
sábado, 4 de outubro de 2008
:)
sábado, 27 de setembro de 2008
monogamia rima com "mamma mia"?
Paul Newman

quinta-feira, 25 de setembro de 2008
memoires
mas os sentimentos subordinam a vontade. bailava-me, xiricava-me* na memória apenas um nome: Léo Ferré. estava então decidido: hoje, 25 que se sucede a 24 tal como o amanhã ganhará lugar ao hoje e findo o Verão se entra no Outono, neste Hoje há Léo Ferré. há, porque cá também mora um inconformista e quero preservá-lo . e teimoso, sei. sei sem que mo digam.
'La Solitude' era estúpido: soaria a vagidos de virgem arrependida, qualquer merda desse género. 'Les anarchistes' é chato de tanto déjà vu. Appolinaire e a sua Musa era demasiado óbvio para cair em tal esparrela. 'Tu ne dis jamais rien' é provavelmente a minha preferida mas... não era essa hoje, não: passível de mal-entendidos: liminarmente riscada para o momento musical do dia. entre 'Elsa' e a 'My Way' do seu antónimo... então até metia a segunda...!
nos sismos orgânicos do arfar diário, a cada estremeção a memória fica sempre um pouco mais curta :( restam 'La mort des loups' e 'Requiem'.
fica então 'Requiem', de 1975
* vénia pela expressão a quem ela é devida. que o itálico se entreleia como Homenagem, e explicitamente nunca como plágio. mesmo que me encontre incapaz de escrever dois parágrafos que ericem pêlos da nuca, em glória uma dobra na página, há por aqui uns rascunhos amarfanhados entranhas abaixo que me lembram como se faz, pois, pouco, mas fi-lo. à merda a hipocrisia da falsa modéstia, sanita igual à da cagança pedante - falo do meu Eu e ninguém tem nada com isso. e, se mesmo assim altercando decidi escrevê-lo, o blogue é meu, a merda é minha. lê-me quem quiser. afinal que é isto dos blogues senão musicais e monólogos? Hyde Park, meu rico Hyde Park que estás tão longe e só te subo ao banquinho via Internet... :(
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
spirit

(foto - com letra de música incluída - no estimável La force des choses. vénia grata por evitar-me escrever duas ou mil linhas)
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
que vale um blogue?

com menos de meia linha tinha dito só assim: pausa. pausa na virtualidade pois somos pessoas absolutamente normais, tanto que no íntimo não existe a hipótese de escrever textos e guardá-los como rascunho: após editado extra virtualidade nunca mais é apagado, por na massa humana não existir aquele privilégio tecnológico. por isso... pausa.
mas voltarei. sei que gosto demais disto para abandonar como quem deixa de fumar. e, eu, nem isso consigo fazer.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
e quem não... ?
É-me impossível garantir que era esta a música que soava quando, a pisadelas tantas na pista de dança da 'discoteca-boite Folclore', primeiro andar da praça de touros 'Monumental' da então Lourenço Marques, um raio de lua conseguiu penetrar o cimento armado da minha timidez e dei, recebi, o meu primeiro 'french kiss', mais a mais pela que, então, eu morria em versinhos de amor. Porém, quase de certeza que foi este um dos sons que se apagou como tudo o mais se evaporou, pois deixei de ver, ouvir, e sentir além do murro de sensações que me atingiu, derrubou-me, e mal a orquestra parou e o resto dos pares parou de roçar-se e os nossos corpos se descolaram, corri para fora, ávido de ar, tremendo, chorando intimamente de alegria e anestesiado de tudo, pois nada mais existia que aquela nova sensação: ser beijado e beijar, as línguas saboreando-se até ao mais profundo do trémulo peito. Quem não se lembra do seu...?
Eu lembrei-me, e por portas travessas. Nesta troca de 'piropos' musicais que servem de desculpa para revisitar(mo-nos) o tempo dos sonhos perpétuos, hoje o Macua foi buscar artilharia pesada que, embora me desse um pulo no coração - ele 'sabe', ele sabe, já me tirou o retrato ;-) ... -, acontece que calha por ora a minha permanente vivência nostálgica esteja numa fase de "período meloso" de recordações, daqueles em que se sente um aperto no peito quando se revivem os momentos de paixão.
Algures no Xicuembo '1' - e está no Xicuembo - livro - recordei a manhã seguinte ao 'primeiro beijo', ainda ardendo nas areias não menos quentes da praia da Costa do Sol. Depois, julgo que no (O Vazio) - sem links individuais quer para um ou para o outro post, não tenho a menor ideia das suas datas - faço pequena correcção ao 'primeiro beijo' pois recordei outro prévio àquele que assim o recordo, porém em idade e circunstãncias que não me permitiram fruí-lo na áurea própria de romantismo em que deve acontecer para ser... perfeito. Além de que o cronologicamente 'primeiro' foi trocado com uma desconhecida, e este emocionalmente o 'primeiro' foi-o com quem então amava com a intensidade dos amores impossíveis, de todos os melhores pois essas dores de peito e lágrimas de paixão são mais doces na sua dor - que é falsa pois é saborosa, que outro que se consume sem passar por esse estágio formativo da sensibilidade que é Sofrer por Amor. Opinião pessoal e filha da minha experiência, aceito "na boa" que contrárias tenham(-vos) melhor sabor.
... e assim, ainda na dúvida mas quase com certezas, chego a Percy Sledge e ao celebérrimo "When a man loves a woman", fundo musical que arrastou os meus lábios hesitantes ao longo da linha do seu queixo, vindos duma primeira carícia no lóbulo da orelha, percorreram hesitantes e com o coração aos pulos um trajecto que, então, ela, avé!, abreviou e em atalho fez os seus lábios seguirem de encontro aos meus... e o cantor e o mundo e tudo terminaram a sua existência, pois eu imolava-me de prazer naquela fogueira que me tomou e mais algum fósforo novamente ateou.
Ao contrário do que por aqui e ali 'gloso', quer seja como "mangusso" ou como "Frei" ou outro personagem qualquer, fui e sou um tímido nos relacionamentos amorosos, e vivi-os um a um com a intensidade suficiente para, caso tais prémios existissem, em cada deles ser sério candidato a "romântico" do mês, ou do ano, ou apenas o do sonhador-romântico que sempre fui e, acho que felizmente, disso ainda sobraram résteas em brasas que por vezes a brisa de viver avivam. Fogo sagrado, que se acende reacende ou explode em fagulhas... "when a man loves a woman...", benesse mor de se Viver. Das melhores razões por que tenho pena em envelhecer. É que se o amor não conhece idades, certo, a base da ampulheta tempo a tempo vai acumulando e pesando, qual cúpula de campa que assinala a presença dum defunto. E esses não dançam mais.
Carlos Gil

Faça você também Que gênio-louco é você? Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia
sábado, 6 de setembro de 2008
Charlie Brown

Durante quase todo o ano costumo deixar a janela do quarto entreaberta. Não espero a visita de magos ou fadas, e estou velho demais para Peter Pan eleger-me para com ele voar para a Terra do Nunca. Não que o não lamente mas a acontecer declinaria: sei da idade e peso das minhas asas que, qual albatroz vetusto, não se afasta já muito da sua ilha-pouso. Que espero afinal, além de ocasionais mosquitos que se banqueteiam com o meu corpo inerte? Em consciência não sei dizê-lo com a precisão que a repetição do acto impõe a quem se indague, ou se preocupe ou entretenha em estabelecer ligações psicológicas entre as rotinas e a profundidade do inconsciente onde se pescarão as razões. Eu, se me ponho a pensar no porquê de não cerrar completamente o meu quarto à vida dele exterior, cismo que mantenho a tal fresta por desejar a visita duma brisa, um sopro de ar que acorde o meu corpo adormecido, e nesse acordar de pêlos eriçados haja um arrepio de prazer e não a dor da mordidela doutro mosquito, vampiro e onanista porque me usa e chupa em silêncios que não me despertam durante as noites que me marcam e entristecem o corpo e os dias, espelho dixit.
Coisas de sonhador com cardápio quase gasto, está visto, daqueles teimosos que continuam a acreditar que é possível por uma janela entreaberta entrar um cometa com pó mágico de estrelas, e dessa visita ganhar um despertar espreguiçado de sonhador saciado, em paz com os seus fantasmas nocturnos e livre de mosquitos onanistas. Quimeras. Mas mantenho a janela entreaberta, embora o meu corpo pague a ilusão com as muitas marcas arroxeadas que exibe mas oculto, ferroadas que por ela entram e a solidão adormecida que, exultantes, encontram.
Charlie Brown – uma das minhas alcunhas enquanto jovem, dos ‘Peanuts’, tem um amigo, Linus, que transporta sempre consigo um velho cobertor que, só ele personagem, seu pai Schulz enquanto vivo mas que eu saiba nem em testamento revelou a razão, ou as rugas meditativas de cada seu leitor saberão do porquê de tal fixação. Eu, que outrora fui Charlie Brown mas no caminhar d’entretanto perdi o fio à meada e à sua banda desenhada, não transporto nenhum cobertor mesmo que ilusório e, que saiba, nunca me apercebi dalgum meu amigo fazê-lo. O que mais se me aproximará como fetiche misterioso será a almofada, bem real, que abraço em posição fetal virado para a frincha entreaberta, porta de entrada de mosquitos algozes que me desfiguram as costas desprotegidas, mas teimosamente via aberta para cometas ou fadas que se percam nas tantas vias dos céus nocturnos e calhem visitar-me, ou que eu invoque quando necessito dum embalo para nanar.
Hoje, ela, brilhava. Não de lágrimas ou restos de luar, sequer de sémen pois as erecções nocturnas efectivamente acontecem. A minha almofada brilhava, e assim regresso à personagem Charlie Brown. Indiferente ao que o leitor pensará, quer da fresta, da almofada, de cometas, fadas ou mosquitos. Isso é vosso trabalho intelectual, não meu. Eu? eu aproveito o momento e abraço-a, desperto pelo brilho com que ela acordou nos meus braços. Vindo da janela emperrada em não se cerrar por inteiro, nem o sr. dr. Freud ou algum mestre marceneiro melhor o explicariam.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
post de discos pedidos: os "America"
domingo, 31 de agosto de 2008
Robert Walser

e fico a pensar na tanta porcaria que li quando bem podia dedicar o meu tempo a ler exclusivamente quem sabe escrever sem caganças, afinal o que conta porque vive-se pelo prazer, senti-lo e também aprender a contá-lo.
(foto de Walser daqui.)
domingo, 24 de agosto de 2008
Frei
defenição ad-hoc "dum Frei":
há um 'Frei' dentro de mim. de Todos.
- o duelo entre a Tentação e o Proibido.
- o passo correcto e a súbita cabriola.
- o dar um grito no meio do rugir malsão e silencioso da multidão.
- declamar um poema de Eduardo White numa carruagem de Metro.
- em dia de bodas de prata, um piropo elegante a uma desconhecida.
- a adrenalina de pular a cerca e a do receio das consequências de ser apanhado com as cuecas na mão.
- os olhos malandros, meio-gaiatos meio-predadores, enquanto no seu "das 9 às 17" atende uma cliente e interroga-se se para o jantar a querida megera descongela a sopas de ervilhas ou é peixe cozido.
- o espreitar as pernas da prima e corar de vergonha mesmo não estando a ser topado.
em abreviado, um mangusso por vocação com votos, juras, compromissos ou convenções que o castram.
... tudo isto é "o Frei". e ele está em cada Homem que ainda não morreu dessa condição e género. dicotomia eterna, eu dela suado usufrutuário
Frei Web
sábado, 23 de agosto de 2008
"Fumar Mata"; mas há outras coisas doces...

mas havendo cá no bairro um profissional de hotelaria-fundamentalista com uma placa destas na porta... de vez em quando dava uma 'facadinha'... :-)
(Imagem gamada num blogue que depravadamente frequento, sem que 'assim' me sinta quando "lá dentro". vénia, gracias e beijinhos)
Pequim '08
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
nas escolhas que se assumem
e são a força do que vais sendo.
o mistério revela-se quando a dúvida
emerge e te bloqueia.
mas o teu destino é a
loucura.
estou no centro de uma encruzilhada
no zero difícil dos pontos cardeais:
há um caminho a decidir -
vou sentar-me e descansar um pouco.
João Moita, "O livro do insurrecto", Corpos Editora, 2006
"Já cá tou"

Tive de fazer quase uma manif para ainda hoje vir para casa mas... "já cá tou!". Eu conto, ó se conto, até porque trouxe na bagagem ilusória duas enfermeiras que, mais a “webina”*, vão deixar-me... pronto a voltar pra lá! "isto já não é o que nunca foi": estou farto de dizê-lo mas elas quiseram vir, o que é que eu havia de fazer? negas? ná.... por enquanto e muy orgulhosamente a elas, às negas, suspiro de alívio ao escrever "ná...", sem pesos adicionais nos alforges de pecadilhos que já carrego, para quando chegar a vez e descarregar tudo na secretária do S.Pedro, e ele que faça a triagem… Bem, deixem-se as profundezas do Além e vamos à manif:
Fui internado na Cirurgia pois foi nesse serviço que me começaram a tratar e detectaram a doença e onde, obviamente, assistem-me sempre após o talhante encartado e diplomado praticar mais um bocadito comigo – ou haver promessas de tal. Por isso, sempre que sou hospitalizado, mesmo que não requeira intervenção cirúrgica - como desta vez felizmente foi o caso - é para lá que a urgência me encaminha. Enfim, "elas" vão-se renovando com os anos mas eu ando sempre d'olho atento às "renovações de stock" e conheço (e conhecem-me... “sou da casa”, dizem… ) as enfermeiras todas pelo nome.
Aqui abro parênteses e vocês pasmem: vou dizer bem do Sócrates! Antes que alguém ceda à tentação de me lapidar, explico-me: não é que entre o ano passado e este "ele" conseguiu que quatro respeitáveis moçoilas, assim já a puxar para avós, ou se não o eram ainda já tinham idade para sê-lo e deviam mas é ter uma conversa a sério com as suas proles que tão pouco profícuas ao assunto se mostram, enfim, ando aqui à volta e às voltinhas para dizer que quatro velhas caras conhecidas de semi-reformadas se reformaram mesmo, e entraram para as vagas umas carinhas angelicais que fazem duma injecção um acto de amor, dum penso um afago, deixam no ar sorrisos que poêm um moribunbo acordado até às calendas sonhando com o Céu, umas fardinhas branco d'anjo com cintados e curvilíneos que além de fazerem justiça ao presumível conteúdo, fazem acamados erguerem-se dos leitos sem artes ou milagre de medicina ou do Além? Enfim, uma fornada '08 de fazer empalidecer qualquer catálogo Versace ou Yves St.Laurent (não me pronuncio sobre os portfolios 'GC' e 'Maxmen' não só pelo pudor que qualquer de vocês já me conhece e reconhece: é prematuro, e pró ano certamente haverá mais...)
Ora deixando as delícias hospitalares e voltando ao seu sabor acre, quero dizer: à minha manif solitária e às razões que me levaram a tão radical acto, eu! eu, um gajo do mais pacato, cordato, ajuizado e acomodado que há, sabeis!..., aqui vai:
Ontem o meu médico disse-me que me dava alta hoje. Ouro. Ouro em palavras, que igual nem em Pequim às rodelas de salame para pendurar ao pescoço. Hoje, dia X, ainda não eram 9 da manhã já tinha a mala feita e a roupinha "de sair" toda alinhada em cima da cama, fui ao quiosque do Hospital comprar o jornal e avisei a famelga que estava com uma traça danada e era simpático um almoço apuradinho pois haveria novamente mais um lugar à mesa. Bem, quanto ao jornal li-o de trás prá frente e da frente pra trás, incluindo os avisos do fisco e os editais dos tribunais, fiz as cruzadas, no resto aborreci-me de morte a vigiar os elevadores e assisti na TV às Olimpíadas e, na parte da tarde, ao tentar enganar o Tempo, ainda o tive para ver o Nélson dos pulos salvar a honra cá da malta. Pelo final da manhã ameaçara as enfermeiras com uma greve se o médico não aparecesse para me assinar o papel da 'alta', mas fiquei sem resposta quando me perguntaram: "greve? Ok. Mas greve a quê?" - e de nada de relevante me lembrei face à condição. Amuei, etc, e mete bocado nesse etc. E porquê?
O dr. G. - o tal "meu médico" - obviamente que é “cirurgião”, talhante de humanóides e não de bovinos, ovinos, caprinos, aves de capoeira e orelhudos. E não é que o raio do homem NÃO teve a lembrança de assinar a minha papelada de soltura antes de se pôr a esquartejar? É que ele, acresce, gosta do que faz: eu nunca o vi em exercício, pois quando haveria disso oportunidade põem-me a dormir com coisas ainda mais fortes que o "cheirinho da Lóló" dos meus tempos de menino e moço. Mas, quando nas consultas estou sentado face a face com ele, enquanto preenche papeladas e mexe no computador, pica aqui pica acolá, ao olhá-lo nunca consigo afastar da mente a imagem de navalhas, serrotes e machados nas mãos, e um sorriso d’abano a abano que nem um Barack Obama ensanguentado! é que ele gosta de ser talhante-diplomado de 1ª Classe (Gosta! notem bem: gosta! "vê-se" na cara, nos olhos que quando me observam 'vejo-lhes' o olhar-talhante na procura instintiva do melhor local para espetar a naifa, no nunca faltar um dia à navalha e ao serrote!) e, quando é dia dele estar ao balcão a aviar a freguesia, não sai de lá até o último cliente abalar, de muletas por não ter ainda ter prática de pé-coxinho!
... e se ele, lavado do sangue e cartilagens que certamente o cobriam da cabeça aos pés finda a função, abalava para casa, o sorriso feliz nos lábios do após um dia de trabalho produtivo? sem subir à enfermaria e assinar os MEUS papéis? Viver é penar, e disso até todos nos desenrascamos, coitado de quem ainda não o aprendeu. Mas pior é estar preso à distância duma (prometida) assinatura de soltura, e essa caneta nem vê-la!....
Não almocei. Um terço, porque nem vontade havia; outro pedaço, para a ameaça de "greve" subir do magro estatuto de bravata e passar a alguma consistência, ajudar-me a recuperar o amor-próprio; e o último triângulo do queijo para, aproveitando a deixa, mandar para trás o peixe e as batatas cozidas sem tempero.Ninguém se preocupou, pois pratos de peixe cozido e insonso que voltam para trás intocados é o dia-a-dia lá pelas enfermarias.
Havia necessidade de medidas com maior impacto. Havia que agir. Um Homem é um Homem, e um Homem já de mala feita quer é pôr-se ao caminho!
Assim cheguei à manif. Como quem por lá já passou sabe, as enfermarias têm os quartos em comboio e um longo corredor que lhes serve de linha de manutenção e abastecimento. Ainda de pijama - sim! com tanta enfermeira noviça e a que ainda não agraciara com a visão plena e extensa dos meus cinquentenários atributos físicos, ia lá esconder as pernas até à última hora, eu hein? - bem, abreviando e fazendo linha antes de embalar e perder-me em ramais, para local de protesto escolhi o meio do corredor, em frente ao gabinete das enfermeiras, e sentei-me no chão, virado prá porta de acesso à enfermaria para que o talhante-sem-relógio me visse mal entrasse...
Nos entretantos, entre o rabo no chão e a chegada do Salvador, ainda ocorreram duas coisas: alma caridosa vestida de branco (mas com pêlos na cara - desses não fixo o nome, nunca fixei e não quero nunca vir a fixar) apiedou-se e foi buscar-me um banquinho, argumentando com lógica irrefutável que o meu protesto não perdia nem sentido nem intensidade se estivesse mais confortável. Aquiesci, aliás o meu rabo disse logo que sim. A outra inovação à manif é que fiz dois cartazes, para: a) silenciar as perguntas "o que é que o gajo está ali a fazer?" e, b), dar maior impacto mediático à minha indignação pelo destempero horário do açougueiro-mor. Malta amiga, solidária e cheia de frou-frous, ouso até pensar que já com saudades de mim "e até pró ano", forneceu-me folhas A4 e caneta e fui-me a elas. Um dizia: "Abaixo as Baixas! Acima as Altas!", o outro "Buááá! quero dormir na minha caminha!". E assim fiquei.
Rondavam as 16 h quando a porta lá se abriu e o bom do dr. G. arregala os olhos, não evita um sorriso e diz-me ainda a distância que não o deixava ler as obras-primas literárias daquele revolucionário, pré-alta e em apuros: "ah ah ah! isso são as análises a dizer que já estás bom, ó Carlos?"
E pronto. Como se chibou a outra "Foi Assim". Já cá tou. A cozinha continua intragável mas há quatro enfermeiras novas e todo o mais é como elas: não tenho bolsos com estrelas suficientes para dizê-lo e dizê-las: tratam-me como um príncipe!…
e cá tou! :-)
*”webina”: mulher do “web”, nick que uso habitualmente na net (Grupos MSN, Fóruns) para assinar mensagens.
NOTA: post igualmente publicado no blogue NOVA ÁGUIA
(imagem daqui. vénia)
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
(...)
aplacada a sede, o blogue segue dentro de momentos.
sábado, 16 de agosto de 2008
passei-me!
ainda com o mesmo culpado, e, na dificuldade de escolha, aqui vão meia-dúzia de videos para relembrar - e muitos, muitos ficam na 'gaveta' que agora aberta já é de facto et de jure inundação...
(Santana, com um solo de bateria inesquecível...)
(Joe Cocker...)
(Ten Years After - Alvin Lee....)
(Janis Joplin...)
(Hendrix... inesquecível, inimitável, único!)
(Joan Baez "Joe Hill"... aquelas palavras FALARAM então TANTO....)
(a fechar - por enquanto - o "mote" que abriu a comporta: Crosby, Stils & Nash em "Suite: Judy blue eyes"
este man dá comigo em doido ;-)
vocês acreditam que nos últimos dois/três meses tenho ouvido mais Música que nos últimos anos? e... felizmente! thanks, Amigo!
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Truffault "mangusso"
E o que é um "mangusso"? já explicado mas repito as dicas, aqui (melhor) alinhavadas.
sábado, 9 de agosto de 2008
Yes
(aqui em versão reduzida de cada música: na banda inferior do video 'catam-se' uma a uma, integrais)
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
"A máquina do mundo"
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som dos meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado já se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto dos mistérios, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter suado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mística das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percurssão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável
em colóquio se estava dirigindo:
"o que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, por tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo."
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mas mínima - esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios de sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
pasasse a comandar minha vontade que,
já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmo abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes dispiciendo
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
Carlos Drummond de Andrade (provavelmente o seu poema meu preferido...)
(post dedicado a quem, também, tão boa Poesia nos tem dado. )
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
os 'Melting Pot'
a seguir ao video de E, L & P - e tantas músicas deles que me apetece aqui recordar..., vou meter outro, mas este é açucarado com uma memória forte, das tais que o tempo, esse sacana, nunca maculou numa única nota. "July Morning" , pelos Uriah Heep. aqui vai:
mas não é esta a versão que me fez extasiar, idos de '74, nas primeiras filas do cinema Dicca de Lourenço Marques. aí e então, ouvi o João Poitevin, vocalista dos Melting Pot cantá-la de forma que - e não é sacrilégio, não: recordo-me e recorda-se quem viu e ouviu! - menoriza(-me) esta versão, a original...
tenho de fazer a chamada "declaração de interesses", e dupla: era amigo pessoal de toda a banda, o canhoto Vasquinho (Vasco Duque Fonseca, sócio da Mizé) que tocava bateria divinamente, o João, dos outros foge-me a memória, do viola-solo nem sombras do nome mas o baixo ou era o Hélder ou o Steve, este um mulato rodesiano (ou vindo de lá no pós 25A) com cabelo "à Angela Davis" que, mais tarde e findos os Melting Pot, passou junto com o Vasco para o grupo que lhes sucedeu como 'top' do rock laurentino: os "Storm", onde o vocalista era o Figs e que deram um concerto, para mim inolvidável por razões que já conto, no cinema S. Miguel ao Alto-Maé, edifício para mim de excelentes memórias e que em nota irónica (mas não desrespeitosa) acho hoje subaproveitado como sede da Assembleia Nacional Popular. as suas sessões-duplas de cinema, sábados à tarde, deram-me pelo preço de dois-em-um a cinematografia completa do duo Dean Martin e Frank Sinatra, John Wayne, Rock Hudson e pistoleiros dessa geração, as pasteladas italianas do Alberto Sordi e outras coisas encantadoramente horríveis desse género, à excepção das comédias do Louis de Funés, que isso eram 'hits' de popularidade e portanto fitas para cinemas de gente fina e bilhete carote, como o Manuel Rodrigues. enfim umas ricas tardes de sábado para um puto duns treze, catorze anos que, com momentos de sorte lá calhava e até enchia o olho com mulheres semi-nuas do tamanho do écran, esse extraordinário precursor dos "wonderbra".
bem, mas regresso à "declaração de interesses", em concreto à parte ainda omissa: além da amizade, na tarde do concerto e como 'aquecimento psicológico' toda a banda Melting Pot mais o grupo de seus primeiros fãs, onde o je se encontrava, passámos essas horas em deleites proto-tabagistas, do mais fino extracto. uma delícia, um must, só especiarias finas e doses à Lagardérè, éramos malta que não nos privávamos da excelência, quer fosse inspiradora de primorosa execução musical ou de preparação psicológica para assistir à dita.
já quanto ao outro concerto, o dos 'Storm' no S.Miguel, o aquecimento foi doutro género e origem, químico e de nome técnico "Lipo-Perdur". um "genérico" para o optimismo e a hiper-actividade, infelizmente hoje sobrevivente só nas memórias pois a malta de então esvaziou meticulosamente as prateleiras das farmácias do dito, e o fabricante, horrorizado com a perspectiva de com tais índices de consumo passar a empresa super trimilionária, deu uma de modesta e bem-comportada, adepta de índices de vida do proletariado então em alta ideológica, e retiraram-no do mercado, enfim, abdicaram de enriquecerem... diga-se que com grande desgosto duma enorme massa populacional que crescia a olhos vistos e esbugalhados, mais o linguarejar incontinente que o "speed" dá. o mesmo veio mais tarde a acontecer com o "Preludin" e com o "Profamina", mas isso já são comprimidos a mais para esta história-memória, e tenho de fazer ramal senão já não sei em que via estava e isto ainda fica uma overdose pegada.
ah! vamos lá: o entusiasmo da estreia terá contribuído com metade, mas os lipos por certo deram a outra. a verdade é que, logo na primeira música, o Figs agarra no micro e aproxima-se da boca de cena para soltar os primeiros trinados e dá em abrir e fechar a boca, abre e fecha, a malta toda na expectativa e o grupo a aguentar nos instrumentos que ele se decidisse, mas foi uma carga de trabalho até o "spedd" lhe permitir mais que abrir e fechar a boca que nem um peixe fora d'água: o rapaz até parecia que estava com falta d'ar! nós, o tais da pandilha que sabíamos o que os outros talvez suspeitassem, quase que nos escangalhamos a rir, e só não o fizemos pois, lá, estávamos a dois metros dele, nas primeiras filas, e era deixá-lo em paz para então soltar o vozeirão e "a banda avançar"... ;-)
mas este foi um interlúdio químico-musical para agora dar a voltinha e regressar ao início: "oiço" na memória o João Poitevin a cantar o July Morning e arrepio-me. como nunca foi possível ao ouvir o 'original'. é que há cópias superiores aos originais, invariavelmente quando foram assim degustadas, ouvidas e fumadas, vividas desde os bastidores até à bezana colectiva comemorativa no final.
LM, período entre o 25A e início do freakismo-marxismo (designação que li a outro e achei extraordinária de realismo), então ainda só freakismo pois do marxismo só se lhe conhecia a teoria. o seu lado nada musical só veio depois, e os concertos dessa época ainda não os encontrei no YouTube.
a fonte onde se sacia a sede da juventude, a já ida.
hoje vou retribuir. e à letra: Ladies & Gentlemens, e mais Vexa, o Macua, eis "Lucky Man" by Emerson, Lake and Palmer!:
que mais dizer? que parece-me ouvi-la espalhando-se no silêncio das noites no areal em frente ao Dragão, ou no da Costa do Sol... que, seja esta, as dele ou outras mil, sinto-me FELIZ pela Honra e Deleite de tê-las ouvido na Era e Idade próprias e mais a mais no cenário perfeito ao manjar, que fui imensamente feliz com elas acompanhando-me nas boas e nas "tsss-tssss acções" próprias da idade em que nem os erros parecem sê-lo e, quando se assumiam em grafia literal, até eram brincadeiras inocentes ao lado das novas modas de praticá-los (tou feito um resmungão, sim senhor!)
terça-feira, 5 de agosto de 2008
"Maddie"
toda a sorte do Mundo, filho
um beijo enorme de todos nós.
Pequim, cidade Olímpica de 2008; Tibete, país ocupado militarmente desde 1950

segunda-feira, 4 de agosto de 2008
"Xicuembo"

Da editora disseram-me que ainda há exemplares em stock, sobras das vendas nas livrarias.
Assim, se estiverem com vontade de "espreitar o Gil", mais as suas memórias de Lourenço Marques, as encomendas são aqui (secção 'Vários', quase no final da página) e fica ao mesmo preço que na livraria: catorze €uros, pois os portes de correio são por conta dela; ou seja: paga-se o mesmo (por cobrança postal) e recebe-se o book em casa...


