terça-feira, 5 de maio de 2009

Esta História - Alessandro Baricco



Tanta vez dou, damos, a rodar páginas, frases, como que olhando a nossa vida vivida e os nossos sonhos. As tais vidas que uma é a vivida e outra é a sonhada. Tanta vez um momento especial daquela encontra eco nos sonhos que alguém nos escreveu, e numa frase paramos e soltamos o olhar nos aléns. Isto aplicável a qualquer enredo que seja, que se sequer a nossa vida vivida é uma longa recta que dizer então das curvas dos sonhos, as lombas dos pesadelos, os múltiplos dias e vidas que existem atrás das folhas dos calendários.

Veio parar-me às mãos por impulso. Terá pesado a imagem e o resumo da trama: sempre tive fascínio por automóveis e por história. Depois não o conhecia, nunca o lera, e nisso assemelho à vida onde tenho encontrado nas pessoas novas amores naturalmente antigos, e eu sem saber até então deles... Veio.

Esteve adormecido meses e meses, sei lá, talvez um ano. Para "aviar serviço" costumo ter entre mãos três ou quatro, ou cinco, livros ao mesmo tempo. Raramente um único. Entremeio os géneros para desenfastiar e para não abandonar precipitadamente algum que, a folhas tantas, esteja a maçar. Talvez engate mais tarde, e vai para debaixo da pilha que não é de desistências. Assim ela renova-se e chegou-lhe naturalmente a vez: igualmente por acaso: fui lá abaixo arrumar aviados e renovar stock e os olhos caíram-lhe na lombada e lembrei-me. Veio - a segunda vez.

Não parei. Ou quase, que durante as primeiras páginas um Bill Bryson como sempre bem-humorado acompanhou-o, mas rapidamente deixei-o algures a meio duma viagem e fui-me a ele sem parar mais. Como uma corrida, e que terminou esta noite. Leiam-no, raios! Veio e irá, qu'este é dos tais especiais que empresto a pessoas especiais se não tiverem sorte d'ainda encontrá-lo. Mas leiam-no, raios!

E obrigado, Senhor Alessandro Baricco: corri-o contigo, frase a frase. Tantas que estou como tu, e com início no fim da próxima linha «decidi neste instante que a partir do próximo livro (que assim ler) vou deixar de escrever agradecimentos».

(edição da Dom Quixote, 2007)

1 comentário:

th disse...

OK! é "Esta História" e não aquela história, tudo bem...obrigada, th