
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
... e porque hoje é Domingo...
Jardins

Portugal é um país proporcionalmente bem povoado, rodoviariamente enorme e bem sinalizado. Tanto e tão bem que se me perco é exclusivamente por defeito genético ou cabulice de aprendizagem. Nabices, tout court.
Mesmo com tanta rotunda, curvas e contra-curvas o bip-bip do meu gps diz-me exactamente a latitude e longitude onde devia estar neste domingo. Devia porque desejo-o, devia mas não estou. E contra isso... "batatas". E azeitonas. Ou amêijoas.
(imagem daqui. thanks)
porque gosto!
MY WAY - Frank Sinatra
"And now the end is near
And so I face the final curtin
My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life thats full
I've travelled each and every highway
and oh much more than that
I did it my way
Regrets I've had a few
But then again too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption
I planned each chartered course
Each careful step along the by-way
And more, much more than this
I did it my way
Yes, there were times
I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all
And I stood tall
And did it my way
I've loved, I've laughed, and cried
I've had my fill, my share of losing
And now, as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
"Oh no, oh no, not me
I did it my way"
For what is a man, what has he got?
If not himself then he has naught
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows I took the blows
And did it my way
Yes, it was my way"
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
teclas, labaredas & Pitágoras (excertos - IV)

(...) O que se passa além da janela não o ouço, sinto, sequer me interessa. Os meus sentidos estão centrados nas emoções que me carquejam as entranhas, qual silvado montês onde perdemos rumo, ganhamos arranhos e atrás de penedos e velhas árvores encontram-se à época cogumelos que balizam outras ideias. Não tenho a certeza do porquê da memória ter cá plantado os cogumelos. Não espero que da porta onde divido os sentidos entre Timothy Leary ou Hoffman. Seria visita simpática mesmo que vinda do impossível Além. Muito teríamos que falar, que de cogumelos teria umas gotas de experiência para contar.
Mas não são fantasmas alucinogénicos que espero. É a minha Dama, a Princesa. As rosas sobreviveram e tendo-as passado por água mostram um ar de viço que lhes mantém a áurea romântica. O piano aguarda, as velas foram renovadas by loja chinesa e até o Turner parece manso, vê-se mar chão. E a lareira crepita, alegre. Destoam os olhares reprovadores embalsamados em talha dourada mas são vitorianos e deles não se espera outra pantalha qu'a única que os mumificou ainda em carne e tecido e não em tela gretada, pelo que lhes mando um olhar mordaz e prometo-lhes intimamente que se começaram com bocas foleiras de pudicas quando as veras chamas chegarem com Ela, enfiar-lhes na tela gretada onde os lábios porcinos ganharam as gelhas devidas um ácido em cada uma, exactamente no meio dos lábios. Uma trip grátis e livrem-se de nos atazanar quando os beijos repenicarem e os sinos badalarem a noite. E assim vagueio e aguardo.
Pitágoras, como sempre, dorme no local que fez seu: em frente ao piano, entre este e o banco onde Ela se senta quando os seus dedos vitalizados pelo amor correm as teclas extraindo-lhes a suavidade das melodias dos amantes. Perfeito. Tudo está perfeito esta noite. Ao pé da lareira, não excessivamente perto, a garrafa já desarrolhada recebe o bafo que lhe solta os taninos e, no chão, ao meu lado, numa pequena bandeja que julgo ser em prata e descobri enquanto no ócio da espera investiguei o louceiro da outra sala, lá estão os dois copos esperando quer o líquido que os honrará quer os lábios que também lá se aquecerão para libertar o sorriso primevo, o delfim dos prazeres a que se sucederá a famelga completa, olhos ternurentos e brilhantes e as vozes roucas de desejo em pele e pêlos eriçados. Um queijo de Azeitão alinha na formatura pois o seu sabor condirá com os nossos quando o ácido dos dias ceder lugar ao travo mágico da noite.
Virá? Sim, virá e eu estarei à sua espera. Para percorrer-lhe o corpo com a minha língua, beijando, tacteando, sugando o oxigénio puro por que arfo. Para abandonar-me e entregar-me à sua secura gémea, sussurrar-lhe dos dias e noites que esperei e dos pensamentos que idealizaram o momento. Pousar as mãos em concha nos seus seios e sentir os mamilos erécteis, gulosos da carícia da minha boca que mergulhará neles com equidade, suga direito beija esquerdo, acaricia, lambe e beija-os, pois a ambos antevejo-os deliciosos e sedentos de carícias das minhas mãos e da minha boca. Ouvir-lhe a voz ciciar palavras quer ternas e amorosas quer em vernáculo que também é terno e amoroso pois é entesante e isso é sempre bom. Acariciá-la-ei com vagar, cada pedaço de corpo recebendo-me e erguendo-se pedindo mais. Sussurrar-lhe-ei os segredos dos amantes e ouvirei o seu riso quando lhe contar que os vitorianos estão em trip e olham sem ver, perdidos na póstuma descoberta de como Viver é afinal simples e não carece de códigos e morais além daquelas que soltam a liberdade das amarras más onde a aprisionaram, e assim faleceram em retratos empoeirados. Aspirarei o seu cheiro pois quero preservá-lo para sempre: a memória é colectora e exigente nos troféus que cativa quando, no garimpo da vida, encontra a mina mítica, o El Dorado da existência.
Fantasio. As chamas sobrevivem e a minha nudez, seja por elas seja pela expectativa que é húmus de calor não sente nenhum desconforto estendido na carpete e pensando em tudo isto. O 'Pitas' já não pensa. Se o faz é sonhando pois de há muito que fechou os olhos hipnóticos e vejo a sua penugem arfar num sobe e desce ritmado que me diz ser o seu sono calmo e, se nele há sonhos, estão sintonizados com as leves e regulares ondas que o pincel do Mestre hoje deixou no meu quadro favorito, barómetro privado dos meus humores.
Espero. Sei que a porta se abrirá e as mãos se tocarão sentindo a electricidade dos corpos que ardem por se conhecer. Na verdade acho que o vinho e o queijo se servirão depois pois a degustação desejada é-lhes prioritária. Serão a celebração das ansiedades saciadas, das barreiras ultrapassadas e também o revigorar dos corpos brilhantes.
Portem-se bem na sua trip os circunspectos vitorianos e quiçá recebam um gole e uma talhada, complemento de cogumelo e avivar dos óleos que os perpetuam nestas paredes que me olham, a mim e às minhas gulbenkeanas esperanças perenes. (...)
(a foto do 'Pitágoras psicadélico' veio daqui. thanks. tá curtido...)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
amor e azeitonas

a minha indignação pelo desprezo à minha dieta farta é inglória, vã. penso que as pessoas apreciam mais melancias, gordas, fartas, fartas d'água e cor que se esfarela entre os dentes e a língua sem nota de tempero e sabor ao palato como... as azeitonas. vãos de gula e míopes à proteína fundamental.
estou errado em ser gastro-cinéfilo e assim me alimentar, azeitonas e tempero, desde que aprendi a ler a tabela de calorias e na roda dos alimentos vi que nem todos são iguais para degustar, apaixonar o palato?
Correcção: a bela do dueto não era a Virna Lisi. era a Cathérine Dénèuve. nem sei como fiz a 'troca', até porque a Cathérine era a minha 'musa de celulóide' ao tempo da 1ª adolescência.
(azeitonas daqui. aspecto delicioso. por isso trouxe um pires... :)
domingo, 7 de dezembro de 2008
teclas, labaredas & Pitágoras (excertos - III)

(foto gentilmente recebida por e-mail face a este apelo. Obrigado pela contribuição :)
teclas, labaredas & Pitágoras (excertos - II)


(fotos gentilmente recebidas por e-mail face a este apelo. ambas estão identificadas na sua legendagem. Obrigado pelas contribuições)
teclas, labaredas & Pitágoras (excertos - I)


(fotos gentilmente recebidas por e-mail face a este apelo. a primeira está identificada na sua legendagem e a segunda tem origem goggleana desconhecida. Obrigado pelas contribuições)
"pim!"
sábado, 6 de dezembro de 2008
sábado de chuva, passeando pelo Youtube
(cusquem quer o site oficial quer os restantes videos no Youtube, andem, mexam-se...!)
... ou os "Júlio Miguel e Lêninha" em O filho do recluso
* "pesquisa" motivada pela visita ao Voz em Fuga e leitura/audição deste post. thanks Fabulosa :)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
help!

alguma alminha caridosa arranja-me uma fotografia/cartoon/etc duma sala que tenha, cumulativamente de preferência, uma lareira, um piano e... um gato? o estilo da decoração é secundário embora o IKEA/AKI não é bem o que tenho em mente...
gracias by advance. o e-mail para depósito de gentis dádivas está aí ao lado, por baixo da foto do je.
(imagem daqui. esta foi fácil e sorry lá pelo gamanço. a outra é que tá a ser uma gaita encontrá-la... :(
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
o bichano
não é 'freak' assumido ou reciclado mas já viu umas coisas e em breve cá dará um salto, contando (excertos desgarrados: nada de 'princípio, meio e fim') como uma lareira e um piano fazem oscilar os mares de Turner entre o alteroso e o chão, e como austeros vitorianos retratados pelas paredes da salinha tomam uma 'trip' colectiva enquanto príncipes esperam por princesas, fumam-se umas jardas e aviam-se umas botelhas com queijinhos de Azeitão, e divaga-se como num skate entre os amores e as fantasias, esse saboroso vai-vem sempre sem fim e com piruetas pelo meio.
é a minha 'BD' escrita, em breve "num blogue perto de si". ah! o nome não é Fritz nem Tareco: Pitágoras, por diminuitivo o 'pitas'... ;) nome da 'série'? fiquemos para já por "teclas, labaredas & Pitágoras"...
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Cristã

chega! arreia o que não é teu! despoja o desperdício e deixa-o abandonado na tua estrada - eles que rastejem se a carga lhes pesar. sara o que puderes e amputa o que gangrenou. desde Galeno que é assim. salva-te Cristã...! salva o que ninguém te roubou nem violou. e nunca roubará e violará. sabe-lo: está dentro desse peito que teve forças para tanta cruz alheia que cobriam e escondiam a tua aos cegos hipócritas que faziam não vê-la e davam-te vinagre vendo-te sedenta. não acredites em duplicados de Sísifico, não tentes copiar impossíveis, Cristã. tens um dom que não é carregar cruzes alheias nem pedras intermináveis. tecla-te. soa, soa-te. acredita-me que quando o (teu) concerto soa apagam-se as luzes e o teu pisar é iluminado, que tantos de tão se erguem para ajudar-te na tua cruz mas não nas dos outros: esses vermejam nas sombras por não perceberem ou quererem perceber a tua luz linda, teclada, Cristã. eles não contam, excluíram-se no egoísmo. tu. tu, Cristã, tu sobrevives.
(imagem daqui.)
Fritz the Cat
(1972)
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
dia de Heróis: Rosa Parks

o brilho

Há dias perguntaram-me porque recheio o tasco de coisas alheias, se "escrevo que me desunho". Respondi que prefiro ler o brilho dos outros e o meu gosto aí é padronizado. Retrucou que era egoísta em não deixar 'os outros' lerem o que escrevo, que estava a privá-los de lerem as minhas luzes (era amiga, claro). Falei-lhe na lamparina que não é nem candeeiro nem sol. Falei-lhe em como se sei que ela cá permanece, acesa, resguardo-a sob sobretudos e cachecóis, muralhas que só cedem perante cada vez menos olhares. Um, dois, na maioria um único olhar além do meu. Não estou "a privar ninguém" de ler brilhos, o texto-belo. Tenho uma lamparina que alimento e protejo. Mas há sóis à solta, há brilhos maravilhosos por aí. Eu leio-os (e leio-me), por isso sei. Não percam tempo com minudências, luzinhas que mal se vêm mesmo se revelassem a impudez da nudez da pilinha do escritor.
(imagem da lamparina gamada aqui. gracias)
domingo, 30 de novembro de 2008
Pequena ode à chuva

Como a luz a cor
e a cor o verde
e o verde a fartura
de brilho e gordura
no dorso das crias
abres a palavra
quando vens - rainha.
Como o sopro o som
abres-me os caminhos.
Dura agora a luz
vazante dos tempos
que razam propícios
os pastos exaustos.
Caudais vão fundir-se
refazer torrentes
até que regresses
à bruma das serras
e eu refaça os vaus
da sede e da espera.
Ruy Duarte de Carvalho, "Ordem do Esquecimento", Quetzal Editores, 1997
(imagem daqui. linda. obrigado pelo 'empréstimo'!)
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
"Let them be like us!"...
"Tony Melendez plays 'Let It Be' on South Padre Island"
recebido por mail com a indicação: "a melhor interpretação de "let it be" que ouvi até hoje". discordo levemente... não é a melhor interpretação daquela música: é um solo de Vida, uma interpretação de Esperança, uma melodia de Persistência e de Inconformismo. um dedilhado sobre as nossas tantas capacidades desaproveitadas, um não olhar para o lado e pelo contrário erguer a voz. entoo este coro.
coisas capilo-culinárias
hoje fui ao "baeta". como flagelação pelo assassinato capilar imposto pela ditadura familiar estou a fazer o jantar. a correr tão mal como é previsível julgo que estou safo de "baetas" durante tantos meses como aqueles que a janta d'hoje perdurará na memória. amén...
quarta-feira, 26 de novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008
diz-me, espelho meu...

odiar o nosso blogue é odiar-nos? porquê aqui não 'falo' e lá fora sou um papagaio?
(imagem colhida aqui. thanks)
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
open space

As caixas de comentários estão novamente abertas.
Desejando não ser visto como 'descortês" não prometo responder rigorosamente a todos os comentários que lá forem amavelmente colocados. Como explico vai para cinco anos eu 'não me sinto à vontade' nas minhas próprias caixas de comentários: é Vosso território, não meu...
Isto é um 'tasco' e não uma recepção em palácio com beija-mão e salamaqueques à entrada e saída. Não levem a mal, mas é o que sinto e como 'o' olho.
(imagem daqui. gracias)consolos blogueiros - II
"todo o ser humano tem direito à vida"
consolos blogueiros

A IMAGEM NO ESPELHO
"Aos 20 anos escreveu as suas memórias. Daí por diante é que começou a viver. Jutificava-se:
- Se eu deixar para escrever minhas memórias quando tiver 70 anos, vou esquecer muita coisa e mentir demais. Redingindo-as logo de saída, serão mas fiés e terão a graça das coisas verdes.
O que viveu depois disto não foi precisamente o que constava no livro, embora ele se esforçasse por viver o contado, não recuando mesmo diante de coisas desabonadoras. Mas os fatos nem sempre correspondiam ao texto e, para ser franco, direi que muitas vezes o contradiziam.
Querendo ser honesto, pensou em retificar as memórias à proporção que a vida as contrariava. Mas isto seria falsificação do que honestamente pretendera (ou imaginara) devesse ser a sua vida. Ele não tinha fantasiado coisa nenhuma. Pusera no papel o que lhe parecia próprio de acontecer. Se não tivese acontecido, era certamente traição da vida, não dele.
Em paz com a consciência, ignorou a versão do real, oposta ao real prefigurado. Seu livro foi adotado nos colégios, e todos reconheceram que aquele livro era o único livro de memórias totalmente verdadeiro. Os espelhos não mentem.
Carlos Drummond de Andrade, "Histórias para o Rei", Editora Record (Rio de Janeiro - São Paulo), 2006






