sexta-feira, 11 de maio de 2007

as estantes nos jardins

Esta notícia deprimiu-me. Pois... não é 'depois' mas sim 'pois' que escrevo, um baque de «quê? de que se fala? ah, pois, já nem me lembrava...»
Num jardim adormecer e envelhecer olhando essa enorme estante onde as lombadas se chamam memórias. Estranhar o Tempo, tão traiçoeiro na falsa lentidão com que corre e faz voar as páginas, e num súbito uma foto uma frase um nome dá um flash e puxa uma recordação, "ah, pois..." Envelhecer num jardim, rima de livros arrumados nas estantes e um embaraçador fio de baba rolando em queixo certamente de barba rala, descuidada na lentidão das tardes, no corpo o aconchego dum sobretudo sobrevivente a invernos e outros escritos; tudo pantufas quentes quando num repente se sabe duma notícia e, 'capa na mão', pensa-se que foi há tanto e há tão pouco, tempo já arquivado em estante passado, adjectivo da família de envelhecer e percebê-lo num repente.
Estou a falar de emoções. Esta notícia deprimiu-me, ainda havia um luto por fazer.
Adenda: o Luis Novais Trigo, do Tugir, dá novas sobre o lançamento.

8 comentários:

Anónimo disse...
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Carlos Gil disse...
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Anónimo disse...
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Carlos Gil disse...
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Luís Novaes Tito disse...

O que eu acho, meu caro, é que a democracia tem pouco tempo para lutos e que a memória em política é tão curta que se não for registada será fantasiada.
Quem esteve por dentro, melhor, alguns dos que estiveram por dentro, entenderam fazer esse registo.
Poderá ser cedo? Talvez.
Mas é preferível que fique feito por quem esteve envolvido do que por alguém que um dia destes, com base nas habituais informações de fontes anónimas, o venha a fazer.
Se outros entenderem registar igualmente certamente não lhes faltará arte para o fazer.
Abraço
Luís Novaes Tito
(publico igualmente este comentário no Água Lisa)

Carlos Gil disse...

a concordar em pleno com a parte final da primeira frase: melhor exemplo disso que as estantes não haverá.
estantes que fui buscar como imagem da sensação que tive - matéria do post - quando li a notícia da saída das 'memórias' dum facto que, talvez por inesperada e intensamente, foi-me pessoalmente impresionável e estranha-se perceber-se (o tal 'repente') que voou e é passado, é "matéria de estantes".
do envlhecer, essencialmente é doq ue falei.
confesso-me ansioso pelo livro e é óbia a emoção que sentirei ao recordar momentos em que me orgulhei de mim, de me voltar a sentir a lutar por uma Causa, a acreditar em tempos em que, se desse verbo se fala, o olhar silencia-se na distãncia e olha com nostalgia lombadas de livros, pégadas, cerra-se o Outono no acreditar. para livfos destes, cuja lombada me irá atrair memórias, há empre lugar e, deste, o meu meio-grama de esforço vai ter orgulho em pegá-lo, pô-lo a recordar-me quendo o meu olhar o procurar. não é fácil esquecer a campanha, das emoções, do ressurgir de sonhos clorofolmirzados pela vidinha, esta coisa mole que em derrame nos invadiu praias e interior, adormeceu e calibrou, rasou e nivelou, um país inteiro a marchar no desânimo conformado. a campanha MA foi das 'pedradas' mais importantes nesse charco, ai se foi...
como é que não me posso sentir 'velho', assiim? é como folhera jornais velhos, e lembar-me que foi há tanto tempo, na altura 'parangona' e hoje cantito de memória que teve de ter ajuda externa apara acender modesta lamparina, passado, o passado envelhece e, em norma, olhar livrdos de História é olhar passado.
ok, embalei e fecho a tasca já, vai um abraço a terminar :)

Anónimo disse...
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Carlos Gil disse...
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