quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

música &... livros







um casamento onde o divórcio só deverá acontecer por profunda esquisitice duma das partes: livros & música.

digo-o, que tenho feito um bom esforço por me 'curar'. conviver mais com a música. para ler, ler-de-ler, ainda prefiro o silêncio. sem distrações. ou num café, só o frou-frou da humanidade vagueando à minha volta, eu seu espectador mas ouvinte do meu livro.

"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore from Moonbot Studios on Vimeo.



15 minutos de encantar.

pois!... :-(



(sacada algures no Facebook)

a dívida externa: porque é que os italianos talvez se safem e nós não



Sofia Loren! o melhor par de mamas da história do cinema! só com os seus "direitos de imagem" os sacanas dos italianos pagavam a dívida externa, mais o raio que os parta a todos. porra, eles tiveram a Sofia Loren! a Sofia Loren! e nós? e nós que também nos choramos com a tal da dívida externa? a Beatriz Costa, é? humpf... há gajos que nascem com o rabo virado para a lua!



JFK, "macho alfa": a 'pequena história' (um devaneio com pretexto)

a "pequena história" é mais que couscuvilhice. ou mais que pedaços de eros à solta, como aqui:

- "A partir daqui a história pode contar-se em discurso directo, tal como o apresenta o “The New York Post” no artigo que dedica ao tema: “Percebi que ele se aproximava mais e mais. Podia sentir a sua respiração no meu pescoço. Pôs a mão no meu ombro. (...) Devagar, desapertou-me a parte de cima do vest...ido e tocou-me nos seios. Depois pôs-me a mão entre as pernas e começou a puxar-me a roupa interior. Eu acabei de desapertar o meu vestido e deixei-o cair pelos ombros”.
Às tantas, notando alguma hesitação, JFK perguntou: “Nunca fizeste isto antes?”. “Não”, respondeu ela. “Estás bem?”, questionou o Presidente. “Sim”, respondeu ela.
Depois de terminarem, JFK encarregou-se de fazer chegar Mimi a casa, que na viagem de regresso disse para si própria vezes sem conta: “Já não és virgem, já não és virgem”."

a "pequena história" é também isto:

- "Para além dos episódios de intimidade, Mimi lembra-se de alguns momentos definidores da presidência de JFK, incluindo a crise dos mísseis cubanos. Durante 13 dias, em Outubro de 1962, os EUA e a URSS estiveram num impasse nuclear. Apesar de os EUA terem ganho este braço-de-ferro, a ex-estagiária afirma que o Presidente estaria disposto a ceder. “Prefiro que os meus filhos sejam ‘vermelhos’ [comunistas] do que morram”, terá dito JFK a Mimi em determinada ocasião."

pequeno exemplo, extraído duma notícia de jornal que se centra mais nos pormenores escandalosos da relação dum presidente, quarentão e casado, com uma estagiária de 19 anos, com a ter convencido a fazer sexo oral com outro homem, o incitá-la a tomar drogas, ou até com as perfomances deste 'macho alfa' na cama, aos vistos também com algumas 'deficiências'.

mas pondo tanta parte digna de oh!'s escandalizados de lado, a pimenta que faz vender, em todos estes tipo de livros memorialistas há nacos de achegas a 'outra interpretação' dos grandes factos históricos vividos na primeira pessoa, pelo menos por um dos personagens. claramente não sei se será o caso deste, embora me esteja a servir do seu exemplo para ir mais longe no raciocínio e na explicação do gosto por literatura que, aparentemente, não vale mais que valerá a leitura do jornalismo de escandâlos: zero, ou no wc quando se obra e pragueja. a História, a maiúscula, de há muito que não despreza a sua irmã "pequena", a contada na primeira pessoa por aqueles que nunca surgiram no retrato embora fossem íntimos dos astros. talvez por isso.

este? lia-o, sim. mas não vou ler. em tempos de vacas austeras há que ter uma selecção cuidadosa com os recursos disponíveis, e, este numa das mãos, facilmente perderia para a outra, onde de repente me lembro duma boa dúzia de títulos que gostava de vê-los lá, e não os vejo.

isto foi só um devaneio, com pretexto.

lucro, literalmente fúnebre


uma péssima fotografia da face feia do capitalismo: apostar na morte (alheia, claro), ganhando mais quanto mais cedo ela acontecer.

nem o facto dos sujeitos da aposta terem uma idade entre os 70 e os 90 anos dilui a imoralidade deste "produto financeiro"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"vagina de morcego"



com'é???

suspensão ou redução de penhoras

à laia de 'serviço público', em prol das centenas de milhar de penhorados deste cada vez mais roto e triste país:

o nº 4 do artº 824º do Código de Processo Civil dá uma abébia a casos desesperados, àqueles que por força dum azar na vida ficam com ela irremediavelmente comprometida - ou eles ou seus dependentes. em suma, permite ao Juiz do processo suspender a penhora, perante requerimento fundame...ntado e com a argumentação devidamente suportada em provas, normalmente documentais, e ouvida a 'parte contrária' - o exequente, ou, nos casos em que ela incindiu no vencimento mensal, a reduza para uma fracção mais consentânea com as necessidades básicas do executado e do seu agregado familiar (por exemplo, de 1/3 do seu valor, fracção-tipo fixada em Lei, para outra fracção de menor dor e expressão).

claro que este expediente deve ser usado com parcimónia e perante situações concretas em que a penhora, como está a ser efectuada, "estrangula vidas". não como expediente moratório, de puro excuso ao cumprimento de obrigações, ou de salvaguarda da manutenção de despesas fixas que, perante a situação, são consideradas supérfluas, "luxos" a que um incumpridor então já apelidado de executado não pode agarrar-se. até que o digníssimo, se se apercebe de estar perante um caso destes, pode chatear-se e aplicar ao incidente processual uma multa. esta, aos valores actuais, é duns 190 euros, uma UC (Unidade de Conta). o resultado prático será que só se irrita quem tem mais que fazer que "aturar artistas", e agrava-se um problema que certamente já não é pequeno, a ter chegado onde chegou.

é uma dica. a utilizar com bom-senso por quem, infelizmente, está metido nestas camisas de onze varas.

porque o faço? primeiro parágrafo: há centenas de milhar de executados, mais do que alguma vez o nosso meio judicial conheceu. certamente neste gigantesco número há muitas situações aflitivas, desesperadas, em que por bloqueio mental causado pela situação, e por desconhecimento das alíneas legais, não agem para minorar a tragédia, às vezes evitando que em efeito de cascata outras se abatam sobre o próprio e a sua família. nem a Lei nem o juiz que a aplica são insensíveis a casos justos (provados...)

então não esqueça, quem precisar: a fórmula mágica para desabotoar um bocadinho um colarinho que subitamente estrangula pode ser esta: "nº 4 do artº 824º do Código de Processo Civil"

Saudação a Walt Whitman


Portugal Infinito, onze de junho de mil novecentos e quinze...

Hé-lá-á-á-á-á-á-á!

De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro,

Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo,

Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado,

Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt,

Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser...

Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio,

Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te,

E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias,

Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente.

Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste,

Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer,

Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro,

E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas,

De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma.

Ó sempre moderno e eterno, cantor dos concretos absolutos,

Concubina fogosa do universo disperso,

Grande pederasta roçando-te contra a adversidade das coisas,

Sexualizado pelas pedras, pelas árvores, pelas pessoas, pelas profissões,

Cio das passagens, dos encontros casuais, das meras observações,

Meu entusiasta pelo conteúdo de tudo,

Meu grande herói entrando pela Morte dentro aos pinotes,

E aos urros, e aos guinchos, e aos berros saudando Deus!

Cantor da fraternidade feroz e terna com tudo,

Grande democrata epidérmico, contágio a tudo em corpo e alma,

Carnaval de todas as ações, bacanal de todos os propósitos,

Irmão gêmeo de todos os arrancos,

Jean-Jacques Rousseau do mundo que havia de produzir máquinas,

Homero do insaisissable de flutuante carnal,

Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor,

Milton-Shelley do horizonte da Eletricidade futura! incubo de todos os gestos

Espasmo pra dentro de todos os objetos-força,

Souteneur de todo o Universo,

Rameira de todos os sistemas solares...

Quantas vezes eu beijo o teu retrato!

Lá onde estás agora (não sei onde é mas é Deus)

Sentes isto, sei que o sentes, e os meus beijos são mais quentes (em gente)

E tu assim é que os queres, meu velho, e agradeces de lá —,

Sei-o bem, qualquer coisa mo diz, um agrado no meu espírito

Uma ereção abstrata e indireta no fundo da minha alma.

Nada do engageant em ti, mas ciclópico e musculoso,

Mas perante o Universo a tua atitude era de mulher,

E cada erva, cada pedra, cada homem era para ti o Universo.

Meu velho Walt, meu grande Camarada, evohé!

Pertenço à tua orgia báquica de sensações-em-liberdade,

Sou dos teus, desde a sensação dos meus pés até à náusea em meus sonhos,

Sou dos teus, olha pra mim, de aí desde Deus vês-me ao contrário:

De dentro para fora... Meu corpo é o que adivinhas, vês a minha alma —

Essa vês tu propriamente e através dos olhos dela o meu corpo —

Olha pra mim: tu sabes que eu, Álvaro de Campos, engenheiro,

Poeta sensacionista,

Não sou teu discípulo, não sou teu amigo, não sou teu cantor,

Tu sabes que eu sou Tu e estás contente com isso!

Nunca posso ler os teus versos a fio... Há ali sentir demais...

Atravesso os teus versos como a uma multidão aos encontrões a mim,

E cheira-me a suor, a óleos, a atividade humana e mecânica.

Nos teus ver sos, a certa altura não sei se leio ou se vivo,

Não sei se o meu lugar real é no mundo ou nos teus versos,

Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural,

Ou de cabeça pra baixo, pendurado numa espécie de estabelecimento,

No teto natural da tua inspiração de tropel,

No centro do teto da tua intensidade inacessível.

Abram-me todas as portas!

Por força que hei de passar!

Minha senha? Walt Whitman!

Mas não dou senha nenhuma...

Passo sem explicações...

Se for preciso meto dentro as portas...

Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas,

Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,

Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,

E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!

Tirem esse lixo da minha frente!

Metam-me em gavetas essas emoções!

Daqui pra fora, políticos, literatos,

Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,

Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.

O espírito que dá a vida neste momento sou EU!

Que nenhum filho da... se me atravesse no caminho!

O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!

Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo,

E comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito...

Pra frente!

Meto esporas!

Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto,

Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus,

Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa,

Conforme me der na gana... Ninguém tem nada com isso...

Loucura furiosa! Vontade de ganir, de saltar,

De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo,

De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo,

De me meter adiante do giro do chicote que vai bater,

De ser a cadela de todos os cães e eles não bastam,

De ser o volante de todas as máquinas e a velocidade tem limite,

De ser o esmagado, o deixado, o deslocado, o acabado,

Dança comigo, Walt, lá do outro mundo, esta fúria,

Salta comigo neste batuque que esbarra com os astros,

Cai comigo sem forças no chão,

Esbarra comigo tonto nas paredes,

Parte-te e esfrangalha-te comigo

Em tudo, por tudo, à roda de tudo, sem tudo,

Raiva abstrata do corpo fazendo maelstroms na alma...

Arre! Vamos lá pra frente!

Se o próprio Deus impede, vamos lá pra frente Não faz diferença

Vamos lá pra frente sem ser para parte nenhuma

Infinito! Universo! Meta sem meta! Que importa?

(Deixa-me tirar a gravata e desabotoar o colarinho.

Não se pode ter muita energia com a civilização à roda do pescoço...)

Agora, sim, partamos, vá lá pra frente.

Numa grande marche aux flabeux-todas-as-cidades-da-Europa,

Numa grande marcha guerreira a indústria, o comércio e ócio,

Numa grande corrida, numa grande subida, numa grande descida

Estrondeando, pulando, e tudo pulando comigo,

Salto a saudar-te,

Berro a saudar-te,

Desencadeio-me a saudar-te, aos pinotes, aos pinos, aos guinos!

Por isso é a ti que endereço

Meus versos saltos, meus versos pulos, meus versos espasmos

Os meus versos-ataques-histéricos,

Os meus versos que arrastam o carro dos meus nervos.

Aos trambolhões me inspiro,

Mal podendo respirar, ter-me de pé me exalto,

E os meus versos são eu não poder estoirar de viver.

Abram-me todas as janelas!

Arranquem-me todas as portas!

Puxem a casa toda para cima de mim!

Quero viver em liberdade no ar,

Quero ter gestos fora do meu corpo,

Quero correr como a chuva pelas paredes abaixo,

Quero ser pisado nas estradas largas como as pedras,

Quero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares,

Com uma voluptuosidade que já está longe de mim!

Não quero fechos nas portas!

Não quero fechaduras nos cofres!

Quero intercalar-me, imiscuir-me, ser levado,

Quero que me façam pertença doída de qualquer outro,

Que me despejem dos caixotes,

Que me atirem aos mares,

Que me vão buscar a casa com fins obscenos,

Só para não estar sempre aqui sentado e quieto,

Só para não estar simplesmente escrevendo estes versos!

Não quero intervalos no mundo!

Quero a contigüidade penetrada e material dos objetos!

Quero que os corpos físicos sejam uns dos outros como as almas,

Não só dinamicamente, mas estaticamente também!

Quero voar e cair de muito alto!

Ser arremessado como uma granada!

Ir parar a... Ser levado até...

Abstrato auge no fim cie mim e de tudo!



Clímax a ferro e motores!

Escadaria pela velocidade acima, sem degraus!

Bomba hidráulica desancorando-me as entranhas sentidas!



Ponham-me grilhetas só para eu as partir!

Só para eu as partir com os dentes, e que os dentes sangrem

Gozo masoquista, espasmódico a sangue, da vida!



Os marinheiros levaram-me preso,

As mãos apertaram-me no escuro,

Morri temporariamente de senti-lo,

Seguiu-se a minh'alma a lamber o chão do cárcere privado,

E a cega-rega das impossibilidades contornando o meu acinte.

Pula, salta, toma o freio nos dentes,

Pégaso-ferro-em-brasa das minhas ânsias inquietas,

Paradeiro indeciso do meu destino a motores!

He calls Walt:

Porta pra tudo!

Ponte pra tudo!

Estrada pra tudo!

Tua alma omnívora,

Tua alma ave, peixe, fera, homem, mulher,

Tua alma os dois onde estão dois,

Tua alma o um que são dois quando dois são um,

Tua alma seta, raio, espaço,

Amplexo, nexo, sexo, Texas, Carolina, New York,

Brooklyn Ferry à tarde,

Brooklyn Ferry das idas e dos regressos,

Libertad! Democracy! Século vinte ao longe!

PUM! pum! pum! pum! pum!

PUM!

Tu, o que eras, tu o que vias, tu o que ouvias,

O sujeito e o objeto, o ativo e o passivo,

Aqui e ali, em toda a parte tu,

Círculo fechando todas as possibilidades de sentir,

Marco miliário de todas as coisas que podem ser,

Deus Termo de todos os objetos que se imaginem e és tu!

Tu Hora,

Tu Minuto,

Tu Segundo!

Tu intercalado, liberto, desfraldado, ido,

Intercalamento, libertação, ida, desfraldamento,

Tu intercalador, libertador, desfraldador, remetente,

Carimbo em todas as cartas,

Nome em todos os endereços,

Mercadoria entregue, devolvida, seguindo...

Comboio de sensações a alma-quilômetros à hora,

À hora, ao minuto, ao segundo, PUM!

Agora que estou quase na morte e vejo tudo já claro,

Grande Libertador, volto submisso a ti.

Sem dúvida teve um fim a minha personalidade.

Sem dúvida porque se exprimiu, quis dizer qualquer coisa

Mas hoje, olhando para trás, só uma ânsia me fica —

Não ter tido a tua calma superior a ti-próprio,

A tua libertação constelada de Noite Infinita.

Não tive talvez missão alguma na terra.

Heia que eu vou chamar

Ao privilégio ruidoso e ensurdecedor de saudar-te

Todo o formilhamento humano do Universo,

Todos os modos de todas as emoções

Todos os feitios de todos os pensamentos,

Todas as rodas, todos os volantes, todos os êmbolos da alma.

Heia que eu grito

E num cortejo de Mim até ti estardalhaçam

Com uma algaravia metafisica e real,

Com um chinfrim de coisas passado por dentro sem nexo.

Ave, salve, viva, ó grande bastardo de Apolo,

Amante impotente e fogoso das nove musas e das graças,

Funicular do Olimpo até nós e de nós ao Olimpo.

.



Álvaro de Campos

domingo, 5 de fevereiro de 2012

sunday good news :-)


o nome mágico é Hélio-3.

as boas notícias acerca dele passam por ser um gás não radioactivo, de que se calcula existirem ao alcance do engenho humano 100 milhões de toneladas. e, calcula-se também, 100 delas satisfariam as necessidades energéticas do mundo (actual)... por um ano.

as notícias complicadas dizem-nos que essa reserva miraculosa encontra-se no nosso satélite, a Lua. ao alcance da engenharia espacial já disponível, mas de execução muito complicada.



finalmente, uma notícia que tanto pode ser animadora como o inverso: quer os USA e a Grã-Bretanha têm planos para em conjunto viabilizarem a exploração (e o transporte para o planeta), como a Rússia e a China têm um acordo igual. da competição entre os dois blocos resultarão naturalmente dois vencedores: globalmente, o mundo, todos nós. livres de pesadelos nucleares e com a despensa energética abastecida por 10.000 anos. e, obviamente, o bloco vencedor da corrida: será ele (eles?) a cara dos novos Senhores do Mundo.

nem todas as notícias são exclusivamente más. haja Ciência e Política à altura!





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

my kind of auto punishment and guilt?



não quero ser patético, choramingas nostálgico ou saudosista, etc, mas alvoraçou-se-me o peito secreto ao ver nestas fotografias uma outra vida que podia ter tido e que perdi. por renúncia própria, acrescento: tinha nacionalidade, amor à terra, uma flat arrendada que era bem nice, carro e mota, e emprego que dava à justa para viver os vinte anos com tudo isso e mais tudo o que eles acham que merecem. o que nao tive foi... sim, foi falta de tomates. isso, nunca perdoarei a mim próprio.

a vida cá não me foi especialmente grata ou ingrata: normal, banal, e "gosto disto". nem é exclusivamente nos momentos maus que penso na outra, a tal de que reclamo a mim e de mim mesmo por tê-la perdido. é mais fundo, é uma mitologia que não deslarga e que se em 36 anos se mantém vida, a expectativa é que fique por cá até ao fim. my kind of town, also probably my kind of auto punishment and guilt.

desconforto


as privatizações são um sucesso financeiro. mas sabem o que me chateia? esta premonição de se o Dalai Lama cá vier daqui a, digamos, seis, doze meses, a puta da luz irá faltar e não será por razões técnicas mas por outras, imorais nesta parte do globo segundo bem nos ensinaram.

esta, nem de algibeira confortada consigo engoli-la

o meu respeito por por quem mostra tomates para dizer Não!, assumindo-o, a esta idiotice pegada. ainda há esperança, pesem os mansos que tudo comem em nome de leis espúrias, modernismos pseudo avant-garde, e uma mansidão 'politicamente correcta' que invocaria vómitos se não apelasse à pena por tanta miséria intelectual e irresponsabilidade perante um pilar do património cultural. não se pensa, seguem-se as modas, os dictames de politburos encobertos, o rebanho...
além da violência cultural, assassina, existe uma violação do Direito: Angola e Moçambique ainda não ratificaram o malfadado AO (ainda bem! parabéns!) pelo que a entrada em vigor na ordem jurídica interna desta convenção internacional (pacífico, não?) é ilegal enquanto ela, a própria, não entrar em vigor na ordem jurídica internacional. isto, indo pelo formalismo, já que por aí tanto se arenga "agora é Lei!". mais: pela letra do AO este só é de aplicação "obrigatória" após 2015. então?...
ainda há esperança que a burrice ceda e seja expurgada, banida, enterrada para ser lembrada como um momento mau. pergunto-me se um inglês, um australiano ou um norte-americano não se identificam por nacionalidades só de se ouvirem ou lerem, sem que isso lhes faça comichão ou, qualquer deles, corra a "uniformizar" a língua inglesa com receios dela falecer de... diversividade. idem, para um mexicano, um espanhol ou um argentino. a língua hispânica está viva e convive pacificamente e plena de vigor rejuvenescedor aceitando as suas diversividades regionais, afinal o húmus que a revigora e permite não se sentir ameaçada por qualquer fantasma de esquecimento. aplicável a qualquer outra!
é difícil entender isto? entender não é. aceitar é que o será se presidirem nacionalismos mal-resolvidos, complexos coloniais ou imperiais. ou - que existem - uma cegueira abjecta à brutal manipulação da opinião pública por interesses comerciais (sim: pode ler-se interesses editoriais). ou acordos políticos cinzentos, tipo dou-te isto e não te esqueças: a incompreensível pressa do governo Sócrates em querer tornar o AO irreversível só assim se pode entender.
porra, não podia começar o dia com melhor notícia e, simultâneamente, ficar tão mal disposto ao rememoriar toda esta parvoíce!

domingo, 8 de janeiro de 2012

o evolucionismo falhado


os Donkervoort são a interpretação holandesa, com LSD nas linhas e cocaína na mecânica, dos Caterham ingleses, estes por sua vez herdeiros quase testamentários do Lotus Seven, o simpático aranhiço inventado por Colin Chapman.

eu, se visse uma coisa destas no espelho retrovisor fugia. de certeza que assopra e anda como parece, e aposto que visto de traseira é tão feio como de frente: a prova provada como as teorias de Charles Darwin não são aplicáveis ao mundo automóvel

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

devaneios da estante

1 - Há tempos uma amiga disse-me que achara um piadão à frase «Quem tem uma vagina, tem uma mina», lida ou ouvida algures. Concordei, como não? Seja em estricto sentido anatómico-naturista, ou naquele que o insígne pensador Sir Charles B. Walters designava como "as menos dolorosas realidades da vida", a afirmação está correcta, plena de argúcia e malícia (e a pimenta atiça o comer, sabe-se). Porém ficou cá a bailar-me...
2 - Gosto de Armando Silva Carvalho - mas prefiro-o como prosador a poeta. Creio que o 'descobri' no estupendo "O Livro do Meio", escrito "a meias" com essa senhora do aparo, Maria Velho da Costa, e a partir daí segui sempre à sua procura conforme me era possível. Antologias, livros antigos, referências na imprensa, e certa vez que por razões de ganha-pão tive de ir a Óbidos, terra linda e merecedora doutras visitas menos engravatadas, no caminho recordei-me que A. S. C. era natural e residia numa aldeia (vila?) que ficava em caminho, não hesitei em torcer a direcção aos honorários e ao dia, e ficcionei durante duas voltas ao 'centro' que me cruzava com ele e o reconheceria, por lá almocei vigiando os vizinhos, tentando descobrir-lhes sinais-de-escritor. Dele, o ele que impus à realidade naquele momento. Entretive-me e almocei bem, amenizei o débito profissional.
Isto porque há pouco peguei no seu calhamaço "O Que Foi Passado a Limpo - Obra Poética" (Assírio & Alvim, 2006), e dei com o poema que transcrevo, onde, embora enviesada, surge a referência à vagina-mina como musa (olha a novidade, resmunga-se!), em poema incluído no seu "Alexandre Bissexto", datado de... 1983.
Encontrei o rasto do que me levara a não arquivar a frase «Quem tem uma vagina, tem uma mina»? Talvez. Porque, agora, relendo-o, recordo-me dele, sim. Cruzamentos de linhas...

"Vagina galeria duma mina"

As vestes da matriz roçaram, pelo meu cérebro
e acordei.
Existe uma simetria secreta
entre a metalurgia
e a obstetrícia.
A Terrra-Mãe mentaliza os seres
como os alquimistas geravam
a raiz do ouro.
E novos labirintos sobre labirintos
galerias de minas e de sonhos
penetram e transtornam o corpo
da grande mãe, poli-aberta.
Vesti-me de escarlate
eu quero divagar como sangue do sangue
nas grutas dos mamilos
e nas mais dóceis e doces
docas maternais
do meu umbigo.
Vagina geradora de todas as descargas
do meu pénis.
Eu sou o papa das americanas,
das filhas de família
e dos actores que roem as unhas
ao Morcego.
Vermelho mal dos pés que os faz
alados no metropolitano.
Mina que canta o metal da morte
nas embocaduras do apocalipse.
Alexandre - o Bissexto
ad majorem dei gloriam.




3 - À procura duma imagem dei com esta maçã. Não digo que é suculenta senão chamam-me pornógrafo. Sou só um rapaz de bons gostos e que adora rilhar maçãs.
Curiosamente - estas linhas cruzadas... - encima um poema de Maria Teresa Horta (hélàs! As Três Marias, lembram-se?) que também transcrevo:

É cálida flor
E trópica mansamente
De leite entreaberta às tuas
Mãos

Feltro das pétalas que por dentro
Tem o felpo das pálpebras
Da língua a lentidão

Guelra do corpo
Pulmão que não respira

Dobada em muco
Tecida em água

Flor carnívora voraz do próprio
suco
No ventre entorpecida
Nas pernas sequestrada.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Happy... 2012. E o Natal, pois

quero desejar-vos - e desejar-me - um longo Natal.
que estas luzinhas que nos brilham e nos fazem brilhar, que nos fazem acreditar-nos como melhores pessoas qu'aquelas que realmente somos, durem muito, muito, um longo ano, um longo Ano Novo, e que os nossos mais belos sentimentos, repristinados pela época e pelo seu espírito, apaguem, suplantem, façam esquecer com um sorriso aquele mauzinho que aí vem.
Natal? ultrapassa a noção de data festiva ou religiosa, é um sentimento. dê-se-lhe rédea solta, que não temos nada mais verdadeiro e puro que os sentimentos.

domingo, 18 de dezembro de 2011

o meu avô Domingos e as agências de rating

num mundo onde cada vez mais o grátis é só domínio do virtual (quase), o capataz-gestor duma gigantesca cooperativa de machambeiros de sofá arrecadou uma camioneta de notas ao sujeitar à gula dos 'investidores' a fauna e flora que outros tratam e cultivam, graciosamente e com horários esclavagistas.

eu não sei o que pensam disso as agências de rating, mas o meu avô Domingos, que era marceneiro na Borralheira e trabalhava com as mãos, não auguraria grande futuro nem ao negócio nem ao investimento.

entretanto, o sr. primeiro-ministro acabou de nos avisar em como dentro de vinte anos o valor das reformas será de metade das actuais, e aconselhou os que têm em vista tal baliza a começarem já a poupar. os políticos são sempre optimistas, quando se trata do futuro, e também um bocadinho tontos quando olham para as nossas carteiras, no presente.

no tempo do meu avô Domingos, que morreu velhinho e sem reforma, toda a aldeia tinha machambas e, se as mesas não eram ricas, as batatas e as couves eram reais. o resto era uma miséria mas as sopas eram reais e dignas dum triplo A.

daqui a 20 anos isto será tudo tão moderno, tão avançado, que as sopas serão grátis e nem precisarão de colher: olham-se com desvelo, e ficamos todos de papo cheio. eu não sei o que os historiadores do rating histórico dirão desta época de tontos, mas suponho que concordarão com o meu avô Domingos: lixo: 767 milhões de exemplos em como se cultivam futuros meios pratos vazios.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

(do Facebook:) Wilhelm Reich



Wilhelm Reich foi um dos gurus da minha adolescência. das tais 'descobertas' que nos fazem sentir como iniciados num segredo fabuloso, e por perfídia dos maléficos Poderes oculto do saber comum, do homem comum. sentimento próprio à idade, mais a mais apimentado com o envolvimento da sexualidade então emergente e que berrava por todos os poros, sequiosa não só de satisfação carnal e sentimental mas igualmente duma plataforma ideológica que a pacificasse no íntimo, fustigado com os remorsos das punitivas moralidades da educação católica.

além desse deslumbramento Reich deu-me mais e que ainda hoje reside. faz parte resiliente da minha formação e - porque não! - do meu crescimento intelectual. porém passo essa parte e centro a lateralidade do comentário numa lição, uma triste lição: um visionário encontra sempre resistência à aceitação das suas teorias e arama-se-lhe e mina-se-lhe, com todos os aguçados poderes vigentes disponíveis, o campo das suas experimentações: Reich foi perseguido por ditaduras como por democracias por ser um revolucionário, mais a mais não seguindo as fórmulas tradicionais (e os campos) de contestação: tanto a(s) ideologia como a religião, a ciência, se viam ameaçadas.

hoje sobrevive num Instituto, nas estantes, no YouTube, e na memória que me assalta quando tenho um orgasmo e sinto-me um egoísta por tanta energia ter o seu potencial reservado exclusivamente para meu prazer, e vá lá que para quem mais lhe assiste. será (também) um efeito do subconsciente, protector, a tal vontade irresistível duma sorna, after?

os sábados à tarde são lixados. vagueia-se no cosmos da psicanálise d'estante, e parte do resultado é assim: lido "amanhã" é lixo filosófico. a outra parte? onanismo, amigos. onanismo intelectual. a casa gasta muito disso

Odetta

instalou-se-me o silêncio enquanto sentia o arrepio. tão boa, esta interpretação!

(do Facebook:) Miguel Sousa Tavares e a cozinha


gosto de Miguel Sousa Tavares, e no 'like' incluo o cronista que diz o que pensa (normalmente pensa bem) sem medos de afrontamentos e sem cuidar de modas e longe dessa porcaria do 'politicamente correcto', do cidadão defensor de causas que não se fica por assinar catarticamente as petições do Avaaz ou perorar de sofá nas redes sociais, li com agrado os seus romances depois duma resistência inicial completamente presunçosa e portanto parva, admiro e invejo o aventureiro que correu lugares que eu gostava de correr, e da mesma forma que eu gostava dos correr, e agora fiquei a gostar dele como man da cozinha. explico.

eu sou cozinheiro de sofá, pois além da sopa de cebola (de pacote, claro), do esparguete com orégãos e alho e dos meus fabulosos ovos mexidos às 6 da manhã e servidos na cama (que after eggs fica ainda mais desalinhada), só arrisco em sandes, por vezes criativas, e ovos estrelados. porém leio, em devoção, as críticas gastronómicas e as receitas dos chefs que vêm na imprensa. babo-me! sonho um dia 'ser capaz', ficciono refeições-surpresa que farão brilhar de encantamento olhinhos que eu cá é que sei, e até gostava de fazer um bom curso de culinária. municiar-me. pronto: cozinheiro de sofá, está explicado.

isto porque venho do café* onde lhe li a entrevista na revista Única, suplemento do Expresso - sem link disponível, e gostei dela da primeira pergunta até à última resposta: o MST de sempre, a postura de sempre e a tal que confessei admirar. é que "a cozinha" é bem mais que elaborar para alimentar, é templo até enformador de carácteres, é atitude. das tais doses que nunca temos em conta e saldo suficientes, se nos quermos 'alindar' a nossos próprios olhos. ao nosso espelho, o tal que é irmão germano do algodão que não engana.

não me vou esticar mais. recomendo a sua leitura, por decorrência a do tal livro que MST lançou recentemente e de que trata o video anexo a esta notícia. já que lhe porão as mãos em cima (revista Única), igualmente recomendo o 'fait-divers' da reportagem sobre as heranças insólitas. giro :-)

* escrito este domingo

BWM sem 'banglices'





a BMW conseguiu livrar-se com sucesso do estigma da 'era Chris Bangle'* e deixou de nos traumatizar com jóias tecnológias vestidas com algumas das roupagens de pior mau-gosto da moderna história do automóvel**. voltamos a cruzar-nos com 'bêémes bonitos', e este Série 6 Gran Coupe rivaliza em beleza com o seu rival directo Mercedes Benz CLS, (nisso) ganha aos primos germânicos Audi A7 e Porsche Panamera, e chega a tocar o feudo do belíssimo Maserati Quattroporte no título de berlina de luxo 'mais bonita' - o Aston Martin Rapide e o Bentley Flying Spur são casos à parte, que já entram na reservadíssima categoria hiper-luxo. peguem num babete, abram o link e cliquem nas fotos, por favor :-)

* Chris Bangle foi 'Chief Designer' da BMW nos anos 90's do ido. embora tenha saído do cargo por rescisão amigável e sem uso de colete-de-forças, na versão oficial, é sintomáticamente venenoso que na nota à imprensa o CA da BMW tenha-a terminado com um curto parágrafo assassino: 'não foi emitida carta de recomendação'. hoje, "o americano maluco", como era conhecido, tem um obscuro gabinete de design em Itália, onde o imagino muito feliz a desenhar máquinas de cimbalinos parecidas com naves lunares.
** chegaram a circular na net petições pedindo quer a demissão, quer, até, o seu assassinato se ele não saísse voluntariamente. em nome da estética, da arte, da imagem e história da marca. lembro-me duma que chegou a atingir as centenas de milhar de subscritores. eu assinei uma ou duas, mas depois fartei-me e passei "só" a chamar-lhe fdp sempre que via uma das suas "criações". e tanto que elas venderam, meu Deus! como uma tecnologia moderna, fiável e perfomante, associada à imagem duma marca que garante status (e boa recompensa na hora da revenda) por si vendem, menorizando valores como a beleza...

ainda o caro Sir Charles Brenton Walters


«...e tantas vezes a Lua é minúscula, e tantas vezes é enorme. Entre uma e outra, a nossa mão; pantógrafo das emoções e redactor assistente, nas suas linhas até cabe o destino. E isso, se realmente é verdade que se prevê espiando a Lua, nunca são linhas que se escrevem: o céu e os astros são as estantes dos Deuses»

Sir Charles B. Walters, filósofo e astrónomo inglês prematuramente falecido (1855-1911)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

(do Facebook:) Os Amigos de Alex, 2?



vejam, vejam! :-) isto deve ser o que acontece à 'velha guarda' quando se metem a encontrar as velhas amizades pelo Facebook! um "Os amigos de Alex" em versão soft core mas muito álcool, drogas e rock & roll, e bem hard eheheh
cá por mim informo que não vou aceitar pedidos de amizades de malta dos tempos da juventude, não tardava e tava nestas figurinhas! ;-)

1974, 75...

o silêncio já se instalou. já passa das horas, e elas fazem-se momentos vividos e ouvidos na memória. recordo.

a noite só quebrava quando o corpo o exigia, e então pelos vidros forrados a celofane colorido entravam as primeiras luzes, na avenida àquele instante mágico em que nada de nada se ouve (todas as noites o têm, todas) um ou outro dizia existir, soava, soavam. alguns.

nós? mergulhados no torpor do brindawn, finalmente silenciados, esvaídos os lipos e os prelos e as metas e tudo tudo, como manequins abandonados nos cantos da sala, a luz pseudo psicadélica, avermelhada, azul, verde, ainda sobrepondo-se à suave luminosidade que entra, lá de fora. lá de fora, mas ainda é cedo: nós. nós, corpos castigados, cansados, mas os olhos brilhando. de entendimento? de vida. seja de cansaço, seja, mas de vida sim. e

um (eu?) levanta-se e vai ao pickup. silêncio. silêncio falso que todos os movimentos são-no, movimentos, e todos os sabemos, todos nos entendemos. a mão tira um lp das capas, acerta a agulha e mao e olhos sentam-se, a luz mais forte, o som lá fora já presnete.

mas soa Melanie. sim, era essa a música do brindawn. o Luís gostava, eu gostava, o Ruca também. o Jonhy, o Hélder. Vasco. Afonso. Chemane. Bebé. Wilson. Joãozinho. nomes, nomes, nomes. Melanie, era Melanie a música do nosso brindawn. e a cidade era silêncio

Sir Charles Brenton Walters


«Não há pessoas que nasçam especiais. Constróiem-se. Somos vulgares. Ser-se especial (para outro; para outros) não é qualidade intrínseca, faz-se, constrói-se. Sem esse esforço - que o é, e ou se deseja tê-lo ou nada de 'especial' resulta - somos banais. Alfinetes na massa da humanidade. Com um lado suave ao tacto e outro dolorosamente acerado.»

Sir Charles Brenton Walters, filósofo inglês, 1855-1911

Sir Charles B. Walters


«Por muito que a consciência - esse barómetro metereológico do íntimo! - nos avise, a chegada da Era Glacial é um choque térmico que gela os dedos tornando-os inúteis para a sua mais nobre missão: polvilhar os dias escrevendo-os de alegrias. Os meios de comunicação reduzem-se inexoravelmente às ondas rádio que percorrem a memória, tundra onde o branco ameaça invadir recantos que foram conforto, festa, rejuvenescimento. É a vida e ela decai conforme envelhecemos, e a Humanidade tem é de se conformar: quem maculou o planeta na ânsia da felicidade de ilusões perenes foi ela, quem imaginou deuses perfeitos foi ela.»

Sir Charles B. Walters, frustrado mapeador coronário (de acérrimo perfil conservador) mas prematuro filósofo ecológico mais ou menos bem conseguido. 1855-1911. amén a ele

o fim do €uro? quem se previne....



uma autarquia previdente: Hellmeirim já se prepara para o fim do €uro!


:-))

(do Facebook:) Pornopopeia

acabo de ler no Ípsilon, o suplemento das 6ªs do diário Público, a crítica do romance "Pornopopeia" (saiu na Quetzal), do brasileiro Reinaldo Moraes (e já cusquei a edição online do Ípsilon, onde esta matéria ainda está omissa), e digo-vos que fiquei naquele frenesim de sedução que, noutros tempos, me faria correr para uma livraria e berrar «Eu quero!».

agora quero falar-vos um bocadinho da minha reputação: considero-me incluído no lote dos mais conservadores entre os 1.635 membros desta ami-comunidade com que me honram (mas não sou casto, beato ou diplomata, ó não). isto para avançar recauchutado para a declaração d'o meu interesse só ter explodido a, vá lá, uns meia-por-meia pela descrição do tema da 'conversa' que o bom do Reginaldo desenvolve: droga, sexo, álcool, tudo em desbundas loucas, naquela boa-vida que, hoje, aos cinquenta's, dizemos, frustrados e mentirosos, gostaríamos de a ter gozado nos trinta's. é que parece que o livro está maravilhosamente bem escrito. naquelas escritas em cavalgada de que poucos são mestres a ponto de não nos deixarem saltar da sela antes da última palavra. João Bonifácio, o autor da crítica, empolga-se nos encómios ao ponto de 'menorizar' Henry Miller e Charles Bukowski, os santinhos mais useiros quando se pisca o olho ao género.

penso que em mim é uma estreia, mas, este, recomendo-o sem o ter lido. oxalá não me engane - um dia lá calhará e hei-de tê-lo nas unhas ;-)

...pois eu digo, meu caro Bukowski, quem me dera que a coisa fosse mais equilibrada....

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Zé-ninguém


eu tenho uma vida secreta

na qual converso com ninguém.



umas vezes só, noutras insulado

rodeia-me um mundo vivo:

fantasmas, manias, creio que até fobias

e não há um que não seja irmanado



os que se sentam e me ouvem

são os de sempre, crescidos:

os heróis, as princesas, e o bicho-papão.



- oh, que colóquios travamos!

- oh, o estrépito da solidão!



eu tenho uma vida secreta

na qual converso comigo, eu,

o incrível zé-ninguém.