terça-feira, 7 de outubro de 2008

poema Cu-Cu


Apaixono-me com a frequência dum relógio que bate horas. Dos antigos, que fazem cu-cu. Um rosto adivinhado numa frase relida mil vezes. Um rosto que, lido, tem outro relógio onde leio cadências que me enchem os ouvidos e neles escavam até se alojarem e soarem o seu cu-cu em eco interno, sinal de nova hora. Horas de mais de sessenta minutos, horas de litros de segundos. Pautas musicais onde só lhes distingo a clave do tum-tum, a tal que no meu soa cu-cu quando bate a tal hora, um rosto adivinhado, um texto lido e relido até ao esqueleto, tum-tum, os relógios acertam-me a hora e o meu diz cu-cu.
Como é que lhe dei corda, que quando foi fabricado ainda os suíços não usavam pilhas para dizer cu-cu, altivo alpino tic-tac de corda à mão que soava com a regularidade das paixões de hora em hora à idade quando a paixão lhe batia, então abria a janela e fazia cu-cu? hoje soa solto, cu-cu descomandado sem previsibilidade nem horário. Apenas cu-cu, instalou-se à janela e é um constante cu-cu.
Uma frase relida e um coração olhado. TMG ou GMT, já não sei em que fuso estou, em que hora estou pois o cu-cu soa, troa-me, baralha-me os ritmos e perco as rotinas, adianto-me uma hora e no mesmo segundo duvido se não estou errado e não estarei é uma hora atrasado. Sei que ele continua a bater, a bater, e a corda que lhe dei foi em rodar de pulso, linhas minhas ou linhas doutrem, a face do lado de lá é sempre igual à do lado de cá, ambas soam d'hora a hora e têm relógios tão descomandados que são verdadeiros apaixonados em fazer do cu-cu o desassossego de quem lhes dá corda, lê ou escreve a pauta que insiste na clave do cu-cu; cu-cu, sempre cu-cu.

Tenho de me modernizar e substituir o relógio a corda. Por um mais prático onde não rode o pulso e me aleije em entorses e não me obrigue nem a ler nem a escrever para saber que horas são: põe-se a pilha e pronto: cu-cu. Simplesmente cu-cu, sem requintes ou afinações: cu-cu porque é hora de cu-cu e não porque lhe apeteceu vir à janela enquanto eu sem dar pelas horas lia e relia e... cu-cu.
O personagem Venia Venitchka de V. Erofeev consegue correr Moscovo de lés a lés e de taberna em taberna sem nunca ver as muralhas do Kremlin. Almejo conseguir ler às horas sem cuidar das horas e sem rodar o pulso a cada uma, um impulso electrónico invisível e sem dores no peito ou no pulso ouvir o cu-cu recordar-me no fuso certo que são horas da paixão. À janela, pois à janela seja. Lá fora não há cucos que eu veja ou ouça, mas há Vida que espreito e invejo. Ardente, orquestra de sons onde os cu-cus não são monótonos. Sei, porque a leio.
A merda é que os meus ouvidos não conseguem parar de ler. Ler cu-cu em cada linha, em cada coração um relojoeiro meu irmão.
- abençoados relógios iletrados, silenciosos e sem janelas abertas incomodamente de hora a hora.
- abençoadas letras que nada dizem e nelas não se lê cu-cu e assim não me apaixono porque não as ouço.
e que seja também abençoado o meu novo relógio suíço com pilhas japonesas que não fará cu-cu, hei-de descobri-lo quando perceber que a felicidade passa pela infelicidade de não ouvir cu-cu ao ler cu-cu, das linhas serem só linhas e estas minhas não falarem de relógios mas do preço do barril de petróleo, quando apertar o pescoço ao cabrão do cuco que não se cala e persegue-me vida fora a gritar-me, a gritar-me e eu a ouvi-lo que está na Hora e as horas estão certas, os ponteiros alinhados, cu-cu, cu-cu, neste vício de rodar o pulso para dar-lhe corda por medo de perder a hora que há-de vir e


cu-cu.

(Imagens daqui e daqui. vénias, em british.)

PS: também aqui e aqui.

domingo, 5 de outubro de 2008

1 €


directamente das badanas:

"E agora o quê? Ser insinuantemente meigo? Ou fascinantemente grosseiro? Com os diabos, eu nunca percebi bem quando ou como aproximar-me duma mulher bêbada. Até aqui - deverei dizer-vos? - eu sabia pouco sobre elas, bêbadas ou sóbrias. Perseguia-as em pensamento, mas mal me aproximava com o coração, o pensamento paralisava assustado. Eu era contraditório. Por um lado gostava que elas tivessem cintura, já que nós não temos cintura nenhuma. Isto despertava em mim... Como dizer? Volúpia? Sim, despertava em mim volúpia. Mas, por outro lado, elas apunhalaram Marat com uma faca, embora Marat fosse incorruptível e não devesse ter sido esfaqueado. Só por si isto já matava toda a volúpia. Por outro lado, como Karl Marx, eu gostava da fraqueza delas, isto é, elas são obrigadas a mijar de cócoras, e isso agradava-me, enchia-me... bem, de quê? De Volúpia? Sim, de volúpia. Mas, por outro lado, foram elas que dispararam a espingarda contra Ilitch! Isto matava novamente a volúpia: podem pôr-se de cócoras, mas para quê disparar contra Ilitch? Seria ridículo falar de volúpia depois disto... Mas desviei-me do tema."

... e eu acho que ele é prometedor, tendo desvios assim.

"De Moscovo a Petuchki", Venedikt Erofeev, Edições Cotovia, 1995. a 1 € numa Feira do Livro perto de si.


(imagem da capa catada aqui. grato.)

trauma pós estival




"smack on the water, fire in the trunks"


(imagem gamada aqui. porque é bela. porque a linko e não há Polícia Que me multe por fazê-lo assim. que se atreva. mas se for melga e parvo e insistir.... chamem a polícia... que eu não pago! - private joke que não tem nada a ver com o(a) estimável blogger a quem 'pedi emprestada' a fotografia)

os sonhos dão um jeito a "ganhar-se a vidinha"?

"a Senhoras solitárias e românticas: passeia-se pelo jardim da Gulbenkian de mãos-dadas. tour completo ou sombra à escolha. pequeno complemento a honorários em espécie*"

(naturalmente inspirado por este 'chibanço')


* leia-se "beijinho como no escurinho do cinema". mais que isso já não era 'romantismo' e eu se há coisa que não desejo na vida é ganhar famas de "gajo fácil, vai com todas"

(imagem daqui. thanks, é linda)

sábado, 4 de outubro de 2008

o Magalhães...




... se visse isto mandava-se borda fora... e vinha a nado até ao registo civil requerer mudança de nome :(


(imagem do 'bicho' gamada aqui.. como é EP, meia vénia chega)

chamem a polícia... que eu não pago!




Eu acho que anda tudo maluco. Sem saber ler nem escrever parece que há quem ache que eu (plural-blogger) tenho de me inscrever não sei onde, ser controlado sei lá por quem, enfim até parece que terei(emos) direito - os "associados", claro - a cartãozito preso com alfinete à t-shirt (aindo me pico com essa merda). Eu cá acho que anda tudo maluco.



(tudo ao molho e no mesmo saco; mas há destrinças e não são poucas. tem é de ler-se tudo. porque É importante, raios!)










e chega de voltinhas - porque mais haveria e era um nunca mais acabar se seguisse os links todos (elos, jpt, elos, ok :) para acabar cansado e voltar à fatia da vaca, fria naturalmente: anda tudo maluco :(

eu, blogger, querem crismar-me de quê? ná ná... ganhem mazé juízo: aqui o maluco sou eu. só eu. improvisem por outro lado que o que mais há é papelada escrita e hertziada por onde pegarem, mas não me chateiem mais o raio do blogue!


ADENDA: esta reflexão de Carlos José Teixeira merece.... reflexão. o que implica obrigatoriedade em lê-la para poder reflectir sobre aquele que dos posts que até agora li mostra uma visão bem equilibrada. e com profusão de links sobre mais abordagens ao tema - mas não descurem os acima...!
a ler por quem se preocupar com os sonhos onanistas do Yuppie Sr. Prior Querido, reencarnação dum qualquer Torquemada de tiques wallstreeteanos, certamente seu avoengo e que o Cristo-rei lhe seja leve!

ADENDA 2: outra opinião a ler. na caixa de comentários alarguei-me na minha opinião. que conforme mais vou mergulhando no problema/polémica mais reflecte a minha irritação. e das dúvidas a que tenho de por mim encontrar respostas.

(imagem daqui.. vénia, em british - quem tiver "carteira de tradutor" que traduza: eu gamo fotos e meto-lhes o link. mai nada. e não quero "carteira" nenhuma)

Austin e mr. De Luxe




A minha Homengem ao Escritor que conseguiu interessar-me por literatura portuguesa, não chatérrima de "clássica". Porque clássica será sempre a sua narração alucinante da cena de porrada com os camones no Bairro Alto. Umas dez a quinze folhas de ficar tão sem fôlego que abriram-me os olhos a "cá também se faz disto".



(imagem de capa igual da primeira edição que tive, daqui. vénia. mas "O que diz Molero" é dos tais livros que já tive de comprá-lo bem umas três ou quatro vezes.... "esquecem-se"...:(

caixinha de celestes em porto de abrigo...


"Celestes" são doces conventuais típicos de Santarém. Umas coisinhas pequeninas feitas de doce de ovos, boas pra caramba. Caixita com meia-dúzia come-se sem se dar conta do dinheirão que custou.

Mas se penso "Celeste + Santarém", mais a mais em Desafiómetro que apela a memórias "no escurinho do cinema", bem.... saiu assim como se tiverem paciência abaixo lerão, em porto de abrigo onde me sinto bem e deixei contado o meu "no escurinho, com um OVNI anexo"

Capítulo I: "Celeste"
Capítulo II: "há estrelas no céu"
Capítulo III: "lagartixas (aguarela)"


ps: como quem sabe sabe, a "Chez" tem artes de maga informática e consegue pôr banda sonora aos posts. assim no final de cada um é clicar no ícone da música específica de cada e lê-lo com ela em fundo, profundo. ou em silêncio, à escolha do freguês e de acordo com o gosto do momento ;)

:)




ELA meteu-se à estrada e... VOLTOU!!! (lá se vai o resto da adega... :)))

Frei meditando...


“oculi, quemadmodum animo affecti simus, loquuntur”

sábado, 27 de setembro de 2008

monogamia rima com "mamma mia"?

há tempos e tempos que não ia ao cinema. hoje, por convite irrecusável, lá fui. meio desconfiado embora na memória houvessem já duas recomendações muito positivas ao filme. fascinei-me, bati palmas, ri, emocionei-me, lavei a alma: "Mamma Mia" é filme a ver, ver e ver. Sem qualquer paralelo de situações pessoais vividas revi-me nos personagens, uma identificação "à época" e ao corolário que, pessoalmente, desejava ter-me acontecido se a vida assim me tivesse corrido. e reparem que não estou a referir-me a nenhum dos três personagens masculinos: com a diferença de sexos intocável, a minha identificação romanceada com a personagem chapou-se na feminina, essencialmente essa. eu gostava de ter vivido uma vida assim.
o final? achei-o lamechas fora o casamento desfeito já com o cura de mão sacramental em riste: aí foi uma das vezes em que incontidamente bati palmas. porque "se eu fosse ela" (não a noiva: a mãe; explicação para quem não viu o filme) e um dos três não fosse gay, eu ficava com os três.
nunca acreditei muito nesta coisa da monogamia, obrigatória no acasalamento 'oficial' e punida por quem não nem nada a ver com isso pois não faz parte da família. o incitamento e legalização da hipocrisia, o condicionamento sentimental por quem só pode ser amado por um tarado burocrático, ainda mais por dedicado a quem é incapaz de retribuir sentimentos: o Estado, esse patrono de lares e costumes, de tretas mal disfarçadas e mal-fodidas.


à saída fui à Feira do Livro que já me namorara à entrada: embora ande teso não lhes resisto, acabando até por calhar comprar livros que no seu preço normal dificilmente cá vinham calhar. na recolha de hoje (total 13 €) haverá dois desses mas qualquer dos outros fi-los meus com prazer de garimpeiro. segue relação e preços, apenas a exemplo de como as oportunidades cruzam-se ao virar da esquina, "mamma mia" se, podendo, perco uma:


- Valete de Sombras, Michel Host, Cotovia, 3 € não conheço o autor nem nunca ouvi falar na obra. mas se ganhou o Goncourt tem de ter qualidade
- Poesia em Viagem, Blaise Cendrars, assírio & alvim, 3 € - poesia nunca é muita
- Jorge de Sena, Uma ideia de teatro (1938-71), Eugénia Vasques, Cosmos, 2 € - Jorge de Sena é Jorge de Sena. e Teatro é "tema".
- Donamorta, Armando Silva Carvalho, assírio & alvim, 2 € - a prosa que conheço do autor nunca me desiludiu
- De punho cerrado - ensaios de hermenêutica dialéctica da lit. port. contemporânea, Carlos Ceia, Cosmos, 1 € - sei lá... talvez um dia venha a dar jeito para alguma coisa, embora até nem esteja a ver para quê...
- Uma migalha na saia do universo - antologia da poesia neerlandesa do séc. vinte, sel e introd. de Gerrit Komrij, assírio & alvim, 1 € - idem; a poesia nunca é muita
- El cuento de la isla desconocida, José Saramago, Cuadernos del Pabellón de Portugal Expo'98, 1 € - Saramago. e não conheço este conto e portanto a ilha, que me lembre

Paul Newman




foi-se hoje. 27-09-2008. o Homem que além de tantas tacadas na minha mente e a faziam rodopiar que nem em derrapagem numa curva em La Sarthe, deu-me um dos momentos mais hilariantes* que recordo no cinema - hoje circunscrevo essas memórias a Ele, além era injusto: quando, saltando para cima da moça para uma sessão de karate alentejano, os dois em quimono de pelota como manda a etiqueta, a tradição e dá jeito, ela pergunta-lhe, espantada: "e as botas**? não as tiras?" ele: "não! ajudam à tracção"


* este blogue é escrito por uma mente devassa; nota para quem ainda não reparou;

** botas de cowboy, nada de paneleirices da moda


(foto daqui.)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

memoires

hesitei - e não pouco - entre dois pólos: tenho um fraquinho e que não se explica pela facilidade do epíteto "lamechas" pelo 'My Way' de Frank Sinatra. suponho que algures no 'diário' bloguístico até já youtubizei esse sentimento, sinopse anexa.
mas os sentimentos subordinam a vontade. bailava-me, xiricava-me* na memória apenas um nome: Léo Ferré. estava então decidido: hoje, 25 que se sucede a 24 tal como o amanhã ganhará lugar ao hoje e findo o Verão se entra no Outono, neste Hoje há Léo Ferré. há, porque cá também mora um inconformista e quero preservá-lo . e teimoso, sei. sei sem que mo digam.

'La Solitude' era estúpido: soaria a vagidos de virgem arrependida, qualquer merda desse género. 'Les anarchistes' é chato de tanto déjà vu. Appolinaire e a sua Musa era demasiado óbvio para cair em tal esparrela. 'Tu ne dis jamais rien' é provavelmente a minha preferida mas... não era essa hoje, não: passível de mal-entendidos: liminarmente riscada para o momento musical do dia. entre 'Elsa' e a 'My Way' do seu antónimo... então até metia a segunda...!
nos sismos orgânicos do arfar diário, a cada estremeção a memória fica sempre um pouco mais curta :( restam 'La mort des loups' e 'Requiem'.

fica então 'Requiem', de 1975



* vénia pela expressão a quem ela é devida. que o itálico se entreleia como Homenagem, e explicitamente nunca como plágio. mesmo que me encontre incapaz de escrever dois parágrafos que ericem pêlos da nuca, em glória uma dobra na página, há por aqui uns rascunhos amarfanhados entranhas abaixo que me lembram como se faz, pois, pouco, mas fi-lo. à merda a hipocrisia da falsa modéstia, sanita igual à da cagança pedante - falo do meu Eu e ninguém tem nada com isso. e, se mesmo assim altercando decidi escrevê-lo, o blogue é meu, a merda é minha. lê-me quem quiser. afinal que é isto dos blogues senão musicais e monólogos? Hyde Park, meu rico Hyde Park que estás tão longe e só te subo ao banquinho via Internet... :(

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

serenity



(foto "barco em mar sereno" de Atílio Francisco Pinho, encontrada aqui. vénia)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

spirit




(foto - com letra de música incluída - no estimável La force des choses. vénia grata por evitar-me escrever duas ou mil linhas)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

que vale um blogue?




blogar embrenha-se na identidade, e desse cruzamento híbrido ressentem-se as bússolas e outros órgãos que nos norteiam. em resumo, é hora de levar a máquina à inspecção periódica pois há sons que inquietam, e receio avarias graves.

com menos de meia linha tinha dito só assim: pausa. pausa na virtualidade pois somos pessoas absolutamente normais, tanto que no íntimo não existe a hipótese de escrever textos e guardá-los como rascunho: após editado extra virtualidade nunca mais é apagado, por na massa humana não existir aquele privilégio tecnológico. por isso... pausa.

mas voltarei. sei que gosto demais disto para abandonar como quem deixa de fumar. e, eu, nem isso consigo fazer.


(imagem daqui. grata vénia. PS de hoje,15/9: e leiam o texto porque... )

domingo, 7 de setembro de 2008

e quem não... ?



É-me impossível garantir que era esta a música que soava quando, a pisadelas tantas na pista de dança da 'discoteca-boite Folclore', primeiro andar da praça de touros 'Monumental' da então Lourenço Marques, um raio de lua conseguiu penetrar o cimento armado da minha timidez e dei, recebi, o meu primeiro 'french kiss', mais a mais pela que, então, eu morria em versinhos de amor. Porém, quase de certeza que foi este um dos sons que se apagou como tudo o mais se evaporou, pois deixei de ver, ouvir, e sentir além do murro de sensações que me atingiu, derrubou-me, e mal a orquestra parou e o resto dos pares parou de roçar-se e os nossos corpos se descolaram, corri para fora, ávido de ar, tremendo, chorando intimamente de alegria e anestesiado de tudo, pois nada mais existia que aquela nova sensação: ser beijado e beijar, as línguas saboreando-se até ao mais profundo do trémulo peito. Quem não se lembra do seu...?
Eu lembrei-me, e por portas travessas. Nesta troca de 'piropos' musicais que servem de desculpa para revisitar(mo-nos) o tempo dos sonhos perpétuos, hoje o Macua foi buscar artilharia pesada que, embora me desse um pulo no coração - ele 'sabe', ele sabe, já me tirou o retrato ;-) ... -, acontece que calha por ora a minha permanente vivência nostálgica esteja numa fase de "período meloso" de recordações, daqueles em que se sente um aperto no peito quando se revivem os momentos de paixão.
Algures no Xicuembo '1' - e está no Xicuembo - livro - recordei a manhã seguinte ao 'primeiro beijo', ainda ardendo nas areias não menos quentes da praia da Costa do Sol. Depois, julgo que no (O Vazio) - sem links individuais quer para um ou para o outro post, não tenho a menor ideia das suas datas - faço pequena correcção ao 'primeiro beijo' pois recordei outro prévio àquele que assim o recordo, porém em idade e circunstãncias que não me permitiram fruí-lo na áurea própria de romantismo em que deve acontecer para ser... perfeito. Além de que o cronologicamente 'primeiro' foi trocado com uma desconhecida, e este emocionalmente o 'primeiro' foi-o com quem então amava com a intensidade dos amores impossíveis, de todos os melhores pois essas dores de peito e lágrimas de paixão são mais doces na sua dor - que é falsa pois é saborosa, que outro que se consume sem passar por esse estágio formativo da sensibilidade que é Sofrer por Amor. Opinião pessoal e filha da minha experiência, aceito "na boa" que contrárias tenham(-vos) melhor sabor.
... e assim, ainda na dúvida mas quase com certezas, chego a Percy Sledge e ao celebérrimo "When a man loves a woman", fundo musical que arrastou os meus lábios hesitantes ao longo da linha do seu queixo, vindos duma primeira carícia no lóbulo da orelha, percorreram hesitantes e com o coração aos pulos um trajecto que, então, ela, avé!, abreviou e em atalho fez os seus lábios seguirem de encontro aos meus... e o cantor e o mundo e tudo terminaram a sua existência, pois eu imolava-me de prazer naquela fogueira que me tomou e mais algum fósforo novamente ateou.
Ao contrário do que por aqui e ali 'gloso', quer seja como "mangusso" ou como "Frei" ou outro personagem qualquer, fui e sou um tímido nos relacionamentos amorosos, e vivi-os um a um com a intensidade suficiente para, caso tais prémios existissem, em cada deles ser sério candidato a "romântico" do mês, ou do ano, ou apenas o do sonhador-romântico que sempre fui e, acho que felizmente, disso ainda sobraram résteas em brasas que por vezes a brisa de viver avivam. Fogo sagrado, que se acende reacende ou explode em fagulhas... "when a man loves a woman...", benesse mor de se Viver. Das melhores razões por que tenho pena em envelhecer. É que se o amor não conhece idades, certo, a base da ampulheta tempo a tempo vai acumulando e pesando, qual cúpula de campa que assinala a presença dum defunto. E esses não dançam mais.



Carlos Gil


Faça você também Que gênio-louco é você? Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia

sábado, 6 de setembro de 2008

Charlie Brown


Durante quase todo o ano costumo deixar a janela do quarto entreaberta. Não espero a visita de magos ou fadas, e estou velho demais para Peter Pan eleger-me para com ele voar para a Terra do Nunca. Não que o não lamente mas a acontecer declinaria: sei da idade e peso das minhas asas que, qual albatroz vetusto, não se afasta já muito da sua ilha-pouso. Que espero afinal, além de ocasionais mosquitos que se banqueteiam com o meu corpo inerte? Em consciência não sei dizê-lo com a precisão que a repetição do acto impõe a quem se indague, ou se preocupe ou entretenha em estabelecer ligações psicológicas entre as rotinas e a profundidade do inconsciente onde se pescarão as razões. Eu, se me ponho a pensar no porquê de não cerrar completamente o meu quarto à vida dele exterior, cismo que mantenho a tal fresta por desejar a visita duma brisa, um sopro de ar que acorde o meu corpo adormecido, e nesse acordar de pêlos eriçados haja um arrepio de prazer e não a dor da mordidela doutro mosquito, vampiro e onanista porque me usa e chupa em silêncios que não me despertam durante as noites que me marcam e entristecem o corpo e os dias, espelho dixit.
Coisas de sonhador com cardápio quase gasto, está visto, daqueles teimosos que continuam a acreditar que é possível por uma janela entreaberta entrar um cometa com pó mágico de estrelas, e dessa visita ganhar um despertar espreguiçado de sonhador saciado, em paz com os seus fantasmas nocturnos e livre de mosquitos onanistas. Quimeras. Mas mantenho a janela entreaberta, embora o meu corpo pague a ilusão com as muitas marcas arroxeadas que exibe mas oculto, ferroadas que por ela entram e a solidão adormecida que, exultantes, encontram.

Charlie Brown – uma das minhas alcunhas enquanto jovem, dos ‘Peanuts’, tem um amigo, Linus, que transporta sempre consigo um velho cobertor que, só ele personagem, seu pai Schulz enquanto vivo mas que eu saiba nem em testamento revelou a razão, ou as rugas meditativas de cada seu leitor saberão do porquê de tal fixação. Eu, que outrora fui Charlie Brown mas no caminhar d’entretanto perdi o fio à meada e à sua banda desenhada, não transporto nenhum cobertor mesmo que ilusório e, que saiba, nunca me apercebi dalgum meu amigo fazê-lo. O que mais se me aproximará como fetiche misterioso será a almofada, bem real, que abraço em posição fetal virado para a frincha entreaberta, porta de entrada de mosquitos algozes que me desfiguram as costas desprotegidas, mas teimosamente via aberta para cometas ou fadas que se percam nas tantas vias dos céus nocturnos e calhem visitar-me, ou que eu invoque quando necessito dum embalo para nanar.
Hoje, ela, brilhava. Não de lágrimas ou restos de luar, sequer de sémen pois as erecções nocturnas efectivamente acontecem. A minha almofada brilhava, e assim regresso à personagem Charlie Brown. Indiferente ao que o leitor pensará, quer da fresta, da almofada, de cometas, fadas ou mosquitos. Isso é vosso trabalho intelectual, não meu. Eu? eu aproveito o momento e abraço-a, desperto pelo brilho com que ela acordou nos meus braços. Vindo da janela emperrada em não se cerrar por inteiro, nem o sr. dr. Freud ou algum mestre marceneiro melhor o explicariam.


(imagem daqui. vénia.)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

post de discos pedidos: os "America"

a provocação e a dúvida sobre a retaliação já eram folha de Acta. faltava decidir, pois a escolha era muita e estava indeciso...
mas, hoje, o agente provocador 'picou-me' deixando sugestão de banda, e com dois temas alternativos...
ora as violas são três... que fazer? "elementar, caro Macua": levas três e - please..! - não deites nenhuma fora pois vi-me à rasca para me ater só a este trio... ;-)







... um dia destes "falamos" dos Amon Dull... tenho uma 'boa' para contar: daquelas que a memória trás com este marulhar que sai do baú do YouTube: uma tarde louca no Hotel Tivoli, LM obviamente, com uns 'estranjas' barbudos, bêbados, gajos porreiros que pagavam a despesa toda mas com tal aspecto que o empregado do bar do hotel, quando nos levava mais uma bandeja de cervejas poisava-a no chão, batia à porta e dava de fróxes antes de a abrirmos :-))
então estava longe de saber quem eram, até porque das falas deles nem eu nem o Malico nada percebíamos e até nos pareciam 'boers'.... largos meses depois, talvez até um ano ou mais, já 'cá', folheando lp's numa "discoteca" da Baixa lisboeta o título duma faixa - "Mozambique" - atrai-me, abro o álbum (ou viro-o, sei lá já...) e dou com as caras chapadas dos beberolas janados, companheiros ocasionais e patrocinadores líquidos daquela tarde louca não tão antiga ainda, então...
pedi para ouvir umas faixas: o álbum era execrável. provavelmente ainda estavam bêbados e charrados quando o gravaram: não o comprei. mas fumáramos da (nossa) erva e beberamos as cervejas (deles) juntos, ai isso sim, sim... cambada de malucos! :-))
tempos únicos. e, hoje já a caminhar para velho jarreta a escrever estas coisas práqui, um sem-vergonha, qualquer dia os meus filhos vêm languçar o que o "velhote" anda a escrever no blogue e dá-lhes uma solipampa... talvez não: eles já me chamam (e desculpam, I hope...) de "extravagante", "coisas de artista": é meio caminho andado para não só entenderem o presente como darem um descontozito ao passado, fico grato e vejam lá mazé se não me seguem as pégadas, ok? ;)

domingo, 31 de agosto de 2008

Robert Walser




demorei anos e uns meses a encontrá-lo, papel na mão. tanto. aqui e ali ia lendo 'referências' e calhou agora surgir a oportunidade. tanto e tão belo, repito.
e fico a pensar na tanta porcaria que li quando bem podia dedicar o meu tempo a ler exclusivamente quem sabe escrever sem caganças, afinal o que conta porque vive-se pelo prazer, senti-lo e também aprender a contá-lo.

(foto de Walser daqui.)

domingo, 24 de agosto de 2008

Frei


defenição ad-hoc "dum Frei":


há um 'Frei' dentro de mim. de Todos.

- o duelo entre a Tentação e o Proibido.
- o passo correcto e a súbita cabriola.
- o dar um grito no meio do rugir malsão e silencioso da multidão.
- declamar um poema de Eduardo White numa carruagem de Metro.
- em dia de bodas de prata, um piropo elegante a uma desconhecida.
- a adrenalina de pular a cerca e a do receio das consequências de ser apanhado com as cuecas na mão.
- os olhos malandros, meio-gaiatos meio-predadores, enquanto no seu "das 9 às 17" atende uma cliente e interroga-se se para o jantar a querida megera descongela a sopas de ervilhas ou é peixe cozido.
- o espreitar as pernas da prima e corar de vergonha mesmo não estando a ser topado.

em abreviado, um mangusso por vocação com votos, juras, compromissos ou convenções que o castram.


... tudo isto é "o Frei". e ele está em cada Homem que ainda não morreu dessa condição e género. dicotomia eterna, eu dela suado usufrutuário

Frei Web

sábado, 23 de agosto de 2008

"Fumar Mata"; mas há outras coisas doces...




não me importo de andar seis quarteirões para ir ler o jornal num café onde se possa fumar.

mas havendo cá no bairro um profissional de hotelaria-fundamentalista com uma placa destas na porta... de vez em quando dava uma 'facadinha'... :-)



(Imagem gamada num blogue que depravadamente frequento, sem que 'assim' me sinta quando "lá dentro". vénia, gracias e beijinhos)

Pequim '08




premonição da cerimónia de encerramento & distribuição de sobras



(foto já nem sei donde. da Web...)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

um destino cumpre-se
nas escolhas que se assumem
e são a força do que vais sendo.
o mistério revela-se quando a dúvida
emerge e te bloqueia.
mas o teu destino é a
loucura.

estou no centro de uma encruzilhada
no zero difícil dos pontos cardeais:
há um caminho a decidir -
vou sentar-me e descansar um pouco.

João Moita, "O livro do insurrecto", Corpos Editora, 2006

"Já cá tou"


Tive de fazer quase uma manif para ainda hoje vir para casa mas... "já cá tou!". Eu conto, ó se conto, até porque trouxe na bagagem ilusória duas enfermeiras que, mais a “webina”*, vão deixar-me... pronto a voltar pra lá! "isto já não é o que nunca foi": estou farto de dizê-lo mas elas quiseram vir, o que é que eu havia de fazer? negas? ná.... por enquanto e muy orgulhosamente a elas, às negas, suspiro de alívio ao escrever "ná...", sem pesos adicionais nos alforges de pecadilhos que já carrego, para quando chegar a vez e descarregar tudo na secretária do S.Pedro, e ele que faça a triagem… Bem, deixem-se as profundezas do Além e vamos à manif:

Fui internado na Cirurgia pois foi nesse serviço que me começaram a tratar e detectaram a doença e onde, obviamente, assistem-me sempre após o talhante encartado e diplomado praticar mais um bocadito comigo – ou haver promessas de tal. Por isso, sempre que sou hospitalizado, mesmo que não requeira intervenção cirúrgica - como desta vez felizmente foi o caso - é para lá que a urgência me encaminha. Enfim, "elas" vão-se renovando com os anos mas eu ando sempre d'olho atento às "renovações de stock" e conheço (e conhecem-me... “sou da casa”, dizem… ) as enfermeiras todas pelo nome.

Aqui abro parênteses e vocês pasmem: vou dizer bem do Sócrates! Antes que alguém ceda à tentação de me lapidar, explico-me: não é que entre o ano passado e este "ele" conseguiu que quatro respeitáveis moçoilas, assim já a puxar para avós, ou se não o eram ainda já tinham idade para sê-lo e deviam mas é ter uma conversa a sério com as suas proles que tão pouco profícuas ao assunto se mostram, enfim, ando aqui à volta e às voltinhas para dizer que quatro velhas caras conhecidas de semi-reformadas se reformaram mesmo, e entraram para as vagas umas carinhas angelicais que fazem duma injecção um acto de amor, dum penso um afago, deixam no ar sorrisos que poêm um moribunbo acordado até às calendas sonhando com o Céu, umas fardinhas branco d'anjo com cintados e curvilíneos que além de fazerem justiça ao presumível conteúdo, fazem acamados erguerem-se dos leitos sem artes ou milagre de medicina ou do Além? Enfim, uma fornada '08 de fazer empalidecer qualquer catálogo Versace ou Yves St.Laurent (não me pronuncio sobre os portfolios 'GC' e 'Maxmen' não só pelo pudor que qualquer de vocês já me conhece e reconhece: é prematuro, e pró ano certamente haverá mais...)

Ora deixando as delícias hospitalares e voltando ao seu sabor acre, quero dizer: à minha manif solitária e às razões que me levaram a tão radical acto, eu! eu, um gajo do mais pacato, cordato, ajuizado e acomodado que há, sabeis!..., aqui vai:

Ontem o meu médico disse-me que me dava alta hoje. Ouro. Ouro em palavras, que igual nem em Pequim às rodelas de salame para pendurar ao pescoço. Hoje, dia X, ainda não eram 9 da manhã já tinha a mala feita e a roupinha "de sair" toda alinhada em cima da cama, fui ao quiosque do Hospital comprar o jornal e avisei a famelga que estava com uma traça danada e era simpático um almoço apuradinho pois haveria novamente mais um lugar à mesa. Bem, quanto ao jornal li-o de trás prá frente e da frente pra trás, incluindo os avisos do fisco e os editais dos tribunais, fiz as cruzadas, no resto aborreci-me de morte a vigiar os elevadores e assisti na TV às Olimpíadas e, na parte da tarde, ao tentar enganar o Tempo, ainda o tive para ver o Nélson dos pulos salvar a honra cá da malta. Pelo final da manhã ameaçara as enfermeiras com uma greve se o médico não aparecesse para me assinar o papel da 'alta', mas fiquei sem resposta quando me perguntaram: "greve? Ok. Mas greve a quê?" - e de nada de relevante me lembrei face à condição. Amuei, etc, e mete bocado nesse etc. E porquê?

O dr. G. - o tal "meu médico" - obviamente que é “cirurgião”, talhante de humanóides e não de bovinos, ovinos, caprinos, aves de capoeira e orelhudos. E não é que o raio do homem NÃO teve a lembrança de assinar a minha papelada de soltura antes de se pôr a esquartejar? É que ele, acresce, gosta do que faz: eu nunca o vi em exercício, pois quando haveria disso oportunidade põem-me a dormir com coisas ainda mais fortes que o "cheirinho da Lóló" dos meus tempos de menino e moço. Mas, quando nas consultas estou sentado face a face com ele, enquanto preenche papeladas e mexe no computador, pica aqui pica acolá, ao olhá-lo nunca consigo afastar da mente a imagem de navalhas, serrotes e machados nas mãos, e um sorriso d’abano a abano que nem um Barack Obama ensanguentado! é que ele gosta de ser talhante-diplomado de 1ª Classe (Gosta! notem bem: gosta! "vê-se" na cara, nos olhos que quando me observam 'vejo-lhes' o olhar-talhante na procura instintiva do melhor local para espetar a naifa, no nunca faltar um dia à navalha e ao serrote!) e, quando é dia dele estar ao balcão a aviar a freguesia, não sai de lá até o último cliente abalar, de muletas por não ter ainda ter prática de pé-coxinho!

... e se ele, lavado do sangue e cartilagens que certamente o cobriam da cabeça aos pés finda a função, abalava para casa, o sorriso feliz nos lábios do após um dia de trabalho produtivo? sem subir à enfermaria e assinar os MEUS papéis? Viver é penar, e disso até todos nos desenrascamos, coitado de quem ainda não o aprendeu. Mas pior é estar preso à distância duma (prometida) assinatura de soltura, e essa caneta nem vê-la!....

Não almocei. Um terço, porque nem vontade havia; outro pedaço, para a ameaça de "greve" subir do magro estatuto de bravata e passar a alguma consistência, ajudar-me a recuperar o amor-próprio; e o último triângulo do queijo para, aproveitando a deixa, mandar para trás o peixe e as batatas cozidas sem tempero.Ninguém se preocupou, pois pratos de peixe cozido e insonso que voltam para trás intocados é o dia-a-dia lá pelas enfermarias.

Havia necessidade de medidas com maior impacto. Havia que agir. Um Homem é um Homem, e um Homem já de mala feita quer é pôr-se ao caminho!

Assim cheguei à manif. Como quem por lá já passou sabe, as enfermarias têm os quartos em comboio e um longo corredor que lhes serve de linha de manutenção e abastecimento. Ainda de pijama - sim! com tanta enfermeira noviça e a que ainda não agraciara com a visão plena e extensa dos meus cinquentenários atributos físicos, ia lá esconder as pernas até à última hora, eu hein? - bem, abreviando e fazendo linha antes de embalar e perder-me em ramais, para local de protesto escolhi o meio do corredor, em frente ao gabinete das enfermeiras, e sentei-me no chão, virado prá porta de acesso à enfermaria para que o talhante-sem-relógio me visse mal entrasse...

Nos entretantos, entre o rabo no chão e a chegada do Salvador, ainda ocorreram duas coisas: alma caridosa vestida de branco (mas com pêlos na cara - desses não fixo o nome, nunca fixei e não quero nunca vir a fixar) apiedou-se e foi buscar-me um banquinho, argumentando com lógica irrefutável que o meu protesto não perdia nem sentido nem intensidade se estivesse mais confortável. Aquiesci, aliás o meu rabo disse logo que sim. A outra inovação à manif é que fiz dois cartazes, para: a) silenciar as perguntas "o que é que o gajo está ali a fazer?" e, b), dar maior impacto mediático à minha indignação pelo destempero horário do açougueiro-mor. Malta amiga, solidária e cheia de frou-frous, ouso até pensar que já com saudades de mim "e até pró ano", forneceu-me folhas A4 e caneta e fui-me a elas. Um dizia: "Abaixo as Baixas! Acima as Altas!", o outro "Buááá! quero dormir na minha caminha!". E assim fiquei.

Rondavam as 16 h quando a porta lá se abriu e o bom do dr. G. arregala os olhos, não evita um sorriso e diz-me ainda a distância que não o deixava ler as obras-primas literárias daquele revolucionário, pré-alta e em apuros: "ah ah ah! isso são as análises a dizer que já estás bom, ó Carlos?"

E pronto. Como se chibou a outra "Foi Assim". Já cá tou. A cozinha continua intragável mas há quatro enfermeiras novas e todo o mais é como elas: não tenho bolsos com estrelas suficientes para dizê-lo e dizê-las: tratam-me como um príncipe!…

e cá tou! :-)



*”webina”: mulher do “web”, nick que uso habitualmente na net (Grupos MSN, Fóruns) para assinar mensagens.

NOTA: post igualmente publicado no blogue NOVA ÁGUIA

(imagem daqui. vénia)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

(...)

uma necessidade inadiável de ver ao vivo a colecção '08 das enfermeiras do HDS fez-me entrar em retiro.
aplacada a sede, o blogue segue dentro de momentos.

sábado, 16 de agosto de 2008

passei-me!

Woodstock! dos filmes que mais mexeram comigo (pudera...)
ainda com o mesmo culpado, e, na dificuldade de escolha, aqui vão meia-dúzia de videos para relembrar - e muitos, muitos ficam na 'gaveta' que agora aberta já é de facto et de jure inundação...



(Santana, com um solo de bateria inesquecível...)



(Joe Cocker...)



(Ten Years After - Alvin Lee....)



(Janis Joplin...)



(Hendrix... inesquecível, inimitável, único!)



(Joan Baez "Joe Hill"... aquelas palavras FALARAM então TANTO....)



(a fechar - por enquanto - o "mote" que abriu a comporta: Crosby, Stils & Nash em "Suite: Judy blue eyes"

este man dá comigo em doido ;-)
vocês acreditam que nos últimos dois/três meses tenho ouvido mais Música que nos últimos anos? e... felizmente! thanks, Amigo!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008