quarta-feira, 8 de julho de 2009

jacintos d'água


Dizem que os jacintos quando germinam envenenam o rio, asfixiando-o, sugando-lhe o porte e a seiva. Opinião de biólogo. A minha biologia é visual, imediatista, a dos que não são rio mas são água e se se abeiram da margem vêm flores e não veneno. Os que não se ralam se a tinta é tóxica pois gostam ou não do quadro e é assim.

Recomeçando: dizem que os jacintos quando germinam envenenam o rio, asfixiando-o, sugando-lhe o porte e a seiva, opinião que muito preocupa quem se preocupa com o equilíbrio entre o parecer e o ser, a essência e a fragância. Gente preocupada com o desenvolvimento sustentável, gente do futuro que não se cega ao brilho efémero e rejeita que lhes esconda a substância.

Não, não é assim.
Sento-me na margem desta folha e penso se tanta letra não é veneno que agigante o problema, falando de jacintos d'água e caudais, as rugas da beleza, meditações inúteis quando em menos palavras se diz e conta e é tão simples como escrever, seja em água seja em tinta, que a minha biologia é doente, míope, não há rios mas sim ribeiros, não há flores de água nem de jardim: uma natureza morta, floresta após incêndio, caroços de abundâncias, saco de folhas caídas de ilusões.


Feliz é o rio das flores.

(imagem daqui.)

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