sábado, 14 de março de 2009

explico-me

No serão antes dos pássaros chilrearem como agora fazem, chamando-me, chamando o primeiro café, o sol, as rotinas dos semanários - a minha "novela" privada - escrevi um pequeno texto num desafio pessoal que a Claire me fez, que ela para isso nem se roga nem é de modas: está-se nas tintas e a malta que se lixe ;)
Ora como soe dizer-se, acontece que a folhas tantas citei Enrique Vila-Matas em castelhano e ainda os pássaros dormiam quando o cantarolar do barcelonês que mais admiro me acordou. É que algures por aí abaixo está pespegada numa das paredes do tasco uma "cagança" que dá conta à clientela da minha etilização literária, execrável e fedorenta como as etilizações devem ser e com vómito tão vero que nem uma rodela de chouriço foi acrescentada ao bolçado: todos os resíduos boiantes foram expelidos por, antes, terem sido deglutidos.
Explico-me e traduzo, não haja pior fedor: no bolçado dou como já 'aviado' o livro "A assassina ilustrada" (edição da Campo das letras) e hoje-ontem, na tal lenga-lenga à volta do Desejo e mais umas coisinhas, abro lide em futebolês mas mal arregaço mangas salto para o castelhano e disse-me bem acompanhado quando me refugiei no café a dar conta do 'desafio': "La asesina ilustrada", o mesmíssimo mas noutro linguajar, em que até nem me sinto afoito a ponto de dispensar as traduções: mal me vejo com a minha quanto mais com a dos outros. Barthes explica essa parte, que eu não foi por isso que madruguei, os pássaros cantam, e não tarda abre o primeiro café no bairro e aí vou eu empanturrar-me de vazios, sempre à cata duma gargalhada que me assome o fim-de-semana (acontece).
Parafraseando-me, acontece que quando passei os dedos pela edição espanhola já a lusa regressara às estantes, paz à sua alma e siga para bingo que lá em baixo há mais toneladas por aviar que aquelas que conseguirei fazê-lo enquanto houver pássaros a acordarem-me. A sua capa dura não me enganou pois não justificava per si as diferenças de espessura entre uma e outra, ambas em formato "de bolso" e portanto ali havia estória: folheei. O desejo?
Vila-Matas escreve-se com maiúscula, é Literatura. "A assassina ilustrada", se não erro tão velhinho que dos anos setenta's, tem uma estrutura narrativa em que o Prólogo não é prólogo mas chamar-lhe-ei o primeiro capítulo do romance e nem ele nem a minha psiquiatra se zangará: a minha loucura não me cega, até porque uso óculos e se há coisa em que sou vezeiro é na "cagança" de ler, muito, de tudo, e raramente esquecer. Ora o acréscimo de peso e volume no original espanhol (edição de 2005, mas naquela editora: a primeira é do tempo em que Irving Wallace fazia fila e meia da minha estante) justificava-se por: a) um prólogo específico do Autor àquela ediçáo e por inerência à obra, o que me interessava tal qual tudo o que Vila-Matas escreve me interessa; e, b) um Epílogo por Jordi Llovet, seu companheiro dos tempos de Paris à pala da Duras (está no "Paris nunca se acaba", sortudos, todos), duas e já tantas para fazê-lo meu como fiz: eram Saldos, coisa sempre de garimpo fino e feliz.
E, - para terminar o "eu explico" e ir à vidinha pois atrás de mim já há luz à janela e já nem meia hora falta para abrir o café, os jornais, blá blá -, ontem misturei desejos naquela rentabilidade temporal com que tento gerir a confusão da minha vida, e seus amores, desejos: levei para o café a versão castelhana não por ter falsificado o bolçado ou por amor a Espanha, terra que terá muitas virtudes mas nelas não incluo o prazer de (lhes) ler jornais enquanto se aviam cafés: o Prólogo ao "prólogo" mais o Epílogo foram a razão e assim me explico, que é a mesma coisa coisa que dizer que acordei mal-disposto, este azedo que só se esvairá após o primeiro café tomado, permitam-no os cronistas a que darei a manhã. Ah! há os pássaros, sim. Gosto de ouvi-los a anunciarem o dia.
E houve quem me fizesse um mimo enquanto dava voltas à noite, e isso sabe bem. Muito bem :) Thanks Maria de Fátima! (vão lá. acreditem-me ;)

sexta-feira, 13 de março de 2009

"O Desejo"

A Claire ficou tão brava por ter mandado às urtigas (dixit) a minha arenga a pé-coxinho ao desafio seis particularidades pessoais - que entretanto já recuperara à visibilidade voyeur -, que arranjou-me outro "trinta e um": conversar sobre O Desejo, venha ele de que poro vier. Ainda mais em café já com mesas à cunha, tanto que lá me ajeitei numa mesinha do meu de bairro e enquanto o Paços de Ferreira marcava um golo esgalhei sobre desejos mais realistas que não o do meu Belenenses se safar esta época em malhar com os costados na "Honra", again :(
Como levei companhia que caiu que nem ginjas, saco do primeiro parágrafo do Prólogo de Vila-Matas ao "La asesina ilustrada" (edição de 2005 da Editorial Lumen), pois por algum lado tinha de começar:

"Tan mezcladas y entrelazadas se encuentran en mi vida las ocasiones de risa y de llanto que me es imposible recordar sin buen humor el penoso incidente que me empujó a la publicacion de estas páginas". ora nem mais: a vida é um Desejo contínuo de tudo, e não tem de ser penoso falar dele... e dela.

"Na boa-hora de sexta treze sentei-me no mocho para olhar O Desejo, ciente que o libelo não é pequeno e o tempo para alegações abonatórias termina num ai, ai o desejo. Atenuantes e agravantes cruzam-se nas seis letras e destas a menor não é certamente, por tardia descoberta tertuleana, ter corrido à saca dos fantasmas e virado-a no chão deste papel, tal qual puto que vaza o baú de brinquedos pois se na sua alma brincalhona há lugar a desejo, é o de voltar a tocar o velho cromo que era tão raro, tão raro, que por ele trocou o lanche e a playstation, os ténis novos e as moedas todas que encontrou e rapinou, todas e tantas que quando o barqueiro lhas pedir ele exibirá o cromo e como para tão raro bem não há troco ficará na margem certa, a dos putos e dos Desejos satisfeitos.

Desejo... desejo tanto, tanto... Primeiro, desejo ser feliz. E temo-o. Pois cumprido o nº Um nenhum haverá por satisfazer e chafurdarei na felicidade oca de ser feliz por desejo, e não pelo acaso d'algo, um momento um gesto, uma palavra lida ouvida, dita ou escrita. O Desejo é Viver: mesmo quando se chama a Morte - ó bemquista! ó salvícia que te invoco mas, cobarde, saco do cromo e rio de não haver trocos a tanto como este resto de baú...! -, quando na lágrima cai o mundo e na enxurrada se esbraceja e silvam cordas baloiçantes há nesse plasma perenidade suficiente para alongar o fio e pousar os pés nesse chão que é linha, linhas de carrinho de desejos.

Vou contar, recontar é melhor dito, o meu segredo mais público entre todos os que não conto mas lá vou contando, o meu Desejo dos Desejos, que me leva a virar a folha e continuar, sexta-feira treze, tal como o trânsito não pára e só abranda quando se vêm desejos abruptamente amarrotados: desejava ser amado. Vias travessas pois não me importa se atalho ou atraso, amado como escritor. Sonho sensualidade nesta sede, há amor por mim e de mim pelo leitor. Desejava que o ler-me fosse quase sempre tão bom como às vezes é fazer amor. Penso que esta entrará nas atenuantes mas, leitor, eu estou no mocho e dói-me o rabo e só me levantarei no fim para ouvir-te. Deixo aos autos este desejo como peça processual, este anexo alfabetizado ao corpo principal: O Desejo. Tudo, tudo cede a esta cegueira. Dizem que os "shandys" chegavam a atirar as crianças pela janela para conseguirem o silêncio criador. Eu jogo-me inteiro neste desejo, capo a vida e ronrono a olhá-lo seja sexta seja sábado, aurora crepúsculo multidão vazio, estou só: o meu desejo: eu e tu, e as linhas que nos ligam, atam, até os pulsos ficarem roxos (de desejo), a erecção do enforcado. Mórbido, hã? é, os desejos são assim: um cromo único, o amor a uma flor.

...e a dois dias de fim de prazo e na mesa do café de esquina fumei este desejo, conversei contigo, leitor. "Foi bom para ti também?" Não, claro que não: nas boas-horas as alegações nunca têm um fim: matariam o desejo e aí sim, o barqueiro sorriria e faria o último troco, adeus margem de desejos, meu cromo raro, meu brinquedo querido, linhas, aquela flor.

A génese do Amor (citações)

TERCEIRO DIÁLOGO ENTRE NATÉRCIA E CAMÕES

- Quando o meu pensamento,
minha amada,
era o teu pensamento,
em atino e esperança
de bem querer

Ou fui eu que sonhei
esse momento
e nunca houve mais
que supor crer:

por ele me perdi
no desejo de em ti
me desejar perder?

- Quando o teu pensamento,
amado meu,
era o meu pensamento,
e ardia em brilho,
como sarça ardendo

Ou fui eu
que ao sonhar esse momento
me desejei,
te querendo?

E o que via de ti,
amor, amado,
era a mim própria,
paralela em amor,

como num espelho
por onde o teu olhar
me fosse doce riso
branda pele,

e eu nele assim cativa,
meu amor

- E eu nele assim,
cativo


"A Génese do Amor", Ana Luísa Amaral, Campo das Letras, 2005

quarta-feira, 11 de março de 2009

o eco (citando-me)

(...) o eco... o eco é o som que se aninha nos sentidos. e as palavras dóiem-se da sua intromissão, escasseiam-se, por medo dele aninham-se longe dos dedos tal como as cidades se abrigam e esvaziam as artérias quando os deuses copiosamente as atormentam e fazem das noites clarões terríveis, fotografando-as quais ecos luminosos do seu perfil. o eco, o mote, o eco das decisões. soa. eu? eco-o igualmente. também cá caem relâmpagos e os retratos sociais adornam mobiliários molhados. a dissonância do eco são os coitados dos smileys e sua moldura, esparsos espectadores em bancadas vazias, chuvadas, adeptos de militância mas com corações molhados de descrentes na glória da sua equipe. pobres smileys: tantos em princípio de época que se acotovelavam para ir a jogo, ora o eco e a chuva do silêncio. corri três bancos deles e ele, ele smiley-eco! não o encontrei. nem um suplente. (...)

terça-feira, 10 de março de 2009

a mania das citações

"(...) Vê como é fácil? Eu fui para a guerra para vencer ou morrer; o que ninguém me tinha dito é que se pode ir à guerra e acabar vivo e derrotado. Sou um homem simples, gosto das coisas com lógica (...)" (pág. 109)

"- Isso é coisa que nem precisas de me dizer, tenente - a voz de Bouthellier ganhou um tom de cordialidade artificial. - Mas lembra-te de que, mais perigosa que a verdade ou a mentira, é a meia-verdade ou a meia-mentira. Se tivesses algo para me contar, fá-lo-ias, estou correcto?" (pág. 117)

"A arte de matar dragões", Ignacio del Valle, Porto Editora, 2009

... e termino as citações a saca-rolhas deste, já que lhe passei o pêlo e cheguei ao meio com duas certezas: actualmente leia o que leia leio sempre a mesma estória: "eles andam aí"; a outra é que as linhas dos escritores são como as estradas dos empreiteiros (à excepção da CRIL, por enquanto): todas vão dar às nossas Romas, seus castelos e dragões.

PS: entretanto este já chegou. não ficará em lista de espera :)


(post reformulado na noite de 11)

segunda-feira, 9 de março de 2009

citações

"O rosto de Arturo, até aí cortês, sofreu uma transformação intensa e dolorosa. Soube que a rapariga era luz, a luz em torno da qual devia girar, a luz que possivelmente o devoraria.
- Não é demasiado nova? - perguntou.
- A fruta madura apodrece, é preciso comê-la enquanto está verde - disse o aristocrata.
- Quantos anos tens?
A rapariga olhou-o abrindo muito os olhos.
- Não o percebe. É austríaca. - esclareceu Margot.
- Wie alt sind Sie? - Arturo repetiu a pergunta.
O sorriso da rapariga estendeu-se iluminando até os últimos recantos da sua escura vida.
- Ich bin sechzehn und halb - respondeu: 16 anos e meio.
- Und wie heissen Sie, denn?
- Wie Sie wollen.
"E como se chama?", "Como o senhor quiser." Falou sem provocação, com a ingenuidade própria de uma embalagem tão delicada. Arturo imaginou que a jovem devia ter sido instruída nas artes eróticas desde muito nova, mas, apesar disso, conservava no seu interior um inviolável fogo de vestal sagrada. Ela era a donzela germânica, loura apesar de morena, a dama a quem qualquer cavaleiro devia encomendar-se. O dragão não devia estar longe.
- Procurei-te através dos séculos, pela noite do mundo, sem sono, sempre em busca de ti.
Arturo proferiu estas palavras em voz alta, sem desviar os olhos dela. A rapariga olhava-o sem conseguir compreender, mas com um ar curioso. Uma tosse fingida de Publio Medina fê-lo aperceber-se de que se estava a expor. Margot e o aristocrata observavam-no com um ar de grande desconcerto.
- Decididamente, o senhor é uma caixinha de surpresas - constatou a madame, como de si para si."
(págs. 57 e 58)

"Lá fora, a chuva continuava a passar as mãos sobre cada centímetro quadrado do mundo." (pág. 77)

"- Meu coronel - Arturo retomava o tratamento intencionalmente -, posso pedir-lhe um conselho?
- Não dou conselhos - respondeu Gandía de modo seco.
- Uma opinião, então.
- Acerca de quê?
- Bem... De todo este assunto... Que lhe parece?
Gandía nem sequer se voltou.
- O senhor conhece o princípio de Ockham? - perguntou a Arturo.
- Sim, diz que a explicação mais simples de um facto costuma ser a correcta.
- Pois bem, Ockham era um embusteiro."
(pág. 85)

"Bem - comentou o engraxador com complacência -, e então como é ela?
Arturo ficou uns momentos de olhar perdido, reflectindo sobre como procederia um cavaleiro para descrever ao escudeiro a sua dama. Falou de modo suave, acariciando as palavras.
- É a coisa mais bela e mais terrível do mundo."
(pág. 90)

"Um bando de aves cruzava o céu numa formação em "v", que alargava o seu ângulo à medida que se afastava. Quando já não conseguia distinguir os pássaros, aconchegou a roupa ao corpo e começou a caminhar pela avenida fora. Poucos metros mais à frente, contudo, foi detido por alguém que lhe agarrava o braço. Arturo voltou-se com um sobressalto. Era a velha.
- Há vivos que são tão belos para os mortos que estes muitas vezes ficam à sua volta para os contemplar - disse a cartomante com estoicismo.
- Que quer de mim?
- À tua volta há muitos mortos, Arturo.
- Já não precisa de continuar com a fantochada. Olhe, se é mais dinheiro que quer... - fez menção de meter a mão no bolso.
- O que te disse antes eram patacoadas. Nunca vi umas cartas como as tuas, filho. Vi mausoléus abandonados à luz da lua. Sorte e morte. Também vi reis. Poder e morte. Via a carta do Par: uma mulher e um homem. Ela está na casa do amor e ele na casa das contrariedades e do fim trágico. Cuidado com ele.
- Não percebo nada do que me diz - respondeu Arturo contrariado.
- Os oráculos são sempre assim: certeiros, mas imprecisos. Mas tu ouve, para não te esqueceres. Não poderás evitar que as coisas aconteçam, mas sofrerás menos.
- Não acredito nessas coisas.
- Ainda não terminei - interrompeu a mulher com a palma da mão erquida. - A mulher vai-te fazer feliz, mas também fará de ti escravo. E o homem... O homem é pérfido e enganador, está no mundo para fazer o mal. Vai haver violência e morte. E todos sereis devorados pela última carta: o dragão. Mas deves recordar que a força do dragão não vem do seu pânico, mas de um fogo interior que o consome. O verdadeiro combate terá início quando o dragão tiver de lutar consigo mesmo."
(pág. 97)


"A arte de matar dragões", Ignacio del Valle, Porto Editora, 2009

vrum-vrums

há uns três ou mesmo já quatro anos que colecciono fotos de automóveis via Internet. uso um disco externo para guardá-las, catalogadas e arrumadas dentro do possível e do impossível - há umas boas duas mil por identificar.
à pouco pus a correr o "propriedades" para satisfação duma curiosidade que cada dia aumentava, assim como a noção de desactualização dos seus números reais. deu:

- 534.671 fotografias, em
- 45.983 pastas individualizadas.

tudo num espaço total de 116 GB.

estou farto de carros até ao cocuruto mas não consigo parar. talvez as anunciadíssimas falências no sector me venham dar descanso e me dedique à pesca ou à capinagem.
ou outra metadona qualquer.

domingo, 8 de março de 2009

dia De Flores



sem Vós seria um mineral e nada sentia além de apenas existir num canto qualquer daqui. vá lá, talvez fosse um vegetal mas não uma flor: uma couve galega ou uma alface de ar viçoso, uma ou outra acompanhamento sem pretensão a honra de prato principal que é como me sinto quando sou Amor. nunca sentiria a alegria de numa mão ou numa jarra nascer um sorriso que perfumasse dias e sonhos, Vós. as melhores emoções que tenho e recordo não existiriam, daí o registo era o nada pois não sou gay: adoro-vos de paixão eternamente renovada em nomes tão suaves como os cheiros dum jardim. amo-vos desde que vos descobri. desejo-vos desde que me senti. tantas flores que vi e a quem sorri e não me encho desse prazer: não sou mineral e cresço sempre mais um pouco quando Vos amo, e pétala a pétala enrubeço o viver, crente que o existir estático é anestesia ocasional e logo logo acordarei: por Vós. vós, Mundo-Jardim onde de mãos-dadas sinto o coração gordinho quando descubro que não sou um mineral pois na minha mão está uma Flor. amo-vos tanto, às de ontem, ao hoje e a um amanhã que sejam os deuses sorridentes e será igual: os jardins são belos e neles estão vocês, as Flores.

sexta-feira, 6 de março de 2009

(eu bem dizia...)

pelo-me por uma história de amor. manias... esta foi oscarizável na categoria de "curtas" mas como esqueceram-se de me pedir o voto não ganhou. injustiça, pois. ora vejam...

triste

O Afonso Tiago não volta. Ele e o JL, irmão da minha amiga Elsa.

Não conheci o Afonso ou os seus familiares. Uma mini-mini relação virtual com um familiar e outra menos mini com um amigo desse familiar, e nada mais.
Nem que esse quase nada não existisse havia uma razão para. A ajuda na sua busca foi (inicialmente) a única para manter a porta semi-aberta.

Depois outras juntaram-se. Poucas. O bichinho a espreitar e eu a hesitar se lhe apertava o pescoço ou se continuava a dança louca. O diário de mim e o voyeirismo de mim, que bem quero mas não me curo. E a velha esperança nos impossíveis e a sempre nova desilusão das realidades.

Triste, sim. Pelo Afonso e pela sua família. E sem outra razão para continuar aqui, que com a Elsa falei pessoalmente.
Para já, que se a vontade diz "nunca mais" sei de saber que não é bem assim. Tal como as famílias e amigos dos falecidos precisam do seu luto eu preciso do meu.

quinta-feira, 5 de março de 2009

a-so-li-dão, e a vírgula

sábado, 28 de fevereiro de 2009

o tempo e o modo

Durante o tempo que me der na môna estes serão os posts visíveis na primeira página. Afinal o importante está aí e o tempo, esse enorme cabrão, tanto pode ser muito como pouco tal como ontem estava sol e hoje estou enevoado.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

barrigadas & digestões

manjados desde o princípio do ano (inclui três que transitaram além do calendário):



- A assassina ilustrada, Enrique Vila-Matas, Campo das Letras;
- Mutiladas e proibidas, Cândido de Azevedo, Caminho;
- FM Stereo, Nuno Rebocho, Apenas Livros;
- Santo Apollinaire (meu santo), Nuno Rebocho, Apenas Livros;
- Quando escreve descalça-se, Miguel-Manso, Trama;
- Dos termos da arte da cozinha (1734), Frei João Pacheco, Apenas Livros;
- Um homem muito procurado, John Le Carré, Dom Quixote;
- Perdido de volta, Miguel Gullander, Dom Quixote;
- Uma migalha na saia do universo - antologia da poesia neerlandesa do século XX, selecção de Gerrit Komrij, Assírio & Alvim;
- O Clube Bilderberg, Daniel Estulin, Europa-América;
- Os Mal-Amados, Fernando Dacosta, Casa das Letras;
- A Vida e as Aventuras do Rapaz Relâmpago, Bill Bryson, Quetzal;
- A viagem do elefante, José Saramago, Caminho;
- Pedro, lembrando Inês, Nuno Júdice, Dom Quixote;

em mastigação:

- Sinto muito, Nuno Lobo Antunes, Verso de Kapa;
- O diário secreto que Salazar não leu, Rui Araújo, Oficina do Livro;
- As pequenas memórias, José Saramago, Caminho;
- O anjo da tempestade, Nuno Júdice, Dom Quixote.

adenda ao post anterior


via caixa de comentários do muito frequentado jugular soube que há uma versão masculina do quadro de Coubert, baptizado A origem da guerra e de autoria de d'Orlan.

vou colocar a sua imagem mas - por favor! - não digam nada em Braga senão o meu contador de visitas dispara acima das 10 e não tenho pão & vinho para tanta gente, ok? :)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

"Pedro, lembrando Inês"

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isso o amor:
ver-te mesmo quando não te vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice

ditosa Pátria que tais heróis tens

A História que o Vaticano e Belém não conhecem e em santa ignorância glorificam, canonizam.
(via este post do João Tunes, a mesma voz lucidamente crítica de sempre)

Pergunta: daqui a cem anos Jardim Gonçalves e Oliveira e Costa - caso adoptem os cilícios como "fardamenta", sem isso é que não, tá claro - juntar-se-ão a D. Nuno nos altares caso se descubram milagres de multiplicação de €uros, à falta previsível de doentes curados durante a Peste, digo, a Crise que os evaporou?

ABC não estará cá para contá-lo mas pelos vistos o rigor histórico é de importância leviana nestas cousas taumatúrgicas.

citações

"Somos, cada vez mais, os defeitos que temos, não as qualidades" (pág. 147)

"Não que fosse essa a intenção nossa, mas, já sabemos que, nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só pelo bem que soam juntas, assim muitas vezes se sacrificando o respeito à leviandade, a ética à estética, se cabem num discurso como este tão solenes conceitos, e ainda por cima sem proveito para ninguém. Por essas e por outras é que, quase sem darmos por isso, vamos arranjando tantos inimigos na vida." (pág. 175)


José Saramago, in "A viagem do elefante", Ed. Caminho, 2008


domingo, 22 de fevereiro de 2009

prazeres

é domingo. dia de espairecer, dizem. por mim ia neste carrito* até um café ao pé do mar, um molho de jornais e dois livros. longe, para gozar a viagem e o sossego.







* é um Morgan 4-4 Roadster. as fotos foram gamadas no site Serious Wheels, ali na coluna de links e garagem ao dispor dos vossos desejos, que não este que já o reservei.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

epistolar estival: o calor das praias imaginárias

(...)
"Estou à procura de como encher o tempo, o raio do vazio que não é vazio pois tenho o cérebro fervilhante de picadelas dos cactos mais perigosos do mundo, conhece-lo Princesa? as picadelas doem pra caraças, pior que as das alforrecas e as queimaduras das garrafas-azuis. E assim corro para o passado e os chuveiros em frente ao Dragão e molho-me dessalinizando-me, desidratando-me de sentir. E não sai... não, não sai: de imediato vem-me à memória a tua foto sentada na areia lá perto, terias a idade linda que sempre tens mas não era esta d'agora em que te encontrei e vi-te pois é a do outro tempo em que nos encontramos e não te vi. Aquelas praias eram lindas e na idade da foto frequentei-a ao mesmo tempo que tu. Era o 24 que ia do Alto-Maé até lá? talvez. Ou esse ou outro, mas sábados ou domingos lá ia eu, por vezes com um ou dois amigos mas muita vez só. Vou contar-te uma coisa, um dos meus desejos de então e lembro-me da vez desse veludo me ter tocado.

Passávamos a maior parte do tempo a correr para os gelados e os rolos de barquilho (cá é "bolacha americana" e quase nunca se encontra, que saudades...), galávamo-nos em miradelas pró-namoriscadeiras e fazíamos longos passeios á beira água e tanta vez até ao fim dos pontões onde a água crescia tanto que poucos - que não eu - atreviam-se a lá das rochas fazer-se a ela. Era pelo desfilar, uma passarelle que as pitinhas faziam regaladas com os olhares e os pitinhos faziam por vocês. Mas éramos putos além da puberdade que nos ocupava vinte e duas horas por dia: nas outras duas brincávamos como putos que éramos... e estávamos na praia, essa enorme banheira onde chapinhávamos alegria sendo que os patinhos de borracha éramos nós.... e vocês.

Deitado na areia olhava invejoso quem tinha uma mão para agarrar, uma cintura para enlaçar. A tua andava lá e tê-la-ei visto pois uso óculos e nada me escapava. Mas não a enlacei nem me deste a mão e tal como tu nenhuma outra pitinha alguma vez lá o fez. Na areia amargurava os ciúmes de não ter. Imagina o ter e a minha necessidade de "amar" corria como areia fina quando vinha o vento lá dos lados onde seria a Xefina, a Inhaca, os paraísos, e na minha busca de ilhas de romance mergulhava ou fazia que mergulhava nas águas, pouco a pouco aproximando-me dos grupos já formados ou que se formavam conforme as ondas caprichavam e, nas rodas, jogava-se à bola, ao chapinhar mútuo, e às guerras a cavalo. Eis o ponto, a memória...

A combinação clássica por todas as razões mais aquelas que nós, rapazes e raparigas sabíamos e julgávamos mais ninguém sabê-lo, era o boy convosco às cavalitas e digo-te que por muito que as pernas tremessem e os ombros doessem com o peso nunca houve e há ponto que fale dum desistente ou sequer de protesto, tal o êxtase do momento...! Ora numa vez consegui glug-glug integrar-me num grupo e ser aceite por ele e depois de todo o resto - sim! brincar! e é tão bom! - chega a hora de ‘crescermos’ e esse crescer é tão urgente que após formados os pares previsíveis ficam as sobras e delas fui repescado por uma amazoninha que se encavalitou para uma guerra que só era guerra pelos gritos de alegria e pela firmeza com que as mãos do cavalo seguravam as pernas da cavaleira, primeiro e porque a confiança vai-se conquistando só até aos joelhos e depois «ai a onda! segura-me! (rsss)» /«desculpa (rsss), não caias! (rsss)» o tacteio alcança o éden e nem ondas nem bola nem praia nem barquilhos nem nada ousa mexer no momento mágico que é sentir uma perna de pitinha acima do joelho... sim, tenho memórias felizes da minha adolescência na praia do Miramar e nelas também tu estás, Princesa...

Por vezes penso que toda a vida te procurei. Nas muitas miúdas por quem me apaixonei afinal procurava nelas a Princesa. A minha Princesa, "a namorada que sempre sonhei". Não estou triste pelo tempo das praias e das guerras a cavalo ter acabado, Princesa: afinal encontrei-te, não é? E desta vez não me perdi no som das luzes dos bikinis azuis ou no espectacular barulho dos panelões das motorizadas e vi-te e viste-me e «'bora lá, cavalitas!», brincamos felizes, chapinhamos as feridas e dessalinizamos as vidas, as nuvens cinzentas das vidinhas. Acariciamo-nos tal qual as carícias adolescentes devem ser e sê-las e existir para uma manhã de praia-vida ser uma manhã feliz, textura deliciosamente aveludada e boca cheia de risos de alegria por a areia estar quente, quase tão quente como os corações e a água mágica que os banhava."
(...)

Breve Nota: encontrei a Minha Princesa. Construí-a. Com carinho. Existe. É real. Perfeita, no seu castelo que folha a folha escalo. Tão perfeita como o sonho de escrevê-la igualmente é.

sábado

dia lixado

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Solidariedade com o Afonso Tiago e sua família



O Afonso Tiago continua por localizar e uma petição à Presidência da República apela a que quando da visita de Estado que o nosso PR fará à Alemanha em princípios de Março, o pedido de manutenção do empenho das autoridades alemãs não fique fora da Agenda.

o texto da petição é este:

Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa, Prof. Aníbal Cavaco Silva
Assunto: DESAPARECIMENTO de AFONSO Freire de Novais Santos TIAGO.

Considerando que:
a) O Afonso Tiago, 27 anos, Engenheiro Mecânico, está em Berlim desde Junho de 2008 ao abrigo do programa INOV Contacto promovido pelo Estado Português;
b) Este cidadão foi visto pela última vez em Berlim a 10 de Janeiro de 2009;
c) As polícias - alemã, portuguesa e europeia - têm dedicado a maior atenção para localizar o Afonso Tiago, mas sem sucesso;
d) A Presidência da República manifestou extremo interesse e empenho, desde a primeira hora;
e) S. Exa. o Senhor Presidente da República realiza, entre 03 e 06 de Março próximo, uma visita de Estado à Alemanha, que terá início em Berlim.

Os subscritores desta petição solicitam a S. Exa. o Senhor Presidente da República a continuidade dos seus esforços para:
1º - Que haja ainda maior envolvimento e dedicação na resolução do caso do desaparecimento deste cidadão português;
2º - Realizar todos esforços junto das autoridades alemãs para encontrar o Afonso Tiago.

Atentamente,


Pede-se a subscrição e a sua divulgação. Há ocasiões onde a solidariedade humana faz a diferença. Este será um deles, há que acreditar!

vidas....

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.


foi Pessoa que o disse. soube-o em sussurro matinal.
a vida é bela!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

a pé-coxinho

ainda mal pus o pé na sala e já a Claire me desafiou para uma voltinha de dança. eu, pé de chumbo. eu, confesso de tanta coisa incluindo a de não saber dançar além dum espelho, terei de nele me mirar bem mirado e, excluído o coxear e a acne do adolescer seleccionar seis particularidades pessoais que não destoem daquilo que de facto o espelho mostra quando se gira assim enlaçado. tentarei, Claire, tentarei acompanhar o passo e fazer da timidez coragem quer para honrar o convite quer da multidão de reflexos que leio quando me miro escolher o núcleo, meus seis.

e é tão evidente e enche tanto o salão o pé-trocado que quem olha teme que o reflexo estale, enrugando o visível quando se olha de olhar-olhar: o coxo vagueia, não pára, de tanto se ficcionar acredita saber correr e até dançar. nada o detém quando embala e, inconstante, dedilha além da cartilha do seu saber: é vaidoso, o que naturalmente admira quem olha a dança e seu espelhar. vaidoso das suas manias volteia-se e desdobra-se, ora agora num slow acariciante ora além em ritmos do púbere que foi e em ritmo rock tenta recriar-se, saudoso de si-então: nostálgico qb. não fosse a sala de baile espelhada que não fazia falta ao reflexo que qual áurea o segue desde menino e moço com as vacinas em dia - e ainda não era coxo e sonhava uma noite mágica aprender a dançar: as Princesas... o fato romântico é aquele que melhor lhe cai quando se desnuda da vida, e acredita que viver sem amar não é viver (ele acredita mesmo nisso: disse-mo ontem e chorava).
mas... que se passa? afinal... o espelho, o bailar.... onde estás? estás a escrever-te? não estavas a dançar? narrador, personagem, naquele improvisando teclados e quando este tanto múltiplo... não, náo me surpreendo com isso, naturalmente. conheço o coxo e seu coxear e por muitas personagens que encarne a minúcia do algodão não engana tal como não é engenho ardiloso essa quase bi-polaridade de em extremos hoje herói e amanhã vilão, multi-personalidade que se a usa criativamente quando coxeia letras não se esquiva, inibe, de no saltitar dos dias não se ater a uniforme único e enquanto o gira-discos gira as suas melodias trautear outras, evolar-se num ai e em qualquer lugar: sonhador adicto.

outras há mas calharam estas e qualquer é relevante. quem me conhece apontará outras mas não nega estas. é que apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo :)

thanks Claire. há quem me ache egocêntrico e penso que há exagero. porém falar de mim, escrever de mim, é-me sempre qual íman haja oportunidade - e deste-ma. contrabalanço assim, acho, outra particularidade pessoal que omiti quer por vulgar quer por evidente a cinco linhas de lido: a timidez que me acompanha desde que de mim me lembro e que nunca me permitiu aprender a dançar além desta pista de papel tão maravilhosamente real que nela até o coxear parece virtual e, ao meu espelho, chego a sonhar que sei fazê-lo em pista aberta - convidaste-me! - e não no canto mais baço da imagem.

(não transmito. além de que nunca me senti à vontade nesta parte, estive tanto tempo fora que dificilmente nos próximos três meses todos os "nomeados" por aqui passassem e dessem conta do 'caderno de encargos'...)
porque que é que o cinzento existe?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

neocolonialismo mundial?

"O nosso trabalho é dar ao povo não o que ele quer, mas sim o que decidimos que ele deve ter"

Richard Salant, anterior presidente da CBS News



Comecei há dois dias o "Toda a verdade sobre o Clube Bilderberg" de Daniel Estulin (Europa-América), que chegou meio céptico, atitude que acho saudável a tudo que cheire a 'teorias da conspiração', e a outra metade de olho vivo de curiosidade pois nada sabia do dito além do que recentemente se lê por aqui e por acolá exactamente a pretexto deste livro, e da lembrança vaga do arquiduque da Madeira a bramar contra "a Trilateral, a Opus Dei e os maçons, e uns clubes duns senhores que querem governar o mundo" (mais ou menos assim e no tom aplogético habitual). En passant, na altura.
Vou num terço mas com ganas de o esfarelar num instante. Porquê?

Porque não tenho capacidade (nem paciência) para avaliar se nas fontes citadas há cábulas 'marteladas' mas acho que o autor não é mau em matemática. Soma dois e dois com aura de credibilidade nos resultados, e explica como elabora esse afinado raciocínio de forma que parece suficientemente capaz de ir a exame e prova dos noves. Há quase quatro décadas que leio o mundo e só eu sei quantas vezes as notícias não (me) batem certo. Hoje, tal como vós resmungo e aperto e cinto e pergunto onde estão os filhos-da-puta que puseram isto de pantanas em dois anos e sabes-se lá por quantos mais. O Mundo com um AVC colectivo e já nem o futebol ou as misses nos distraiem (um sinal, essa do futebol, um dos sinais...). Em resumo pessimista Eles andam aí...

Quase a seco, umas tiradas ao já lido - e tentarei não ser maçudo:

"George Wallace, candidato democrata às presidenciais quatro vezes, nos anos 60 e 70, popularizou um slogan: «A diferença entre os partidos democrata e republicano não vale um chavo». E tinha razão. (...) A razão disto, diz Gary Allen (...) prende-se com o facto de que «embora Democratas e Republicanos populares geralmente tenham opiniões diferentes sobre economia, política e actividades federais, à medida que se sobe a encosta da pirâmide política, os dois partidos vão ficando cada vez mais parecidos»"
(...)
"E o eleitor médio não é tolo. O público percebe que alguma coisa se passa. As sondagens políticas ilustram uma percepçáo crescente de que nada muda no governo, independentemente do voto. Esta observação abrangente tem levado a uma subida das abstenções e a um cinismo inquieta entre os cidadãos"
(pág. 102)

- em que café é que já se ouviu em surdina esta reflexão? à escolha: o mapa-mundi é nosso.

Agora cá de nós:

"Segundo uma fonte bem informada, na reunião Bilderberg de 2004 em Stresa, Itália, montou-se uma promoção por grosso aos Bilderbergs portugueses. Na sequência dessa sessão, ocorreram grandes alterações na liderança em Portugal.
- Pedro M. Santana Lopes, o pouco conhecido presidente da Câmara Municipal de Lisboa, foi subitamente nomeado Primeiro-Ministro pelo Presidente da República.
- José M. Durão Barroso, anterior Primeiro-Ministro, foi nomeado Presidente da Comissão Europeia.
- José Sócrates, deputado, foi eleito líder do Partido Socialista (...). Sócrates tornou-se Primeiro-Ministro de Portugal em 2005."

(pág. 55)

Ok, afinal não foi o dr. Sampaio que nos tramou. Foi o Clube Bilderberg. E porque não, hã?

E por aí fora, há de tudo: Aldo Moro, a realeza europeia, os Rockfeller, Kissinger, até o nosso "chiquinho do Porsche" vem referido, imaginem lá...

Este Clube de elite, segundo o autor, pretende estabelecer uma Nova Ordem Mundial com supressão dos nacionalismos e seus meios identitários. A globalização total, portanto, de que o Acordo NAFTA e a CE, a ONU e a NATO, o Tribunal de Haia, são braços do polvo e já por ele telecomandados. O que me dá consolo pois diminiu(-nos) a culpa 'tuga de termos gerado o seu ovo quando, nos idos de Quinhentos, criamos a primeira empresa global, gérmen das multinacionais: a Companhia das Índias. Tivemos uma má ideia mas quem alimentou o monstro foram outros e, com sorte e um juiz bondoso, podemos sair do ajuste de contas só com uma pena reduzida a multa quanto esta caldeirada for toda a contas. E já considerada paga atento o estado de penúria do réu. Proposta a considerar, não acham, Bilderberg's?

Conto tê-lo aviado a meio da próxima semana. É um bocado maçudo para ler de empreitada e esta noite vou iniciar um que me espera à que tempos e estou desejoso de lhe meter mãozinhas: o último Saramago, "A viagem de elefante" (Caminho), de que tão boas críticas tenho por aqui lido. Na dúvida se intervalo pesadelos reais com ficção ou se a loja é a mesma mas com tinteiros diferentes. Na dúvida... vai até ao fim.

"Dar ao períneo"

É la palissada dizer que após a carência forçada, prolongada, o antes corriqueiro e bocejante ganha ares de maravilha. E é assim mesmo que é (diria La Palisse).
O saco dos jornais do fim de semana era hábito e peso que se desfolhava até meio e jaziam plantados pelos cantos da casa até um impulso higiénico os reunir em molho e levá-los em braços à urna do contentor de lixo mais próximo sem uma lágrima de despedida, embora pagos na totalidade e metade por desflorar, desfolhar.
Hábitos de marajá de hárem farto que ou pela crise ou pelo raio qu'o parta transformaram o hábito em raridade e - eis o milagre rejuvenecedor! - do bocejo nasceu o garimpo à lupa das letrinhas todas, numa orgia de papel que transforma esse fim-de-semana no luxo de banho num rio com pepitas lá pelo meio. Ao tédio sucedeu (renasceu?) o encantamento: as dificuldades na vida têm estas mágicas em recuperaram do contentor das banalidades os pequenos prazeres.
Pois este fim-de-semana, ao sábado mais em concreto, foi uma barrigada tal que ultrapassou a barreira psicológica da nota de cinco, num desvario de riqueza que - perdoe-se a extravagância... - tem-me dado momentos de deleite com leituras a que as edições online são omissas e por isso percorro-as com avidez. O diz-que-disse, a actriz coisa e tal, o fait divers, esse mundo de futilidades que é óptimo em super calorias pois está recheado de delicioso colesterol mental, o gargalhar insano que tanta falta faz para contrabalançar à sisudez deprimente das 'caches' de primeira página.
Dum suplemento dum semanário repesco e divulgo este "Dar ao períneo" que vale pelo que vale mas, para já pois ainda terei umas setecentas gramas por devorar e depois ainda tenho de palitar bem os dentes, elejo como candidata a estatueta e música:

"Desde que casou com Carla Bruni, o presidente francês, de 53 anos, redobrou os cuidados com o físico. Nada disso seria notícia, não fosse a circunstância de Sarkozy andar a recorrer, de há dez meses a esta parte, a uma 'personal trainer' de 26 anos, Julie Imperiali, com o intuito de melhorar o seu desempenho sexual. Até agora, Sarko conseguiu controlar o vício do chocolate e perder quatro quilos, mas não se sabe se já conseguiu livrar-se da alcunha de 'Speedy' (rápido) e aumentar a duração das sua erecções. Imperiali, a quem o presidente paga cerca de 200 euros à hora, segue o chamado "método tectónico", que se centra nos músculos perineais, situados entre o escroto e o ânus. «As relações sexuais são melhores se o períneo estiver em boa forma. Os problemas de ejaculação precoce devem-se frequentemente ao períneo», explicou a especialista a um jornal britânico, acrescentando que, para trabalhar estes músculos, «tem de se imaginar que se está à rasquinha para urinar e reter». É esse, portanto, o segredo com que Sarkozy conta para se baldar, hoje, às comemorações do Dia Europeu da Disfunção Eréctil."

Ora também cá cantam cinquenta e três e o não ter duzentos euros para imperialmente pagar por cócegas no períneo não me aborrece ou alegra. Até porque (digo-vos e juro-o) se tenho problemas perineais não são precoces mas retardados pois quando há festa rija bem malho o ferro quente porque são necessárias altíssimas temperaturas para atingir o ponto de liquefação e urrar como o Tarzan. E nem me aborrece que um jornalista virgule de tal maneira os parágrafos que parecem mais coitus interruptos que uma sadia queca digna de página de jornal. Pois o que me alegra, alegra de alegrar mesmo! é empaturrar-me desta fast food noticiosa e sentir-me maravilhosamente decadente, milionariamente esbanjador com um saco de plástico na mão tal qual os ricos, tal qual outrora e não o sabia assim de mim. et voilà...

citação

"Que crime é esse de assaltar um banco, ao pé do crime que é fundar um banco?"

Bertold Brecht

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

a excepção




reabro o tasco por razão de excepção, ainda mais que é múltipla:

a) sou amigo da Autora, Sheila Khan;
b) sem (ainda) o ter lido tenho confiança total no trabalho académico desenvolvido pois falou-me o suficiente dele para assim o crer, e logo me ter apaixonado;
c) o tema é-me especialmente próximo;
d) falei-lhe do meu sentir, aquando da fase de recolha de testemunhos de quem viveu (e vive) essa diáspora cultural, emocional e geográfica.

mais informação aqui, site da Edições Colibri (aceita encomendas online)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

APELO - RUFEN




Faço-o by Copy-Paste do blogue criado para ajudar na busca do Afonso Freire Novais dos Santos Tiago que desapareceu em Berlim na madrugada de dia 10, pois só sei escrever em português. Espero que a difusão ajude e o Afonso Tiago seja rapidamente encontrado e de boa saúde, que tudo seja um mal entendido, um desencontro.
Segui um link e dei com o APELO de seu primo, o Eufigénio do blogue Apenas +1.
Aqui vai o Copy/Paste. Quantos mais o transmitirem mais "algo se faz", por muito pouco que se ache que é.


Desaparecido!
Foi visto pela última vez em Berlim (ponto A do mapa) às 04h00 de dia 10/01/2009. Dirigia-se para casa (ponto B do mapa)
Se tem alguma informação, por favor contacte-nos!

Vermisst!
Haben Sie diese Person gesehen?
Er wurde letztes Mal in Berlin gesehen (Punkt A auf der Karte) und er war unterwegs nach Hause (Punkt B auf der Karte) um 4:00 Uhr 10/01/2009
Kontaktieren Sie uns, bitte!

Missing!
Have you seen him?
He was seen for the last time in Berlin (point A in the map) and he was going home (point B in the map) at 4a.m. 10/01/2009
Contact us, please!

Disparu!
Il a été vu par la dernière fois à Berlin (point A du plan) à 04h00 du matin du 10/01/2009. Il rentrait à la maison (point B du plan).
Si vous avez des informations, s`il vous plaît contactez-nous!

Kayıp aranıyor!
Onu gördünüz mü?
En son Berlin`de görüldü.(Haritada A noktası) ve eve gidiyordu (Haritada B
noktası ) saat öğleden önce 4 , 10.01.2009
Bizimle irtibat kurun lütfen!




!إِختفاء
أَلفونسو تياغو
,2009 جانفي 10 في ( A ) ببرلين مرة آخر شوهد
,(B) المنزل إِلى عودته عند
, حا صبا الرابعة الساعة عند
.شيئا لوتعلمون بنا الإِتصال االرجاء




(o mapa mencionado está no blogue criado, este.)