domingo, 7 de dezembro de 2008

"pim!"

Manifesto anti-Sócrates



(descoberto via o sempre atento A Dita e o Balde - thanks PM)

sábado, 6 de dezembro de 2008

sábado de chuva, passeando pelo Youtube

... e ouvindo hit's, como os Deolinda* ...

(cusquem quer o site oficial quer os restantes videos no Youtube, andem, mexam-se...!)

... ou os "Júlio Miguel e Lêninha" em O filho do recluso



* "pesquisa" motivada pela visita ao Voz em Fuga e leitura/audição deste post. thanks Fabulosa :)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

help!



alguma alminha caridosa arranja-me uma fotografia/cartoon/etc duma sala que tenha, cumulativamente de preferência, uma lareira, um piano e... um gato? o estilo da decoração é secundário embora o IKEA/AKI não é bem o que tenho em mente...

gracias by advance. o e-mail para depósito de gentis dádivas está aí ao lado, por baixo da foto do je.


(imagem daqui. esta foi fácil e sorry lá pelo gamanço. a outra é que tá a ser uma gaita encontrá-la... :(

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

o bichano

eu também tenho um gato. não é um 'freak' frenético como o Fritz mas um falso pachorrento pois é um devasso de primeira água, com pedigree que remonta ao terror de moçoilas virgens, solteironas desocupadas e qualquer genitália & anexos que se descuide e se ponha a jeito, "o preto do Gabão".
não é 'freak' assumido ou reciclado mas já viu umas coisas e em breve cá dará um salto, contando (excertos desgarrados: nada de 'princípio, meio e fim') como uma lareira e um piano fazem oscilar os mares de Turner entre o alteroso e o chão, e como austeros vitorianos retratados pelas paredes da salinha tomam uma 'trip' colectiva enquanto príncipes esperam por princesas, fumam-se umas jardas e aviam-se umas botelhas com queijinhos de Azeitão, e divaga-se como num skate entre os amores e as fantasias, esse saboroso vai-vem sempre sem fim e com piruetas pelo meio.
é a minha 'BD' escrita, em breve "num blogue perto de si". ah! o nome não é Fritz nem Tareco: Pitágoras, por diminuitivo o 'pitas'... ;) nome da 'série'? fiquemos para já por "teclas, labaredas & Pitágoras"...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cristã


és-lo e tás cansada de sê-lo. das cruzes alheias e que te calha sempre carregá-las até ao monte das oliveiras onde machados decepam-te o esforço dobrado pois a tua não é leve, não. ah! como te sabe bem uma bilha d'água fresca nesse peregrinar...! e como te dói o escárnio dos estalajeiros desonestos que te dão vinagre a beber...! Cristã... ser cristã é isto? isso? sei que há momentos em que preferirias olhar as feras salivantes dum Coliseu... sei... e compreendo a tua revolta pelas cruzes sísificas, tantas além da madeira carcomida pela vida da tua, a tua. o peso. o vinagre enganador. as palavras enganadoras. queria deixar uma mensagem de alento, um ombro que ajudasse a tanto fardo, tão peso e tão abusado. tanto tão que ora que te soa a tanto, demais, sempre demais nem que não fosses frágil como és. és cristã mas humana (não vêm???)
chega! arreia o que não é teu! despoja o desperdício e deixa-o abandonado na tua estrada - eles que rastejem se a carga lhes pesar. sara o que puderes e amputa o que gangrenou. desde Galeno que é assim. salva-te Cristã...! salva o que ninguém te roubou nem violou. e nunca roubará e violará. sabe-lo: está dentro desse peito que teve forças para tanta cruz alheia que cobriam e escondiam a tua aos cegos hipócritas que faziam não vê-la e davam-te vinagre vendo-te sedenta. não acredites em duplicados de Sísifico, não tentes copiar impossíveis, Cristã. tens um dom que não é carregar cruzes alheias nem pedras intermináveis. tecla-te. soa, soa-te. acredita-me que quando o (teu) concerto soa apagam-se as luzes e o teu pisar é iluminado, que tantos de tão se erguem para ajudar-te na tua cruz mas não nas dos outros: esses vermejam nas sombras por não perceberem ou quererem perceber a tua luz linda, teclada, Cristã. eles não contam, excluíram-se no egoísmo. tu. tu, Cristã, tu sobrevives.

(imagem daqui.)

Fritz the Cat








(1972)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

dia de Heróis: Rosa Parks


Hoje, 1 de Dezembro, há mais Independências a justificarem comemoração. Hoje não sou exclusivamente português, ou luso-moçambicano, ou um blogger egocêntrico: hoje sou irmão de Rosa Parks.


(foto extraída do site linkado)

o brilho



Há dias perguntaram-me porque recheio o tasco de coisas alheias, se "escrevo que me desunho". Respondi que prefiro ler o brilho dos outros e o meu gosto aí é padronizado. Retrucou que era egoísta em não deixar 'os outros' lerem o que escrevo, que estava a privá-los de lerem as minhas luzes (era amiga, claro). Falei-lhe na lamparina que não é nem candeeiro nem sol. Falei-lhe em como se sei que ela cá permanece, acesa, resguardo-a sob sobretudos e cachecóis, muralhas que só cedem perante cada vez menos olhares. Um, dois, na maioria um único olhar além do meu. Não estou "a privar ninguém" de ler brilhos, o texto-belo. Tenho uma lamparina que alimento e protejo. Mas há sóis à solta, há brilhos maravilhosos por aí. Eu leio-os (e leio-me), por isso sei. Não percam tempo com minudências, luzinhas que mal se vêm mesmo se revelassem a impudez da nudez da pilinha do escritor.

(imagem da lamparina gamada aqui. gracias)

domingo, 30 de novembro de 2008

Pequena ode à chuva





Como a luz a cor
e a cor o verde
e o verde a fartura
de brilho e gordura
no dorso das crias
abres a palavra
quando vens - rainha.

Como o sopro o som
abres-me os caminhos.

Dura agora a luz
vazante dos tempos
que razam propícios
os pastos exaustos.

Caudais vão fundir-se
refazer torrentes
até que regresses
à bruma das serras

e eu refaça os vaus
da sede e da espera.

Ruy Duarte de Carvalho, "Ordem do Esquecimento", Quetzal Editores, 1997

(imagem daqui. linda. obrigado pelo 'empréstimo'!)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

"Let them be like us!"...



"Tony Melendez plays 'Let It Be' on South Padre Island"

recebido por mail com a indicação: "a melhor interpretação de "let it be" que ouvi até hoje". discordo levemente... não é a melhor interpretação daquela música: é um solo de Vida, uma interpretação de Esperança, uma melodia de Persistência e de Inconformismo. um dedilhado sobre as nossas tantas capacidades desaproveitadas, um não olhar para o lado e pelo contrário erguer a voz. entoo este coro.

coisas capilo-culinárias



hoje fui ao "baeta". como flagelação pelo assassinato capilar imposto pela ditadura familiar estou a fazer o jantar. a correr tão mal como é previsível julgo que estou safo de "baetas" durante tantos meses como aqueles que a janta d'hoje perdurará na memória. amén...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

o cair da folha


o prometido é sempre devido.

entaramelo a voz. aqui. não sou escritor, não consigo abrir mais o peito sem que me doa insuportavelmente. talvez um dia o consiga. até lá atafulho-me de metáforas e comprimidos, faço do blogue um concerto de remédios de auto-ajuda. faz-me falta ter com quem falar. o Carnegie dos vinte anos é igual à Rhoda Byrne dos cinquenta: nada me dizem e menos me ajudam. a ficção que leio ilude-me, apaga-me até adormecer. mas depois acordo e tudo recomeça, e as caixas de comprimidos estão quase vazias. a escrita? até ela é moribunda incluindo "a secreta". gosto do Outono, os passeios com um tapete de folhas que descaem para olhá-las e aceitar a perenidade de tudo. piso-as com respeito pelo conforto qu'o seu gesto nobre suaviza o palmilhar o quarteirão donde não saio senão com algemas. tenho os remédios quase esgotados, valha-me o Youtube. pus o "You are a Lucky Man" e fui a correr barbear-me. melhorou. pelo menos melhorou perante O Outro, qu'eu passei água pelos restos de sabão e os olhos estavam iguais. os olhos não se barbeiam. sorriem ou choram pois não consigo imunizá-los e acinzentá-los na indiferença. sinto que perdi mais que ganhei. ganhei tal como em criança enchia os maõs de areia mas hoje, barba feita, não olho da mesma forma o grãoes que fogem entre os dedos. perdi. Princesas, castelos, sonhos, até eu príncipe. fica o Outono. abençoado tapete que, caia a gasta analogia, suaviza e conforta o pisar quando visito o meu Jardim, secreto como todos os jardins são para alguéns. e calo-me. está aí o Outono, calo-me, faço a barba, tomo o resto dos comprimidos e vejo Youtubes incluindo os de mim.
(imagem daqui. obrigado por mais estas para pisá-las e suavizar-me)

Zyprexa, 10 mg

Wellbutrin, 300 mg

terça-feira, 25 de novembro de 2008

diz-me, espelho meu...




odiar o nosso blogue é odiar-nos? porquê aqui não 'falo' e lá fora sou um papagaio?

(imagem colhida aqui. thanks)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

open space



As caixas de comentários estão novamente abertas.

Desejando não ser visto como 'descortês" não prometo responder rigorosamente a todos os comentários que lá forem amavelmente colocados. Como explico vai para cinco anos eu 'não me sinto à vontade' nas minhas próprias caixas de comentários: é Vosso território, não meu...

Isto é um 'tasco' e não uma recepção em palácio com beija-mão e salamaqueques à entrada e saída. Não levem a mal, mas é o que sinto e como 'o' olho.

(imagem daqui. gracias)

consolos blogueiros - II

Artº 1
"todo o homem tem o direito de se tornar humano e de ser tratado como tal"
Arº 2
"todo o ser humano tem direito à vida"
Artº 3
"todo o ser humano tem direito à independência"
Artº 4
"todo o ser humano tem direito ao saber"
Artº 5
"todo o ser humano tem direito à felicidade"
Artº 6
"todo o ser humano tem direito à livre disposição do seu tempo"
Artº 7
"todo o ser humano tem o direito de se deslocar para onde e como entender"
Artº 8
"todo o ser humano tem direito à gratuidade dos bens úteis à vida"
" 8a
"todo o ser humano tem o direito de dispor de uma habitação conforme os seus desejos"
" 8b
"todo o ser humano tem direito a uma alimentação saudável e natural"
" 8c
"todo o ser humano tem direito à saúde"
" 8d
"todo o ser humano tem direito à gratuidade dos modos de transporte criados pela colectividade e para a colectividade"
" 8f
"todo o ser humano tem o direito de usufruir gratuitamente dos recursos e das energias naturais"
Artº 9
"todo o ser humano tem o direito de xerecr um controlo permanente sobre a experimentação científica a fim de ter a certeza de que esta serve o humano e não a mercadoria"
Artº 10
"todo o ser humano tem o direito de desfrutar de si, dos outros e do mundo"
" 10a1
"todo o ser humano tem direito à aliança consigo mesmo"
" 10a2
"todo o ser humano tem o direito de ser ele mesmo e de cultivar a consciência dasua singularidade"
" 10a3
"todo o ser humano tem direito à autenticidade"
" 10b1
"todo o ser humano tem direito à aliança com os seus semelhantes"
" 10b2
"todos os seres humanos têm o direito de se agruparem por afinidades"
" 10b3
"todo o ser humano tem o direito de substituir os governoas estatais por uma federação mundial de pequenas colectividades locais em que a qualidade dos indivíduos garanta a humanidade das sociedades"
" 10c
"todo o ser humano tem direito à aliança com a natureza"
" 10d
"todo o ser humano tem direito de se reconciliar com a sua parte de animalidade"
Artº 11
"todo o ser humano tem o direito de construi o seu próprio destino"
Artº 12
"todo o ser humano tem o direito de criar e de se criar"
Artº 13
"todo o ser humano tem o direito de ingerência e de intervenção onde quer que seja que o progersso do humano esteja ameaçado"
Artº 14
"todo o ser humano tem o direito de virar para a vida o que se voltu para a morte"
Artº 15
"todo o ser humano tem o direito de melhorar o seu ambiente para aí viver melhor"
Artº 16
"todo o ser humano tem direito ao respeito devido à sua sensibilidade"
Artº 17
"todo o ser humano tem o direito de experimentar os movimentos de afecto e de rejeição inerentes"
Artº 18
"todo o ser humano tem direito a uma vida e morte naturais"
Artº 19
"todo o ser humano tem o direito de fundar a diversidade dos seus desejos na pluralidade da vida"
Artº 20
"todo o ser humano tem o direito de se dedicar à actividade e ao repouso"
Artº 21
"todo o ser humano tem direito à preguiça"
Artº 22
"todo o ser humano tem direito ao esforço e à perseverança"
Artº 23
"todo o ser humano tem direito ao seu sentimento natural da beleza"
Artº 24
"todo o ser humano tem o direito de progredir e de regredir"
Artº 25
"todo o ser humano tem o direito de errar, de se perder e de se encontrar"
Artº 26
"todo o ser humano tem o direito de vencer o terror e de domar o medo"
Artº 27
"todo o ser humano tem o direito de recusar a ameaça"
Artº 28
"todo o ser humano tem direito ao erro e à sua correcção"
Artº 29
"todo o ser humano tem direito a uma absoluta liberdade de opinião e de expressão"
Artº 30
"todo o ser humano tem o direito de criticar e de contradizer aquilo que parece mais certo ou que é tido por uma verdade elementar"
Artº 31
"todo o ser humano tem o direito de não considerar nada sagrado"
Artº 32
"todo o ser humano tem direito à mudança"
Artº 33
"todo o ser humano tem direit ao distanciamento"
Artº 34
"todo o ser humano tem direit aos prazeres de cada idade"
Artº 35
"todo o ser humano tem o direito de recusar o sofrimento"
Artº 36
"todo o ser humano tem direito de dar e de se dar sem se sacrificar"
Artº 37
"todo o ser humano tem o direito de escapar à frustação substituindo a insatisfação pelo insaciável"
Artº 38
"todo o ser humano tem direito às suas dúvidas e às suas certezas"
Artº 39
"todo o ser humano tem direito ao excesso e à moderação"
Artº 40
"todo o ser humano tem o direito de se divertir"
Artº 41
"todo o ser humano tem direito às liberdades do sonho e da imaginação"
Artº 42
"todo o ser humano tem direito à cólera"
Artº 43
"todo o ser humano tem direito ao bem-estar do corpo"
Artº 44
"todo o ser humano tem o direito de se adornar como entender"
Artº 45
"todo o ser humano tem direito às suas mentiras e às suas verdades"
Artº 46
"todo o ser humano tem o direito de se abrir ou de se fechar ao mundo"
Artº 47
"todo o ser humano tem o direito de se exprimir ou de calar as suas emoções, os seus desejos, os seus pensamentos"
Artº 48
"todo o ser humano tem o direito de ter acesso à expressão artística"
Artº 49
"todo o ser humano tem direit ao livre exercício da bondade"
Artº 50
"todo o ser humano tem direito à inocência"
Artº 51
"todo o ser humano tem o direito de apostar na violência do vivente para fazer face às violências da morte"
Artº 52
"todo o ser humano tem o direito de devlver à vontade de viver a energia vital usurpada pela vontade de poder"
Artº 53
"todo o ser humano tem o direito de proteger e ser protegido"
Artº 54
"todo o ser humano tem o direito de gerar crianças para sua felicidade e para felicidade destas"
Artº 55
"todo o ser humano tem o direito de desejar o que parece estar para além do possível"
Artº 56
"todo o ser humano tem o direito de gerir os seus humores, caprichos e manias sem ter de os impor aos outros nem ter de suportar os dos seus semelhantes"
Artº 57
"todo o ser humano tem direito à poesia da existência"
Artº 58
""todo o ser humano tem direito ao jogo e a brincar com os comportamentos e os valores do velho mundo"


(não-sublinhados meus)


Raoul Vaneigem, "Declaração Universal dos Direitos do Ser Humano", Edições Antígona, 2003


(imagem de 'multidão' daqui.. thanks e perdoem lá o gamanço...)

consolos blogueiros



A IMAGEM NO ESPELHO

"Aos 20 anos escreveu as suas memórias. Daí por diante é que começou a viver. Jutificava-se:
- Se eu deixar para escrever minhas memórias quando tiver 70 anos, vou esquecer muita coisa e mentir demais. Redingindo-as logo de saída, serão mas fiés e terão a graça das coisas verdes.
O que viveu depois disto não foi precisamente o que constava no livro, embora ele se esforçasse por viver o contado, não recuando mesmo diante de coisas desabonadoras. Mas os fatos nem sempre correspondiam ao texto e, para ser franco, direi que muitas vezes o contradiziam.
Querendo ser honesto, pensou em retificar as memórias à proporção que a vida as contrariava. Mas isto seria falsificação do que honestamente pretendera (ou imaginara) devesse ser a sua vida. Ele não tinha fantasiado coisa nenhuma. Pusera no papel o que lhe parecia próprio de acontecer. Se não tivese acontecido, era certamente traição da vida, não dele.
Em paz com a consciência, ignorou a versão do real, oposta ao real prefigurado. Seu livro foi adotado nos colégios, e todos reconheceram que aquele livro era o único livro de memórias totalmente verdadeiro. Os espelhos não mentem.

Carlos Drummond de Andrade, "Histórias para o Rei", Editora Record (Rio de Janeiro - São Paulo), 2006

(reflexo duma parede daqui. thanks)

prova de vida


Não fui baptizado "Lázaro" nem alguma vez nas onomatopeias das sms se me dirigiram como "JC". Cruzes-credo, só se fosse pela ópera-rock. E não mordo e gosto de alho. Vagueio e preencho formulários. Hoje vim a este guichet preencher o de 'prova de vida'. Tenho escrito. À lareira das brasas do sol novembril, manias de acreditar que o reerguer tem de ser rápido e diurno. Coisas de mim que ficam para mim.
À pouco escrevi assim - num e-mail, mas leia-se 'lareira' - e fica o formulário preenchido:

"(...) faço exclusivamente o que gosto, claro que também o que posso. poesia isto. se o Martinho da Arcádia fosse um ciber-café o contabilista não escrevia sobre "a mentira dos poetas", falava dos bloggers. é tudo a mesma merda, a merda humana. este fedor não devemos receá-lo: é o cheiro da humanidade, o nosso cio pela escrita, o nosso cio de nós mesmos. e viva o onanismo à lareira, um teclado de piano sorrindo-nos. (..) tenho um gato virtual. chama-se 'Pitágoras' porque sempre pensei que se um dia tivesse um gato era esse o nome que lhe daria. foi logo crismado de 'Pitas', saberão as deusas e seus colegas dos porquês de tudo ter um diminuitivo. deita-se ao borralho ao meu lado. sabes como os gatos olham, hipnóticos. acho que ele está a gozar comigo mas enfim. é o 'Pitas', que fazer? pergunta velha. velha edição de materialismo dialéctico com tanta tradução e de respostas népia. vai daí carrega-se no tinteiro e enrolam-se canudinhos. (...) é impossível parar. repito-te que escrevo que me desunho. e algumas belas, ouso dizê-lo. nada como os trambolhões para a malta se reerguer. aí, sei lá como, encontra-se uma ternura impensável. mãos que nos guiam a mão. e faço poesia, assim minúscula mas... bela para mim que só eu a leio. que quero mais? acabei de estrelar dois ovos e manjá-los. que quero mais? (...) e esta noite revi pela quinquajésima vez "As pontes de Madison County", a aldeia mais populosa do mundo pois tem milhões de residentes não recenseados. vagueio. fumo. não me perguntes pelo Multiply que não ligo pívia àquilo. multiplico-me sozinho - como sempre. (...) acho que vou fazer uma pequena 'prova de vida' no on the road e aguardar mais um pouco. não conto morrer nem amanhã nem depois de amanhã. a decisão do novo blogue surgirá 'naturalmente', e nisso e em nadica da minha vida não quero nunca mais sentir pressão. faço o que gosto, escrevo quando gosto e do que gosto. (...) preciso de me sentir livre."


Está feita. Papelada despachada e guichet seguinte.


(a foto da tumba aberta veio daqui. thanks ao morto mesmo se morto-vivo, seus familiares e ao guarda do cemitério que assobiou para o lado. sem vocês isto eram só letras. letras, letras, e a lareira ardendo à espera de mim)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

fim de viagem


Esta estrada chegou ao fim. Não é demolida pois teve troços de bom piso. Tal como o 'blogger': nem tudo é ruim.
Quem me conheçe e queira encontrar-me sabe como fazê-lo. Tal como eu farei.
Obrigado a todos.

cg

(a última imagem "on the road" veio gamada daqui. obrigado também praí)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

(...)





Este blogue fecha para obras por 48 horas. No mínimo.
Obrigado pela atenção.


(bonequito daqui. thanks)

A Crise (XV): um olhar global

Bem perguntado.

memórias de mim & dos meus filmes





Verão de '42

flores


Bonitas. Se fosse príncipe e tivesse um castelo como em todas as estórias os príncipes têm, floria-o. Azuis, brancas, amarelas, vermelhas. No arco-íris escondia as gelhas das pedras e tornava fácil escalar-lhe as muralhas. Toda a paisagem agradecia, creio, florida, creio ainda mais.


(gamadas aqui, "um qualquer jardim e-perto de si", ao Google acaso)


Não. Desta vez não está(s) certo. O mundo não pode ser assim (se o é é nossa obrigação não perpetuar o erro e tornar episódica a episódica razão)

(imagem daqui. thanks)

Miriam Makeba "Mamã África"



A notícia má do dia. Trinta anos de vida cantados longe de casa e a sua Voz soou sempre contra essa dor, essa injustiça com nome e que durou anos demais, bem mais de trinta. E ajudou; tanto que regressou a casa. Cantando, cantando sempre.
Esta noite partiu. Longe de casa? não, acho. Era Cidadã do Mundo inteiro embora ele que a ouvia a chamasse de "Mamã África".


(foto daqui. vénia em momento triste)

sábado, 8 de novembro de 2008

a despedida



Imagem do meu "jantar de despedida" :( de Moçambique. Janeiro de 1976, restaurante do Hotel Girassol. Alguns de muitos amigos. A despedida "freak" ou foi antes ou depois, já não me recordo excepto que foi no Bilene no que chamei "fim-de-semana psicadélico" e algures neste ou noutro blogue (um dos "Xicuembos"?) fiz um post onde o recordei, salvo erro sob título "o capacete amarelo". Mas estou sem pachorra para ir à procura dele e linká-lo. Só vos digo que... foi naturalmente mais 'exótica' :)))

Peço a especial atenção dos senhores ouvintes e telespectadores para o papelito que tenho na mão e a Becas a dizer-me (imagino agora, mas terá sido mais ou menos assim): «Carlos, não te atrevas aqui!!!»;)

"teenager translator"



A Webita anda empenhada na legendagem de Youtube's de séries de tv que gosta, ou daquela coisa de vampiros-galãs que dá pelo nome de "Twilight"* e me arrepia ao imaginar-me no papel de papai-a-dar-uma-de-durão quando um mangussito se atrever a meter o pé cá em casa e, na volta, tem um serrote afiado demais qu'o meu e exibe-me os caninos XL como quem diz: "vai dar uma curva, velhote!"

Podem visualizar-se aqui. Clicar em "see all videos" pois, diz ela, como são arquivados em prioridade aos mais recentes e esses não serão os mais 'apreciáveis' por públicos... menos "teenagers" :) os outros estão lá para trás.

* via Amazon leu a saga em primeira mão, antes de cá traduzida e editada. vocês acreditam que aquela alminha teve paciência para traduzir para português um daqueles calhamaços de fio a pavio? bem, duas coisas boas: praticou o seu "inglês" e beneficiaram os colegas também fãs da série que, capítulo a capítulo e conforme a tradução ia avançando foram também lendo-o em português antes da edição 'oficial' :))


(imagem daqui. thanks pelo empréstimo)

epistolar geracional: as manhãs longas da rádio comercial




" (...) Se o nome do programa não era ou é assim, era ou é parecido. Veio-me à tola pelas manhãs. Rádio só ouço no carro. Rádio só ouço quando não tenho um título e veio este como podia ser amêijoas ou este bzzz que se vai perdendo na névoa da manhã - vera: às oito estava nevoeiro e agora subsiste aquele céu pardo sem azul, nem abre nem deixa abrir. As nuvens, farripas brancas, são dunas do céu mas ausentes de sol pois o céu não está azul e nele elas são um cortinado branco. O "bzz" era uma irritante avioneta que já fugiu. Levou o megafone publicitário que passou aqui perto e, embora sejam onze e meia da manhã e fora residuais sornas não acordou ninguém, soou-me tão chato como nos domingos de manhã os doidos dos grupos dinamizadores acordavam o people de madrugada para irmos dar uma de escravo-proletário e revolucionariamente varrerem-se os passeios no dia de folga dos 'almeidas'. Tontos. Tontos todos, que nem a sorna histórica se curtia sem ou o megafone ou a consciência nos arreliar. O marxismo-freakismo* tinha destas contradições: pureza ideológica nas leituras e vivas incendiados, praxis bem curtida nas longas manhãs da rádio comercial cerrando ouvidos a bzzs parolos e a mão tacteando a mesa-de-cabeceira à procura da beata do último charro da madrugada.

«To yendi pa Mozi, Ni M’tima umô! To yendi pa Mozi, Ni M’tima umô! Olimbá – olimbá moîo! To yendi pa Mozi, Ni M’tima umô!».

Não, o título está errado mas não vou modificá-lo. Sabes porquê, não sabes? cá não tiveram grupos dinamizadores pois conheci os “gdups” do Otelo e não tocavam às campainhas, menos ainda berravam megafones nos domingos de manhã estivesse o céu como estivesse. Mas as vassouras ideológicas eram iguais, cá mais diversificadas hertzeneanamente e não duvido cagajésima em como uma rádio comercial qualquer estava sempre sintonizada em azucrinar os miolos aos sornas dos domingos de manhã. Ao marxismo-freakismo que mesmo no nevoeiro das ressacas guiava a mão à tal beata e flash!: quanto vestíamos a farda nos nossos corpos nus e então ainda 'esbeltos' (quéessamerda? existem mentiras assim tão... esbeltas? :( , bem, quando enfiávamos o "cafetan" pela cabeça, apertávamos as jeans e calçávamos as sandálias já o colar ou a pulseira de missangas fora posto, resistente marco colorido cravado no cinzento revolucionário. E, assim, se ia construindo o marxismo-freakismo passo a passo até à derrota final. D'ambos: já agora gozo o meu momento mordaz do dia. (..)"


* o baptismo não é meu e sei de que tasco veio. não linko. não vale a pena. gostei tanto dele, senti-me tão identificado na justaposição tanto como sei que "eles andam aí": mais haverá - há. há que eu sei - que sentem o mesmo por ela e daí a linkagem estender-se-ia como urze numa colina bravia. se os bancos falidos são nacionalizados também as memórias das ideologias igualmente comatosas podem sê-las. e quem não gostar... vá-se "queixar ao Totta" - 'lol' acidental e circunstancial.


“charlie”




(imagem do brazão moçambicano pescada aqui. gostei de revê-lo. daí que cai que nem ginjas e gamei-o. thanks. na outra tou eu a passear a Becas no lago do Zambi, LM, em 1975. a Becas era a minha 'chefe' no job :) e o que tenho na boca muito provavelmente "é" ;)