terça-feira, 30 de junho de 2009

consegui terminá-lo

...e sinto-me assim, speedado, boa onda, onda louca :-)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

25 de Junho



"34 anos: lágrima + sorriso"


(a bandeira de Moçambique que reconheço como aquela que foi "a minha" encontrei-a no Panda)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

post nº 500: perguntas mázinhas





Louçã e Alegre-às-claras, juntos-às-claras, valem quanto acima dos 10%?

Quando é que Carvalho da Silva bate com a porta, nos dois lados?

Louçã, Alegre-às-claras + Helena 'MiC' Roseta, e Carvalho da Silva, juntos, atomizarão a pústula da democacria a sobrevoar a Grande Bandeira esfrangalhada da Vitória É Nossa em quantas câmaras alentejanas? e... táxi e meio ou dois táxis, no Parlamento?




SE A ESCLEROSE UMBIGISTA ORTODOXO-COMUNISTA NÃO TIVESSE IMPEDIDO MANUEL ALEGRE, EM 2006, DE DISPUTAR A 2ª VOLTA DAS PRESIDENCIAIS, ESTE PAÍS HOJE ERA BEM DIFERENTE!!!

PENSEM, ASNOS, PENSEM! Não em vós: em TODOS!

sábado, 20 de junho de 2009

BPN



Não fui eu!

Dogmas


"Os dogmas mais nocivos nem sequer são os que como tal foram expressamente enunciados, como é o caso dos dogmas religiosos, porque estes apelam à fé, e a fé não sabe nem pode discutir-se a si mesma. O mal é que se tenha transformado em dogma laico o que, por sua própria natureza, nunca aspirou a tal. Marx, por exemplo, não dogmatizou, mas logo não faltaram pseudo-marxistas para converter O Capital em outra bíblia, trocando o pensamento activo pela glosa estéril ou pela interpretação viciosa. Viu-se o que aconteceu. Um dia, se formos capazes de desfazer-nos dos antigos e férreos moldes, da pele velha que não nos deixou crescer, voltaremos a encontrar-nos com Marx: talvez uma «releitura marxista» do marxismo nos ajude a abrir caminhos mais generosos ao acto de pensar. Que terá de começar por procurar resposta à pergunta fundamental: «Por que penso como penso?» Com outras palavras: «Que é a ideologia?» Parecem perguntas de pouca monta e não creio que haja outras mais importantes... "

José Saramago, "O Caderno", Caminho, 2009, págs. 113 e 114

o que está em causa? 6-seis-6 sábados num ano

este Verão promete ser do piorio

Ela é fã do concurso "American Idol". Ela está a legendar os episódios. Não os da fase final, que esses já os despachou há que tempos: mergulhou no baú e estamos nas audições de selecção. Entre uma hora e vinte a quarenta minutos, cada. Ela. Eu sou o seu pai, eu que não gosto particularmente de músicas 'modernas', e, no concurso, gosto é da mordacidade impiedosa do Simon (gente autêntica!) e de topar como todos os janados e janadas se julgam o máximo, top stars ("não, não sou o único a...."(1). E gramo com isto mais ou menos duas vezes à semana. Ela. Ela e eu, "father & son", e falando de música é das minhas favoritas.

Eu faço birra e armo esquivas mas adoro ver com ela os episódios, disputando ao Simon o lugar de mau-mau da fita. Se há coisa nisto que me agrada, além de dar-lhe o prazer de ver o resultado do seu labor tradutivo, é fazer-me júri e respaldar-me, não me ficar no sim-não gosto mas dar opiniões sobre tudo - incluindo a cantoria mas essa é marginal nesta festa pois até eu eu canto melhor que aqueles janados (1).

As traduções andam a passo de lesma que os exames ainda não estão aviados. Daí o título: este Verão vai mesmo ser do piorio (aqui: smiley de mafarrico)

Divórcios e bibliotecas



"Por duas vezes, ou talvez tivessem sido três, apareceram-me na Feira do Livro de Lisboa, em anos passados, outros tantos leitores, os dois ou os três, ajoujados ao peso de dezenas de volumes novos, comprados de fresco, e em geral ainda acondicionados nos sacos de plástico de origem. Ao primeiro que assim se me apresentou fiz-lhe a pergunta que se me pareceu mais lógica, isto é, se o seu encontro com o meu trabalho de escritor havia sido para ele coisa recente e, pelos vistos, fulminante. Respondeu-me que não, que me lia desde há muito tempo, mas que se tinha divorciado, e que a ex-esposa, também leitora entusiasta, havia levado para a sua nova vida a biblioteca da família agora desfeita. Ocorreu-me então, e sobre isso escrevi uma linhas nos velhos Cadernos de Lanzarote, que seria interessante estudar o assunto do ponto de vista do que nessa altura designei como a importância dos divórcios na multiplicação das bibliotecas. Reconheço que a ideia era algo provocadora, por isso deixei-a em paz, ao menos para não vir a ser acusado de colocar os meus interesses materiais acima da harmonia dos casais. Não sei, nem o imagino, quantas separações conjugais terão dado origem à formação de novas bibliotecas sem prejuízo das antigas. Dois ou três casos, que tantos são os que conheci, não foram suficientes para fazer nascer uma primavera, ou, por palavras mais explicítas, por aí não melhoraram os lucros do editor, nem a minha cobrança de direitos de autor.
O que eu francamente não esperava era que a crise económica que nos vem mantendo em estado de alerta contínuo tivesse vindo dificultar mais os divórcios e, portanto, a ambicionada progressão aritmética das bibliotecas, o que, aspecto em que certamente todos estaremos de acordo, significa um autêntico atentado contra a cultura. (...) Perdeu-se o respeito, perdeu-se o decoro, eis a desgraçada situação a que chegamos. E não se diga que a culpa é de Wall Street: nas comédias de televisão que eles financiam não se vê um único livro."

José Saramago, "O Caderno", Caminho, 2009, págs. 35 e 36


... /...

Sugiro "a Casa do Meio", para desgosto dos lucros dos editores e manutenção da magreza dos autores, e alegria dos senhorios e inerente upa-upa para reabilitação do seu mercado, tão depauperado: em espaço de terra de ninguém e suportada a meias (haverá "pensões de alimentos" mais onerosas e menos justificadas!), um modesto apartamento, modestíssimo pois o importante serão janelas amplas e um telhado sólido. Lá, qual clube literário privado, alojam-se as bibliotecas das mãos e olhos desavindos, uma sala comum como depósito e cada qual com o seu gabinete... de leitura. Melhor? uma máquina de café na ex-cozinha dá sempre jeito.

(imagem daqui.)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

há Sol!



... e fico Feliz!


(a bonita imagem veio daqui. o ânimo... é segredo. dos bons :-)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

a pergunta assassina



quanto vale nas urnas o Partido Comunista, sem a muleta dos Verdes?



(gamei o cartaz aqui.)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Pensamento/Reflexão

Nenhum Amor é Menos Ridículo que Outro

Temos, pois, que ao amor corresponde o amável, e que este é inexplicável. Concebe-se a coisa, mas dela não se pode dar razão; assim também é que de maneira incompreensível o amor se apodera da sua presa. Se, de tempos a tempos, os homens caíssem por terra e morressem subitamente, ou entrassem em convulsões violentas mas inexplicáveis, quem é que não sofreria a angústia? No entanto, é assim que o amor intervém na vida, com a diferença de que ninguém receia por isso, visto que os amantes encaram tal acontecimento como se esperassem a suprema felicidade. Ninguém receia por isso, toda a gente ri afinal, porque o trágico e o cómico estão em perpétua correspondência. Conversais hoje com um homem; parece-vos que ele se encontra em estado normal; mas amanhã ouvi-lo-eis falar uma linguagem metafórica, vê-lo-eis exprimir-se com gestos muito singulares: é sabido, está apaixonado. Se o amor tivesse por expressão equivalente «amar qualquer pessoa, a primeira que se encontra», compreender-se-ia a impossibilidade de apresentar melhor definição; mas já que a fórmula é muito diferente, «amar uma só pessoa, a única no mundo», parece que tal acto de diferenciação deve provir de motivos profundos. Sim, deve necessariamente implicar uma dialética de razões, e quem não as quisesse ouvir ou não as quisesse expor, ganharia mais em desculpar-se com a inoportuna extensão do discurso do que em alegar a falência total de explicações. Ora a verdade é que o amante não pode explicar nada, não sabe explicar nada. Viu centenas de mulheres; deixou talvez passar muitos anos sem experimentar o amor; e um dia, de repente, vê a sua mulher, a única, a Catarina.
Isto é ridículo. Sim, é cómico que tão grande força que há-de transformar e embelezar a vida inteira - o amor - nem sequer seja como o grão de mostarda donde deverá surgir uma grande árvore, que seja menos do que isso, que, em última análise, se reduza a um quase nada. Sim, é cómico que do amor não se possa apresentar um só critério prévio, por exemplo a idade em que se produz tal fenómeno, que da escolha da única mulher no mundo não se possa dar a mínima razão, que se haja escrito que «Adão não elegeu Eva, porque não teve possibilidade de a distinguir entre as mulheres». Não será igualmente cómica a explicação apresentada pelos amantes? Ou melhor, essa explicação não servirá para acentuar ainda mais o aspecto cómico? Os amantes dizem que o amor os cega, e depois de dizerem isso é que tentam iluminar o fenómeno. Se um homem entrasse numa câmara escura para ir lá buscar um objecto qualquer, e se respondesse «não vale a pena, a coisa não tem importãncia», a quem lhe dissesse que procuraria melhor se levasse consigo uma luz, eu compreenderia muito bem a atitude desse homem. Mas se esse mesmo homem me chamasse à parte para em grande mistério me confiar que ia buscar uma coisa importantíssima, e que por isso mesmo tinha de a procurar às cegas - como poderia a minha pobre cabeça de mortal seguir a subtileza de tão desconcertante linguagem! Evidentemente que não lhe riria na cara, para não ofender; mas, assim que ele voltasse as costas, não poderia mais conter a vontade de rir.
(...) Se me entrego à hilaridade, estou muito longe de querer ofender alguém. Desprezo, porém, esses loucos, persuadidos de que o amor deles está tão completamente justificado que podem de bom grado mofar dos outros amantes; pois, uma vez que o amor se furta a qualquer explicação, todos os amantes se tornam igualmente ridículos.

Kierkegaard, in "O Banquete" (Discurso do Mancebo, sem experiência no amor)

domingo, 7 de junho de 2009

sábado, 6 de junho de 2009

O fim do mar

O professor Bartleboom, que estuda os limites da natureza e está a escrever "o" tratado sobre, acha que o mar termina no ponto da areia onde a onda hesita um momento, aquele segundo em que o mar a chama e ela responde numa correria que a areia fustra pois suga-a, e o mar termina assim.

e não é que tem razão?

"O homem nem sequer se vira. Continua a fitar o mar. Silêncio. De vez em quando mergulha o pincel numa tigela de cobre e esboça na tela poucos traços breves. As cerdas do pincel deixam atrás de si uma obscuridade muito pálida que o vento imediatamente seca trazendo de volta à superfície o branco anterior. Água. Na tigela de cobre só há água. E na tela, nada. Nada que se possa ver.
Sopra como sempre o vento do norte e a mulher envolve-se na sua capa roxa.
- Plasso, há dias e dias que trabalhais aqui. Por que razão trazeis contigo todas estas tintas se não tendes a coragem de utilizá-las?
Isto parece acordá-lo. Isto atingiu-o. Vira-se para observar o rosto da mulher. E quando fala, não é para responder.
- Peço-vos, ficai assim - diz.
Depois aproxima o pincel do rosto da mulher, hesita um instante, encosta-o aos lábios dela e passa-o lentamente de um canto ao outro da boca. As cerdas tingem-se de vermelho-carmim. Ele observa-as, mergulha-as rapidamente na água e levanta de novo o olhar em direcção ao mar. Nos lábios da mulher fica a sombra de um sabor que a obriga a pensar "água do mar, este homem pinta o mar com o mar" - e é um pensamento que provoca arrepios."

lindo.

" - Bartleboom...
- Sim?
- Perguntai-me porque é que estou aqui. Eu.
Silêncio. Embaraço.
- Não perguntei, pois não?
- Perguntai agora.
- Porque é que estais aqui, madame Deverià?
- Para me curar.
Outro embaraço, outro silêncio. Bartleboom pega na chávena, leva-a à boca. Vazia. Disfarça. Volta a pousá-la.
- Curar-vos de quê?
- É uma doença estranha. Adultério.
- Como?
- Adultério, Bartleboom. Eu traí o meu marido. E o meu marido acha que o clima do mar entorpece as paixões, e que a visão do mar estimula o sentido ético, e que a solidão do mar me levará a esquecer o meu amante.
- A sério?
- A sério o quê?
- A sério que traístes o vosso marido?
- Foi.
- Mais um pouco de chá?"

embaraçoso.

Gosto de Alessandro Baricco desde que o descobri (vou no seu terceiro*).
Estou a gostar de Plasson e de Bartleboom e ainda não sei se gosto ou não de Ann Deverià, mas gosto da ideia do pintor que pinta sem artifícios além do rubor das cerdas carmim, e do filósofo que molha os pés na finitude existencial de todos os fins.
Magnífico. A história alternativa dentro da história, a imaginação do leitor, esse jogo de sedução que o autor, malandro, joga para vencer sempre que o romance é conseguido.

* entre o linkado e este apareceu - feliz coincidência! - nos brindes da revista Sábado "Sem sangue" , e o único comentário que lhe faço é que li-o em duas horas e meia pois nada se podia intrometer.

(imagem gamada aqui. vénia)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

a leitura disto deve valer alguma coisa



a esquerda-esquerda no próximo domingo vale 20% dos votos portugueses. número suspenso em elásticos e com flexibilidade para esticar mais pois "a abstenção" é maioritariamente uma atitude de repulsa "ao Poder" e, decidindo-se a escrever, penderá para o lado canhoto da caneta.

a leitura disto deve valer alguma coisa.

(urna, daqui.)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Lázaro?



Os tempos são outros. Até o milénio. Previsão: num futuro bem próximo muitos filhos deste "Lázaro" falarão mandarim. Ou hindu. Os credores escolherão em que tipografia será impresso o livro de instruções da mortalha.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Oceano Mar



"Pousa a caneta, dobra a folha, enfia-a num envelope. levanta-se, tira do seu baú uma caixa de mogno, levanta a tampa, deixa cair nela a carta, aberta e sem endereço. Na caixa estão centenas de envelopes iguais. Abertos e sem endereço.
Tem 38 anos, Bartleboom. Pensa que algures, no mundo, encontrará um dia uma mulher que desde sempre é a sua mulher. De vez em quando lamenta que o destino teime em deixá-lo à espera com tanta indelicada pertinácia, mas com o tempo aprendeu a encarar o facto com muita serenidade. Quase todos os dias, já há muitos anos, pega na caneta e escreve-lhe. Não tem nomes nem endereços para pôr nos envelopes: mas tem uma vida para contar. E a quem, senão a ela? Pensa que quando se encontrarem será bonito pousar no seu regaço uma caixa de mogno cheia de cartas e dizer-lhe
- Estava à tua espera.
Ela abrirá a caixa e lentamente, quando quiser, lerá as cartas uma a uma e repercorrendo um quilométrico fio de tinta azul apoderar-se-á dos anos - dos dias, dos instantes - que aquele homem, ainda antes de a conhecer, já lhe tinha oferecido. Ou talvez, mais simplesmente, voltará a caixa e, espantada diante daquela cómica chuva de cartas, sorrirá dizendo àquele homem
- Tu és louco.
E para sempre o amará."

Alessandro Baricco, "Oceano Mar", Difel - Difusão Editorial, SA, 1998


(imagem daqui.)