebe um boom, pois o PC açambarca tudo que pode para 'casas seguras' dos seus dirigentes, funcionários, militantes, e dos primos verdes. (giríssima, essa de passar a ter como vizinhos gajos e gajas constantemente de gabardine e óculos de sol, e jornal debaixo do braço. melhor que emigrantes romenos, acrescento - e falo assim porque tive-os, nada de merdas de acusações de xenofobia, etc)


Isto ficou curtido, ó se ficou!...

Adenda: há as Presidencias, e Cavaco Silva quer ser reeleito - estava a esquecer-me. Alguém acredita que, uma "rata velha" como ele é, não previu e mediu ao decímetro as consequências da teatral declaração desta noite? "não há almoços grátis", disse uma vez um parvo. e acertou. caso raro mas acertou. Alegre lixou-se esta noite. Mais uma vez...

(o cartaz dum filme que me veio à memória veio daqui. ganda cena!...)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

de bem com Deus e o Diabo



Está montado o Circo!... Novas piruetas em cartaz! Não perca a hilariante palhaçada quinzenal, os hábeis engolidores de sapos e os intrépidos domadores de avestruzes! Prémios diversos para os fiéis adeptos, e pipocas para os rabugentos! Não perca a Nova Edição da famosa peça teatral "Como estar bem com Deus e o Diabo"! Não fuja: o Circo É Nosso!!!

Obrigado :-)


a foto é bem conhecida

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

contágios de campanha eleitoral


Tempos de campanha eleitoral são propícios ao recurso a kit completo: gabardine, chapéu, cachecol e luvas: há alto risco de ocorrência de sonoros atchins! alérgicos.

Hoje recebi um mail inócuamente intitulado como "reflexão interessante", e descomprometedoramente seguido do irritante "... que envio como recebi". Mau começo, mesmo muito mau, que quem não tem certezas ou opiniões próprias acerca de melões deve publicitar é uvas, ou aquilo que perceba ou acredite perceber. Meias tintas é que não. Aplicável à gestão empresarial será falência certa, e na individual é sprint para descrédito garantido. Pena, que a remetente é gente boa e inteligente - sei-o, mas o compromisso moral de aceitar ceder a sua independência a uma lista partidária certamente foi o encolher de ombros que lhe permitiu tal "frete" político, pois não concebo que fora do espartilho ideológico duma campanha eleitoral se sujeitasse (e cegasse para) a isto. Maus tempos: gabardine, chapéu, cachecol e luvas - aconselho.

Que diz o mail das meias tintas? no mesmo registo de não comprometimento insinua e sugere. Raciocina por conta própria as parcelas todas, depois faz o risco e dá uma ajudinha para o leitor completar a soma, todo pimpão por ter decifrado o "enigma". Escolástico. Insultuosamente escolástico, a recordar velhas escolas doutras tabuadas e reguadas, fábricas de pensamentos únicos e de ostracismo aos divergentes. Omito a nota de repugnância pelo conhecimento pessoal da remetente, e acreditando sempre que recebeu, leu, o encolher de ombros e clicou no Fw: é campanha, afinal.
Em suma e sem paninhos quentes: o voto de esquerda no BE é um voto perdido pois este partido político está longe de ser donzela: candidata-se encapotadamente ao concubinato de apoio (parlamentar, com ou sem componente governamental) do PS, face à previsível vitória deste mas bem longe duma maioria. Pasmo! E termina melífluamente com: «Perante isto, os muitos descontentes com o PS de Sócrates, bem que podem rever o seu slogan, antes que seja tarde, mudando-o para "Vota à esquerda ou à direita, mas não votes PS nem BE"».
Não gosto que me chamem burro, e aqui passo do pasmo à indignação. Explico e dou lenço de papel, para quem hesite no espirro:

1 - Afinal não é objectivo de qualquer partido político alcançar o exercício do poder, para influenciar a sociedade segundo o que ideologicamente acha que melhor serve os interesses da mesma?

2 - Alguém dá - política - sem receber em troca? alguém serve de bengala a quem está coxo - política - sem exigir para tanto que, negoceia-se, as políticas X, Y e Z sejam adaptadas à sua visão específica de como elas devem decorrer?

3 - O BE é um epifenómeno do espectro político português? com crescimento sustentado há década e meia?

4 - Será só da ala alegrista e parentela que lhe vem o crescimento? o voto jovem e de gauche não cai lá quase por inteiro, por não se rever em "(bocejo) mais do mesmo (bocejo)"?


Percebe-se a grande preocupação do PC: uma derrota face ao BE por números que seriam humilhantes. O pânico por o último bastião estar ameaçado - a hegemonia na esquerda-esquerda - e a partir daqui ou a reconversão, impensável para a nomenclatura dinossáuria, ou o fim, o resíduo, em galope e não a trote como até agora.
E repito que fico triste com "fretes" de campanha, por quem vale bem MAIS que, afinal, tão pouco_que o é.

Por isso recomendo neste Outono rigoroso gabardine, chapéu, cachecol e luvas. At´«e ao fecho das urnas de voto. Alergias, espirros, má disposição: o perigo espreita numa caixa de correio electrónico bem à frente dos nossos estimáveis narizes!...

Declaração de interesses: Provavelmente irei votar BE nas legislativas. Mas ainda não decidi em absoluto: o voto em branco tem força política quase igual, percentagens à parte.


procurava uma imagem com diversos cartazes políticos e dei com esta. gira. fica. veio daqui.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O impulso Thoreau


Acabei Niassa, um bom livro. Digo mais: um óptimo livro que conforme as páginas lidas iam engrossando deixavam um rasto de pena por não serem intermináveis. Por uma rara vez concordei com JEAgualusa, quando escreve que Niassa é dos livros que nos acompanham para a vida - o exagero é compreensível e partilhado.
Esta noção de finitude iminente do prazer, das páginas maravilha, influenciou o sobrolho alçado sobre o final, que ainda não chegara e já chamava de atamancado. Egoísticamente ruim, mas porventura há forma mais isenta de ser crítico daquilo que gostamos, sem atraiçoar o enlevo? Aquele fim é mau, mau principalmente porque foi o fim da minha fantasia Thoreau, (link como memo pessoal, que há que contar mais dela) desta vez em versão niasseana. Resta a outra, a soft, inhambanense, afinal o bater de horas certas e em métrica acertada: terra mista e praia múltipla, eu urbano com cheiros e sonhos burgueses mal resolvidos de vidas em campo, mato e assim. A conciliação. E um afago às ilusões e aos desejos de boas vizinhanças, Knopfli tinha-a no BI e, dizem, Guita Jr. ainda lá mora.
Thoreau style mas acentuadamente urbano, portanto. Comodamente, livro a livro, e um caderninho de capa bordeaux e letras douradas olhando-me e tentando-me, desculpas próprias para uma aquisição que não teve sorrir: não se lê e usa-se sem ler.

Este post tem vários códigos incorporados, e autodestruir-se-á no preciso segundo em que for esquecido (gosto desta parte!...), sem lagos mágicos ou ruas plácidas que o salvem. Thoreau dixit, essa é que é essa e venha o próximo livro: como sempre estou abananado em expectativas mas igualmente pronto a gostar e ser ruim. E depois conto, claro. Cá, em Lichinga ou Inhambane. Ou, se deixarem.

Regressos

(...)
Mas tudo cansa, menos as saudades. Essas abraçam-nos, amplexo cabrão que cada dia dá mais uma voltinha ao torniquete e quando reparámos estamos prisioneiros delas. Não de Lisboa e das suas lisboas, não do café nosso que isso resolveu-se com uma máquina Nespresso, não dos amigos e das notícias que para isso a Internet colmata e aguenta, que o exílio era provisório. As mais fundas, as dos suspiros lentos, ciciados, as das palavras murmuradas a medo como que receando que um desajeito estrague o desejo, uma precipitação magoe o sonho e ele grite, que além do mar espanholado que viam da varanda só houvesse África árabe e a sua, a deles, morresse como memória e ficção, esse casamento que o tempo constrói e legitima. Memória então exílio, então um crescer que se faz envelhecer e dessas rugas de fim do passado não há cura nem sorte nem desculpa: é a tristeza do fim de nós próprios, e odiamos o desconhecido que nos espera em reflexos de espelhos baços de ninguéns sem passado.
(...)
Uma noite em que praticavam o bom hábito espanhol de fazer da varanda divisão principal da casa enquanto as noites o permitem, um dos dois - e não interessa qual! - abordou-o num toca e foge, soltou o suspiro e disse algo como ai, como gostava de lá voltar, ou outra deixa qualquer assim. Não interessa. Qualquer montinho de palavras servia. Talvez nem um montinho, talvez só uma, talvez até nenhuma pois bastaria o olhar: entendiam-se sem uso de sinais de fumo ou telegramas falados. Existia um tãn-tãn em código secreto quando se olhavam com as janelas abertas.
(...)
Não se pense que o regresso a Moçambique foi o rabisco nesta vindima de Mundo, capricho ou hiato de calendário a preencher. É a sua terra, são das suas memórias individuais muitas das mais queridas, e igualmente uma dor comum por resolver, moínha com tempo a mais para deixar de lado havendo meios de coçá-la. Daí, talvez, os cuidados, os pruridos mútuos no adiar da ida, no sugeri-la, no ganhar balanço ao encontro dos seus passados sabendo ambos que se tocaria uma sinfonia sensível, e temendo que nas mãos lhes tremesse a batuta do equilíbrio e da sintonia. Mas... tinha de ser e assim aconteceu. Maputo foi servida sôfregamente e os primeiros quatro dias passaram-se na inevitável romaria da saudade, a que se seguiu um coro de choros que só as paredes do hotel conheceram, e rapidamente anuíram em rasparem-se dali, má onda a pairar e conspurcar as boas que entreviam quando olhavam os pormenores com a benevolente miopia da nostalgia. E assim aconteceu Niassa. O livro entra aqui.
(...)

meu. inspirado por um livro e um sorriso. meu, dedos hesitantes mas meus até ao osso e suas miudezas. a foto é by Net e sem registo. minha, porque gosto dela. assim, abusivamente. assim, nunca abusivamente.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Yo La Tengo + Niassa



Li, num livro de que estou a gostar muito, que é uma música bonita, «a canção que eu levaria comigo para qualquer lado se para esse lado apenas pudesse levar uma só canção» (pág. 79). Até gostei. Melancólica. Bonita, realmente. E não a conhecia e surpreendeu-me, tal como o livro o está a fazer: Bom.

Niassa, Francisco Camacho, ASA, 2ª edição, 2009

sábado, 19 de setembro de 2009

acontece, outra vez!...



A imagem a bater à porta. O assobio que chega e arrepia. Nem tanto: o primeiro olhar. Depois o clique e vem o resto muito além das imagens encaixilhadas, varrendo a realidade: acontece, outra vez!...

Foi o único filme que vi 5-cinco-5 vezes em salas de cinema, que o acompanhei da estreia (Dicca?) até à sua 2ª volta, no Estúdio 222. Um período, o dos fascínios simples e dos maravilhamentos inocentes. Sim: inocentes. Para os menos inocentes reservam-se as sessões às 5 da tarde de sábado na porta ao lado, Cine-Clube, tanta vez um fastio mal disfarçado e o desejo de ver... Trinitá. Bruce Lee. Lino Ventura. Clint, Florinda Bolkan, gajas boas, muito, muito. Simples. Rir é simples e sai-se do cinema contente. Isto é revolucionário, é é. Reich queria o mesmo com a máquina do 'orgone' mas não tinha namorada e só ao princípio do mês havia dinheiro para desbundas assim. Por isso rir. Trinitá. As sessões duplas de sábado à tarde no S. Miguel, Dean Martin e Frank Sinatra, o Santo, Ugo Tognazzi, filmes com Elvis Presley, os luxos das sessões no Manuel Rodrigues, o culto das da meia-noite no Scala e no Gil Vicente. Evel Knievel. O Mensageiro, maravilha de Losey. A granda farra, pois. México '68. Jaqueline Bisset e Catherine Dénèuve. Verão de '42. Por aí, por aí. Até Arrabal, no Avenida, mas isso foi mais tarde e o 'Patracas' sabe, abençoado. Mas Trinitá? sim. Trinitá's Sempre!

Thanks companheiro. Há merdas onde nos desentendemos mais que entendemos mas ambos temos uma puta de memória que faz 10 no alvo. Seja a seta disparada onde e quando fôr.





caraças! tou que nem um puto! :-) ora agora vejam esta ehehe



lol :-))

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ecos


"Ler, tinha aprendido na cadeia, sobretudo romances, permitia-lhe habitar a sua cabeça de uma forma diferente; como se ao esfumar-se a fronteira entre realidade e ficção pudesse assistir à sua própria vida como quem presencia coisas que acontecem aos outros. (...) Porque, ao passar cada folha - descobriu isso com prazer e surpresa - o que se faz é escrevê-la de novo. (...) E assim Teresa verificou que aquilo que não era mais que do que um objecto inerte de papel e tinta ganhava vida quando alguém passava as suas folhas e percorria as suas linhas, projectando aí a sua existência, as suas inclinações, os seus gostos, as suas virtudes e os seus vícios. (...) ... que não há dois livros iguais porque nunca houve dois leitores iguais. E que cada livro é, como cada ser humano, um livro singular, uma história única e um mundo à parte."

A Rainha do Sul, Arturo Pérez-Reverte, Edições ASA, págs. 193 e 194

terça-feira, 8 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

(...)



Sou um velho rastreador de Bill Bryson, que me mostra o mundo que nunca conhecerei na exacta forma como ele deve ser visto, i.e. como eu gostaria de conhecê-lo (passe a arrogância). É curioso como depois de ler este livro li este, com a noção bem sólida de Stieg Larsson ter-se socorrido da mesma muleta. O consolo: mesmo que não escreva porra nenhuma de jeito é bom saber-me municiado. Fim de momento egocêntrico. Fim? uma porra! Recomecemos: mesmo que não escreva porra nenhuma de jeito sempre vou lendo umas coisas bem interessantes.

Já agora: contaram-mo e fui a correr confirmá-lo e dou fé convicta: Millennium é mesmo uma leitura viciante, por uma pipa de razões superiores às do código browniano.

(foto gamada aqui)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Maria Alice Vergueiro em "Tapa na Pantera"

É como se fosse Carnaval: ninguém leva a mal! e se levarem... ó! tou nem aí... ;-)

Pronto, é assim: hoje encontrei no YouTube os videos de Maria Alice Vergueiro "Tapa na Pantera", e escangalhei-me a rir! já há anos que não os via e até me tinha esquecido. Melhor assim que, repito-vos, escangalhei-me a rir. Trouxe para o tasco uma amostra mas há mais. Incluindo registos dessa actriz noutra onda, a exemplo cantando Brecth.

Vale a pena vê-los todos, mas comece-se pela Pantera para ficarmos bem dispostos! :-)



Agora uma colagem com fundo musical "funk" ;-)

sábado, 22 de agosto de 2009

Verão musical :-)

Chegando o sol com força à pinha, é sempre uma canseira com o Macua! No ano passado foi uma desgraça, que me esfalfei a youtubizar o blogue com músicas, e já se sabe que atrás duma vem outra, é como com as cerejas e não tarda está uma história contada.

Este ano já pensava estar safo quando, ao ir lá para reler este poema, que adorei pois acho que a maior virtude dos poetas é conseguirem dizer em seis linhas o que um prosador faz em noventa e seis - e Knopfli é curto, suave e certeiro, ó se é...! - e dou com um desafio que já me pôs a cuca a ferver... que de armas para tanto senti-me esvaziado. Deu-me ânimo foi reparar no video seguinte, por acaso um dos meus preferidos (o gajo é bruxo? se o é foi bruxo bonzinho, benevolente...) pois, para esse, de certeza que não arranjava arma para cruzar: Pacio de Lucia, John McLaughin e Al di Meola juntos, como ripostar hein? complicado... (e sobre McLaughin ainda tenho algo para contar. doutra vez). É que já cusquei no YouTube algo dum grupo que era a menina dos meus olhos em 1976, nos meus gloriosos tempos de Lisboa e dos speed's, e não encontrei nada. Trata-se - aqui poderá estar o erro, no nome, e por isso a busca é infrutífera - dos "Jazz Composers Orchestra", ao que me contaram um grupo alternativo de NY e que teve curta existência. Ouvi à exaustão uma cassete com gravação obtida sei lá como, e nem a fita já ter 'danos' impediu que em muitos bringdowns fosse o fundo que aplacava carências e curtia os silêncios. Menos mal.

Assim puxei pelos tarecos à memória e lembrei-me dos Osibisa. Não era grande fã, confesso. A música linkada era a que mais ouvia, ou era a que mais gostava. Mas sobre os Osibisa há outra coisa, uma dúvida que me vem desde '75, em Lourenço Marques. Com a revolução a correr a pano cheio e a independência anunciada muitos moçambicanos que se tinham exilado por opção política, ou simplesmente emigrado na procura de realizações pessoais que então e lá lhes eram inatingíveis, regressaram. Eu, semi puto, os meus verdes dezoito's, não conhecia do antes nenhum, e no durante só vim a conhecer a fina flor, a malta da cachimbada e da gargalada, da speedada e das trips. Nada de grandes voos, que eu voava baixinho e estava sempre a sentar-me mal via um muro e um charro a acender-se. Ora, não os conhecia mas ouvia-se falar neles quando eram 'nome', e nalguns casos havia pontos de contacto, amigos comuns, locais de poiso, etc.
Acontece que era amigo do Shemane, malta do Alto Maé, e sei lá se por ele se no grupo, recordo ouvir contar que um irmão mais velho, o Kamal, que emigrara num misto de opção política (o fantasma do SMO...) e na senda duma carreira musical que, lá, era impossível para a medida daquilo que entendia conseguir alcançar, regressara a LM cheio de glórias pois, após uns tempos em que residira no Cairo fora para Londres e lá conseguira ascender ao staff de palco dos Osibisa, não nome de luzes mas dos que vêm logo a seguir, o que, olhando para a projecção que a banda tinha, era sucesso, era feito, não era topo de carreira musical mas último lance de escadas para atingi-la. Nunca tive a certeza. Hoje não me recorda a cara do Kamal pois vi-o poucas vezes e de fugida: era "mais velho" e não alinhava com o grupo "dos putos". Cuscando na net vejo que havia um Kamal na ficha técnica dalguns álbuns, já catei fotos onde se vê menos mal a cara do que suponho ser o Kamal, mas não posso dizer que é o mesmo. E, entre nós, a verdade é que se falava mas não sei se como mito integral ou apenas meio, um fundo de verdade inchado. Ou até ser verdade inteira, e o Kamal moçambicano, irmão do Shemane, ter feito parte da banda Osibisa. Sei lá. Nem é importante, foi apenas pretexto para um pouco de parlapiê e não meter o video a seco, que gosto de conversar e o Macua sabe e por isso pica-me :-)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Amores estivais



Os rapazes de tronco nu que não tiram os olhos das raparigas. Elas sorriem com malícia, vaidosas de ser e do viver. Além e aqui grãos, grãos do moinho que nas praias fez-se areia e nos peitos paixões, suspiros de sol. Quando o raio estala a multidão acaba, desvanece-se levada em ondas que recuam aspirando tudo, esgotando o mundo: ficam dois olhares e uma praia e nada mais existe. O clique mágico da caminhada da vida estalou e une um desejo dividido em dois, esse ardor adolescente que não sabem ser o prenúncio das solidões que virão. O sol negro da existência e o regresso da multidão.

Acontece sempre assim e é maravilhoso enquanto dura. Enquanto dura. E quem se rala? A vida é bela é vivida e não temida na precaridade dos imponderáveis ou nas finitudes de tudo: o Sol continua e se há compromisso com ele é o de lhe sorrir e viver, qu'ele não é perecível ou se desgasta como o arrepio na pele dos amores de Verão. A bela ilusão renasce contínuamente, enquanto rapazes e raparigas se galarem no descomprometimento das juras eternas, e quem se rala? Afinal viver é uma colecção imensa de ficções e ilusões, e nas praias não há lugar às irrealizáveis: há sol e, repete-se, ecoa nos grãos, com sol a Vida é Bela!

Além, aqui, os rapazes de tronco nu não tiram os olhos das raparigas e elas sorriem com malícia; além, aqui, as miragens do calor escondem a vã estivalidade, e ninguém se rala.


(foto da praia do Tofo, em Inhambane, Moçambique, gamada aqui.)

exílios



Acabei-o ontem à tarde. É o melhor romance de Mia Couto. Cerca do meio estava a nascer-me um certo enfado, mas o surgimento duma história paralela ressuscitou e entrelaçou o enredo, num galopar de páginas sem descanso.

Entretanto dou notícia aos meus 27 leitores do que suspeitam: para o tasco não tenho escrito nada. Uso palavras mas são íntimas. Estive até por duas vezes para fechar a porta e tá-tá. Mas como nunca cumpro, é deixar rolar. Obrigado pela fidelidade ou curiosidade, que quem tem blogue ou lê blogues é voyeur de persianas e daí não vem mal ao mundo. Nem me interessam os males do mundo, valha a verdade: olho e penso a micro questão, o indíviduo: sou um, e relaciono-me um a um. De momento faço um luto (não literal, haja!) e isso absorve-me sem dó. Uma gargalhada? há-de soar, mas ainda é cedo.
Isto é "tá-tá" mas no sentido de "até já" :-)

(foto da capa gamada aqui.)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mau cheiro



O prazer da discussão do sexo dos Anjinhos, ou A honorabilidade da porca Política (ler por ordem): [1], [2], [3], [4]

Lendo os comentários percebi que há mais. Para mim estes chegam, e acabaram-se os links. Até ao fim do ano? :-(

(o cagalhão artístico estava aqui. peço desculpa, mas...)

domingo, 16 de agosto de 2009

9:58!!!!



Este gajo não é deste mundo! Parabéns mesmo, caraças!




Notícia e origem da foto, aqui.

Melancolia e esperanças



A escrita 'bonita' é a simples e sincera, escorreita, sem gramáticas complicadas. O sentimento a ler-se e, em glória ao escritor, partilhado.
Foi o que senti ao ler este texto de Graça Pereira, no seu blogue Zambeziana. Recuar e ler mais não é esforço.

...entretanto sonho com um resto de vida num paraíso já com nome e ilhas em redor: Inhambane.
Eventuais cuscas têm mais aqui: [1], [2], [3], [4], e o Google tem a arca cheia.

(foto do blogue linkado)

sábado, 15 de agosto de 2009

"Sei-te de cor"



Não foi recebido por e-mail: foi dito com um sorriso nos lábios e os olhos cantarolando um amor maior que estrelas, que esta era "a" música que melhor retrata o que sente por mim. Na mão uma folha dobrada, com a letra copiada. No coração, aberto, muito mais que mereço, e agarro: agora sei de cor, sem precisar ler, a fortuna que é ser amado.

Obrigado Paula "Webina": afinal Nós sabemo-nos de cor e isso é superior ao salteado. Eu também te amo e as rabujices são parte do cenário, que, tu que me sabes de cor, conheces como o defeito infantil do webismo-quirimbismo, mas que não trava o imparável progresso revolucionário até à vitória final.

Teu Carlos "Web"

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

data e hora


Um mês.

"A Trama"



Porra, se gostam de livros, música e de bom gosto, visitem este blogue!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

dr. House?


A Carla comentou que há momentos em que lhe lembro o Dr. House. Pelo feitio - teimoso, cáustico, mais etcs que não quero aprofundar - e até fisicamente - a barba de três dias e o coxo. Em momentos, realçou. Amiga.
Resultado 1: estou a ver a série desde o primeiro episódio. Resultado 2: há momentos em que franzo o sobrolho e há outros onde sorrio.

Raiz quadrada à questão: esta miúda sabe como convencer-me!

(imagem daqui. pessoalmente acho que tenho menos 'cara de mau')