quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


"ameaçei" fazê-lo algumas vezes aqui e só eu sei que o pensei dez, trinta vezes mais. neste 'tasco' e nos que o antecederam, outras quatro tabernas falidas se a contabilidade não me engana. em todas reincindi e "regressei", seja por vício seja por parolice em achar que tinha 'algo' de meu que valia a pena mostrar-vos - e não me refiro só à pimbalhada que escrevo: o desejo de transmitir algo que lera ou vira que dalguma forma me tocara. sim, muitos Amigos também me deixaram balões de ar puro e assim fui respirando, blogando, 'ligado à máquina'. mas os Amigos não fogem quando um deles faliu.

ando nos blogues activamente desde inícios de 2004. isto não é um "balanço" mas fôsse-o e quer uma quer outra coluna estavam cheias, prenhes e prontas a parir e portanto está na hora de zarpar, às costas os dois cabazes e numa caixinha as jóias que encontrei e as que me deram. só por aí, pela caixinha, digo em última voz alta que valeu a pena e não foi uma vida desperdiçada: se a desfiz, não é certamente a Internet a culpada. calo o vozear e cicio: ela até amenizou as dores dos erros que acumulei pois, por cá, sempre tive nome e até cara e até morada e até profissão, e até amores e até sonhos e até ilusões e até desilusões, e, assim, digo sem que os olhos me fujam no espelho que vivi uma vida onde não usei máscaras, não menti, chorei ou ri e fiz rir e se calhar fiz igualmente chorar, mas o gajo que hoje escreve Fim é igual ao 'blogger' que somou erros de ortografia enquanto se iludia em ser 'escritor', eu sou eu e somos iguais, nunca anónimos nem cobardes pois não fiz comentários anónimos em nenhum 'tasco' tal como cá fora assinei os papéis certos e os errados.

odeio o meu blogue, ie odeio-me a mim próprio: cheguei a este estado de comunhão suicida, ao 'black hole' da imagem e na viga penduro uma corda pensando não esparvoar e pendurar duas. nada é infinito e o direito suicida pode aplacar-se neste simbolismo. afinal vou-me embora mas o safanão da corda retesada não me tira a caixinha das mãos. houve uma altura, talvez aquando do enforcamento de Saddam Hussein, em que a morbidez onde chafurdo levava-me a passar horas no Youtube à cata de videos de enforcamentos, suicídios, martírios. eram os olhares que mais me impressionavam e não descolava do replay. sobrevivi - estou cá e só uma corda está na viga embora não goste de mim. mas há pessoas que mesmo assim gostaram e gostam de mim. a tal caixinha, meia cheia aqui e grossa metade cá fora.

não quero neste 'e-testamento' entrar num patético ajuste de contas além das comigo mesmo. a Internet é o que é e não há ingénuos: no máximo há parvos e é dessa consciencialização que amassei o cimento da decisão e fui resvalando das ilusões para a realidade de ser cabouqueiro é uma mui nobre e digna profissão. tenho um daqueles contratos "três-em-um" em que um dos uns chama-se 'Internet'. não rasgo esse papel pois faz-me falta ter à mão uma resma para escrever, mas em privado, no privilégio elitista de no espaço com título "To:" escrever os nomes e os nicks que desejo quando precisar dum carinho ou dum par de tabefes, de enviar uma pimbalhada ou um poema à-português-poeta.

desejo semanas cheias de Festas Felizes a todos e todo o ano, os malditos e os anos serenos. muito sinceramente.

e pronto: adeus. dei o pontapé no banco e dia tal fará anos. afinal não dói, e julgava eu que...

(última - mesmo a última! - imagem daqui. o último "thanks e sorry lá por qualquer coisinha")

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