domingo, 27 de julho de 2008

Hic-Imagem


complemento documental ao post abaixo, digo hic-abaixo.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

epistolar múltipla e verde: a Insustentável Leveza d'Ela

Não sei se algum de vocês já teve uma experiência igual. Rica. Das tais para daqui a trinta anos contar aos netos ou à enfermeira de serviço que venha dar-nos a papa ou mudar a fralda.

Como sabeis e provavelmente acompanhais com apreensão, 'ela' montou tenda e abriu mochila na 2ª feira e de lá para cá, hoje quinta à noite, compreendi o valor das horas e dos minutos como nunca antes deles me apercebera. A sinfonia de silêncio picotado, de dois a teclarem a dois metros um do outro. O arroto do tinto, seja almoço ou jantar, com eco e gargalhada dupla ao almoço e tripla ao jantar. O duplo olhar de reprovação, ao habitual residente o novel visitante nesta estranha solidariedade feminina que se estabelece em laços que, quando se lhe vêm as pontas já estamos enredados nelas. O caos, o remanso das rotinas recordado com saudade e o verde dos olhos 'dela' que radiografam o íntimo mais íntimo, TAC à alma computorizada e num instante sinto-me tão despido como se estivesse em cuecas.

E não tenho, não conheço, password que me salve ou abrigue - pois careço de ser salvo antes que ou do vinho ou do verde me perca, dalgo que m'abrigue desta sensação que se enraíza de me sentir sultão sem causa e benefício, fora o tchim-tchim com mais um copo erguido presente. Sinto turvar-se-me a razão, se de tal se pode assim falar pois - acusam-me! ela não é de hoje inexistente, é mal d'anos e anos, sedimentado, crustáceos de insanidade que cobrem e tolhem a rocha de se mover.

De se mover. Pois no antes, que há um antes d'ela' e se sóbrio bem o recordo, eu era rocha, penedo e rochedo, à vista desarmada inamovível mas que com jeitinho e empurrão no sítio certo deslizava até acamar num vale que se desse a mostrar como aprazível a tais descansos, o colo da montanha onde me sentava e ronronava ao vento e às árvores, a água que corria lá de cima e agora me beija as beiras da base-rocha era translúcida e brilhava como prata quando o Sol me e nos encandeava. Hoje, se líquidos vejo, são turvos e tintos, e só por cortesia e mentira de escanção que não sou, que o ergo à luz e lhe adivinho e proclamo coisas de que nada sei, pois nada sabia antes 'dela' chegar. Estão lá, alinhadas no balcão e contam-se bem: vai em quatro e de verde transparente pois vazias se tornaram num ai que se vão elas.

E foram. E fui. E caí, rolei o rochedo que pairava eremita e ele acamou-se no verde dos seus olhos, ora mais brilhantes que nunca pois as castas e seus taninos favorecem-lhe a cor. Rolei e ergui a taça, vai acima e vai abaixo, ploc! ploc! as rolhas saltam esmagadas pelo rolar penídeo a que me achava incapaz, insuspeito inapto, falso imóvel inamovível afinal fraco e trôpego após o quarto copo de tinto. Eis, eis-me em cuecas no TAC.

Sorrio e até gargalho. Do primeiro ricto tinha lembranças mas do outro, o excesso, já não me recordava. Etílicas reacções, eventuais saudades dum tempo em que apenas dos vales conhecia as ilusões de olhá-lo(s) à distância sem molhar os lábios no seu ribeiro. Hoje, turvo, em líquidos estou pleno. E se lastro há é a chama verde que refulge e brilha como sardaniscas ao sol quando a mão cumpre o hábito e o ritual saca-rolhas trabalha como nunca o supusera ter de fazer. Alinham-se os troféus, Óscares verde transparente, botelhas altivas e orgulhosas, ainda frescas e sem os rótulos ressequidos pelo esquecimento e pelo tchim-tchim mortal, o derradeiro, o do vidrão. Agora persistem a olhar-me, lá, alinhadas, cada uma lembrando-me exactamente de todos os pormenores que a levaram à verde nudez. À minha cuecas-nudez. 'Ela'. Ela que veio e no mansinho rolou-me e deslizei encosta baixo, do regaço das nuvens caí no colo do vale onde há um ribeiro que sempre supus límpido e sem sabor além do arrepio da frescura e deu-se-me todo, copo a copo tchim-tchim a tchim-tchim em tez tinta e com o sabor acre de ser-se e dar-se maduro.

O verde acompanha no deslizar um a um, o verde olhar e o verde final da garrafa seca sem um pingo que sobre pois neste rolar de louco gargalhado viro viro-a e reviro-a, bato-lhe o fundo e é no fundo que sorvo, sorvemos as gotas tintas dum mundo que é verde e eu nunca tinha disso reparado. É bom, faz bem. Renova stocks, quer de rótulos quer de rolares, desliza-se e visitam-se campos que na solidão do alto do monte as nuvens não deixavam que se vissem com nitidez. A turva e ébria nitidez do céu que era azul e no rolar foi esquecido, ficou lá longe e tornou-se irrelevante quando se cai em colo de ribeiro assim.

Agora vejo, vejo e vejo-me e estou nu, nu fora as cuecas e o tchim-tchim, fora os rótulos e o verde que se alinha como Óscares que não sabia existirem pois nunca lhes tirara a rolha, este ploc denunciador que se repete gargalhado, verde que te quero verde, almoço jantar ou serão, tinto serão senão não e não há bela sem senão, mal digo não pois quero é fazer e dizer sim, tchim-tchim e mais tchim-tchim. Hajam dias, tardes, serões, almoços e ocasiões, que se prolonguem mais uns dias e o tal nirvana acontecerá. Sinto que nunca estive tão perto dele pois o engano era das alturas, quando o verde do engarrafado que se ploc e bebe está lá em baixo e só no pós 'ela' vir e malandra tentar e tentá-lo tentando-me, o descobri e desrolhei, rolei e acamei.

E daqui não saio, vou-me a outra que quero ver-lhe a cor quando ficar translúcida, se irmã das outras ou esta prémio especial, Óscar verde ou não verde o que é certo é que é tinto e, agora, já as mãos a acariciam preparando-a para a incisão do enroscado, o puxão e o ploc das perenes felicidades. Saúde! Tchim-Tchim!

Hic-web, happy como é raro ver-me, mais a mais assim com calores de cuecas tintas.

entre 24 e 25 de Julho, algures por aí.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Loures - Qtª da Fonte II

eles afinal falam!
ao emergirem, infelizmente confirma-se o fedor.
quem sai a perder com este 'apagão+suicídio'?
os mesmos de sempre... :-( - outra versão, abaixo:


não se perde nada - pelo contrário! - em ler também este artigo de Mário Crespo.

HIPISMO

Hipismo
hipismo mesmo a sério
seria
se todos os hippies
fossem a Ascot
um dia

José Niza, "Poemas de guerra - Angola 1969-1971", edição 'O Mirante'

epistolar para o passado: o fim dos 60's e princípio dos 70's, "lá"...

“Li-te atentamente. E, sem surpresa, vi que me percebeste. Um beijo adicional por isso, igualmente um sorriso rasgado por saber que tu, também, soubeste que aquela foi uma "época diferente" e não lhe esqueceste o travo. Tempo de mudança de conceitos, mentalidades, em que os ecos das revoluções culturais que aconteciam no hemisfério Norte demoravam um pouco a lá chegar, escolhos da distância e não só. Embora, por aí, lá nas colónias até se vivesse mais 'folgadamente' que cá, a "metrópole" exageradamente conservadora e fechada ao além suas fronteiras, as físicas e as psicológicas. É minha convicção.

Não me restrinjo ao celebérrimo Maio de 68 que, então, tanto mudou nas formas de pensar e cujos efeitos mexeram com a sociedade global por décadas, pese o "movimento" em si ter sido "politicamente assassinado" pouco mais dum mês após ter-se iniciado. Não esqueço que, uns 30 dias depois do seu início, Malraux, escolasticamente um guru intelectual da gauche francesa e europeia, foi um dos cabeças da manif dum milhão que encheu os Campos Elísios... contra as greves dos estudantes universitários e dos pólos industriais que, então, lhe aderiram (usine Renault de Billancourt, etc). E, sessenta dias depois, Charles de Gaulle que no início das manif's fizera uma retirada estratégica para fora do País - 'asilou-se' na então RFA, se bem me lembro - teve a maior maioria de sempre em eleições presidenciais francesas: 80%. Portanto em termos políticos imediatos Maio de 68 foi uma falácia, quase um nado morto após a euforia folclórica. Mas as ondas de choque que iniciou propagaram-se por todo o mundo Ocidental e deixaram rastos de mudanças, maior espaço à liberdade de pensar e, principalmente aos jovens, uma irreversível conquista do direito a comportamentos com matriz libertária, rotura com o status herdado da geração anterior e que, se já em picos ocasionais era posto em causa, a partir de Maio'68 essa 'revolta' ganhou asas e sedimentou-se. Nós, esta geração, duma forma ou doutra todos sentimos as suas benesses e somos dalguma forma portadores do facho da sua herança.

Simultaneamente, do outro lado do grande charco os movimentos de luta pelos direitos cívicos da minoria de ascendência afro atingia o seu auge (Luther King, Malcolm X), as manif's anti-guerra do Viet deixaram a dimensão residual e tornaram-se um fenómeno social nacional que varreu os USA de Leste a Oeste, a tão falada revolução sexual era logicamente cabeça-de-cartaz nas conversas e nos afagos, o movimento hippie atingia o seu auge orgástico com o celebérrimo concerto de Woodstock em '69, e de tudo isso, fosse com atraso ou não, lá chegaram ecos e decorrentes influências. Do Woodstock, felizmente, também chegou o filme-documentário que, contas d'agora, terei visto umas três vezes no mesmo período, número só batido pelo western spaghetti "Trinitá, o cowboy insolente" que vi sem vergonha alguma umas cinco vezes consecutivas no cinema Dicca, LM. Afinal ser puto é ser puto e há fascínios inerentes ao estatuto que são de aproveitar antes de ficarem fora de prazo.

Da mesma informalmente forçada forma em que chegavam os ecos de documentário alternativos ao chatérrimo "Assim Vai o Mundo", que os cinemas passavam antes do filme, também acontecia chegarem livros/fotocópias de/ que eram proibidos pois o direito a pensar estava espartilhado; puxo do meu exemplo pessoal, claro que adornado com o irresistível smell do proibido: em 73/74 eu lia textos da Internacional Situacionista mesmo que não percebesse nada do que lia, Marx já me cheirava interiormente a demodée mas não o confessava nem ao meu melhor amigo (pré-revolução; que no vivê-la o charme nos primeiros tempos é outro), nutria um fascínio intelectual de 'puto' por Bakhunine's e trupe, e o meu guru privado era obviamente Wilhem Reich. Leituras via empréstimos de amigos que chegavam da 'metrópole' onde estudavam e, alguns, duma outra Europa que tinha também outra maneira de pensar e agir - melhor: de deixar pensar e tolerante no deixar agir. E a literatura 'subversiva' circulava se, efectivamente, quiséssemos saber mais além dos matizes dourados ou cinzentos (depende de quem olhava) que enchiam a cúpula do nosso dia-a-dia.

Os jovens reivindicavam o direito a sê-lo duma forma mais consentânea com a nova Era que, se lá só emergia, já assentara praça e forma por todo o mundo Ocidental. E nós vivemo-lo, mesmo que sem consciência política global que soubesse responder aos tantos "porquês" que se levantavam, pois ou era vedada ou passada à lupa, assumimo-la, individualmente e até inconscientemente dos porquês por que o fazíamos, pela irreverência de comportamentos e poses sociais 'lutamos' por um novo e mais confortável espaço junto do tradicionalismo das famílias e da sociedade. Esta também reagia e moldava-se aos novos tempos. Por falar em tempos e aproveitando a deixa, disso é exemplo a lufada de ar fresco à sociedade - toda- que foi o surgimento da revista "Tempo", em princípios de 70. Tirando casos e nomes isolados, poucos, nunca ninguém, um órgão de informação de grande circulação e todo o seu colectivo se atrevera como eles a fazer capas e reportagens sobre assuntos que eram tabus, quase vacas sagradas. Aí na tua terra, a Beira, houve bons exemplos da coragem de remar contra a maré, dando a cara e assinando por baixo. Assim de repente recordo Carneiro Gonçalves e Gouvêa Lemos, ambos já falecidos, aquele até precocemente num estúpido acidente de viação na Manhiça quando estava a horas de embarcar para a "metrópole" e assumir nada menos que a chefia da redacção do explosivo neófito da imprensa portuguesa, o hoje ainda referencial semanário "Expresso", a convite directo do seu proprietário, Francisco Balsemão na altura mais conhecido nos Estoris como "Chiquinho do Porsche" (mangusso; mangusso de primeira água... lol).

Dos excessos? claro, onde não os há quando de repente "tudo" que era assumido como placidamente eterno é posto em causa? e por "fedelhos", ainda por cima? Mas lá não destoamos do resto do Mundo nosso geracional e também CONSEGUIMOS. À nossa escala, pequenas vitórias que se iam conquistando e acumulando no bornal dos Direitos, mas fizemo-lo. Ámen. A nós e aos tempos, que a estes quem os viveu nunca os esquecerá.”

remorso


há pouco tive um pensamento aterrador.... um pesadelo... de repente pensei até que ponto eu contribuí para a crise do aquecimento global, ao ter-me esforçado como o fiz em fumar África inteira...


(olha se os meus pais tivessem emigrado para o Brasil em vez de irem para as colónias... a Amazónia estava já geminada com o parque de Monsanto :-)


tsss tsssss... ainda me chamam a Haia e não é para me darem boas notícias...


web, contabilista de passados

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Gato partilhado...



... e post partilhado. Post que vem duma memória antiga e boa, não que nas recentes não as haja boas e algumas também de Gatos, os novatos têm Fedorentos em apelido e há alturas em que são do que melhor se cheira por aí...
Mas este Gato é o Esteves, é Cat Stevens a cantar e fazer a um duo de nostálgicos tremer-lhes a voz ao trautear assim - e isso é Bom, muito muito Bom:

(It's not time to make a change, just relax, take it easy
you're still young, that's your fault, there's so much you have to know
Find a girl, settle down if you want, you can marry , look at me, I am old but I'm happy

I was once like you are now and I know that it's not easy
To be calm when you've found something going on
But take your time, think a lot, I think of everything you've got
For you will still be here tomorrow but your dreams may not

......................................................)



Como é que se fecha um post destes? só assim: :-)

sábado, 19 de julho de 2008

Declaração

Para todos os efeitos que venham a dar jeito se a coisa der para o torto, aproveitando para informar as respeitáveis visitas da impoluta respeitabilidade em por cá continuarem a passar, declaro que maschambeiro que se preze nunca deixa plantas "ao abandono", "secas", e mais deploráveis factos constantes nos Autos.
Mais informo que embora mentes insidiosas o possam pensar e sei lá mais o quê, eu não tenho nada a ver com isto.

Hell-meirim, tantos dos tantos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

o 1º Video...

.... ainda não é de mamalhudas, lamento! é que estou farto de fazer entrevistas, audições, tomar-lhes textura e peso, etc e tal, e ainda não me decidi. também a outra intenção está adiada... haverá vez e tempo para um pouco de tudo.
por isso (a baralhação acerca do conjunto de glândulas mamárias mais chungilas, dignas de pespegá-las na parede do tasco) e para que a estreia mesmo assim seja a puxar pró bonito, a solução chegou-me hoje num e-mail recebido duma amiga - daquelas do tempo do freakismo laurentino mas que só ora, agora e tardiamente nos "reconhecemos", não para um montão de coisas giras como cruzar memórias, mas fora de prazo para uma data doutras e entre elas fumarmos uma gargalada pois o raio do catarro já não dá asas ao peito para esses luxos - bem, dizia antes de me perder que um mail deu-me a solução! (thanks G. :-)
e ela chama-se "slide guitar" e dá pelo nome próprio de Hannes Coetzee. o resto já não é com as palavras: é mesmo clicar e ver e ouvir. vale? vale! então vamos lá a isso... é um minuto e acabou-se. aqui. a mim vai ficar muito mais tempo na memória. para compensar o nunca antes tê-lo ouvido, sequer ter ouvido falar dele:

terça-feira, 15 de julho de 2008

Loures - Qtª da Fonte

alguém ouviu a SOS Racismo pronunciar-se? não gostei do seu silêncio: despromove-a moralmente. demitiu-se.
e ela faz falta com voz clara e límpida, ora prejudicada com tanto catarro étnico.

domingo, 13 de julho de 2008

Aviso

informo os passantes que, brevemente, vou iniciar-me nas artes de aqui meter YouTubes. perguntei a um amigo como é que se mete um "pps" no blogue, e ele, amigo mas ingénuo, como também não sabia como fazê-lo ensinou-me a forma de meter filmes.
pronto... já se imagina o futuro do tasco... vocês lembram-se quando éramos putos e íamos à carecada, saindo de lá d'olhos tortos e cheios de tesouradas por não conseguirmos estar com a cabeça quieta? :-))
pois é, pois é... se "aquilo" for tão fácil como ele me garantiu ser, não tarda e estão as paredes caiadas de calendários/vídeos de mamalhudas e Ferraris! ;-)
bem, 'tão avisados. e qualquer rua tem sempre dois passeios: só espreita a montra quem quer, e eu tenho a renda em dia.
ps: como sou um gajo porreiro, a luz da montra ficará aberta toda a noite

sábado, 12 de julho de 2008

Zimbabwe: o banquete anunciado

lei-o isto e dá-me um vómito. quem se lixa são sempre os mesmos - isso já sabemos - mas repugnam estas "santas alianças". não que sejam novidade, mas o vómito regressa e regressa e regressará enquanto continuar lúcido. ou ingénuo. mas não parvo.
via blogue moçambicano Diário de um sociólogo.

felicidade é...

ler um comentário assim:
"não somos só o que escrevemos mas a forma como o fazemos denuncia quem somos"
e sim, respondi (estava em casa alheia): és Linda!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

"Quadratura do Círculo"

estou a ouvi-lo (ainda está 'no ar' neste momento) e a gostar da presença de Manuel Carvalho da Silva: mais-valia.
- pese o natural efeito refrescante das "novidades" num modelo onde os 'bonecos' raramente mudam e, naturalmente, cansam com um discurso que se torna previsível. só espero que não despeje números atrás de números (há uma certa tendência/hábito, nota-se...): aí é factor-zapping.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

PETIÇÃO CONTRA A “DIRECTIVA DO RETORNO” E EM PROL DO “PASSAPORTE LUSÓFONO” - por aqui chegam à petição.
assinei-a de plena consciência, sem um mísero segundo de hesitação.

sapatos: A Era dos Extremos





notícia encontrada no blogue da revista NOVA ÁGUIA, a que se presta a obrigatória referência e deixa-se sentido agradecimento, e com pedido de compreensão a Eric Hobsbawn pelo "plágio" ao título...


um exemplo entre muitos dos pequenos nadas quotidianos que, somados, juntaram-se a outros por si tão enormes que, tudo, junto, fez formarem-se filas nos balcões das companhias áereas. comigo incluído, 'tu' e tantos 'eles' também, "mala de sapatos" na mão.

no caso.... sapatos. o ridículo fala por si: nem precisa de tradutor, orador ou representante. (clicar na imagem para ampliá-la)



com as devidas vénias e pedidos de indulgência, a foto dos sapatos foi gamada aqui, e a da brilhante (hilariante?) peça jurídica aqui.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

lido algures


"A democracia é um método que assegura que não seremos governados melhor do que merecemos."
George Bernard Shaw

domingo, 29 de junho de 2008

afinal onde é que eu 'nasci'?

ando com "dúvidas exitencialistas". nada de novo para quem me conhece e atura: sou uma espécie de 'adicto' a alimentar problemas que não existem. não existem? será? bem... neste caso trata-se da questão burocrática de, sendo obviamente português cá e em qualquer parte do mundo onde me desloque com a papelada que trago no bolso, se serei moçambicano em Moçambique, já que desde 2004 a sua lei da nacionalidade contempla a "dupla". e que eu acho merecer e desejo ter.
num mega-site moçambicano, o Imensis, no seu Fórum, e aproveitando uma 'discussão' sobre o tema já aberta por outro participante, coloquei a minha interrogação na esperança que mente juridicamente esclarecida e pacientemente versada em ajudar sujeitos atreitos a crises existenciais, possa esclarecer-me.
claro que, como infelizmente já é vulgar em mim, ligando o turbo nunca mais páro e toca a rebolar pelas linhas abaixo como se elas fossem as Barreiras que vão do Liceu Josina Machel até à mata em frente FACIM e, mesmo chegando lá abaixo e dando com o cu no chão, ainda me farto de esgravatar à procura de mais uma palavra que seja a final, que sempre me vejo aflito por desenterrar. daí aí vai lençol, enfim, a 'seca' que os tontos do tac-tac no teclado pregam a quem não tem mais nada que fazer que lê-los.
a minha (tripla) mensagem foi colocada lá só ontem e hoje ainda não há respostas. nada de desanimador, até porque ainda não tenho a mala feita. entretanto, e por e-mail, mandei o link a lista seleccionada que supus que, ou me pudessem auxiliar, ou dar-me uma palavra seja ela de conforto ou de desengano duma vez por todas. ou confirmativa do loucura que me suspeitavam e desta vez viam confirmada. recebi até à bocado quatro respostas.
duma respingo o excerto abaixo da minha contra-resposta, pois na que recebi li dúvidas sobre a legitimidade do meu sonho/pretensão, quer pela desilusão pessoal de quem fez a viagem dos mamutes e dela regressou desiludido, também pelo avançar do burocrático pormenor de lá não ter vivido até fazer a 1ª classe. sendo de um xamuar que até me envaideçe tratando-me por xamuaringa, fiquei perplexo e até um niquito triste. porque eu acho que a nacionalidade sente-se primeiro de tudo. um analfabeto que não saiba ler as palavras inscritas no seu Bilhete de Identidade e que atestam a sua nacionalidade, não o é menos lá dentro que aquele que as lê de trás prá frente.
mas o meu problema é duplo, ou seja o que gostava de possuir era a tal "dupla": acontece que eu também me sinto português, e com a suficiente aclimatação e orgulho de que não querer prescindir de sê-lo e dá-lo de barato assim de repente. há toda uma vida de razões: toda a minha formação cultural, familiar, académica, foi sob essa bandeira, costumes, qualidades e defeitos. e não desprezo quer os meus últimos trinta e tal anos cá residente - e que tanta coisa boa me proporcionaram , tal como, embora mal disso me lembre, os meus primeiros sete, também 'cá', que não devem ter sido maus pois é a idade em que o conceito de mau ou bom tem suporte fácil e naturalmente agradavelmente infantil, sendo que essa deve ser a melhor idade de todas: nickles de preocupações que vão além das brincadeiras e de amigos para elas, uma ou outra esfoladela nos cotovelos ou nos joelhos.
mas acontece que me sinto igualmente moçambicano, embora de forma que até a mim se me afigura como confusa: quando sobre isso matuto muitas vezes temo estar a misturar sentimentos e na mesma panela caldeirar duas nostalgias que são distintas, pese a sua génese e existência terem sido comuns - talvez por isso: a do eu-jovem, que se foi irremediavelmente à excepção de quando me forço ao engano e, psicóloga folha em frente, escrevo escrevo e escrevo sobre o Eu menino e moço, revivendo, efabulando até pois à distância do tempo os pormenores têm a dimensão com que os acarinho e não a do momento em que foram vividos, e em anexo certamente imbuído dos mesmos tiques e lentes vêm os sentimentos nacionalistas, mesmo sendo emoções só misturáveis até certo ponto, como as são: posso exagerar nas derrapagens controladíssimas que fazia na minha motorizada sem ferrar com o rabo no chão, mas sei que não exagero quanto às emoções, à mesma altura, vivi entre o início da revolução portuguesa e me mostrou todo um mundo intelectual novo, mais a fase de 'transição' vivida num red-line que foi delicioso e os quase seis meses após a independência oficial de Moçambique: nesse período fui tão moçambicano como qualquer outro que desde a 8ª geração lá tivesse a famelga toda nascido e crescido: o meu amor e convicção eram iguais e sentia o peito rebentar de orgulho.
depois - e estou farto de contá-lo e contá-lo, já chega e nem me dou ao trabalho de meter links - somaram-se desilusões variadas, tantas que o bolo levou tanta camada que foi-se tornando intragável a cada mordida diária que lhe dava, até que desci armas e engoli o orgulho, juntei-me ao formigueiro cheio de amigos e conhecidos e cá vim parar, Mavalane way.
nas oito (?) horas de voo não tinha certezas de nada. nos trinta e dois anos e picos após a aterrisagem ainda assim estou. estou dividido e, ao que sei, já há desde 2004 solução para patologias como a minha: papelada em ordem e adquire-se o consolo apaziguante da dupla nacionalidade.
por tudo isto - e aproveitando a deixa para terminar senão nunca mais me calo - interrogo-me sobre o que é isso da "nacionalidade". a ele, meu xamuaringa Johny, perguntei-lho assim:
...............................
"não te entendi. porquê? se leste lá no Imensis, também leste que eu nasci 'cá' como bebé chorão, cagão e mamão mas foi lá que me formei como ser humano. com uns acertos depois cá dados, tá claro: viver é um processo contínuo de aprendizagem e por cá ando, nesta 2ª volta, há trinta anos e picos. mas a base da instrução que deu o gajo porreiro ou o cabrãozão que hoje sou foi lá ministrada. dos 7 aos 20, altura em que os poros absorvem tudo o que apanham.
depois muitos cansam-se e fecham-se de barriga cheia e umbigo repleto, gordos, mafutas, convencidos que já aprenderam tudo o que necessitam. o melhor exemplo é o 'bronco', o uga-uga que parou a sua evolução assim que deixou de levar nas orelhas em casa, reguadas nas aulas ou começou a 'cortar-se' a uma valente bulha no páteo da escola - tivesse então essa que nome fosse, pois bulhas há muitas e tive algumas formativas mesmo que sem caneladas ou murros no ar circundante às trombas do 'adversário'.
com muito pouca humildade, felizmente como tu, e que a havê-la seria estúpida por era negar o crescimento constante, evolutivo, digo de mim que mantive pelo menos fifty-fifty dos poros abertos a novas sensações e experiências, além de às carícias das gajas também aos beijos e beliscões da vida. coleccionei o que é de colecionar e rejeitei o que entendi ter de sê-lo - mas com os critérios baseados no tal núcleo matriz, a aprendizagem dos "primeiros verdes anos". afinal onde é que eu 'nasci'?"

quarta-feira, 25 de junho de 2008

:-))


recebida por e-mail, sob o título: "a melhor foto do Euro 2008".
como não concordar, gargalhando? mais: nalguma outra claque existe/iu este humor? ná... só vendo!


adágio: "não há Rosas sem espinhos"


... e, piquem e pesem eles o que se lembrar e der coceira, ela continuará a ser a princesa das flores, pétalas capazes de transformar amante desajeitado/a em galante sensual. depois há a fragância, aquele aroma que enlouquece os sentidos e encaminha-os para o leito das praias onde amar sempre foi e é especial, aquela índica magia que nos agita o íntimo quando lembramos os afagos que nos tornaram hoje tão exigentes quando se trata de Amar.
hoje, como sempre mas Hoje que é o dia em que nos registos consta a tua maioridade, o meu eterno Obrigado pelo que de ti colhi e, egoísta, guardei dentro de mim sem o participar nas alfândegas que os homens construíram, essas barreiras que um jovem rebelde não resiste em ultrapassar trazendo os seus tesouros em contrabando, cioso e ciumento, temeroso de não ter fundos que cheguem para as pesadas taxas que, se tal paixão revelada, certamente a onerariam insensivelmente. rebeldia hormonal igual à dos amores em que, caminhando enlaçado pela ternura e seus valores gémeos, os olhos cegam-se-lhes por instantes e não resistem a mirar um rabo alçado que siga num qualquer além, tentador passeio do outro lado de avenidas que não se devem passar quando se passeia assim apaixonadamente acompanhado. acontece, aconteceu. não foi "uma facadinha", daquela que dos amuos faz nascer ternas reconciliações. foi divórcio de papel passado e tudo, passagem aérea que dizia ser 'ida e volta' e por cá fui ficando, fiquei.
hoje, além da memória que peca por este excesso nostálgico, sobra a estatística registral que, diz, embora sejam fragâncias que se traduzem em aromas residuais quando se vai até ao ponto do sim ou sopas, há jardins e certidões onde no canteiro da cota lateral para averbamentos, existem-nos de dois casamentos entre os mesmos nubentes, repetentes no persistir em amar e colher pétalas da mesma flor. com o intervalar divórcio a ser lido como o fait divers que a serenidade do tempo minimiza, releva, trás um leve sorriso ao, enlaçados no mesmo passeio, olharem a avenida do passado.
há casos assim, acreditem-me, pois já tive na mão certidões que falam dessas histórias de rosas com espinhos e averbamento de sempre belas, nenhuma ainda com o meu nome. mas do além ninguém jura ou sabe: as praias e o seu feitiço à libido continuam lá como que esperando outro beijo, trinta e três anos depois.
(o mapa foi gamado aqui.)

terça-feira, 24 de junho de 2008

34 anos atrás

(hippie nos 19's apolíneos - cof cof, e sem mais comentários)

Sinfonia matinal

É o mesmo. Maço-me a pensá-lo e repeti-lo pois já não há nada de original, há tanto e tanto tempo. Todos os dias, manhãs, é o mesmo sobe e desce do peso dos pecadilhos que se acumulam na maçã-de-adão e contraem-na, obrigam a engolir em seco e o rombo do aparo arranha-me e asfixia o começo destes dias que, de tão longos, nascem já como ensaio arraçado de pena de rigor perpétuo e mirram o peito, e trago as manhãs sem a golfada que o deveria encher e abrir um sorrir à luz. Eu ouço-o, o sibilar, e talvez possa escrever que mais o ouvem pois não são meus todos os olhos que comigo e o meu arfar se cruzam. Por isso fica exarado que “ouve-se” é o silvar lento, doentio, vindo do fundo carnal e sanguíneo onde coloquei a bolsa marsupial da ilusão que amamentei e a que fiz festas e mimos, hoje o tal ciciar que corre os dias sem encontrar a porta que se abre e diga, cara séria ou à escolha pois o importante é a doença e a possível cura: sim, aqui é o sanatório e desse mal há cura, ou sussurre: aqui fazem-se abortos a fetos malignos, entre suavemente por favor.

Em protocolar forma de exarado porque esta é a acta da manhã, ditada pela mesma placenta que alimentou gota a gota, dia a dia, erro a erro, o estado actual da arte. Dito assim para ser elegante no contá-lo entre dois soluços do tal sobe e desce e é tão persistente, duradouro, que vai desde o agora até tudo se apagar e adormecer. As manhãs, que mais as tardes acumulam-se e fazem a soma que, uma delas ou uma noite, fechará a acta em cúmulo jurídico e muita golfada de ar fresco será precisa para redigir recurso que, para não ter a vitalidade encardida e a caneta balouçar duma trave, penderá de ser-se ou não tão inventivo como se foi ao construir os capítulos do libelo acusatório, enredo e folhas meias do romance que trago no bolso e há por fechar. Depois deixá-lo seguir o seu rumo tipográfico e, seja com capa dura ou com capa mole, o público juiz lê-lo-á e será tolerante com o neófito, ou enviá-lo-á para a reciclagem, lamentando a árvore abatida e tanto euro mal gasto. Ser novamente sonhador de cúmulos eternamente brancos que sem grande esforço imaginei, imagino ou imaginarei palácios flutuantes, daqueles de contos de encantar. Sem acreditar que o tempo rola e as estações sucedem-se acinzentando-os, e a cara sorridente que me recorda ver no espelho, um dia – uma manhã, provavelmente - nascerá cheia de acne do pesadelo, e é essa que será a vera, a outra era o mimo, a face da ficção dos palácios com fundações e muralhas assentes em rijas nuvens de ilusão.

Mais o tudo que há e haja por vir antes de adormecer e se repete, ontem, antes, hoje, repisa-se mal abro os olhos, o nada diário do hoje sucede ao do ontem, o nada passado, em hiato de difícil trago de sobe e desce gargantular antes das nuvens abrirem os bojos e inundarem-me com a acidez da chuva entremeada com a derrocada dos caboucos e pedregulhos dos palácios, da crítica à minha escrita, ruína da minha ficção pessoal. O despertar obrigado do silente que fazendo-se cego e surdo a ser coxo de mão e fraco em advérbio, dia a dia vestiu-se de capítulos, embalou por aí fora e hoje, tantas páginas depois, baila as manhãs, tardes e noites na pele do escritor desesperado na busca dum final que lhe feche o romance sem ele tornar-se best-seller indesejado, mutilador, e assim revolve continuamente a mórbida placenta que lhe encheu o tinteiro, o tal que mais tarde vazou e encardiu a estória de folhas tantas a folhas tantas, à procura de pingos sobrantes para linhas que sejam finais e safem o enredo e os heróis e heroínas. Um romance incompleto, algures com capítulos que são como iogurtes com pedaços, trinca-se dá-se estalinhos de língua. Onde há arranques que não envergonha chamar-lhes lindos, quando a adrenalina dos sóis fez luzir o aparo na linha de partida, até a tinta se conspurcar na recta oposta à bancada central e o fôlego faltar antes do ponto da meta final. Quando o contexto era outro e as manhãs também não eram assim. Em amargo placebo reengano-me e aliço que nem tudo se borrou, relembro folhas sobreviventes com linhas que foram passajadas com mão e gosto de costureiro, e dama ou cavalheiro de bom-gosto não terão vergonha em usá-las, lê-las sem trejeito de irritação por ao espelho saírem mal no retrato. Há-as, já não sei é aonde e tenho medo em abrir mais o guarda-fatos para procurá-las dentro de mim.

Acordar-me, interromper de vez o sobe e desce da maça-de-adão ou dar-lhe o sossego dum ritmo que não asfixie. As manhãs tolhem-me, é o início e eu recordo-me de ontem, de antes de ontem e do seu antes. Sempre igual e há tanto tempo que dura. E revive a angústia, ‘spa’ forçado que massaja a face com maus óleos e emagrece onde não devia pois emergem linhas como rugas, onde brota a acne que amordaça o espelho onde, antes, viu-se um sorriso e hoje nem o olho: fecho os olhos quando as mãos em concha lhe atiram o meio litro de água que faz que lava a crosta matinal. Hoje igual a ontem, a monotonia do vácuo, da espera, à espera da palavra que não vem e, chegando, não sei o que me dirá para poder escrevê-la, estendê-la como trigo em eira esperando que o luzir da sua cor sobressaia e alguém olhe o quadro e diga que, não sendo um clássico holandês, tem tons e pinceladas que merecem uma moldura e um prego na parede, sem para tal ter de, sei lá eu das modernas regras de marketing ou de trâmites judiciários para levar tais processos até ao fim, cortar uma orelha ou usar uma corda para alçá-lo à altura dos olhos que olham e, assim rasteirinho, poeirento e sem moldura, não lhe vêem as folhas não infectadas. As tais que las hay mas já não sei onde ficaram.

São assim as manhãs que secam a garganta na espera, o ar carregado de ácaros e outros maus áugures voadores. A tarde será igual, à noite estou grogue do sobe-e-desce e adormeço. Amanhã há mais, há sempre mais um mais que a traça não desfigurou, e eu tenho esperança em ainda dar com ele a tempo de reaprender a tocar*.
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* um dia tive uma viola. algures a memória diz-mo. mas se me releio vejo que esse tempo voou sem que tivesse aprendido mais qu'aquele trecho do "smoke on the water" que todos sabiam tocar. mas é bom recordar que um dia tive uma, como todas pejada de mais sonhos que de tons dedilhados sem ofensa ao instrumento musical (afinal.... será este o 'elo perdido' desta sinfonia matinal?)

sábado, 21 de junho de 2008

Cosmopolis

Cosmopolis, "História do Presente" de José Adelino Maltez, indo de 1945 a 2006.
Nas suas palavras finais "Este portal destinava-se a ajudar os alunos do segundo ano de uma licenciatura de escola pública universitária, numa disciplina com o nome de História do Presente."
O resto e o porquê de não haver mais resto lê-se lá, coluna do lado esquerdo. Segue-se a «matéria», mesma coluna e zona central, sempre cronologicamente.
A visitar pelas duas razões. A guardar o link, ao menos pela segunda.