quinta-feira, 31 de maio de 2012

melhor que sexo

como acabo de ler que António Cabrita é um dos escritores pré-seleccionados para o Prémio PT Literatura 2012, saco para aqui esta excelência, que me veio logo à tola quando lhe li o nome na notícia.

aviso: é deliciosamente 'longuinho' para os padrões quer de blogues quer de Facebook, onde o voyeur raramente se senta, tão curtas são as paisagens nestas selvas de janelas com janelas. ainda bem. porque nele não há tédio, há alegria: tratar tão bem o amor à literatura é mais que um afago, é cópula da boa mesmo.

abanquem. espreitem. como o vizinho faz, porque é que quando ele/a entra no elevador pensamos logo em alto sexo, e a seguir afundamo-nos na depressão do espelho, ao ver-lhe a cara serena e luminosa de quem é estrondosamente feliz

domingo, 27 de maio de 2012

ainda da porcaria secreta

"Com a palavra «informação» referimo-nos a todos os conhecimentos que temos sobre o inimigo e o seu pais; por isso, no fundo, ao fundamento de todas as nossas ideias e acções. Consideremos a natureza desse fundamento, a pouca confiança que merece, as alterações que sofre, e breve sentimos como é perigoso o edifício da guerra, como pode facilmente desmoronar-se aos bocados e enterrar-nos sob as suas ruínas."

Carl Von Clausewitz, "Da Guerra"

 a Ongoing com esta tornou-se um cadáver de facto. só falta atestá-lo oficialmente.

quanto "às secretas": mete medo pensar que este tipo de gente teve (tem?) tanto poder. poder não fiscalizado. como li algures, isto noutro país, com outra escola de conceito de liberdade, já tinha pessoas com algemas postas. cá, esperam-se relatórios urgentes em 15 dias, a PGR reflecte (e reflecte), o Parlamento faz barulho mas nada dali sai, o Governo assobia para o lado, e o PR continua nas antípodas.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

galeria de arte

 o GP de Mónaco está à porta, e recupero à memória um dos maiores duelos a que se assistiu nas ruas mais famosas do mundo vrum-vrum: o protagonizado entre Ayrton Senna e Nigel Mansell há exactamente 20 anos atrás, em 1992.

recordo os precedentes destas últimas voltas históricas: Nigel dominara a corrida até ir subitamente às boxes com um furo (um furo? nunca se confirmou) e mudar os quatro pneus, deixando Ayrton no comando. faz uma recuperação fantástica - o Williams FW14B era de longe o carro mais rápido do pelotão, e Mansell chega a Mónaco já com 5 vitórias no bornal e o comando isoladíssimo do Mundial - e assiste-se a um dos duelos que tornaram este GP imortal. Senna, com um carro claramente inferior, consegue manter a liderança até final, tapando-o em todos os locais onde uma manobra louca de Mansell poderia dar frutos. e vão assim até final...

com o fantástico equilíbrio entre os teams deste ano, talvez tenhamos oportunidade de este fds juntar à galeria de arte novas imagens

terça-feira, 22 de maio de 2012

"paredes": autofagia produtiva


estou aqui sentado entre parapeitos, numa janela a fácil complexidade do Mahjong, onde saltar de nível não requer argúcia ou golpes de sorte especiais, mas somente atenção e paciência de chinês. joga-se, sabendo que se ganha sempre no fim. 

os telhados geometricamente simples, as cores em equilíbrio contrastante, é mais que uma parede nova quando se nos pendura no silêncio contemplativo um Maluda, e pensamos que além da urgência de voltar a olhar o quotidiano muito depende do olhar: se Goya olhasse o Tejo ele nunca mais nos seria igual (esta metáfora é muito ampla, aviso).

noutra janela está pousado o jornal, dobrado, à espera do medo. fustigo-o com o colectivo. e procuro a "charge" nos casarios distantes que ligue o interruptor quando saltar para o parapeito seguinte. posso chamar-lhe informação, aprovisionamento, cultura ou lúdico, mas por aquele rectângulo horizontal (os jornais não são assim!) não entra nenhuma parede nova e choca-nos a urgência em pintar as nossas: o sarro dos dias, o poeta dixit, é tão espesso como um quadro de Goya.

então retorno a Maluda, revisito casarios sob o seu olhar luminoso e que desmonto com a destreza do treino desse jogo. par a par, semelhança a semelhança, botão a botão, os dedos vão deslizando pelas ideias, as rugosidades dos parapeitos onde nos apoiamos, esta familiaridade vácua do nosso corpo cerebral. mais cor. mais existência. abundância de janelas, um desvario de identidades. neste jogo a corrida e o medo vão lado a lado, pedras que se destapam e revelam novas, mais, a paridade mantêm-se escondida com o rabo de fora mas são tão intermináveis como esta Cronologia que construímos, tic-tac de solidões não medicadas, murais pincelados a granel por um explosivo Gulley Jimson fugitivo das páginas de Joyce Cary, e tão raramente telas que enlouqueçam uma criteriosa sala de leilões, como tu e eu nos julgamos. Game Over tanta vez, esgota-se o olhar e o casario é só o casario e as paredes lá continuam à espera de Prometeu que um dia as pinte.

se se clicar na imagem vê-se em melhor pormenor: saltei uma janela, um parapeito. o Diário nunca está completo, há regiões tão autónomas que, nelas, os botões apertam-se em vez de se desapertarem aos pares. eu chamo-lhe o Passado. passado é tudo que se modificou. pode estar presente, sentar-se como habitualmente nos parapeitos quando fazemos nascer o dia, mas resvalou para o lado das ausências presentes e senta-se mais no que vemos com a curiosidade duma visita museológica pela anatomia geral da nossa própria existência, que na atenção que nos merece uma reparação doméstica, um dilema por resolver, uma janela que soube compreender que o vento e a chuva são tanto tormentos como a é a aflição que nos explode no íntimo perante a tremenda beleza, agressivamente triste, ameaçadora de qualquer horizonte primaverilmente são, do mestre espanhol. há um vácuo latente, e os vácuos em parapeitos aumentam perigosamente as distâncias entre zonas de conforto e a cronologia necrófaga que é reler e reler e reler passados. então Maluda.


recordo-me duma entrevista de Luís Fernando Veríssimo, ao Carlos Magno da TSF, onde desvalorizava este escrever acerca do nada. dizia que era chão que já não dava uvas. na altura, em trânsito motorizado, quase parei o carro envergonhado: eu, réu, me confesso! mas, abrindo as portadas (as pedras de Mahjong sobrepostas com o rabo de fora; os tais botões do que nos tapa o peito) e olhando minuciosamente um horizonte que nunca se esgota enquanto houver resmas de folhas A4 brilhantes (Vila-Matas; foi ele que se saiu com esta), pergunto-me se o brasileiro com quem mais gostava de passar uma tarde na cavaqueira não foi ligeiro na sua apreciação depreciativa. se, sentando-nos nos parapeitos não se ilude a vertigem da monotonia, não se esconjura o sarro dos dias no fundo dos copos que vislumbrou e apoquentou o poeta, se não nos refazemos em janelas sobrepostas sobre o vilipêndio da vacuidade do nada. 

não vou pintar paredes mas vou arranjar a porta do armário da cozinha. gostei muito deste bocadinho, levo um sorriso que no início não existia: sou um sacana e pêras, e puta que pariu o cérebro deprimente do Goya: abro as janelas e salto parapeitos com o medo residente de que algum horizonte se acabe e sobrem manchas e manchas nas paredes, mas

haja dedos e folhas brilhantes e nunca (nunca!) terminará este gosto egocêntrico de repintar o espelho de feira, ora gordo ora magro, ora o casario de sempre mas com um pássaro ou um avião voando, meus papagaios de todos os diários.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Porsche 909 Bergspyder

...voltando aos carros: o Porsche 909 'Bergspyder' (clicando nas fotos do site linkado, elas aumentam).

um peso-pluma que voava serra acima - foi construído para participar em rampas - e espalharia pós tóxicos em todas as curvas se os discos dos travões não tivessem sido cromados previamente: eram feitos em berílio, para diminuir o peso. assim como para diminuí-lo, o depósito de combustível só comportava 17 litros: o suficiente para a subida a esgalhar e para o balanço para a descida, finda a prova. a obsessão de Ferdinand Piech (neto de Ferdinand Porsche, pai deste projecto e doutros, como o enorme e arrasador 917) com o peso era tal que... leiam esta pérola:

"Illustrative of his obsessive approach was the method by which Piech made sure that the mechanics had not used a single steel screw or nut; he went over the entire car with a magnet."

e assim se ficou nuns incríveis 385 kgs. 

ah! ainda houve outro 'Bergspyder', o 910-8. mas este, o 909, tem uma história mais gira embora seja tão feio como uma orca que passou pela máquina de espremer bacalhaus.

o superavit de bácoros

que o ministro Relvas tem pinta de abusador de poder, está-lhe na cara. um Rasputine saloio, uma sombra que cai sempre que ele aparece. tem-se visto em bastas posições tomadas, sejam à vista ou entre cortinas mas com o pezinho de fora. e não é de agora: conheço quem foi colega dele de escola e que o resumiu em palavras simples: «não presta!»

agora arranjou uma caldeirada interna no Público. eu dou de barato a oportunidade ou não da notícia que não saiu. não a li, não sei. o que leio, nas duas versões internas em semi-confronto (Direcção e Conselho da Redacção), é que o sr. ministro ameaçou com represálias movidas pela sua superior influência, e tentou chantagear uma jornalista com factos de vida privada (vida privada).

a notícia tinha a ver com a sua audição na Assembleia da República acerca do seu concubinato informativo e mais além com o espião-mor da Ongoing, Jorge Silva Carvalho. aqui paro. para recordar que o nosso anafado "our man in" é acusado, entre mais maldades, de devassa de vidas íntimas, e dar esses dados a decisores negociais privados para, assim, colherem posições favoráveis em negócios. pela intimidação psicológica implícita ao revelar o seu conhecimento ao opositor. sujo. porco. suíno. de bácoro na engorda, como o seu visual aparenta. e tendo o ministro Relvas desmentido à Comissão de Inquérito que o concubinato tivesse passado (consigo) a estádios tão escabrosos, não evito fazer a soma mais simples de todas e perguntar-me como é que sabe da pretensa roupa suja que afirma saber.

há uma semana e picos escrevi aqui que isto dos espiões com part-times abusadores ainda ia acabar mal. que cheirava tão mal que só podia terminar com todos na latrina, mais coisa menos coisa. hoje solicito que no balde de despejos se junte um ministro. o Relvas está bem é com os bácoros.

Crohn é uma doença de ricos!

parece que o arribar, hoje, não é falso como o foi ontem, em que levantei-me cheio de ilusões de melhoras mas não demorei a perceber que o engano era grande e a realidade continuava a chamar-se Crohn, e sequelas. tanto que finalmente hoje vou sair à rua. parece não ser nada de especial mas para quem ainda só caminha vergado (para amainar as dores estomacais), é obra. tenho consulta no Centro de Saúde, esta tarde.

será um acto pró-forma e administrativo, quanto a mim, que me muno de receitas específicas para este bichinho nas consultas de especialidade, no Hospital Distrital. o Médico de Família, por mais atencioso que seja (é) não mete palpites num assunto que sabe ser acompanhado por colegas especialistas, e registará no meu dossier outra ocorrência. a visita ocorrerá principalmente para obter um atestado de baixa por assistência a familiar para a Paula, que tirou estes dias para cuidar de mim com prejuízo das suas férias futuras.

cuidar de mim. na fase mais crítica, a noite de 3ª para 4ª feira, dez vezes quis ela telefonar para o 112 e dez vezes a impedi. e esta noite isso ainda aconteceu. as razões porque o fiz foram de natureza medrosa (tenho pavor à introdução da sonda naso-gástrica) e de natureza economicista: ironicamente, na 2ª feira fora informado de que a minha doença, que é crónica e me ataca diversas vezes ao ano, fora excluída da lista daquelas em que os doente beneficiam da isenção de taxas nas consultas e tratamentos, assim como no transporte de ambulância quando não prestado pelo INEM. em resumo de números, qualquer visita à urgência hospitalar não fica por menos de 50 euros: consulta, análises, radiografias e tratamentos incluídos. caso passe a internamento (costuma ser) aí a conta pára de somar. mas até lá não há perdão contabilístico.

sou parvo? e medricas? assumo ambos. mas tenho esta maldita há mais de década e meia e conheço-a, sei ler-lhe os sinais. naturalmente sei quando as dores se tornam insuportáveis sem apoio, e arrisco no jogo de cálculo quanto à evolução da crise, protelando a intervenção médica. já umas vinte crises e subsequentes internamentos deram-me experiência suficiente para "ver" quando há risco duma ruptura interna poder eclodir. e as dores, essas aguentam-se até àquele ponto em que 'a solo' não se aguentam mais. mas sou duro, desculpem-me a vaidade. só a sonda me aterroriza (tenho os canais nasais estreitos, diz o médico) mas mesmo assim 'éne' vezes fui eu que pedi que chamassem a ambulância, mesmo sabendo o que me espera mal chegue à urgência: entubado.

depois a vida é o que é, e hoje ela é tanto o que é que só em pensar nisso predispõe os sãos à depressão, e a sua lembrança agudiza qualquer doença. se eu puder poupar 50 euros a troco só de dores, e sem elevado risco para a minha vida, então torno-me um somítico irracional e não hesito, cerro dentes e largo os ais suficientes para psicologicamente aplacá-las. a minha doença foi catalogada como doença de ricos (meu exagero descritivo, sei) e nem vocês, nem os médicos, nem hipoteticamente o senhor contabilista que é ministro da Saúde caso ele me pensasse além de contribuinte, calculam o tamanho do meu sorriso quando me sonho nesse estado de graça social. isto está duro, e no meu raciocínio escanzelado só se gastam 50 euros quando não existe alternativa a fazê-lo.

Europa, Portugal, 2012. em que me descubro na doença incluído em elites que me davam um jeitaço integrá-las era na saúde!

domingo, 13 de maio de 2012

Matchbox poético

no tempo em que fazia os meus mais lindos poemas rimava com facilidade tudo que terminasse em 'ão': era o meu coração a gritar por ser ouvido que se tratava, e até lágrimas eram bonitas e ficavam tão bem escarrapachadas na minha apaixonada poesia...

hoje, se faço um poema ainda o lavo e engelho nas paixões, e delas sai sempre um registo. um recado, um código, mais um suspiro de esperança: é quando o peito amolece que melhor se rima. por vezes julgo que o dissimulei e só eu e a musa o entenderemos... mas logo risco tudo, irritado: de que vale sofrer por amor se ninguém se compadece? acaso o amor se deve esconder, e não será pelo contrário caso para gritá-lo, a felicidade por senti-lo? um poeta vive da dor.

mas como envelheci e envaideci, perdi não só os amores cândidos (os mais belos!) como tenho cuidados na rima que estragam o poema - e naturalmente a mensagem que seria o abre-corações mágico que me ascenderia a ternuras renovadas e quiçá rejuvenescedoras: abandonei a liberdade da rima livre à minha paixão e, por exemplo, tenho especiais cuidados para nunca rimá-la com algo tão omnipotentemente belo como um camião.

"meu coração mais querido,
meu amor tão perfeito:
dou-te o meu camião,
dele faremos o nosso leito.

e nele te murmurarei poemas, loas mágicas ao amor.
mas jura-me solenemente que brincarás sem estragar,
paixões que tenho e vivo, e nele transporto"

(qualquer coisa assim derretia qualquer uma! acho... ;-)


são palavras que no meu íntimo rimam, e cá no fundo continuo a acreditar que se rasgasse a folha ao caderno e com ela embrulhasse em prendinha um dos meus mais queridos brinquedos, e assim me ofertasse de gordinho e mãos abertas, teria sucesso! eu tornar-me-ia irrecusável: quando se cansasse de brincar com o carrinho ela releria o poema, e vice-versa, e já estávamos em matéria de ♥ gordinho♥! e tanto (tanto! oh tão belo o meu camião!) vergaria qualquer coração ainda renitente, estupidamente indeciso!... quem não adoraria brincar assim? quem?

mas aos meus olhos d'hoje são conceitos em palavra que colidem tão frontalmente, que receio tal atropelamento lacerar a poesia de tal forma que ela se torne impublicável. camião, coração. sem INEM que lhe valha! ou cardiologista ou camionista, a vida moderna não está para açambarcamentos de paixões!

a métrica adulta rejeita verdades em que acredito mas escondo quando não falo em poesia: que um coração doente cabe bem em qualquer rima, em como são tão gigantes mãos que ainda sentem sentimentos de saudade que se recusam a amadurecer, e, nelas, cabe e caberá até à última folha de todas as folhas a rima fonética mais singularmente perfeita da paixão: tudo - tudo! - rima livremente com o amor. porque não o meu lindo camião? e que to dou? :-)

huummm... adoro esta minha miopia. não só me esconde as cãs brancas como me surpreende tanto, tanto... ainda agora meti a mão no bolso, e que encontrei? uns calções, um poema a embrulhar-me em brinquedo, e tão tonto ando que já quase me esquecia... ♥

teste de QI?

até esta leitura eu julgava-me um gajo bastante inteligente e fiz tudo por melhorar os meus conhecimentos: diversifiquei leituras o mais que consegui, e até aprendi a fazer omeletas. e tentei o sudoku mas sem sucesso, mas sou acima de razoável a resolver problemas de palavras cruzadas. 

julgava que ia bem encaminhado! agora vejo - pelo exemplo que me dá o relato de vida deste cromo - que descurei parte importante, e sinto-me incapaz psicologicamente de 'ascender' a outro estádio evolutivo que implica o uso dum extra. é que:

1º não contabilizei os orgasmos que tive até hoje
2º não me imagino com uma lâmpada enfiada no cu!

estou condenado à obscuridade...

o Aurora, do padre Juliano

esta coisa chama-se Aurora, e era para ser um carro. era. se o é, então é o carro mais feio alguma vez construído

é de 1957 e foi desenhado e construído por um padre. que arda nos infernos!

o Searcher One, de Wilt Chamberlain

este carro além de feio foi um fiasco. nem nos rodapés vem.

mas devia vir... senão nos de popós, nos do basket: ver com atenção a foto, sff

é, é o Wilt Chamberlain. o maior basquetebolista de sempre - e que me perdoem o Michael Jordan, o Magic Jonhson e tais: mas um gajo que marca 100 pontos (100 pontos!) num jogo da NBA e no tempo que em não existia a mariquice da linha dos 3 pontos e um cesto era "um cesto e mái nada", só pode ser mesmo o maior basquetebolista de sempre.

o carro é o Searcher One, e não houve Second. felizmente. invenção do bom do Wilt, que se devia ter ficado pela magia da bola grande e pelos afundanços.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

as secretas e a mulher de César

mais que dizer que esta Ongoing é um "pato bravo" perigoso que felizmente pouco medrou na nossa sociedade, que as sociedades secretas são (tornaram-se?) mais antros podres que sãos conclaves de meninos grandes, há que perguntar como é que a rebaldaria nas diversas polícias sem farda foi possível chegar a este ponto.

é que se soma o escândalo no Sporting com um tal Cristóvão, um ex PJ de currículo suspeito que tinha (tem?) por hobby espiolhar vidas privadas, e por divertimento sacana armar-se em mecenas não solicitado da arbitragem. tudo junto é muito e preocupa: é inevitável recordar a tal metáfora da ponta à vista do iceberg. à velha pergunta - e quem nos protege da polícia? junta-se uma nova: - e quem os pune?

os sobreiros de Benavente levaram alcunha em autos de "facto provado", e algumas das maldades que se lhes associaram também: os seus cadáveres estavam carregadinhos de dinheiro e por isso o corte justificava-se - pensou-se e fez-se. a sentença? sabemos como foi: zero.

ah, metia banca. banca, sector sensível. banca, sector de cautelas. e banca que foi mecenas dum congresso all-garvio de procuradores que incluiu programas paralelos de três dias para acompanhantes. acompanhantes dos procuradores e dos jornalistas convidados - que os houve.

no O Intelectual Brejeiro, um simpático e bem-disposto mural do Facebook, há entre muitas outras e que nos sacam sorrisos a feliz montagem acima. lamento dizê-lo mas a confiança pública nas virtudes do sistema judicial anda muito por baixo. além da habitual vox populis que preza o bota-abaixo como profissão de vida, há fumos mal-cheirosos que não escondem haver fogo no caixote do lixo. urge sanar (e com transparência). senão... quem raio nos protege da corja de abusadores?

terça-feira, 8 de maio de 2012

Gritoacanto

eu canto as gentes vivas e as ausentes
as coisas por fazer ou já desfeitas
as empenas das casas levantadas
as empenas das casas esqueléticas

o vento a flor a pedra a dor a chuva
o perfil a palavra a mão a fome
o verme o pássaro o insecto a nuvem
e o mar e o grito e o pão que o tempo absorve

mas sobre tudo eu canto ai sobre tudo
este morrer de amar cada segundo
horizontes por que me desfiguro
à mortal palidez de um céu inútil

Glória de Sant'Anna
, "Gritoacanto 1970-1974", Cooperativa Árvore, Janeiro de 2010

eu & a viola

no Facebook ponho esta foto, e comento: "o Grande Lapso: não ter aprendido a tocar viola. e tive uma..."

muito naturalmente dizem-me o óbvio: que estou muito a tempo. eu respondi que tergiversava. assim:

"...porém há momentos, propiciamentos, janelas que se deviam ter aberto numa altura que já não é esta. eu sei que me fixei nesta imagem mental da viola. quase diariamente passo pela montra duma loja de instrumentos musicais e invariavelmente ela está pejada delas, e invariavelmente quedo-me minutos e minutos a olhar longe, dedilhando histórias alternativas, sacando solos que não fiz. abuso destas simulações, eu sei. nada é assim. nada. mas naqueles minutos em que lá estou é. e nos longos (longos) que se passam depois, no palmilhar das ruas até à toca também é assim. nem vejo o hoje: sigo por rotina. envolo-me. subo além da vertigem, refaço caminhos e encontro uma mão perdida, que toco. que toco. como agora: estou aqui mas de facto estou à frente da montra, brigando no vazio dos passantes indiferentes pela minha primeira fila do silêncio, pelo apertar do braço e deixar os dedos tocarem as cordas, pressionando os pontos mágicos donde tudo sai, tudo soa. sabia fazer algumas notas. sabia tocar pedaços desta e daquela. o solo do Smoke on the Water - mas quem não, esse? sorrio. não sorrio quando penso que já naquele tempo - e naquela viola... - desejava saber era o Evil Ways. afinal sorri... :-) talvez, talvez... :-) ou pelo método infalível do profº Cebolo ou de ouvido e de cábula na mão. uma viola raramente são só folhas de balsa bem recortadas, polidas e coladas, e arames esticados de espessuras diferentes. há a decoração, o enfeite, e o sorriso. expliquei-me um bocadinho :-) uma viola tipo "ceci n'est pas une pipe" ;-))"

o tronco

o Carlos Silva, do Munditações, desafiou-me a juntar letras a uma das suas imagens, sugeridas pela visão dela. era um tronco de árvore cortado, um cepo. foi de sopetão e saiu assim (repito aqui o texto porque, relendo-o agora, achei-o algo empastelado e de dicção pouco fluída nalgumas partes, tendo-lhe dado uma "lavagem"):

"o tronco"

o tronco abatido, serrado pelos dedos que o desenharam num arabesco de cicatrizes concêntricas além daquele momento, espelho dos espelhos - ó, o rendilhado!.... - bate-me de chofre e suspende-me o seu desenho, que já iniciara: «era uma vez uma árvore de tronco rugoso e austero, que...»: não conta, não conta porque não sei: só suspeito. centenária? na parte fugitiva voaram corações desenhados por canivetes seguros por feitiços? e as folhas? como eram? talvez tão longíneas que, quando caíam, planavam nos olhos como passarolas e se um pintor montasse cavalete teria de alongar a perspectiva para captá-las em bando, na sua viagem de silêncios até ao fofo do chão, ao manto que se conta quando se fala na suave cama de folhas tenras (secas é uma palavra feia) que existe sob todas as árvores românticas.

isso: uma árvore romântica. que viu muito e nada conta, ou, porque o amor nunca prescreve e na sua doçura ameaça exércitos, então foi abatida, serrada, e ei-la despojo inadmissível como prova, já: os “gordinhos”, os corações desenhados e autografados com a violência das setas egoístas dos amantes, essas provas não circunstanciais e capazes de abalar um júri renitente em aceitar a culpabilidade histórica das cicatrizes concêntricas, esses documentos que são vivos além do pó porque a memória não tomba quando uma árvore cai, evolaram-se do momento e deles não conta a foto, e eu reafirmo só o suspeito.

curioso momento este, esta anatomia fotográfica, este dissecar de ilusões, esta pantomina da realidade: calhe, e a foto foi captada além esquina e mercê de obras de requalificação, como costumam rezar as placas que se desdobram em explicações para justificar a morte d'algo. talvez fosse dum quintal particular e esta imagem é-me grata pois por trás visualizo uma casa que envelheceu namorando várias gerações, talvez um banco à sua sombra (a tal cama de folhas de regresso...), talvez mesmo um baloiço abandonado, toda uma pátine que resistiu até ao momento da placa e das obras de requalificação a matarem, e nos serrarem a memória. talvez nada disso, cala-te Carlos, não abuses da ficção: é um toco velho e podre, são os restos dos tempos, é o relógio parado, é a vida e um seu momento. talvez.

mas prefiro a minha ilusão. uma jangada. tábuas aladas. uma mesa tão gigantesca que se derrubaram muralhas dum castelo para introduzi-la no seu salão mais nobre e belo, ou, talvez (talvez) qualquer uso não discriminado e para aqui nada importante à excepção das suas sobras: o desperdício industrial que nas mãos duma criança faz um tronco de árvore pular e correr, e o mundo avançar com ele como se no poema, esta poesia tão sorridente como 'a sua' criança que da tábua de nada moldou um carrinho de rolamentos e desliza nuvens de imaginações à velocidade estonteante do seu amor infante, da sua fé na mestria da construção, quiçá e sem o saber sentada sobre um coração que alguém, da tal casa com história e que tem um banco sob os ramos que suportam um baloiço, e sobre tudo isso paira, secular, uma árvore, onde alguém antes dele o desenhou e sem nada disto prever. gosto mais deste talvez.

gosto tanto dele que não me alongo, regresso ao retrato e pisco-lhe um olho cúmplice, matreiro, maroto: «á magana, o que tu viste...». e sorrio, sorrio pois. não remato dizendo que prefiro a ilusão à realidade, que do retrato do cepo duma árvore carunchosa construí um romance, castelos, carrinhos de rolamentos, e muito (muito) amor. tudo treta, meus amigos. e treta de quem o pensou: eu conheço-a, à arvore. ei-lo, o truque, a carta na manga, o segredo, a batota do narrador. conheço-a porque conheço-lhe o baloiço, corri que nem um doido no seu carrinho, namorei e namorei-lhe no seu colchão fofo (isso, isso), e também tive orgulho em possuir um fabuloso canivete. reconheci-a mal a olhei. depois foi fácil: fechar os olhos, sorrir e recordar...

foi assim... :-)



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sir Charles


«Um grande incêndio não deflagra num deserto, mas sim numa floresta. E quanto mais luxuriante ela seja, maior ele é»

Sir Charles Brenton Walters, filósofo inglês prematuramente falecido (1855-1912)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Entardece, meu amor"

Entardece, meu amor

a pele macia começa a enrugar
mas não deixes de a tactear
não deixes de a abraçar
não deixes que o teu corpo
renuncie ao perfume do meu

Entardece, meu amor
mas continuo a ver o mar profundo
no teu olhar

e o sol poente, meu amor
não deixa nunca de encantar

Entardece, meu amor
mas é ao entardecer
que mais carecemos de amar.

(...)
inacabado

Fátima Guimarães

2-05-2012
 
(foto de artabus.com)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

um azar nunca vem só!

ainda por cima disto, naquela confusão o coitado perdeu o DVD* que o guiara que nem bússola atómica ao supermercado... :-(


* "O último tango em... LOL"

Ilha de Moçambique - na alma dos poetas


(de Paulo Pires-Teixeira)

a FNAC já o tem.

o doce feriado do Pingo Doce

a histeria. e com certeza algum desarranjo mental momentâneo provocado pelo pânico da crise: quantos e quantos gastaram 50, 60, 70 - na mira do desconto - quando se fora deste síndroma de multidão, de "rebanho", para gastarem 20 ou 30 já contariam bem contado? ah! e os cartões de crédito. os que sobreviveram. daqui a 30 dias vai ser uma chiadeira danada.

brigar pelo último frasco de champô? 10 kgs de sardinhas? uma loira agarrada a um expositor de chocolates «é meu, é meu, é meu!»? deus m'a livre...

----
entretanto há quem ache virtudes muito óbvias no acto caridoso. eu duvido. é que duvido mesmo! e numa troca de comentários no Facebook respondi assim:
a Jerónimo Martins capitalizou-se nesta operação sem ter de ir à Bolsa ou à banca. transferiu as suas existências em armazém para as despensas dos seus clientes - que para isso pagaram mais do que normalmente pagam: hoje gastaram em produtos que em vias normais de consumo só gastariam daqui a meses, pois só então os consumiriam. repito, Vítor: a Jerónimo Martins hoje "limpou" os bolsos aos seus clientes mais aflitos - os tais que bem identificaste. fez uma rotação mágica de stocks - mágica porque gigantesca e a custo 0 para ela, empresa: o que ganhou no excesso de vendas é superior ao valor do tal desconto que suportou. mais o que não pagou nem pagará pelo encaixe de dinheiro vivo.

quanto aos clientes. li várias reportagens com trechos de entrevistas feitas no momento. quem ia a pensar gastar 100 (200 em compras reais) e quando pagou pagou 300 (600 em compras reais). armazém em casa. um caso falou em já ter gasto 700 (1.400 de mercadorias) e ainda iria voltar à tarde, dizia. armazém. aqui em Almeirim ouvi conversas em café. e, aqui, conheço as pessoas. não lhe conheço a carteira mas conheço-lhes genericamente as vidas. nunca foram largas e com certeza agora estão mais apertadas. e falavam no stock reforçado que fizeram. o tal armazém. obviamente a troca de transferência de reservas ou poupança para o mealheiro Pingo Doce. fora os que utilizaram o crédito: cartões. e quem tem ou teve cartões sabe o quanto custam os juros caso não se faça a amortização integral em 30 ou 45 dias - conforme o tipo de cartão e o contrato celebrado: balúrdios, taxas pornográficas. quantos e quantos encheram os carros com adicionais que em sanidade normal nunca comprariam, ou na mira de atingir os miríacos 100€ de despesa - e múltiplos sucessivos..., ou apenas no embraseamento do desconto mágico de 50%... mas mesmo aceitando que o desconto é mesmo esse (só episodicamente o é; mesmo a destruição de bens no interior das lojas foi contabilisticamente favorável à empresa e esbate o valor 'dado' no desconto) acabam por pagar "50%" dum valor X que noutras circunstâncias nunca o fariam. o consumismo descontrolado é perigoso, e foi isso que sucedeu hoje. promovido. incentivado.

isto não é bonito. nem penso ser necessário alongar-me por este (1º de Maio) ser tradicionalmente um dos poucos dias em que os hipers encerram de facto (encerravam...), dando folga não virtual aos seus empregados para poderem ter um dia de família. que é necessário. e não é com a mãe a folgar à quarta e o marido ao sábado, ou a folgarem em dias em que os putos estão em aulas, que efectivamente há "um feriado" que o seja, e que seja um dia familiar pleno. já nem vou por aí, vê...

eu chamo ao que se passou capitalismo pérfido. e repara: não sou ideologicamente comunista ou quejando, não tenho nenhuma aversão especial pelo capitalismo. mas o que se passou hoje foi feio. ah! e feio igualmente pelas manifestações da massa humana ensandecida pela cupidez, a inveja, a maldade num ou noutro caso até. mas esses maus instintos foram polarizados e estimulados pela acção que lhes foi proposta como rebuçado único e a aproveitar. há que pensar as coisas em todas as suas consequências antes de promovê-las. infelizmente até acho que sim: foi pensado. de a a z como atrás te digo, certamente saltando algumas letras em que nem quero sequer pensar

...e mal pagos

não sou fã de más notícias, bruxo ou psicopata em versão "quanto pior melhor", mas também não sou burro nem mentiroso e também acho que é mesmo assim. diagnóstico: fucked.

a malta vai-se habituando. os impostos sobem, os salários descem, mas a malta vai apertando mais a vida e com a esperança «não tarda e já está quase». não está. 2013 vai trazer-nos mais apertos, e muitos são novos, ainda não lhes provamos o fel. quando daqui a menos dum ano os avisos de liquidação do IMI nos estalarem nas mãos será uma bomba. se a recessão não abrandar a receita fiscal continuará a ficar bem aquém do previsto no OE, e já sabemos qual a receita usada e provavelmente a usar de novo: impostos extraordinários que comam os subsídios, ou em parte como no último Natal ou mesmo por todo. fora o resto. os despejos. as penhoras. os combustíveis a continuarem a trepar, e tudo ou quase tudo é transportado portante sofrerá. a saúde: a caminho de 3 milhões de isenções? sim, este ano. para o próximo inventam algo para diminuir os isentos, e uma visita ao hospital vai doer bem na carteira. o desemprego que não dará folga e ainda engordará até. a criminalidade ainda mais quotidiana, pois há relação causa/efeito óbvia. e a tanto, tanto, não nos conseguiremos habituar. 2013 vai ser terrível mesmo por comparação a este ano de apertos: será nova dose do mesmo mas acrescida, e não serão acréscimos só duns pozinhos. lamento dizê-lo mas é o que acho: estamos fucked :-(

ando com pesadelos. quem me manda a mim armar-me em Zandinga.

Fernando Lopes

 
digo o normal, e esse mínimo é mesmo "uma perda para a nossa cultura"". acrescento a minha única referência pessoal: conversámos uma vez no bar dum hotel da Póvoa, aquando dum dos "Correntes de Escritas". ele tudo, eu um nada que se infiltrou e abancou. e mesmo com este 'mesmo assim' naturalmente presente deu-me e deu trela e à vontade foi uma meia-hora de conversa. mais sobre literatura (e sobre os autores) que sobre cinema, ao que me lembra. o que me lembra mesmo? a simpatia e a simplicidade. por isso doeu mais um bocadinho que o dito normal o saber que se foi. cá? ficou. por isso o lembro. ele sabia ser um senhor