quarta-feira, 27 de abril de 2011

pensamento pateta?



antes, o homem saía da gruta para caçar; e a humanidade cresceu, cresceu. hoje, o homem sai da gruta para despejar o lixo; e a taxa de natalidade veio com ele por aí abaixo.

é melhor não pensar muito nisto.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

coincidências?


terminado Wolf Hall (recebe um Bom interessado: além da aprendizagem histórica, lateralmente encontrei um método de redacção que situa o narrador num plano de distanciamento reflexivo plasmado sem a minúcia de impô-lo ao leitor, mas sempre, sempre bem presente) fui cuscar às estantes por uma nova leitura. veio A educação de um vigarista, do canadiano Will Ferguson, apresentado com pompa pela editora (ASA, 2008) como autor do bestseller "Felicidade" (ano de lançamento 2002) que só cá vendeu 40.000 exemplares. não tenho ideia dele.

a nota nasce pelas coincidências, esse lago que constantemente enchemos mais e mais para ajustá-lo à medida de sonhos, desejos, para justificarmos isto ou aquilo, ou apenas porque somos um bocadinho maluquinhos e não acreditamos nelas, dando-nos gozo encher a banheira só para tirarmos a tampa ao ralo e vê-la esvaziar-se num prazer huno de destruição de grafitis, nuvens, e assim do melhor de nós próprios. enfim, como se usa dizer nestas situações, e acelero o passo para a tal coincidência já apropriada nas primeiras páginas.

embora prometa e à fartazana o que do título se intui, vejo e agrada-me que o décor histórico do romance se situa nas alturas da Grande Depressão (USA, óbvio, mas fica a refª), e absorvem mais a atenção as descrições das vidas e das alterações qu'elas sofrem com a implosão do sistema que as pequenas vigarices do personagem principal e seus parceiros, um trio onde um dos vértices é loirita e tem umas belíssimas pernas que estica preguiçosamente no banco de trás do popó, fazendo os dois machitos do da frente suarem fininho enquanto percorrem cidadezinha a cidadezinha o Grande Sul, a fazerem pela vidinha em burlazitas que, ao que já li, têm tanto de engenhosas como de hilariantes. o tal triângulo amoroso está a compor-se, e isso cai sempre bem e entretém entre uma banhada e outra...

uma Grande Depressão à porta e já com pé dentro temos nós. eu que o diga (eu que o diga, e potencio o dito). porque raio veio cair-me às mãos este livro, agora? não se assustem com uma vertente vigara no pensamento que não é ele o que me inquietou: se, quando e como, sei eu como será e acreditem-me como big sonhador: nada menos que uma banhada gorda, tão gordinha que a correr bem deixo o BCE mailo FMI a nadarem no seu próprio veneno e a conhecerem o sabor do deficit... próprio. eu conto, eu conto tudo: presumindo que entre bancos centrais há uma câmara de compensação tal qual a que existe entre os comerciais e o seu banco central, estou a estudar nas nuvens a forma de fazer meu e só meu o movimento dela, compensação inter-bancária, aquando da transferência da primeira tranche da tal "ajuda" hiper-milionária, e dada com maus modos. cá a malta não se prejudica pois todos estes cliques de milhões e biliões têm o seu equivalente a swaps por trás, segurando e ressegurando tudo e mais alguma coisa, e com a vergonha repõem o dinheirinho num instante. eu, até ser agarrado apanho uma barrigada de riso à rica, e no previsível depois que auguro sem acesso ao Facebook terei tempo para escrever a contar tudo isto, e mais alguma coisa que me tenha esquecido. lá dentro ainda farei consultadoria com honorários em espécie: cigarritos e mais alguma coisita que me dê jeito e haja apetite. violado não devo ser, que tou já quase velhote, e quanto a comidas, como sabem, contento-me com qualquer sopita de cebola. como vêm e disse o outro 'até está escrito nas estrelas', embora eu seja mais bolos, digo, nuvens. como o farei ainda não sei, mas ainda vou nas páginas iniciais e como sabemos duma boa ideia vai-se a outra ainda melhor. até que nas estantes há boas reservas: só quanto à saga Alves dos Reis terei uma boa meia dúzia, e mais modernos também há: Jordan Belfort, ou o sempre actualíssimo A golpada, de Robert Wewerka. e mais avulsos: munição académica não falta.

findo este desavergonhado parêntese volto ao romance em mãos, às possíveis coincidências entrevistas, e ao fascínio das descrições das paisagens e do ambiente social, no antes e no depois da crise lhes cair em cima com a violência duma praga bíblica, que desde searas antes luxuriantes a rostos de normalidade tudo arrasou, enrugando as folhas onde Will Ferguson no-lo escreve, enrugando-nos/-me pensamentos paralelos acerca do porquê nós e do que a providência das coisas força a fazer para sobreviver quando é disso e só disso que se trata.

qualquer estante e lombada está armadilhada, queira-se, ou coincidências assim a façam. a espoleta é invisível e está, queira-se, em tudo que se toque ou olhe. o dinamite é interno, nosso, acumulamo-lo silenciosamente da mesma forma que um banqueiro acumula barras de ouro ou um sem abrigo desperdícios das luzes que não tem e não vive. tudo mora cá, e tudo se entrelinha quando se folheia o pó das estrelas, das nossas estantes.

gostei deste bocadinho, e agora com licença que vou ler mais um bocadinho do livro. a paisagem degrada-se e estou ansioso por ler mais.


a capa 'nacional' do que acabei:
ontem chamaram-me 'escritor maldito', e... gostei! :-) foi do mais bonito que ouvi em relação aos meus escrevinhanços e postura em relação a eles :-)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Braga, tou contigo!

o Sporting de Braga conseguir ganhar uma taça europeia seria feito só com equivalência nas duas ganhas pelo Nottingham Forest, no início dos 80's. seria bom não só para o nosso futebol: para toda a Europa, para todo o futebol europeu, tão anafado com tanta adiposidade luxuosa como anda.

insolúvel

posso utilizar a porta de trás, o que me leva a atravessar 'a garagem' onde tenho a livralhada. nos últimos dias evito-a, assim como não a tenho procurado nos serões onde era uma companhia nada silenciosa e agradável. agora não é.

não consigo encarar a minha biblioteca. ou que ela me encare. há acusações mútuas em excesso, que tanto eu como ela temos cara e não somos totalmente inocentes: formamo-nos, amamo-nos, e neste momento acho que nos odiamos: cada roubou ao outro demais para que isso não se leia em cada lombada cheia de silêncios pesados.

toda a vida construí mitos. eu próprio sou uma construção que fui moldando conforme necessitei. não camaleão, mas carapaça em cima de carapaça até este peso do conjunto m'entaremelar o amor pela mais vistosa e provavelmente a mim próprio a mais querida: a do leitor, a do gajo culto, o intelectual.

a porta da frente é anónima: 1º dtº. vasos nas quinas das escadas, um tapete igual em todos e por escolha e custos do condomínio. óculos, brinco, bigode e barba de-três-dias. é assim. eu julguei que não era assim, e o ódio dos livros é por não tê-lo percebido, e o meu a eles é por não mo terem ensinado. por isso minto-me e fecho os olhos interiores quando insisto, e saio e entro em casa atravessando o passado.

amanhã faço 56 anos. conta a família que até entrar na adolescência eu era "uma casa cheia", e hoje encho qualquer T4 de silêncios. li milhares de livros e ainda não consegui entender porque é que a felicidade só se lê ou se escreve, porque é que para não se ser escritor ou se é mentiroso ou cruza-se em silêncio a armadilhada porta dos fundos...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

...e ainda a procissão vai no adro!

vá lá, confessem... nem tudo é mau na crise! ;-) por este caminho, quando chegarem os Novos Euro-Biliões do FMI vai tudo prás Sexshops que até o chiuaua ladra!

7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana

"tombazana, mamana, cocuana"

(à memória de Josina Muthemba Machel, falecida em 7 de Abril de 1971)

sete de abril é teu dia
dia da mulher moçambicana

seja esbelta tombazana
ou mamana de airosa capulana,
hajam cãs de cocuana
sete de abril é o teu dia,
dia da mulher moçambicana

todas és Josina, é teu dia
dia da pioneira na emancipação
da Mulher na mata renascida
que foi obreira na libertação

mulher africana, por graça moçambicana
aquela que é dupla grávida, antes e depois de parir:
no antes traz na barriga o Futuro,
carrega-o às costas quando ele aprende a sorrir

sete de abril é teu dia
dia de lembrar ao mundo
que haja vento, sol ou chuva
batas ou não o pilão no campo,
na mata ou na cidade
há um sorriso que baila e cresce
porque sete de abril é teu dia
dia da mulher que fez a revolução


(publicado originalmente sob o pseudónimo/heterónimo "José Alberto Sitoe")

(na imagem cartaz das LAM - Linhas Aéreas Moçambicanas, dedicado à efeméride)

---/---

interrompi o 'ramadão' por boa razão. querendo ainda dizer que é 'dia' de recordar Josina Machel mas também recordar Celina Simango. o meu amigo Sitoe, amante excessivo de vinhos baratos e de paixões igualmente excessivas, por vezes esquece-se que a História nunca está totalmente escrita...

sexta-feira, 25 de março de 2011

sexta, 25, end of the road


...e pronto, termina hoje. sem espalhafato, na certeza de que «fui feliz aqui» e sê-lo-ei noutro tasco que surgirá, calhe assolarado o dia.

obrigado pela companhia. houve momentos (muitos, gigantes) em qu'ela foi importante. mesmo nos hiatos de silêncios as releituras e recordações estiveram cá, nunca foi um abandono. nem agora o é. é um arquivo necessário, uma mudança de caderno porque uma chávena de café entornou-se e borrou-lhe as folhas. mesmo quando secar a mancha não desaparecerá. por isso... cara alegre e... «ala, que se atrasa a mala!»

:-(

em fim de road: a puta da crise


após rápida leitura da imprensa, no final do dia D+1: os nossos promitentes novos chefes apresentaram a 1ª cura: subir impostos; lá fora, adiou-se a decisão sobre o reforço do fundo de apoio ao Euro para Junho - mas aposta-se que até Maio nós 'quebramos', a srª Merkel pôs a alguém as orelhas vermelhas e não há quem cale o sr. Trichet, e em Espanha houve milagre: todos - governo, oposição, sindicatos, patrões - juram que não são portugueses e não querem nada connosco e com os nossos remédios. e aquela malta do rating sacou outra vez das tesouras.

acho que já estou a entender. fizemos a merda mal feita e estamos entregues à bicharada. não é novidade mas custa sempre um bocado. desta vez, até palpito que custará um bocado mais que isso.

ouço rir. será que vem da Islândia?

quinta-feira, 24 de março de 2011

em fim de road: um alfinete na memória


não esqueçamos o jasmim. há dois meses atrás era-nos a flor mais importante.

em fim de road: memorabilia aniversariante



...porque o Gonzaga Coutinho, o 'nosso Gonzas', fez ontem anos, recupero esta velharia e junto-lhe o seu "Sucedeu Assim", de António Carlos Jobim, aqui em bela parceria com Ivan Lins.

em fim de road: apontamento de geopolítica


além do velho conflito com a NATO, tipo "quem tem a pilinha maior" - e como ela é importante quando se trata de domínio global..., a nova-velha Rússia tem presente o mesmo fantasma de sempre: a auto-estrada geológica que se estende das Ardenas até aos montes Urais, ora sem o pára-choques das ex-repúblicas soviéticas da Bielorússia, Ucrânia et al (Polónia, as falecidas vizinhas RDA e Checolosváquia, Hungria), por onde sofreu duas violentas invasões (Napoleão e Hitler), além do novo fantasmão islâmico do Caúcaso aloirado com a emergente força turca a mirar futuros. e o seu importante Mar Negro ameaçado...
mais uns pós amarelos a irritarem os olhos do grande urso e está encontrada a justificação do mega investimento militar projectado. a declaração pública acerca do reforço no nuclear é muito de fait-divers: obviamente qu'ele estaria sempre presente (este é o séc. XXI, não o esqueçamos). porém o resto da parafernália militar vai ser revisto, polido e musculado de fio a pavio.

ou George Friedman os leu bem, ou lá leram-no. e concordaram.


mapa geológico da Europa



mapa do Cáucaso

arquivem-se os autos



por inutilidade superveniente da lide, as laudas deste blogue serão em breve levadas à conta e depois arquivadas.
oportunamente e noutra e-comarca será instaurado novo processo, ups!..., digo, blogue.

"Preocupamo-nos sempre com as coisas erradas, não é?"


(...)
"Hesitam ambos. Será que ela não ficaria contente por ir já dormir? Um está sempre a beijar, o outro está sempre a ser beijado. Obrigado, Proust. Ele sabe que ela ficaria igualmente contente por prescindir do sexo. Porque se mostra mais fria em relação a ele? Está bem, ele tem uns quilos a mais à volta da cintura, e sim, o rabo dele já não aponta para norte. E se ela está a deixar de o amar? Isso seria trágico ou libertador? Como seria se ela o deixasse?

Seria impensável. Com quem falaria ele, como faria as compras ou veria televisão?

Esta noite, Peter vai ser o que beija. Daí a algum tempo, ela vai ficar feliz. Não vai?

Beija-a. Ela devolve-lhe o beijo de bom grado. Afinal, parece entusiasmada.

Agora já não consegue descrever a sensação de a beijar, o sabor da boca dela, demasiado próximo do sabor dentro da sua própria boca. Toca-lhe no cabelo, pega numa madeixa e puxa-a docemente. Durante os primeiros anos, era um pouco mais rude, até compreender que Rebecca já não gostava disso, que provavelmente nunca tinha gostado. Há ainda estes gestos que restam, repetições suaves de outros antigos, quando estavam juntos havia pouco, quando passavam o tempo a fazer amor, embora já nessa altura Peter soubesse que o desejo que sentia por ela fazia parte dum quadro mais vasto; que ele tinha tido sexo mais intenso (embora menos prodigioso) exactamente com três outras mulheres: uma que estava apaixonada pelo companheiro de quarto dele, outra que estava apaixonada pelos fauvistas e uma terceira que era simplesmente ridícula. O sexo com Rebecca foi extraordinário desde o início por ser sexo com Rebecca; com o seu espírito ávido, a sua ternura sensata e os indícios, à medida que se foram conhecendo um ao outro, daquilo a que ele só podia chamar o seu ser mais profundo.

Ela passa-lhe a mão pela coluna, com suavidade, pousa-a no rabo. Ele larga-lhe o cabelo, rodeia-lhe os ombros com a concavidade do braço, gesto que sabe de que ela gosta - dessa sensação de que a abraçam com força (uma das fantasias dele sobre as fantasias dela: ele segura-a no ar, a cama desapareceu). Com a mão livre, e com a ajuda dela, puxa a T-shirt para cima. Os seios de Rebecca são redondos e pequenos (quando inverteu aquela taça de champanhe sobre um deles para demonstrar que cabia, teria sido na casa de Verão em Truro ou na pensão de Marin?). Talvez os mamilos se tivessem tornado um pouco mais espessos e escuros - agora são precisamente do tamanho da ponta do dedo mindinho dele, e da cor de borrachas de lápis. Em tempos teriam sido um pouco mais pequenos, um pouco mais rosados? É provável que sim. Na realidade, Peter é um dos poucos homens que não ficam obsecados com mulheres mais novas, no que ela recusa acreditar.

Preocupamo-nos sempre com as coisas erradas, não é?

Aperta nos lábios o mamilo esquerdo, brinca com ele com a língua. Ela solta um murmúrio. Tornou-se uma coisa invulgar a boca dele nos seios de Rebecca e a resposta dela a isso, esse murmúrio exalado, o minúsculo estremecimento que ele sente a percorrer o corpo dela, como se ela não pudesse acreditar que aquilo, aquilo, estivesse a acontecer de novo. Agora o sexo dele endureceu. Nem sempre consegue dizer, nem isso lhe importa, quando está excitado por si mesmo, ou por ela também estar. Rebecca aperta-lhe as costas, já não consegue chegar-lhe ao rabo, ele adora o facto de ela gostar do rabo dele. Descreve círculos no mamilo dela com a ponta da língua, bate ligeiramente no outro com o dedo. Esta noite vai ser principalmente o orgasmo dela. As coisas passam-se assim muitas vezes, é assim há anos - assumem a sua forma, em qualquer noite (quando foi a última vez que fizeram amor que não fosse à noite, na cama?), em geral são decididas antecipadamente, por quem beija quem. Então este é para ela. É o que aquilo tem de excitante.

Ela tem uma prega de carne na barriga, as ancas tornaram-se mais pesadas. Mas, Peter, tu também não és propriamente uma estrela porno."
(...)

"Ao cair da noite", Michael Cunningham, Gradiva, 2010

dia D+1



‎3 horas, 3 prolongamentos, cento e tal cestos convertidos num total de 276 pontos. ganharam os Lakers.
é irrelevante. desportivamente foi épico, dos tais para um dia contar aos netos.

bom dia

...Portugal está a jogar.
que vamos contar 'amanhã'? eu digo: aguentar sacando prolongamentos que (se nos) respirem, e depois a cavalgada do cesto final.
não há outra maneira. Lakers ou Suns? não (me/nos) interessa, e menos ainda aos que ouvirão quem viu e, assim, também jogou.

quarta-feira, 23 de março de 2011

superior à morte



disseram-me, num comentário no Facebook, que hoje há uma nova estrela no céu com um olhar azul-violeta. acrescentei: ...e ganda desbunda à espera! o Richard já estava sentado nos degraus à espera dela ;-) com uma botelha de mais ainda tudo por encetar.

é... as vidas são espartilhos nalgumas relações, inexplicavelmente densas para (se) suportarem (n)o hálito animal.

releituras


...evidentes.

um original impresso em 1670 de que tenho a edição 'moderna' de 1943 ("Arte de Galanteria por D.Francisco de Portugal", Domingos Barreira - Editor), na minha primeira releitura que, quanto a isto, já se leu e julgou ler tudo quando se chega a estas idades e ditosos estados.

afinal não. nunca. folheio-o e pasmo. evidente! tal e qual! mesmo naqueles tempos decanos a Arte do Galanteio, esse sublime rejuvenescimento contínuo e, talvez, às vezes, quiçá quiçá quiçá, deu voltas e aprimoradas maroscas mas assenta nas mesmas pedras: «me Tarzan, you Jane». punhos de renda e bilhetinhos, versos e capa estendida, sim, claro que sim, mas uns olhos castanhos pedem o seu beijo com a veemência do íman e o galã não pode defraudá-los. morre logo ali, perece-lhe o estatuto e caminhará solitário em jardins abandonados pelas damas se a hesitação se prolongar a ponto da fera fêmea apagar o brilho das estrelas, fazendo-se lua distante, onírica, poética mas platónica.

a saliva deve saltar das rimas e mergulhar na sua igual. poesia? linda, bonita, encorajadora. frustrante, quando se chega ao último estremecimento e é um livro numa estante, um jardim onde as flores são bonitas mas com o passeio da solidão perdem a sua graça inspiradora. poesia, retrato de nós? talvez. tantas vezes talvez. mas melhor, bem melhor, é a faísca duns olhos castanhos que salivam por lerem em braille. o resto é literatura, e quanto a eles estou bem servido, obrigado.

abandonei a poesia, 'cansei', e releio materialismo dialéctico.

quinta-feira, 17 de março de 2011

as tardes de Março



muito do triste é muito belo. a alma não morre porque no exterior a radioactividade dos dias nos mata.
(dançável em privado)

generalidades, mas que nos interrogam


onde a encontrei tem esta legenda ('acertei-lhe' o português):

"Nalguns momentos o medo deixa-nos vivos, noutros ele impede-nos de viver..."

broken confidence - Sebastien Cloutier


porquê? mau título para tanto virtuosismo.

o número de ouro, áureos olhares




quando olhamos e sentimos d'algo emanar um feeling especial, um estremecimento inexplicável, será ele? a presença do número de ouro?



excelente. seria porque lhe chamam o número perfeito que M. S-C o escolheu para título?

'7'

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.


Mário de Sá-Carneiro

quarta-feira, 16 de março de 2011

a transição




não tenho a certeza de qual, mas foi com um destes três livros que dei o salto da banda desenhada para os "grandes, sem bonecos". suponho que foi o Conde de Monte Cristo mas acho que a preferência vem de, destes, ter sido o mais grosso e da satisfação que me deu ter conseguido ler um calhamaço daquele tamanho. quanto às capas, mal me lembro delas e das três imagens que escolhi só a do "Conde" me dá ideia de ser parecida, se não a mesma edição. depois houve o Ivanhoe, o Davy Crocket, o Vinte Anos Depois, o Moby Dick, os livros biográficos em versão juvenial, de que recordo o do dr. Albert Schweitzer e a saga de sir Edmond Hillary à conquista do Everest, tanto que ambos me fascinaram, mais os inevitáveis sobre a Segunda Guerra Mundial, espionagem, e os ets que são fabulosos a qualquer miúdo sedento de mais e mais. a leitura é um vício bom - embora... no fim digo.

o meu pai era um feroz leitor de livros policiais, aqueles de bolso da colecção Vampiro. em casa havia sempre dezenas, e quando se apercebeu de que eu me iniciara neles seleccionava os que eu podia ler. claro que procurava era logo ler os outros, aqueles que, tendo-os ele já lido, eram discretamente dissimulados nas pilhas no seu quarto. e, escondido na casa-de-banho, saltava páginas pouco preocupado com enredos mas à procura do beijo escandaloso, de descrições ardentes, extasiado com novos rubores que descobria em mim. também fascinado com descrições pormenorizadíssimas de crimes lavados em sangue e tripas fora, como nunca me apareciam nos 'meus', os autorizados. foi outro início, Agatha Christie veio depois.

isto no tempo dos alfarrabistas, em que se trocavam usados num intercâmbio que bem gerido permitia existir sempre literatura nova para ler. ao habitual 'leva dois, trás um', que despachava monos e trazia promessas de pepitas, juntavam-se os que ia comprando, ele, mais os que depois comecei eu a comprar, principalmente com os formidáveis saldos feitos à porta do cinema Império, na av. de Angola (LM, Moçambique), que mal soava a campainha e as cortinas eram corridas os putos, aqueles a quem ainda faltavam algumas zucas* e muitas quinhentas* para comprar o bilhete mágico para a matiné de caubóiadas, saldavam a existência ao preço da, diríamos hoje da uva mijona, mas à época e local seria mais correcto dizer que ao preço da tsintshiva.

então, eu, que me calculo nos meus dez, doze anos, lia como todos os miúdos os da série 'Os Cinco' ('Os Sete' vieram depois, e nunca agradaram tanto), e o meu pai trazia consigo a lista dos "em falta", pormenor que nunca esqueço. precisamos destas memórias, os pequenos gestos de amor, essas formas discretas que se têm para transmitir sem palavras afagos. tive-os! e um deles era a listinha no seu bolso, que de vez em quando me presenteava com uma nova aventura dos 'Cinco', húmus adequadíssimo às imaginações naquela idade.

a minha irmã, a Milly, também estava contagiada por este vírus da leitura. mais ainda, que já então escrevia: é poeta precoce, e das verdadeiras. sendo menina tinha as suas leituras próprias, mas foram livros que também não me escaparam. li com (muito) agrado o 'Mulherzinhas' e mais alguns do género, incluindo a sequela deste de que agora não recordo o nome. lia-se de tudo. as Selecções do Reader's Digest, principalmente os artigos que falavam de carros e a secção de livros condensados, dicas que nunca esqueci e muitos dos comprados já na adolescência obedeceram não a um impulso mas à memória do resumo que lá lera.

acho que nunca mais parei. sôfrego. excessivo? talvez. talvez mesmo! não sei quantos leio ao mês mas são muitos e de diverso género. sou um leitor ecléctico, e tanto pego num thriller da moda como num ensaio sobre literatura, e acreditem-me se vos disser que na minha "livralhada" tenho manuais de jardinagem e de construção de abrigos nucleares domésticos. e folheio-os a todos, pelo menos a isso nenhum escapa dando-me a noção, vaga mas existente, do que tenho e onde o tenho. tanta vez me sento à secretária só a olhar-lhes as lombadas, em estado de hipnose aparente em que nada se agita excepto a história que cada uma me vai contando.



e hoje lembrei-me de falar nisto.


-/-



uns chamam-lhe revisitar jardins. outros (eu), digo que são só memórias. interrogando-me continuamente se não teria sido preferível ter passado mais tempo a jogar futebol no passeio e a namoriscar as miúdas, sentado no muro do prédio. há argumentos pró e contra, mas não me livro da sensação de que tenho um 'peso livresco' excessivo, por prematuro, e se dei o primeiro beijo aos 18's (olá Carla! onde andarás?) o excesso dos que lera e suspirara escondido na casa de banho é que o atrasou. e isso, isto tudo, ainda permanece. ficaram golos por marcar, ficaram sim. este goal average negativo hoje pesa-me, e há momentos em que sinto tanto peso como parte do desagradável que é sentir-me um tótó romântico, uma volta ao mundo depois convencido que o melhor de tudo é a poesia.


*em calão laurentino, zuca era uma moeda de 2$50, e a quinhenta uma de 50 centavos

terça-feira, 15 de março de 2011

eu amo os meus livros



SONETOS

1.

Quem de meus versos a lição procura,
os farpões nunca viu de amor insano,
Nem sabe quanto custa um vil engano
Traçado pela mão da formosura.

Se o peito não tiver de rocha dura,
Fuja de ouvir contar tamanho dano,
Que a desabrida voz do desengano
O mais firme semblante desfigura.

Olhe que há-de chorar, vendo patente,
Em tão funesta e lagrimosa cena,
O cadafalso infame e sanguinoso.

Verá levado á morte um inocente:
E condenado a vergonhosa pena
O mais fiel amor, mais generoso.

2.

Cantar Marília ouvi, tão docemente,
Que o coração, prostrados os sentidos,
Imaginou que até pelos ouvidos
Seus olhos o assaltavam de repente.

Entrara a doce voz tão brandamente
Quais entram na alma os olhos seus, movidos
Com formoso desdém, quando rendidos
Pisa desejos mil tiranamente.

O poder milagroso da harmonia,
Que no peito em triunfo campeava,
Na mão por palma os olhos seus trazia.

Eu, que no carro fatal atado andava,
Se era vê-la ou ouvi-la, não sabia:
Sei que os novos grilhões não estranhava.

3.

Espargindo dourados resplendores,
De teus anos, angélica Maria,
Nasce o ditoso, o suspirado dia,
Dia das Graças, dia dos Amores.

Juncada a terra de orvalhadas flores,
Em sinal de prazer e de alegria,
Das frautas alternando a melodia,
Travam coreias ninfas e pastores.

Pelas côncavas fragas retinindo,
O brando som de versos sonorosos
Teu nome estão os montes repetindo.

E os sátiros camponeses, cobiçosos
De ver os olhos teus, teu gesto lindo,
Se penduram dos álamos frondosos.

4.

Ao som dos duros ferros que arrastava,
A lira de ouro Corydin tangia;
De Márcia o doce nome repetia,
Mas no meio do canto soluçava.

No rosto macerado, que enfiava,
O lagrimoso pranto reluzia;
E nos olhos, que aos altos céus erguia,
O pensamento intrépido voava.

Não se assombra de ventos insofridos,
Nem com ousado lenho arar intenta
O pólo do futuro nebuloso.

Menos chora terrenos bens perdidos;
De pouco um peito grande se contenta:
Antes quer ser honrado que ditoso.

5.

Tu és, Dircea, filha do Tirreno,
Eu, um dos filhos sou do pobre Alceste;
Mas nem por fado teu tal pai tiveste,
Nem eu por culpa minha sou pequeno.

Bem sei que te pretende o rico Alceno;
Mas, se peles e lãs mais finas veste,
Também no amor o venço, qual cipreste
Excede no robusto ao brando feno.

Deixa vaidades da justiça alheias:
Não desprezes afectos e ternura
Por teres mais cabritos e colmeias.

Faze, Dircea, reflexão madura:
Vê que a virtude própria em mim premeias,
E nele só premeias a ventura.

6.

Não cobre vastos campos o meu gado;
O maioral não sou da nossa aldeia;
Do meu trabalho como, mas, Dircea,
Ainda que sou pobre, vivo honrado.

No jogo da carreira e do cajado
Até o destro Algano me receia.
Qual loura espiga de grãozinho cheia,
Me alegra ver teu rosto delicado.

Se queres minha ser, fala a verdade,
Não vestiras as peles mais vistosas,
As finas lãs tecidas na cidade.

Trajaras das que eu trajo as mais mimosas:
Fá-las-á de mais preço a sã vontade
Com que quisera dar-te as mais custosas.

7.

Amor, nos olhos da formosa Clara,
Armado não de setas, de ternura,
Cruéis vinganças implacável jura,
Guerra fatal aos corações declara.

Dos brandos tiros que dali dispara
Ninguém pode, ninguém fugir procura,
Que do mesmo poder da formosura
Nenhum peito de bronze se depara.

Seus lindos olhos, com desdém movidos,
Pisam desejos mil, rendem mil peitos,
Lançam por terra corações feridos.

Se esquivos causam tão cruéis efeitos,
Inda causam mais ânsias, mais gemidos,
Quando se deixam ver a amor sujeitos.

8.

Não minto, não, se disse que os Amores
Estavam no ar suspensos, esperando
Que tua voz divina modulando
Aplacasse dos ventos os furores:

Ergue, Mafalda, os olhos vencedores,
Vê-los-ás para aqui andar voando,
E, os retorcidos arcos afrouxando,
Largar das tenras mãos os passadores.

Não vês o fulvo Tejo c'o tridente
Os cavalos azuis estar detendo,
As levantadas ondas reprimindo?

Se isto sente, Mafalda, quem não sente,
Que não sentirei eu, ouvindo e vendo
Tua angélica voz, teu rosto lindo?

9.

Estavam as três Graças penteando
O cabelo subtil de Amor um dia;
Qual c'o marfim assírio lhos abria,
Outras andam mil gemas preparando.

Amor, como rapaz, de quando em quando,
Co'a dourada cabeça lhe fugia;
Porém, vê que Eufrosina se sorria,
Porque Aglaia lhe está as cãs tirando.

O Menino, pasmado, vê no espelho,
Por entre os anéis de ouro reluzente,
Branquejar a saraiva da velhice:

Suspira e diz: Oh! Saiba a cega gente
Que Amor, nascendo moço, se faz velho,
Que ter um velho amor, não é tontice.

"Cantata de Dido e outros poemas", Pedro António Correia Garção, Livraria Clássica Editora.

o meu exemplar é uma 2ª edição, de 1965. consta das primeiras folhas, carimbado, que foi uma oferta da Secretaria de Estado da Cultura. lembro-me desse momento. mesmo olhando no tempo e sob os olhos de agora, esse e o resto do caixotinho que me deram foi uma oferta justa. ajudara a implantar um Centro Cultural e a amabilidade tida foi correcta. até que, trinta anos depois, tenho-o, uso-o, leio-o e transcrevo-o e está em excelente estado: como novo. eu amo os meus livros.

porquê?



se bem nos recordarmos a Islândia foi o primeiro país europeu "a dar o berro" aquando da crise financeira mundial iniciada em 2007 pelo famoso rebentamento da bolha imobiliária norte-americana. com uma economia assente em bancaria e aplicações financeiras de alto risco, tudo ruiu mais depressa que, então, voltarem a pôr os barcos na água e dedicarem-se àquilo onde sempre foram bons: a pesca (não é gozo). foi uma escandaleira, contagiou entre outros a Grã-Bretanha que ficou a arder com vultuosos depósitos, etc. se bem continuo a lembrar-me, foram empréstimos de emergência feitos pela Rússia que permitiram à ilha não ir ao fundo.

passaram quatro anos. saltamos de crise em crise, e esquecemos. ajudam-nos a esquecer. não o mau, que esse está sempre presente, seja para salivar os protos-leitores, seja por qualquer desígnio que me escapa e sobre qual não desejo reflectir muito, mas a verdade é que há uma notícia boa vinda de lá e que nos interessa, nós um dos mais "à rasca": está em curso e com sucesso uma revolução islandesa e tem sido 'apagada' dos jornais e dos telejornais, esses pastéis mediáticos feitos para nos adormecer, indignando-nos só na 'justa medida', controladinha.

têm-na ocultado, silenciado perante nós, os "à rasca". surpreende? não. nem pelo atroz jornalismo que considera que só as más notícias é que fazem boas manchetes. é mais profundo, suspeito, é um roçar as bordas das teorias da conspiração de que não gosto, mas para as quais me sinto muito suavemente empurrado. e - palavra! - prefiro um empurrão sério, fdp q.b, que estes maneirismos manipuladores.

porquê? este silêncio serve quem?

porque o sucesso está a ser conseguido fora das receitas formatadas que se impingem por toda a Europa doente. foge à bula oficial e ao rol de medicamentos tão recomendadíssimo que não há quem o queira de bom grado, o Índice Terapêutico Europeu: FEEF e FMI, ou na nossa actual versão suave "desenrasquem-se então lá, mas fazendo como nós mandamos". sem açúcar, só com o sucedâneo da ameaça das alternativas serem piores. serão?

tivemos a manif de dia 12 que é um facto político não possível de meter ao canto, arrumá-lo nos fait divers fortuitos, e uma semana depois continua tudo como dantes. se se mobilizaram 200.000 (mesmo que com o auxílio de sindicatos, mas eles existem é também para isso) em volta dum protesto apartidário, num passa-palavra virtual que só depois galgou para os jornais e tv's, a sociedade civil não está totalmente KO, ainda respira além de gemer - e protesta.

porém, como evitar a 'revolução na rua', que no nosso estado de endividamento financeiro-compromissos internacionais, seria tão perigoso como contratar-me para cozinheiro dum lar de idosos?

constantemente se zurze no estado da nossa democracia, elegendo por norma o bombo de serviço, i.e. o partido e a cara de quem está no Governo. deitando fora do prato os providencialismos, os 'salvadores da pátria', também suspeito que não há lugar à criação dum novo partido político que seja aglutinador dos descontentamentos. creio mesmo que as divisões ideológicas não permitem governos de 'salvação nacional', tipo centrões ou abas reunidas. não funcionaria, que os ódios de estimação ideológica são tantos e tão ensimesmados que mais depressa se tornavam espiões-boicotadores uns dos outros que efectivamente legislariam e governariam num interesse comum, com sentido de Estado. penso que é dentro dos partidos existentes que há que transformar. dar voz à rua e aos silêncios dos descontentes. alterar o habitual numerus clausus que nos impinge quadrianualmente como caras-candidatas a chefe de todos quem um concílio sempre dos mesmos previamente escolheu. concílio inquinado por interesses viciados, clientelas salivantes, rotundos status e que tudo fazem para não o perderem. então escolhem o seu 'chefe' que nos irá ser apresentado como a única de já parcas opções. assim não vale, é democracia a fingir.

se se sente o apelo da política, mais a mais se por descontentamento, não é errado militar. pelo contrário. a Islândia encontrou a sua via - e parece que funciona. a fórmula, para cá, na verdade descreio dela. há tipicidades próprias e temos muito mais holofotes apontados que eles no período mais crítico, mesmo não estando ainda em falência técnica assumida, como eles tiveram de assumir, engolir e dizê-lo: o futuro da moeda única europeia, das políticas fiscais únicas, etc, passará um bom bocado pela forma como nós iremos reagir, embora concerteza já existam os planos B e até o C. a revitalização dos partidos políticos só se consegue pela injecção maciça de novas opiniões, novas vontades, novos votos que elegerão alternativas ao mais-do-mesmo que nos cansou. esvaziar de inevitabilidades más a pescadinha de rabo na boca, interromper o círculo, criar alternativas sem fazer ruir o edifício.

vale o que vale. é a minha ideia, hoje. ninguém ma pediu e ninguém lhe ligará nada em especial. mas tenho um blogue onde pespego tanto coisa, incluindo disparates e outras coisas assim bonitas, e não vejo porque é que não hei-de aqui colocá-la. ah! não me vou inscrever em nada. nada de nada. sou excessivamente individualista para isso. eu.

ps: post sob inspiração na leitura da crónica de Pedro Lomba, no Público de hoje (sem link, que a visualização é só para assinantes-pagantes)


(na imagem: a versão - de 1590 - de Abraham Ortelius do mapa da Islândia, atribuído ao bispo dinamarquês de Gudbrandur, Þorláksson. encontrado aqui. vénia)

Atlântida ibérica


tem a ver com maremotos (tsunamis, mas existe a palavra própria em português) mas não tem a ver com 'a crise'. uma alternativa de leitura para desempoeirar!

segunda-feira, 14 de março de 2011

'Te odio', by Los Seis Días


'Te odio', dos barceloneses "Los seis días".

(tem de se ver no YouTube, mas vale bem o clique suplementar)

quem mo mandou disse-me: «não tenho tomates para publicar isto».
eu tenho, tenho-os. cinquagenários, velhos e rezingões. irritadiços até à menor palha, tanta vez.
vendo bem, ouvindo, acho que não é caso para tanto. susceptibilidades!


a letra:

Te odio
por la nota que dejaste al despertar
huyendo

Te odio
por los dias que has estado sin estar
dentro de mi

Te odio
por dejarme a medias antes de llegar
al extasis

Te odio
por tu boca que carece de verdad
y sigue asi

TE ODIO
COMO NADIE EN ESTE MUNDO TE ODIARÁ
TE ODIO
COMO NO SE PUEDE ODIAR A NADIE MAS

Te odio
porque siempre sigues, siempre sigues, siempre sigues, siempre sigues ahí...

Te odio
tanto que podria hacerte resucitar
del miedo

Olvidaste mi alma al cuaderno en el que solias preguntar quantos dias quedan para vernos tengo el corazon apunto de estallar


TE ODIO
COMO NADIE EN ESTE MUNDO TE ODIARA
TE ODIO
COMO NO SE PUEDE ODIAR A NADIE MAS

Te odio, te odio, te odio, te odio, te odio

(intervalo)



porque ainda é a poesia que de nós diz quase tudo.

livros perdidos neste trânsito


... e dou com o bom do Gabeira, no FB! até ele! (já o tinha anexado como 'amigo' mas só hoje o visitei)
Fernando Gabeira de que li um único livro, nos anos 70/80's ("O que é isso, companheiro?"; jóia que me desapareceu), e a quem perdi o rasto depois. ultimamente, em contacto com malta dos brasis tenho perguntado por ele. lá me vão dando notícias. assim-assim, valha a verdade. mas "lêmo-nos" no FB. coisa boa, isto, que tanto permite.

me House, you?...


leio que o dr. House está de regresso. 7ª temporada. hoje, às 21:30, na Fox. eu, seu under ego assumido, não vou perder :-)

PEC-sonhos


para no irmos aclimatando ao PEC 5, 'eles' lá vão soltando as dicas.
obviamente afectará mais os Opel Corsa que os Lamborghini Aventador: a uns usámo-los, e para isso comprámo-los. aos outros... vemos as fotos nas revistas e pela net, e lá calha uma vez ao ano ver um a passar. toda a diferença!