quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

"o resto é letra morta"

como todos os anos - felizmente!... - em alturas de Natal e Ano Novo recebo(emos) montes de e-mails com desejos do melhor que há, bonecada e flores que davam para abrir uma loja chinesa, e das grandes.
há vezes em que aparecem alguns de bom gosto. melhor ainda se são produção própria e não Fw's. deste "ano novo" destaco este mail-poema, vindo de ilhas e coração quentes:
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No epicentro do sonho me concentro
com o sentimento sustentado
de quem parte por querer partir
mesmo não chegando a nenhum lado.


Não há aventura
sem loucura e sem ternura

- é a viagem que importa
o resto é letra morta.


Praia, Cabo Verde, Dezembro 2007

Nuno Rebocho
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idem para ti, Nuno. idem para todos os que tremem ao ler poesia, que "o resto é letra morta".

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Para Além da Mágoa: Novos Diálogos Pós-Coloniais

divulgo. embora o meu desejo seja estar presente, o mais certo é não poder fazê-lo. além de divulgar recomendo, pois sei da qualidade da organização (obrigado pelo convite, amiga, mas... entretanto telefono-te)

Colóquio


Para Além da Mágoa: Novos Diálogos Pós-Coloniais


Organizadoras:
Margarida Paredes (Centro de Estudos Africanos, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa),
Sheila Khan (University of Manchester / Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)
e
Casa Fernando Pessoa (dir. Francisco José Viegas)


Texto Explicativo do Encontro:

Uma nova geração de escritores tem emergido na narrativa contemporânea com um discurso que procura descolonizar as mágoas, as angústias, e dores que a geração anterior trouxe de África e de Timor. Será necessário, na nossa opinião, pensar e reflectir nestas novas trajectórias de vida e identidades, com um olhar completo. Este acto de olhar, é o projecto de escritores que procuram fazer uma leitura diferente da caminhada histórica, cultural e subjectiva do nosso passado colonial, de um modo criativo, lúcido, e equilibrado. É a língua das águas subterrâneas que enriquecem este mal-estar pós-colonial, por vezes, pejado de sentimentos de perda e de exílio. Acolher e escutar estes novos olhares, estas novas visões em interacção com África e Timor, permite-nos dirigir e mesurar o diálogo que propomos, neste encontro, para além da mágoa.

Objectivos do Encontro:

O que é a literatura pós-colonial de língua portuguesa?
Como é pensada e sentida a história colonial portuguesa, pelos novos escritores?
Uma literatura de luto, ou uma produção de novos sentidos e novos diálogos numa era pós-descolonização?
Será possível falar-se sem receios de uma literatura e de pós-colonialismo luso-afro-brasileiro?



Público Alvo:
Investigadores
Estudantes
Críticos Literários
Jornalistas
Centros de Estudos Africanos
Centros de Estudos Literários
Centros de Investigação
Público em Geral

Lista de Convidados:

Ana Paula Tavares (participação especial da poetisa)
Francisco Camacho
Eduardo Agualusa
Joaquim Arena
Paulo Bandeira Faria
Margarida Paredes
Miguel Gullander
Luís Cardoso


Programa: (22 de Janeiro, 2008)

Manhã:
9:30 – 10:00 – Apresentação do Encontro por Francisco José Viegas e Sheila Khan
10:00 – 12:45 – Das Narrativas do Não-Sofrimento, dos Novos Sentidos sobre a Literatura Pós-Colonial de Língua Portuguesa
Mesa orientada por: Livia Apa (professora universitária, Universidade de Nápoles “L’Orientale” e na Universidade de Roma “La Sapienza”)
10:00 -10:30 – Francisco Camacho
10:30 – 11:00 – Paulo Bandeira Faria
11: 00- 11: 15 – Coffee Break
11: 15 – 11:45 – Joaquim Arena
11:45 – 12:15 – Luís Cardoso
12:15 – 12:45 – Discussão de Ideias e Propostas

Almoço: 12:45 – 14:00

Tarde:
14:00 – 17:15 – Dos diálogos, e de uma Literatura Luso-Afro-Brasileira Pós-Colonial
Mesa orientada por: Inocência Mata (professora universitária, estudiosa de literaturas africanas)
14:00-14:30 – Eduardo Agualusa
14:30 – 15:00 – Margarida Paredes
15:00 – 15:15 – Coffee Break
15:15 – 15:45 – Miguel Gullander
15:45 – 16:15 – Ana Paula Tavares (participação especial da poetisa)
16:30-17:15 – Reflexão Final por Francisco José Viegas (keynote-speaker)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

uma folha em branco

ando com ganas duma cambalhota literária. estendê-la à minha frente e olhá-la, nua, imaginando-a ansiosa pelos caracteres que a minha caneta pinga por lhe dar. de passar os dedos devagar no seu rebordo, ângulos que enfeitiçam e impelem a ousadias maiores, à carícia na alvura do seu âmago e que rasgo em palavras de ímpeto, os dedos palpitam as letras que vão amá-la, as frases que a ruborizarão, o parêntese que, virada a folha, nos unirá no seu complemento, a continuação.
depois vem o parágrafo. maldito. o olhar dela semi nua, folha falha de tantas letras que ficaram por desenhar. maldito sejas, coitus interruptus, meia folha meia foda, meia vida por escrever e eu impotente para tanto de ti, folha e vida, contar, cambalhotar. maldito.