quinta-feira, 23 de agosto de 2007

transgénicos

Via Água Lisa" do sempre atento João Tunes, chego a uma discussão sem histerismos sobre os alimentos genéticamente modificados, os "transgénicos".
Agora espero é que os verdes verdugos ou 'verdeseufémia' não caiam cá para me destruir a colheita...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

comentários

um esclarecimento: conhaque é conhaque e blogar é blogar. ademais, irrita-me a escrita em maiúsculas, a mania de que, "berrando", é-se melhor ouvido ou ganha-se o palmo de estatura que (lhes) falta.
visto isto activei a moderação de comentários. é provisório evidentemente: sempre afirmei que não gosto da 'modalidade' quando a encontro e se por enquanto a pratico é com desgosto e por necessidade.

besugo, lolita e alonso

receio que este blogue acabe: há fumos que são sinais. não me recordo de alguma vez lamentar a visita, coisa rara, mesmo contando a ocasional nabice de confundir um Lola T70 com um Porsche Carrera 6, tsss tsss...

sábado, 11 de agosto de 2007

quando entro num elevador com uma mulher, penso sempre em sexo


(estava prometido, 'das ilusões')


quando entro num elevador com uma mulher penso sempre em sexo. tlim, tlim, Pavlov está aos botões e a luxúria sobe prédio acima, quando o par episódico se desfaz as portas fecham-se como se fecha a porta após uma sessão de psicanálise: atarantado, se a tareia foi grande; lesto, se ela foi ainda maior. outra: ao recorrente sexo em avião tenho versão pessoal para ele, o mesmo, mas num TGV. a tocar o apito nas rectas e nas curvas, um urro d'orgasmo que faz as vacas olharem, as campainhas tocarem e as cancelas caírem, piii piii urra que queca-se a quatrocentos à hora. fim de capítulo sexual, mamas rabos e cabinas telefónicas à parte e, agora, iludo-vos iludindo-me noutro prado que, de tema sexo, mesmo em ensaio já percebi que quanto menos se diz mais se sonha, haja Ilusões e t'shirts brancas, alvas, tiradas todas as manhãs da gaveta deste Verão, enormes sobre o corpo das mazelas e outras ternuras diversas, que a bronzeador se esturra e estupidifica no estival salivar corporal, mamas e peitorais, rabos e bíceps, tudo em arremedos de Ilusões em saldos de fim de estação, ano a ano repetidos e onde, julga-se, se vestem os egos para passarem assim-assim, sem destoar das bazófias das férias não tidas ou do romance de praia imaginado.
e há as outras, mas p'ra quê falar nelas? sexo. o sexo é que é e está a dar. não se tem dinheiro e pensa-se nele e em sexo, se o temos pensamos em melhor sexo, pelo menos em mais estrelas no Hotel e em mordomias com morangos no Inverno e champanhe entaçado em umbigos, Murganheira servirá muito bem se os sortudos da Ilusão não forem da casta de maior desbunda, milionários. sexo, sempre. nas rotinas e nas ausências, na barriga cheia e farta, mesmo aí, se se sonham estados de felicidade lá vem o romance, às vezes a espreitar envergonhado e disfarçado de rapidinha com parceiro desconhecido, mistério, o idílico mistério de, olhando o bronze alheio acreditar-se que o nosso seduz, imaginar-se que as paredes e espelho dum elevador contariam do Urro após as portas se abrirem e fecharem, se falassem além do zumbido quando escalam andares e andares, esses onde os corpos de mistério arfaram em recorrente pensamento, que o comboio galgou campos e cidades deixando rasto em sémen de criatividade, orgia dela.
terça-feira vou à consulta, primeira desta ronda que periodicamente se faz as calos e ao fígado, aos sonhos também. sei lá o que pensarei: sei que é uma 'ela' e, fascinante, na psiquiatria não usam farda e estamos em pleno Verão. só desmerece ser no rés-do-chão. depois digo do que pensei, calhando, que botões encontrarei para substituir os do elevador ausente, que mistérios e receitas a taxa moderadora trará. até lá tirem as velhinhas da rua, vigem as estações e apeadeiros e, principalmente, evitem os elevadores: se penso em Ilusões penso em sexo, visto a t'shirt da canícula.
(começou sobre 'Ilusões' mas depois perdi-me, ainda a grade da porta não se fechara e, nos botões, o dedo clicou éne vezes seguidas no andar mais longe, mais alto, mais fundo, e embarquei. fica assim mesmo)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Magic!

(foto de Fátima Condeço)


É a palavra que me acorre quando penso em ti, "Webita"!
Hoje, 15; antes, catorze anos, onze meses e trezentos e sessenta e quatro dias de felicidade em ter-te, ver-te, crescer-te. Mantém-te igual e verás que os teus passos serão os meus ainda tantos anos de amor, orgulho, confiança, em ti, tua sensibilidade, tua alegria.
Parabéns Carla!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

à terceira: Mário de Carvalho

Não apreciei por aí além "Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto" e "A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho (e outras histórias)", que me vieram à mão já não sei por que ordem mas há muito tempo, tanto que já não me lembrava deles quando recentemente comprei "Fantasia para dois coronéis e uma piscina" e que me inverteu o interesse pela escrita de Mário de Carvalho: poderosa, um ritmo narrativo forte, viciante para o leitor mas naquela variedade de, a parágrafos tantos, voltar-se atrás para reler a construção da frase, ciumento. O enredo? 'nas tintas p'ra ele': a escrita está a encher-me medidas e a afogar o interesse naquele, secundarizando-o.
Abençoado lapso de memória que me fez reincidir num Autor que, se me lembrasse das duas obras anteriores referidas... não voltaria às minhas mãos. E ainda para mais um quase vizinho: mora em Salvaterra, coisa para uns vinte e tal quilómetros daqui da palhota, sendo que o regionalismo, aqui, assume uma saudável faceta, justa.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

domingo, 5 de agosto de 2007

Fórmula 1

A BMW está a crescer. Não empalideça e numa temporada bem próxima será 'challenger' aos tradicionais. O que é bom, já cansa o mau cheiro que anda lá nos pódios pois, parece com grandes probalidades de ser mesmo assim, roubam-se mutuamente e, quem não o faz, está profundamente interessado em saber como é.
Além do bocejo, está claro.
(calhou falar na bêéme mas porque está mesmo a jeito - mérito próprio)

sábado, 4 de agosto de 2007

eutanásia

Matei o Tico. Há uma hora atrás.
Ontem, quando cheguei, seriam umas onze da noite, como tantas vezes ele veio receber-me, sequioso pelas palavras de carinho que não lhe negava, nunca. Permiti-lhe roçar-se na minha perna mas como sempre não muito pois, abandonado às doenças (e por elas), o pêlo ralo mostrava a pele em úlceras, quistos, um tumor do tamanho duma bola de ténis numa perna. Essa perna que, hoje, há uma hora e picos atrás, eu pisei com a roda do carro – a mesma que, ontem à noite, eu o vi a cheirar quando fechei a porta para as escadas do prédio? – e parti-lha. O uivo foi terrível, terrível. Foi um choque ouvi-lo, mesmo habituado que estava, estávamos, a ouvi-lo gemer toda a noite à porta da casa ‘da dona’, a que «gosta muito de animais» mas que mal a doença de pele lhe apareceu há uns dois ou três anos atrás pô-lo a viver na rua, provavelmente por cautelar receio dela se transmitir aos restantes animais que mantém, encarcerados, num anexo, onde uivam ao calor horas a fio. O olhar dele, a dor dele. O seu gemer, esse ganir de dor. No banco de trás do carro, olhei-o várias vezes enquanto seguíamos para o veterinário. O gemer lento, sofrido, olhava-me e nem sei se me ouvia, ouvia o meu chorar que não conseguia dissimular nas palavras que lhe dava. O olhar dele, as pupilas quase a desaparecerem e o branco assustador, o ganir lento assustador. Não gemia muito, havia silêncio na dor que se lhe via, havia… resignação, talvez. Chorava noites inteiras, lamentava-se à porta da ‘sua casa’ pelas dores e pelo abandono, acredito.
O veterinário disse-me que além da fractura e de tudo o mais à vista haveria provavelmente lesões internas. Houve eutanásia mas não consegui assistir, fiz-lhe uma última festa, um último carinho sem medo de contágios ou do pestilento cheiro de abandonado, e vim cá para fora. Chorei. Sei que hei-de chorar mais quando, estacionando, lembrar-me que nunca mais o verei aproximando-se do carro abanando a cauda, os olhos em mim e o latido de carinho, sempre o roçar tímido e os olhos pedindo uma festa, carinho mútuo que não nos negávamos.
Sinto-me horrível. Não me consola o 'já não sofre mais', não há consolo quando se 'decide' a morte; gostávamos todos do Tico, abandonado por razões cutâneas mas fiel à casa que fora a sua e a cuja porta procurava o alimento que não encontrava nas ruas, carinho. Este sentimento de culpa ficar-me-á perpetuamente, o passeio vazio dele e do seu correr para mim, para 'a festinha', o silêncio que haverá nas noites sem o seu gemer, o seu lamento, irá doer. Lembrá-lo, lembrar-me que fui eu que o matei. Não sei se ele, onde quer que seja o 'céu' dos cães de olhos tristes - que haverá para acreditar-se em repouso aos sofredores -, me perdoará. Sofria muito, mas a morte dói. Muito.