domingo, 13 de maio de 2012

o Searcher One, de Wilt Chamberlain

este carro além de feio foi um fiasco. nem nos rodapés vem.

mas devia vir... senão nos de popós, nos do basket: ver com atenção a foto, sff

é, é o Wilt Chamberlain. o maior basquetebolista de sempre - e que me perdoem o Michael Jordan, o Magic Jonhson e tais: mas um gajo que marca 100 pontos (100 pontos!) num jogo da NBA e no tempo que em não existia a mariquice da linha dos 3 pontos e um cesto era "um cesto e mái nada", só pode ser mesmo o maior basquetebolista de sempre.

o carro é o Searcher One, e não houve Second. felizmente. invenção do bom do Wilt, que se devia ter ficado pela magia da bola grande e pelos afundanços.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e Ernesto 'Che' Guevara

Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e Ernesto 'Che' Guevara, Cuba - 1960.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

as secretas e a mulher de César

mais que dizer que esta Ongoing é um "pato bravo" perigoso que felizmente pouco medrou na nossa sociedade, que as sociedades secretas são (tornaram-se?) mais antros podres que sãos conclaves de meninos grandes, há que perguntar como é que a rebaldaria nas diversas polícias sem farda foi possível chegar a este ponto.

é que se soma o escândalo no Sporting com um tal Cristóvão, um ex PJ de currículo suspeito que tinha (tem?) por hobby espiolhar vidas privadas, e por divertimento sacana armar-se em mecenas não solicitado da arbitragem. tudo junto é muito e preocupa: é inevitável recordar a tal metáfora da ponta à vista do iceberg. à velha pergunta - e quem nos protege da polícia? junta-se uma nova: - e quem os pune?

os sobreiros de Benavente levaram alcunha em autos de "facto provado", e algumas das maldades que se lhes associaram também: os seus cadáveres estavam carregadinhos de dinheiro e por isso o corte justificava-se - pensou-se e fez-se. a sentença? sabemos como foi: zero.

ah, metia banca. banca, sector sensível. banca, sector de cautelas. e banca que foi mecenas dum congresso all-garvio de procuradores que incluiu programas paralelos de três dias para acompanhantes. acompanhantes dos procuradores e dos jornalistas convidados - que os houve.

no O Intelectual Brejeiro, um simpático e bem-disposto mural do Facebook, há entre muitas outras e que nos sacam sorrisos a feliz montagem acima. lamento dizê-lo mas a confiança pública nas virtudes do sistema judicial anda muito por baixo. além da habitual vox populis que preza o bota-abaixo como profissão de vida, há fumos mal-cheirosos que não escondem haver fogo no caixote do lixo. urge sanar (e com transparência). senão... quem raio nos protege da corja de abusadores?

terça-feira, 8 de maio de 2012

Gritoacanto

eu canto as gentes vivas e as ausentes
as coisas por fazer ou já desfeitas
as empenas das casas levantadas
as empenas das casas esqueléticas

o vento a flor a pedra a dor a chuva
o perfil a palavra a mão a fome
o verme o pássaro o insecto a nuvem
e o mar e o grito e o pão que o tempo absorve

mas sobre tudo eu canto ai sobre tudo
este morrer de amar cada segundo
horizontes por que me desfiguro
à mortal palidez de um céu inútil

Glória de Sant'Anna
, "Gritoacanto 1970-1974", Cooperativa Árvore, Janeiro de 2010

eu & a viola

no Facebook ponho esta foto, e comento: "o Grande Lapso: não ter aprendido a tocar viola. e tive uma..."

muito naturalmente dizem-me o óbvio: que estou muito a tempo. eu respondi que tergiversava. assim:

"...porém há momentos, propiciamentos, janelas que se deviam ter aberto numa altura que já não é esta. eu sei que me fixei nesta imagem mental da viola. quase diariamente passo pela montra duma loja de instrumentos musicais e invariavelmente ela está pejada delas, e invariavelmente quedo-me minutos e minutos a olhar longe, dedilhando histórias alternativas, sacando solos que não fiz. abuso destas simulações, eu sei. nada é assim. nada. mas naqueles minutos em que lá estou é. e nos longos (longos) que se passam depois, no palmilhar das ruas até à toca também é assim. nem vejo o hoje: sigo por rotina. envolo-me. subo além da vertigem, refaço caminhos e encontro uma mão perdida, que toco. que toco. como agora: estou aqui mas de facto estou à frente da montra, brigando no vazio dos passantes indiferentes pela minha primeira fila do silêncio, pelo apertar do braço e deixar os dedos tocarem as cordas, pressionando os pontos mágicos donde tudo sai, tudo soa. sabia fazer algumas notas. sabia tocar pedaços desta e daquela. o solo do Smoke on the Water - mas quem não, esse? sorrio. não sorrio quando penso que já naquele tempo - e naquela viola... - desejava saber era o Evil Ways. afinal sorri... :-) talvez, talvez... :-) ou pelo método infalível do profº Cebolo ou de ouvido e de cábula na mão. uma viola raramente são só folhas de balsa bem recortadas, polidas e coladas, e arames esticados de espessuras diferentes. há a decoração, o enfeite, e o sorriso. expliquei-me um bocadinho :-) uma viola tipo "ceci n'est pas une pipe" ;-))"

o tronco

o Carlos Silva, do Munditações, desafiou-me a juntar letras a uma das suas imagens, sugeridas pela visão dela. era um tronco de árvore cortado, um cepo. foi de sopetão e saiu assim (repito aqui o texto porque, relendo-o agora, achei-o algo empastelado e de dicção pouco fluída nalgumas partes, tendo-lhe dado uma "lavagem"):

"o tronco"

o tronco abatido, serrado pelos dedos que o desenharam num arabesco de cicatrizes concêntricas além daquele momento, espelho dos espelhos - ó, o rendilhado!.... - bate-me de chofre e suspende-me o seu desenho, que já iniciara: «era uma vez uma árvore de tronco rugoso e austero, que...»: não conta, não conta porque não sei: só suspeito. centenária? na parte fugitiva voaram corações desenhados por canivetes seguros por feitiços? e as folhas? como eram? talvez tão longíneas que, quando caíam, planavam nos olhos como passarolas e se um pintor montasse cavalete teria de alongar a perspectiva para captá-las em bando, na sua viagem de silêncios até ao fofo do chão, ao manto que se conta quando se fala na suave cama de folhas tenras (secas é uma palavra feia) que existe sob todas as árvores românticas.

isso: uma árvore romântica. que viu muito e nada conta, ou, porque o amor nunca prescreve e na sua doçura ameaça exércitos, então foi abatida, serrada, e ei-la despojo inadmissível como prova, já: os “gordinhos”, os corações desenhados e autografados com a violência das setas egoístas dos amantes, essas provas não circunstanciais e capazes de abalar um júri renitente em aceitar a culpabilidade histórica das cicatrizes concêntricas, esses documentos que são vivos além do pó porque a memória não tomba quando uma árvore cai, evolaram-se do momento e deles não conta a foto, e eu reafirmo só o suspeito.

curioso momento este, esta anatomia fotográfica, este dissecar de ilusões, esta pantomina da realidade: calhe, e a foto foi captada além esquina e mercê de obras de requalificação, como costumam rezar as placas que se desdobram em explicações para justificar a morte d'algo. talvez fosse dum quintal particular e esta imagem é-me grata pois por trás visualizo uma casa que envelheceu namorando várias gerações, talvez um banco à sua sombra (a tal cama de folhas de regresso...), talvez mesmo um baloiço abandonado, toda uma pátine que resistiu até ao momento da placa e das obras de requalificação a matarem, e nos serrarem a memória. talvez nada disso, cala-te Carlos, não abuses da ficção: é um toco velho e podre, são os restos dos tempos, é o relógio parado, é a vida e um seu momento. talvez.

mas prefiro a minha ilusão. uma jangada. tábuas aladas. uma mesa tão gigantesca que se derrubaram muralhas dum castelo para introduzi-la no seu salão mais nobre e belo, ou, talvez (talvez) qualquer uso não discriminado e para aqui nada importante à excepção das suas sobras: o desperdício industrial que nas mãos duma criança faz um tronco de árvore pular e correr, e o mundo avançar com ele como se no poema, esta poesia tão sorridente como 'a sua' criança que da tábua de nada moldou um carrinho de rolamentos e desliza nuvens de imaginações à velocidade estonteante do seu amor infante, da sua fé na mestria da construção, quiçá e sem o saber sentada sobre um coração que alguém, da tal casa com história e que tem um banco sob os ramos que suportam um baloiço, e sobre tudo isso paira, secular, uma árvore, onde alguém antes dele o desenhou e sem nada disto prever. gosto mais deste talvez.

gosto tanto dele que não me alongo, regresso ao retrato e pisco-lhe um olho cúmplice, matreiro, maroto: «á magana, o que tu viste...». e sorrio, sorrio pois. não remato dizendo que prefiro a ilusão à realidade, que do retrato do cepo duma árvore carunchosa construí um romance, castelos, carrinhos de rolamentos, e muito (muito) amor. tudo treta, meus amigos. e treta de quem o pensou: eu conheço-a, à arvore. ei-lo, o truque, a carta na manga, o segredo, a batota do narrador. conheço-a porque conheço-lhe o baloiço, corri que nem um doido no seu carrinho, namorei e namorei-lhe no seu colchão fofo (isso, isso), e também tive orgulho em possuir um fabuloso canivete. reconheci-a mal a olhei. depois foi fácil: fechar os olhos, sorrir e recordar...

foi assim... :-)



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sir Charles


«Um grande incêndio não deflagra num deserto, mas sim numa floresta. E quanto mais luxuriante ela seja, maior ele é»

Sir Charles Brenton Walters, filósofo inglês prematuramente falecido (1855-1912)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Entardece, meu amor"

Entardece, meu amor

a pele macia começa a enrugar
mas não deixes de a tactear
não deixes de a abraçar
não deixes que o teu corpo
renuncie ao perfume do meu

Entardece, meu amor
mas continuo a ver o mar profundo
no teu olhar

e o sol poente, meu amor
não deixa nunca de encantar

Entardece, meu amor
mas é ao entardecer
que mais carecemos de amar.

(...)
inacabado

Fátima Guimarães

2-05-2012
 
(foto de artabus.com)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

um azar nunca vem só!

ainda por cima disto, naquela confusão o coitado perdeu o DVD* que o guiara que nem bússola atómica ao supermercado... :-(


* "O último tango em... LOL"

Ilha de Moçambique - na alma dos poetas


(de Paulo Pires-Teixeira)

a FNAC já o tem.

o doce feriado do Pingo Doce

a histeria. e com certeza algum desarranjo mental momentâneo provocado pelo pânico da crise: quantos e quantos gastaram 50, 60, 70 - na mira do desconto - quando se fora deste síndroma de multidão, de "rebanho", para gastarem 20 ou 30 já contariam bem contado? ah! e os cartões de crédito. os que sobreviveram. daqui a 30 dias vai ser uma chiadeira danada.

brigar pelo último frasco de champô? 10 kgs de sardinhas? uma loira agarrada a um expositor de chocolates «é meu, é meu, é meu!»? deus m'a livre...

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entretanto há quem ache virtudes muito óbvias no acto caridoso. eu duvido. é que duvido mesmo! e numa troca de comentários no Facebook respondi assim:
a Jerónimo Martins capitalizou-se nesta operação sem ter de ir à Bolsa ou à banca. transferiu as suas existências em armazém para as despensas dos seus clientes - que para isso pagaram mais do que normalmente pagam: hoje gastaram em produtos que em vias normais de consumo só gastariam daqui a meses, pois só então os consumiriam. repito, Vítor: a Jerónimo Martins hoje "limpou" os bolsos aos seus clientes mais aflitos - os tais que bem identificaste. fez uma rotação mágica de stocks - mágica porque gigantesca e a custo 0 para ela, empresa: o que ganhou no excesso de vendas é superior ao valor do tal desconto que suportou. mais o que não pagou nem pagará pelo encaixe de dinheiro vivo.

quanto aos clientes. li várias reportagens com trechos de entrevistas feitas no momento. quem ia a pensar gastar 100 (200 em compras reais) e quando pagou pagou 300 (600 em compras reais). armazém em casa. um caso falou em já ter gasto 700 (1.400 de mercadorias) e ainda iria voltar à tarde, dizia. armazém. aqui em Almeirim ouvi conversas em café. e, aqui, conheço as pessoas. não lhe conheço a carteira mas conheço-lhes genericamente as vidas. nunca foram largas e com certeza agora estão mais apertadas. e falavam no stock reforçado que fizeram. o tal armazém. obviamente a troca de transferência de reservas ou poupança para o mealheiro Pingo Doce. fora os que utilizaram o crédito: cartões. e quem tem ou teve cartões sabe o quanto custam os juros caso não se faça a amortização integral em 30 ou 45 dias - conforme o tipo de cartão e o contrato celebrado: balúrdios, taxas pornográficas. quantos e quantos encheram os carros com adicionais que em sanidade normal nunca comprariam, ou na mira de atingir os miríacos 100€ de despesa - e múltiplos sucessivos..., ou apenas no embraseamento do desconto mágico de 50%... mas mesmo aceitando que o desconto é mesmo esse (só episodicamente o é; mesmo a destruição de bens no interior das lojas foi contabilisticamente favorável à empresa e esbate o valor 'dado' no desconto) acabam por pagar "50%" dum valor X que noutras circunstâncias nunca o fariam. o consumismo descontrolado é perigoso, e foi isso que sucedeu hoje. promovido. incentivado.

isto não é bonito. nem penso ser necessário alongar-me por este (1º de Maio) ser tradicionalmente um dos poucos dias em que os hipers encerram de facto (encerravam...), dando folga não virtual aos seus empregados para poderem ter um dia de família. que é necessário. e não é com a mãe a folgar à quarta e o marido ao sábado, ou a folgarem em dias em que os putos estão em aulas, que efectivamente há "um feriado" que o seja, e que seja um dia familiar pleno. já nem vou por aí, vê...

eu chamo ao que se passou capitalismo pérfido. e repara: não sou ideologicamente comunista ou quejando, não tenho nenhuma aversão especial pelo capitalismo. mas o que se passou hoje foi feio. ah! e feio igualmente pelas manifestações da massa humana ensandecida pela cupidez, a inveja, a maldade num ou noutro caso até. mas esses maus instintos foram polarizados e estimulados pela acção que lhes foi proposta como rebuçado único e a aproveitar. há que pensar as coisas em todas as suas consequências antes de promovê-las. infelizmente até acho que sim: foi pensado. de a a z como atrás te digo, certamente saltando algumas letras em que nem quero sequer pensar

...e mal pagos

não sou fã de más notícias, bruxo ou psicopata em versão "quanto pior melhor", mas também não sou burro nem mentiroso e também acho que é mesmo assim. diagnóstico: fucked.

a malta vai-se habituando. os impostos sobem, os salários descem, mas a malta vai apertando mais a vida e com a esperança «não tarda e já está quase». não está. 2013 vai trazer-nos mais apertos, e muitos são novos, ainda não lhes provamos o fel. quando daqui a menos dum ano os avisos de liquidação do IMI nos estalarem nas mãos será uma bomba. se a recessão não abrandar a receita fiscal continuará a ficar bem aquém do previsto no OE, e já sabemos qual a receita usada e provavelmente a usar de novo: impostos extraordinários que comam os subsídios, ou em parte como no último Natal ou mesmo por todo. fora o resto. os despejos. as penhoras. os combustíveis a continuarem a trepar, e tudo ou quase tudo é transportado portante sofrerá. a saúde: a caminho de 3 milhões de isenções? sim, este ano. para o próximo inventam algo para diminuir os isentos, e uma visita ao hospital vai doer bem na carteira. o desemprego que não dará folga e ainda engordará até. a criminalidade ainda mais quotidiana, pois há relação causa/efeito óbvia. e a tanto, tanto, não nos conseguiremos habituar. 2013 vai ser terrível mesmo por comparação a este ano de apertos: será nova dose do mesmo mas acrescida, e não serão acréscimos só duns pozinhos. lamento dizê-lo mas é o que acho: estamos fucked :-(

ando com pesadelos. quem me manda a mim armar-me em Zandinga.

Fernando Lopes

 
digo o normal, e esse mínimo é mesmo "uma perda para a nossa cultura"". acrescento a minha única referência pessoal: conversámos uma vez no bar dum hotel da Póvoa, aquando dum dos "Correntes de Escritas". ele tudo, eu um nada que se infiltrou e abancou. e mesmo com este 'mesmo assim' naturalmente presente deu-me e deu trela e à vontade foi uma meia-hora de conversa. mais sobre literatura (e sobre os autores) que sobre cinema, ao que me lembra. o que me lembra mesmo? a simpatia e a simplicidade. por isso doeu mais um bocadinho que o dito normal o saber que se foi. cá? ficou. por isso o lembro. ele sabia ser um senhor

segunda-feira, 30 de abril de 2012

e porque não? raios!... isto anda de tal maneira que até apetece recuperar os velhos posters da porta do quarto!


disse o João Proença (o da UGT) numa entrevista que saiu este fds qualquer coisa como isto: «somos um povo muito pacífico, mas ninguém se esqueça que já matamos um rei...»

e, afinal?...

eu também me emocionei ao ouvir. e entendi (novamente?) as palavras da mãe, há coisa dum ano atrás, quando afirmou que estes seus dois filhos eram muito mais parecidos que se poderia pensar.

duro :-(

terrível. ontem apertou-se-me o peito quando a senti logo às primeiras linhas :-( as crónicas do Miguel eram sempre lidas em angústia, com uma mistura de sentimentos contraditórios antes de iniciá-las, e o medo era um dos mais presentes. infelizmente ontem confirmou-se. percebia-se, sentia-se tão bem que ele divagava, passeava por ementas e por quotidianos tentando esconder - disfarçar tão mal! a sua dor, o medo, e o enorme amor que os une sempre, sempre nas linhas, nunca no entrelinhado. neste era o medo. 
nós, leitores, era igualmente a medo que o procurávamos na penúltima página. e o suspiro, quando se lia afinal "só" mais uma crónica "à MEC", um recanto que descobriu para se comer em paz com a vida, um passeio que recomenda, algo dos quotidianos que lhe chamou a atenção e no-lo contava à sua maneira tão própria. mas a dor e o medo sempre presentes. e, ontem... :-(

‎"I don't know, but I been told
a big-legged woman ain't got no soul

sábado, 28 de abril de 2012

grumpy story

eu não quero armar-me aos cágados (mas se se entender que o estou, então igualmente me estou borrifando) mas a pobreza intelectual, mascarada de tendenciosas amnésias e maldosas deturpações, dá um pulo do caraças e emerge a tocar sininhos e trombones aquando da passagem das datas evocativas dos nossos factos históricos mais relevantes. e este "Abril" nem é que tenha sido especialmente ruim. talvez a paciência do observador é que esteja em momento mau para aturar a brigada dos mesmos-de-sempre, e as velhas, velhas destilações e aerofagia de sempre

para o ano, e ver se me lembro e hiberno antes. se ainda cá andar


(foto sacada avulsa na net. sei lá quem é o senhor! porém pus no Google Imagens uma certa designação e apareceu esta, cara chapada. ficou, pois)

girassóis

 
Je quitte une dictature
tropicale en folie
encore vaguement puceau
quand j'arrive à Montreal
en plein été 76.

Je regarde le ciel
en pensant qu'il y a
quelques minutes
j'étais là-haut
parmi les étoiles.
La première fois.

Dany Laferrière*, "Chronicle de la dérive douce"

este poema é como uma bala perdida. voa entre as estrelas, quase-quase inócuo, mas fere... então escolhi-lhe como imagem mais uns girassóis de Van Gogh.
*Dany é um jornalista haitiano que emigrou em 1976 para o Canadá, na sequência do clima de terror generalizado que persistia na ilha. e persiste, sob tantas outras formas também

sexta-feira, 27 de abril de 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

EuroToutatis


Um jornalista, numa entrevista de rua, pergunta a um indivíduo:

- O que o sr. faria se lhe saísse o Euromilhões?
- Metade, gastava em putas e champanhe.
- E a outra metade?
- Era para gastar mal gasto!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"gajas boas"



notícia terrível.

agora entendo o meu auto-diagnóstico de ter Parkinson no "gordinho" :-(

memória



a colecção, que julgo completa, da emissão da RTP no 25 de Abril de 1974.

foi tremendo assistir-lhe assim, de fio a pavio. a maioria já a conhecia, mas como imagens isoladas. mas, assim, o impacto emocional é outro. forte. e quando chegaram as primeiras de rua, de onde a revolução se fazia, pensava: é ali que se devia estar. não em casa olhando a tv, não em casa acolhendo os repetidos avisos (conselhos? bah...) para que não se saísse à rua. a revolução vivia-se na rua. no Carmo, no Rossio, no Camões, em qualquer lugar mas nunca num bafiento e temeroso. chega. chegava de medos. e ao ouvir as notícias sobre a tardia rendição da DGS, da sua resistência à História, dos cinco mortos e alguns feridos recordei-me naturalmente do meu amigo Rui Morais, que foi lá ferido por balas criminosas que dispararam sobre a multidão. ele mostrou-me as duas marcas das balas nas costas, uns meses mais tarde, lá em LM.

(onde andarás, Rui? alguém me disse que para a Suíça, mas não tenho a certeza. não sei. sei que gostava de te rever, a ti e à Marília caso ainda estejas com ela. e ao Jorge, o teu irmão. recordarmos a "república" em que vivemos todos em 76, perto da Praça das Flores, ali a S.Bento. gostava de te rever, amigo, gostava sim. fomos especiais porque vivemos momentos especiais. tu cá e eu lá, antes lá quando me introduziste a coisas que eu não sabia e contigo aprendi, livros que nunca esqueci. depois cá, contra-a-corrente, a nossa anarquia dissidente. a nossa práxis orgulhosamente de lumpen, também essa revolução. tenho saudades, Rui)

uma hora e tal de História. somos fruto do que aconteceu naquela noite e naquele dia e o saldo tem muito mais de positivo do que de deita fora. 25A, Sempre! na minha geração este sentimento nunca mudará, tenha-nos a vida dados pontapés em cima de pontapés, há um poema que nos diz

"Esta é a madrugada que eu esperava 
O dia inicial inteiro e limpo 
Onde emergimos da noite e do silêncio 
E livres habitamos a substância do tempo" 

(Sophia)

e a poesia das palavras não mente: ela pode silenciar-se mas ela sente

Parkinson no coração

Devia morrer-se de outra maneira


Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos...)
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...


José Gomes Ferreira


...e quando o li e ouvi,*, saiu-me assim esta confissão:
"belo. mas eu não quero morrer nem em fumo. não posso! tenho uma doença que não me permite esse luxo "de morrer". tenho Parkinson no coração. ele treme, treme, e sinto-me como um tubo de ensaio para médicos (ou poetas, c'est la memme chose) ensaiarem ensaios tontos ou poemas eruditos sobre as moléstias das coronárias. não, não posso fazer-me em fumo. como! faria sinais. mesmo assim, adelgarçar-me-ia em ron-rons e infestaria as árvores, as flores, a atmosfera: Parkinson no gordinho é lixado. treme tanto que até eu tremo mal o sinto a agitar-se, a acordar. e se ele acorda!... há momentos em que o tum-tum parecem gritos, ouvem? eu ouço. se calhar só eu é que ouço, se calhar o fumo só o veriam aqueles meu colegas de enfermaria que mais invejo. sabem quem são? eu conto-vos. conto sim. invejo os do Alzheimer. os "do alemão". que não recordam amores, que não palpitam que nem uma batata frita, como diz a cantilena dos putos quando se gozam uns aos outros por causa das paixões. os fumos, é verdade. estava a esquecer-me. vêm? eu perco-me tanto... é do Parkinsom, certamente. efeitos colaterais. as tremuras não: essas são dos directos. venham mais médicos e tragam poetas: expliquem-me por favor. digam-me - mas digam-me devagarinho para eu perceber! se vou ou não morrer desta doença. é que sofro, sabem? apaixono-me e sofro. (do coração; um poema ou um cardiologista por favor). se não chegarem a consenso, deixem... cheguem-me um fósforo, snifem as cinzas e não espirrem com o fumo. sou eu e não vos quero mal. nunca! é que, repito, eu não posso morrer, a minha doença é mortal mas não posso morrer, tanto que me treme o gordinho, tanto que me aperta o peito, tanto que me doem as memórias e os hojes, tanto que suspiro amanhãs que ou nunca mais chegam ou quando vêem põem-me tão nu que chamam-se desilusões. é a doença, o Parkinson, o treme-treme. estou lixado. sabem o que queria? talvez o SNS subsidie. um pacemaker milagroso, uma bengala que me salve. um apoio vitalício, um penso rápido durável, um amor que não tremesse, meu ansiolítico querido. e eu assim apoiado, ah! curava-me. banhava-me na cura e sarava, eu maila a minha bengala. ilusões.
são fumos, são ilusões, são nevroses, desespero, sintomas graves da doença: amigas (amigos) eu tou mal, tremo, tremo, tenho Parkinson no meu coração!"
responderam-me que precisava era duma Junta Médica e não dum cardiologista. é esta a medicina que temos, que fazer? tremer, pois!


* no Facebook

terça-feira, 24 de abril de 2012

25A

"A um ausente"

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste



Carlos Drummond de Andrade

o nosso húmus do sucesso: o amanhã

da economia real, a das empresas e não a que figura para fazer figura no OE, há lições de gestão de vida a tirar, mais extensas que o campo contabilístico que as viu nascer.

por exemplo, o "direito ao erro". cá (países latinos) quem falha está arrumado, ganha um estigma e só por milagre de excepção consegue reerguer a cabeça: abrir falência é uma marca de infâmia, e um revés é vivido como uma tara. a diferença: os financeiros americanos que investem em 'star-ups' preferem associar-se a um dirigente que já lançou uma empresa e falhou a fazê-lo com um principiante, e Bill Gates admitiu francamente que preferia rodear-se de colaboradores que «fracassaram pelo menos uma vez na vida, porque eles não cometerão duas vezes o mesmo erro». Steve Jobs (o tal da tal Apple), dizia de si: «eu cometo erros, muitos erros. mas crio um ambiente onde os que eu contrato podem cometer erros e com essa auto-aprendizagem desenvolverem-se». o direito ao erro, considerado pelos anglo-saxónicos como "húmus do sucesso", adapta-se mal à nossa cultura mediterrânica.

introdução terminada. terminada? absolutamente não. só estará completa e levará posfácio de profecia realizada quando finda esta má saga onde mergulhamos, sejam, dois, três, cinco ou os anos que forem, abrirmos os jornais e olharmos o who's who das nossas empresas, sairmos à rua e olharmos os donos das lojas dos nossos bairros, elas e elas hoje a caminho de taipais mais ou menos mal-disfarçados, ou mesmo já assumidos em maus editais de penhoras e outras maldades, e reconhecermos caras. reconhecermos o "vizinho da loja" ou o "tycoon" deste ou daquele negócio. e hoje caídos em desgraça. embaraçosamente pré-falidos ou já envergonhadamente falidos. reconhecê-los um a um. reerguerem-se. vê-lo é também reerguermo-nos nós. o direito ao erro deles é igualmente o nosso, mas nós somos anónimos. mas um a um, nós, gozamos do mesmo direito deles. reconhecê-lo é um dos passos. nossos. ter fé em nós é ter fé nos outros que igualmente falharam, sem que esse percalço seja mais que isso e signifique que estamos arrumados. hélas!

segunda-feira, 23 de abril de 2012



mamitas :-)

lentamente, explicação de quem sabe a somar a explicação de quem sabe, vão-se rebatendo os ignóbeis comentários acerca duma minha pretensa obsessão, nalguns ainda mais insensíveis chamada de taradice.

sinto-me confortado... :-)