domingo, 20 de maio de 2007

3 vezes

o nervoso miudinho
de me ter zangado com a rima,
fez-me enviar, iguais
três mails dizendo o mesmo,
três vezes mais um poema.

é assim:
estranhas situações ocorrem
nos versos da cyber poesia.
até calha dizer, três vezes,
qu'esta tarde armei-me
em poeta de domingo.

três vezes, o mesmo.
coisas que acontecem aos sonhos
feitos em computador
o programa segue dentro de momentos.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

as estantes nos jardins

Esta notícia deprimiu-me. Pois... não é 'depois' mas sim 'pois' que escrevo, um baque de «quê? de que se fala? ah, pois, já nem me lembrava...»
Num jardim adormecer e envelhecer olhando essa enorme estante onde as lombadas se chamam memórias. Estranhar o Tempo, tão traiçoeiro na falsa lentidão com que corre e faz voar as páginas, e num súbito uma foto uma frase um nome dá um flash e puxa uma recordação, "ah, pois..." Envelhecer num jardim, rima de livros arrumados nas estantes e um embaraçador fio de baba rolando em queixo certamente de barba rala, descuidada na lentidão das tardes, no corpo o aconchego dum sobretudo sobrevivente a invernos e outros escritos; tudo pantufas quentes quando num repente se sabe duma notícia e, 'capa na mão', pensa-se que foi há tanto e há tão pouco, tempo já arquivado em estante passado, adjectivo da família de envelhecer e percebê-lo num repente.
Estou a falar de emoções. Esta notícia deprimiu-me, ainda havia um luto por fazer.
Adenda: o Luis Novais Trigo, do Tugir, dá novas sobre o lançamento.

Charlôt

e-mail recebido agora mesmo, boas oportunidades a divulgar:
UMA MÃO CHEIA DE CHAPLIN
DE 23 A 31 DE MAIO 2007
NO JARDIM REPÚBLICA EM ALMEIRIM
Este ciclo de cinema planificado para ser exibido ao ar-livre é organizada pela Câmara Municipal de Almeirim e tem a sua programação assinada pela Círculo Solar- Maternidade de Ideias. Inteiramente dedicado ao génio de Charlie Chaplin os cinco filmes que enchem esta mão, demonstram bem talento do autor-total. Todos os filme apresentados são realizados, musicados, interpretados pelo próprio Chaplin.
O Jardim República, fica no centro de Almeirim. Charlie Chaplin justifica a viagem e Almeirim vale a visita. A entrada é livre.
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PROGRAMAÇÃO:
SESSÃO DE ABERTURA - Quarta-feira 23 de Maio 2007, 21:30h * O Miúdo – 68' – 1921 – filme mudo
Quinta-feira, 24 de Maio 2007, 21:30h * A quimera do Ouro – 92'–1925 – filme mudo
Sábado, 26 de Maio 2007 , 21:30 *O Circo – 96' - 1928 – filme mudo
Quarta-feira 30 de Maio 2007, 21:30 *Tempos modernos – 83' - 1936 – filme mudo
SESSÃO DE ENCERRAMENTO, Quinta-feira, 31 de Maio 2007, 21:30h * O Grande Ditador – 120' – 1940 – filme sonoro

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Honorato e Fidelina

'Honorato' e 'Fidelina' têm tido vida própria e pelos net-grupos os seus autores de vez em quando deixam registos bem humorados acerca do peculiar casal, ele (eu) um pobre desgraçado reformado da Polícia Judiciária e que faz uns biscates como dectective particular, ela ('ela', a desgraçada infiel!) uma matrafona que, descobriu-se, andava a cornear o Honorato com o compadre Ernesto e agora anda com a mala por Malta, ingrata emigração, vidé brasileiras e ucranianas por cá.
Nos últimos dias tem sido o 'Honorato' o maior contribuidor para a saga, e, sem falsas modéstias, ainda não falhou um tiro e tem limpo a vizinhança toda, compadre Ernesto e um entregador de ppizas incluídos. E mete canibais e uma ex-vizinha que foi sindicalista nos inesquecíveis tempos da Comissão para criar o sindicato das prostitutas, há can-can e outras coisas. Devagar devagarinho, para não acordar o Honorato que dorme à janela o sono dos justos e cornudos, irei aqui metendo 'episódios', sem que o sejam formalmente pois a continuidade é aleatória. Está dito, brevemente o primeiro desta 'série'.

terça-feira, 8 de maio de 2007

páginas que me impressionaram

O ritmo narrativo de Truman Capote, a construção do suspense em Patricia Highsmith, a poesia macha de David-Mourão Ferreira, refresco quando muito poeta se lê e tão insonsos; os novos verbos de Mia Couto, a escrita delicada de António Lobo Antunes, quase qualquer poema de Sophia. E mais, mas sou preguiçoso. As páginas fotográficas no 'Albas', Dinis Machado a contar dos camones no Bairro Alto e da trolha que se armou, Cardoso Pires e Baptista Bastos a visitarem Lisboa e eu invejoso de também assim a olhar mas não saber escrevê-lo tão bem. O primeiro livro de contos de Suleiman Cassamo e 'o jogo de Gerard' de Stephen King. 'O Adversário', Emmanuel Carrère, pelo assombro e o porquê presente da primeira à última página. Afinal são muitos, se continuo a passear pelas lombadas vejo ainda mais. Kerouac, o primeiro, claro. Tolkien, como devorei os três calhamaços sem conseguir parar...
Chega: é claramente post só para deixar registo, nada mais a contar. E nem digo que 'leiam, vou ler' pois não é isso que vou fazer: vou sim ler mas é na net e provavelmente muito do que lerei foi por mim escrito: ando com uma febre 'Honorato & Fidelina' e nos últimos dias ao folhetim tenho escrito sem parar, jorro atabalhoado está claro, o melhor mas que obriga a duas releituras para lhe apanhar o fio à meada, tais os atropelos. ´té já, vou até lá para ver como andam as coisas entre aquele par-de-jarras, se já morreu mais alguém ;-)

( Aqui, e espalhado aleatoriamente em diversas colecções de 'mensagens': se as 'abertas' por "webenigma" são minhas e as mais recentes tratarão do tema, há outras por outros abertas onde me alarguei a contar das tristezas e corneaduras, assassinatos e canibalismo, can-can por uma ex-sindicalista e o mais que para lá há. Visita quem quer, para 'escrever' é que é só com ficha preenchida e cartão de sócio na mão, coisa que, por avisada prescrição, não deixa dizer que sim a todos os toc-toc.)

domingo, 6 de maio de 2007

sábado, 5 de maio de 2007

quinta-feira, 3 de maio de 2007

existem vários tipos de desgraçados

Há inúmeros tipos de desgraçados
e é por eles que morro
Existem os que abandonam nas ruas o cachorro
Ah, mas existem piores,
aqueles que recolhem e maltratam
Existem os que abandonam e outros que matam.

Há inúmeros tipos de desgraçados
sob qualquer conceito
Existem os que atiram sem pena no meu peito
Ah, mas existem ainda bem piores,
que matam à míngua
Existem desgraçados que matam com a língua.

Atordoado e confuso
assentei-me sobre o banco da praça
Pensando sobre quão forte era a minha dor
e enorme a minha desgraça
Acariciei o fio da lâmina
certo que sentiria dor quando rasgasse os pulsos
E ali parado permaneci
até que passassem de morte para vida
os meus impulsos

Carlos Bê

direitos de autor

Olha a novidade!... Bem-vindos ao 'mundo real', escribas moçambicanos... e gastou-se em ''duas horas", hein? cala-te boca, cala-te boca que eu até tenho vergonha em falar... :-(

quarta-feira, 2 de maio de 2007

já chegamos à Madeira?

Aqui (jornal Público), à esquerda, coluna "Portugal", e ao fundo da página 13.
O brilhante responsável pelo marketing autárquico local devia... que tal ir plantar tomate, fazer vindimas ou dar serventia, coisinhas assim mais a seu jeito?
(com redireccionamento para este blogue que reproduz a notícia. e entretanto o "prémio" foi - bem! - cancelado... haja uma réstea de lucidez em tanta insensatez)

Ri de quê?

O mundo parece estar virado ao contrário, esquisito, e o Entroncamento dos fenómenos esticou-se para cantos que eram impensáveis.
Hoje contaram-me que o Presidente já riu mais este ano que o Cavaco em dez anos. Também me contaram de que se suspeita em que a moda que se segue será a das autarquias abrirem falência técnica, e as 'Autárquicas' transformarem-se numa "Liga dos Campeões" onde os partidos mais poderosos escolhem a dedo quais as câmaras onde mais devem investir para ganhá-las, i.e. que défices escolhem nesse leilão de falidos, quais clubes de futebol há meia dúzia de anos atrás em que se tornarão as eleições autárquicas, à espera de mecenas que inventem orçamentos providenciais. Vi na TV, literalmente de fugida, o presidente do partido tradicionalmente alternante nos nossos mandos & desmandos dizer que há-de 'pronunciar-se' um dia destes sobre um valente rombo que recebeu no seu casco, com cara de aflito tantos são os torpedos e há tanto tempo que leva com eles, que quem o vê e assim se apieda estranha como não minguou mais e, glu-glu, naufragou. Mas diz que 'agora não fala', acredita-se que um dia destes o fará se não fugir ou for por água abaixo, apeado, tal como aconteceu ao chefe-de-sala do barquito do lado direito que mal se descuidou tinha o retrato desencaixotado à porta da galeria. Depois, sabe-se que o habilidoso que chefia a revolução estatal, Sócrates, poderá ser mais habilidoso que se sabia e ele contava, artes secretas em trepar escadas e muros, sebes sociais e outras esquisitices que vigoram no estratificar contínuo da sociedade e onde ele trepou, ó se trepou. Ele, o do ar evangélico, o tomado pela inspiração e graça fanáticas para moralizar e reestruturar, simplificar e moralizar, embirrou para aí e, afinal, quase que já se sabe da certeza em como ele será mais um filho legítimo da nação.
E o Presidente ri-se, contaram-me, o cuidado de me dizerem das boas cores e do sorriso rasgado, tudo feitos inéditos aos tempos do outro senhor. Ri-se, o Cavaco, contou-me quem reparou. Ri de quê? de prazer onanista por finalmente ter a maior batuta na administração da massa falida? ou será riso de nervoso-miudinho, contas e mais contas e mais contas, contas presidencialistas?

doping

Olá Inês. Digo no post anterior que vou revelar "trechos" dos calores. Água fria... que do íntimo há sabores que só se lêm no brilho dos olhos na mão-dada do cinema, esse mundo de novelas sempre por reescrever, do teu deslizar pelas palavras que, sabes, é olhar que me enlouquece. Que não conto a ninguém ou quero que alguém me veja de olhos no reflexo dum espelho que é opaco, e lá guarda o quanto te desejo à boa e clássica (arrepiante... sente-lo, a tremura da pele...) maneira. Disso não se conta nem se sussurra, não se viola o hímen da correspondência entre a musa e o seu adorador. Não falo nem conto do rubor de te imaginar - qual 'imaginar'! sentir! - olhando uma pausa no rush e sorrindo no recordar que é Musa e há hinos e cornetas quando passa e fica o 'poeta' a suar fininho, que há momentos em que é deliciosamente bom ser-se especial, mesmo que a sorte tenha sido modesta na atribuição do seu vate. O manto de folhas escritas que te incensam e despem, poemam, continuará secreto, e de tais beijos e floreados não há rima que fuja ao sítio onde os deixei: o teu peito, aí atrás dos teus seios, Inês, Inês-retrato vivo de escultura que se ainda não foi feita já a deveria estar e há muito, ou há artistas cegos como soe dizer-se ou és a alienígena perfeita que aterra na vidinha da folha seca, vazia, branca e em branco, tsunami, arquitecta e modelo de castelos, erecções e outras ondas que varrem as folhas áridas, este rubor que dá cor às letras e encaminha os dedos para as teclas menos utilizadas antes deste escalar que é contar-lhe (-te) a festa, baile e orgia que são os dedos a escreverem da paixão do escritor pela sua obsessão e cântaro de tudo, a Musa.
Fim da conversa pública, Inês: vou escrever-te um e-mail, também com o selo beijado na carícia de seres, para meu completo desvario felizmente tu, perturbante Inês, 'a' seres.

musas

Eu tenho uma Musa, de seu nome Inês. Linda, perfeita no pedestral. Inacessível. Bela. Fatal. Bem, fatal fatal não é pois é ficcionada, seu único defeito.
"Escrevo-lhe" de vez em quando. Cartas eróticas, obviamente. Obviamente? sim, claro, musa nos cinquenta's do escritor sujeita-se a cartas de Gomorra, selo lambido e tudo. Delas aqui deixarei trechos, em gota-a-gota confidente.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

domingo, 29 de abril de 2007

placa profissional 1

Cruella Torquemada
odontologista

dos domingos

cada vez sinto mais que não tenho jeito para isto. a ler os outros e a voltar com azedume ao meu, 'tadito, coisa mal amanhada que sou em fato às riscas, escritas. e não é só pela 'escrita', é pelas experiências vividas que me fazem cantito sossegado, beco calmo demais e já quase sem centímetros quadrados para contar quando lá ao fundo está a avenida, rica em murais escrevíveis com gosto. goteja, ping-ping, uff cadeira de descansar.
fiz hoje o 'ditado' do tal campeonato e não me saí nada mal, a sério que esperava pior: tive 13 erros, uns parvos mas outros que me deixaram a resmungar num «e porque é que eu não pensei nisto antes, porque é que não sei disto, desta?». já agora conto que a Carla teve doze mas ela anda na escola e eu não, tem tudo fresquinho que nem horta bem regada. mas para aí metade deles não são comuns, ela/eu acertamos alguns que o outro falhou. como disse e repito com alegria "vá lá, vá lá..." :-)
ontem fui ver os "clássicos" à FIL. felizmente as pilhas gastaram-se rapidamente e pude cirandar sem a pose de maluquinho com dez "flashes" em dez pormenores de cada um. ida e vinda, no regresso já num ir directo àqueles que na primeira volta mais interessaram. terei parado de contar aos cinquenta, o elogio que posso em verdade dizer pois para o resto, para além 'deles', sinceramente nada mais vi.
acabei o Oz e o Crighton, 'bom mais' aos dois pois não é o tamanho ou o género que fazem um texto 'marcante'.
a CP está uma merda. último comboio de Lisboa-Santarém, num sábado: 22:56. lá na gare do Oriente, a boa 'meia-hora' de distância de muitos sítios nices em Lisboa. a gare àquela hora é um mundo de pormenores. antes, ao som duns desconhecidos "Anthony & os Jonhsons" uma nuvem dos extremos das ruas em lojas sem céu, o formigar, anthony e fosse quem quer que fosse a pairar, experimentei um 'ipod' e flutuei. por pouca ouvir a música arrepia-me, e formigar na multidão ouvindo a ironia do visto, tudo mudo e só os olhos falam, as montras, a luz, os movimentos. e o som, assim dum extremo até ao outro, depois um banco final. e antes soara uma buzina de barco, um troar insistente, reclamante. o último trem para não sei onde.
ontem, à distância dum banco de cervejaria vi que 'ganhei' mas fiquei na dúvida 'por quantos' e 'como'; soube hoje nos jornais as novas, e das boas como é contado por quem viu: dois a zero e domínio do jogo de fio a pavio, o quarto lugar está só nas suas mãos e é História para um dia. o Futuro tem de ter sempre um início: força, "Belém"! este final de ano é muito mais que "página-e-meia" quando a história deste tempo for escrita. Honra, foi uma equipa criada e mantida para a Honra, bendita equipa.
agora acho que vou ler o 'Pão com Manteiga' e 'o Roque e a Amiga". estão ali a rir-se para mim.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

um ano atrás disse-o assim, incapaz de calar o que sentia mais a saudade. neste aniversário escrevo do silêncio, o silêncio do orgulho por este Homem que me abraça e me beija, falo do tanto crescer, tanta ausência, tanto ano, e lamento ser cruel a vida que afasta quando tanta omissão e lacuna existem por preencher na relação sempre virgem e de reescrita terna, que é a de filho e pai.
à socapa olho-o, fascinado pelo contraste entre a imagem da memória e a realidade que vejo. partiu um jovem com sonhos de homem, quatro anos* maturaram-no e devolveram-mo em rápido empréstimo, assim, sólido, "feito", o "miúdo" ainda espreitando num sorrir expontâneo que porém não engana, o sorrir calmo de homem adulto e feliz. dentro duma semana abala de novo, sei lá mais quantos calendários à conta deste álbum de memórias que me esfalfo a encher com novas imagens. por isso olho e, fora este descuido de vaidade em dia que é de aniversário, guardo o silêncio que este sentimento impõe, tonificado pela distância e o tempo.
vinte e cinco, completos hoje. recordo o dia em que nasceste e (digo-te, Miguel) o que hoje me dá este nó no peito é gémeo do que me fez soltar lágrimas quando soube que o meu 'pilinhas' nascera, então e hoje me ilude imaginando-me o rei do mundo - e se calhar não é ficção, quanto mais olho para ti mais acredito que sim, o sou, o rei mais feliz de todos, teu pai.

* com curta mas extraordinariamente saborosa semana, há tanto tempo como o é há dois anos atrás.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

post "de papá": os filhos bonitos

este post foi 'directo' e nem teve uma verdadeira releitura: os solavancos na redacção/virgulação e algum saltitar de teclado não escondem que o bichinho está cá, e morde.
há pouco reli-o e a vontade que me deu foi de ir já já 'compô-lo'. mas não. fica. o essencial está lá, mal contado mas está lá: falta-lhe é 'suor', trabalho de ginásio ausente mas que não esconde o principal: eu 'sei', eu percebi Montero e Oz, sei como se faz e falta é trabalho, muito trabalho, como se diz em Palmela e nos "círculos profissionais", estabilidade psicológica para cem páginas de seguida, escrita fina à luz da lamparina que, essa, também cá alumia.
quero é que um dia dê luz para contar melhor a do cabelo, se não cai mal insistir: é que eu "vejo-o" mesmo e letra a letra, ou o fumo dum cigarro que espreita naquelas costas voltadas, o bailado dum insecto em volta duma lâmpada ou a épica vida do Antunes, que foi sargento em Transmissões, atacado por um crocodilo na Guiné e divorciou-se da Lurdes mal o último filho se casou, de lá para cá passou a fase do alegre divorciado tão célere que, hoje, resta o elegante lenço ao pescoço enquanto envelhece a jogar dominó na tasca, manchas de gordura no colarinho e, às vezes, até tão bêbado que se inflama pela Lurdes e lamenta pelo crocodilo.
ai fica fica, pois!

com'é?

li esta semana que o glorioso S. L. e Benfica está desejoso de boas compras e olha nada disfarçadamente para Belém, para a tal equipa que era para ser da 'honra' e tem-la em grau que era insuspeito, o virtuoso quarto lugar di-lo: o meu C. F. "Os Beleneneses". ok, é a vida, compra quem pode e muito sonha e vende quem tem e, rasteirinho, precisa é de ganhar umas massas para equilibrar a vidinha.
mas... com'é? as contas do Paulo Madeira, já...?

(pensamento subsidiário ao post anterior)

... e eu por cá lembro-me de Rio Frio e da Ota, lembro-me que quem lixou Rio Frio foram os sobreiros e os passarinhos e a Ota vai lixar-nos é a nós todos, geração que aos vistos parece andar folgada, altruísticamente indiferente e de carteira aberta, surda a todos os pareceres que chamam à Ota de erro, e dos caros, quando comparado com o dito que se lixou, lixou-se e lixa-nos pelos estudos que confirmam que os sobreiros não crescem a norte do Tejo e os pássaros não gostam da zona da Ota para aninhar, restando como alternativa alada para alegrar a zona e a malta esses outros caros e birrentos, pássaros passarões, aviões.
(não vem de agora: já o pensava antes de comprar o calhamaço do MC)

raciocínios e tesuras; Michael Crighton; ambiente - aquecimento global; queda de mitos e pontapé nos ícones; muro de Berlin '89

estou quase no fim do último calhamaço de Michael Chrigton, "Estado de Pânico", guerras do ambiente e muita, muita, boca aberta a muita página: bem esgalhado. tanto que já me deu vontade de comprar meia dúzia para oferecer, não para 'converter' pois eu também não saio dele assim* - já o posso dizer pois estou a meras dezenas de páginas do fim e o "thriller" já se assumiu além do arrojo na abordagem ao tema.
não o faço também porque é caro, é calhamaço e isso tem preço correspondente. mas o gajo é esperto: fosse eu abonado como desejava e estavam garantidas as prendas: eu sozinho comprava-lhe 'meia dúzia', repito que não para descatequizar alguém pois, crescidinhos, da água benta bebe quem quer, mas pelo prazer que eu teria em, sei lá... natal de '70's?, receber uma ficção bem esgalhada, solidamente fundamentada, sobre... novembro de 89...
é isso: aconteceu, facto. e se...?
* extraído do livro, mais palavra menos palavra: "ser contra a pena de morte não é defender a não punição de criminosos"

quarta-feira, 25 de abril de 2007

sociedade unipessoal e ilimitada

eu quero é escrever, conversar contando o que não há lábios que saibam dizer com tanta clareza. sou um deficiente nos relacionamentos e, tendo de tal consciência e desejando redimir-me, escrevo, escrevo sem parar. nem tenho vergonha em contar que gosto mais disso do que de sexo pois sei lá porquê rara já é a queca que me deixe desvairado e a transpirar e, escrevendo, lá saem umas auto-carícias que põem direito o ego e rejuvenescem o tinteiro.
por sugestão fui directo ao terceiro capítulo daquele livrinho pequenino que o jornal Público recentemente ofereceu, de Amos Oz "contra o fanatismo". sorri até mais não - quase que foi visível!... - e lembrei-me, li-me. ainda bem que há quem o conte, Rosa Montero até esticou esticou até fazer o melhor livro que li ao tema: "A Louca da Casa", ainda bem pois eu rasgo papel atrás de papel, também desejoso em contá-lo: nasce, infiltra-se, vicia, e quando reparamos parecemos uns maluquinhos incapazes de olhar o quotidiano sem imaginar romances, tramas e psicodramas, tudo alegremente esbarrotado e naife como são todas as histórias imaginadas só pelo prazer de 'escrever' em contínuo, que importa se o caderno está ou não aberto ou se há pincel para a tela...: não se consegue parar de escrever mesmo quando se anda ao papel literalmente, a olhá-lo como o analfabeto ao palácio: gosta muito mas não sabe como contá-lo. de vez em quando lá calha e metade do idealizado, laboriosamente construído em 'escritas' no momento, olhar a tela e escrevê-la em directo mas com toda a atenção às vírgulas e mudanças de linha, há bocados que ainda são recordados a tempo de chegarem à caneta e nasce post, crónica, contadas ao Mundo as maluqueiras que pensamos e sabemos escrever - principalmente isto, pois se dá prazer queremos que toda a gente saiba como somos felizes!, é natural à auto-estima e também é a desculpa do escritor.
ninguém sabe o quanto está escrito na linha que vai do olhar perdido até à ponta onde se perde, excepto o outro olhar ausente com que acabamos de cruzar a 'nossa' trama idealizada, em que lugar está e que personagem ele é nesta linha interminável que há quando se encontra a resposta ao "porque escreves" e "como o fazes": não se pára, após começado. cada novo texto é uma aventura, um ginásio faustoso onde se exercita a reinvenção do mundo, ao menos na forma de o escrever pois ao mais que ninguém refile se até no pormenor da queda dum cabelo há matéria para uma evasão direito à escrita do seu movimento, gracioso no cair e pousando com a elegência que só um longo cabelo tem, rolando suavemente num cair preguiçoso, hipnotizante para quem o lê, e assim a ficção às vezes manda mais que a vontade, como é possível passar ao lado da riqueza de olhar sem escrevê-lo, incluindo no descrito a parte mais bela, prazer em contá-lo e imaginar o afago que tanto fez suspirar o cabelo que ele desmaiou, os olhos os lábios e depois a mão a recebê-lo em regaço, derretido em minuciosos prazeres por ir contá-lo, letra.
afinal o sorriso valeu a pena, Oz fez-me contar o meu niquito da história. os meus gelados, a minha forma de 'construir', os meus óculos de ver ao perto. como começa? se pensar bem acho que a resposta honesta será a de ter-se lido e gostado de ler, apanhar-se o 'jeito' de encher a tal linha de vazio do olhar perdido na multidão e nela individualizar ligações, juntar-lhe carga que esteja a jeito na memória para encher o cenário, e ninguém imagina o que vai em tráfego no olhar ausente de 'quem escreve' e parece ter morrido em vida, o olhar perdido em nada, no lento e extenso relato da queda dum cabelo, sentido a pele eriçada de prazer em escrevê-lo.
eu avisei que é melhor que sexo, e, mesmo esse, se pensarmos bem no assunto, tem afagos e cabelos insuspeitos tantos quantos forem os possíveis de se acreditar existirem nos olhos semicerrados perdidos na névoa do orgasmo - tal e qual o olhar o nada e a multidão e seus extraordinários dons de pilosidade, em empolgado relato: um suspiro escrito é mais lento que um roçar de lábios, ó que prazer em contá-lo, os lábios lambendo-se para recolher a sensação, os olhos olhando e recriando, escrever.
é tudo. acabei. gostei de estar a escrever isto. a, outra vez. a, quero para sempre.

terça-feira, 24 de abril de 2007

ovnis; feira popular; a Celeste; X-15; Arrabal; ortodoxia frelimista; ganzas;

Num Grupo MSN um amigo abriu uma mensagem onde abordava os mistérios que a arqueologia nos trás (no caso uns intrigantes crâneos humanos moldados em cristal, com presumíveis milhares de anos) e não tardou a abordar-se a velhinha questão dos UFO's, pretexto para eu recordar assim:
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" eu uma noite, à porta da Feira Popular, vi uns (ou um, já não me lembro bem) "discos voadores". palavra. estava comigo a Celeste mas não posso arrolá-la como testemunha pois há mais de vinte anos que não sei dela. e todos os que estávamos à porta, naquelas noites de verão em que às 'dez' ainda é cedo e faz um calor dos diachos, todos erguemos a pala e apontávamos, as luzes brilhantes lá em cima e que após umas piruetas deram em zarpar como se levassem fogo no rabo. os jornais no dia seguinte falaram nisso, se bem me lembro foram vistos sobre Setúbal e mais tarde no Algarve.
vale o que vale, mas a verdade é que naquele momento a Celeste ficou(-me) secundária e para todos tudo ficou secundário pois não havia quem não olhasse, comentasse, apontasse, os "discos voadores". sei lá o que era, e na ciência aeronáutica (a militar, principalmente essa) fazem maravilhas de que ouvimos falar pelas tvs e jornais, e de fugida e mal. nos USA, anos 50's e 60's, a febre dos "discos voadores" era o prato do dia, quase sempre nos estados do interior, mais desérticos e, claro, onde se situam as enormes pistas para os aviões experimentais. houve nessa época muita experiência acerca de formas revolucionárias, desde as tentativas de criar bombardeiros em forma de asa única, o avião era todo uma asa qual boomerang gigante, até aos do tipo do famoso X-15, um avião foguete. depois houve o Blackbird (SR-71 se não erro) e os tempos também são outros, mais informados, e foi um claro erro deixar de prestar atenção à Celeste em busca do milagre nos céus. talvez daí, sabe-se lá..., a Celeste também foi um disco voador, célere e fugidio, já agora conto essa parte para não ficarem nós por desatar.
quando me der o berro como ao cão do Miguel, a carne é roída num instante e o meu crâneo fica no melhor museu de história natural que há: a Terra, a boa terra, a minúscula para poder haver a outra, a maiúscula de todos nós. ou cremado. suspeito que ninguém irá querer snifar-me como o gajo dos Rolling Stones fez às cinzas do pai. só num filme do Arrabal (cinema Avenida, na Baixa de LM, já finais de '75 se bem me lembro) vi um gajo comer-se a si próprio, no caso manjou uma mão: dava mais jeito de levar à boca e ainda tinha a outra para segurar o prato, que o serrote tinha ele encaixado no crâneo. agora há o Hannibal e mais aquele gajo alemão que os encomendava pela Internet, tal como se faz para uma piza, mas de autofagismo (é assim que se diz, não é?), canibalismo de si mesmo, só me lembro desse. por isso quer as cinzas quer a carne voltam directos à origem, et voilá.
bem, 'tou baralhado. discos-voadores, a Celeste, mais canibalismo e o X-15. e nada em cristal. vou-me"
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bem, tive resposta. nela sou perguntado se a visão dos UFO's não se deveria a "umas passas bem puxadas" (sic) que fizeram confundir as luzes dos carrocéis com outras coisas aladas. e, aproveitando a boleia, o filme do Arrabal foi desancado de alto a baixo pois o meu interlocutor também o tinha visto, mesma época e cinema. enfim, os mimos ao cineasta e à sua obra foram abaixo de cão, coisa tão tal e tal que não me coibi em, brincando, levantar mais um canto ao tapete, que pó por varrer é o que mais por ali há... assim:
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" mais depressa se apanha um ortodoxo que um coxo!

sim, o filme é mesmo esse e sei lá se até na mesma sessão... mas vamos ao que interessa, à semelhança de posições entre a tua "crítica" ao filme do Arrabal e a posição de quem então superentendia na agit-prop & cultura da FRELIMO, que esperneou, ralhou, ameaçou, para que o filme não passasse: esse episódio foi-me contado, e não há muito tempo atrás, pelo então responsável pela ida do filme, inserido em ciclo de cinema alternativo, como o exemplo do primeiro dos muitos desencontros, coacções intelectuais, ameaças veladas e menos veladas que acabaram, logicamente, já anos oitentas bem puxados, que o bom do meu interlocutor levantasse a tenda e abalasse para cá, farto e cansado de ser ameaçado se não cumprisse a cartilha cultural oficial do regime: tu tás igual, meu! mas igual é ao outro, ao que, a seu gosto, só passaria o couraçado Potenkim e o filme da vida do Querido Líder, mais o relato épico da campanha do arroz na província de Xin-xin-Xin!....

das partes que falas e que tanto te impressionaram - as visuais, não me refiro à odora... - eu não me recordo. ando há trinta anos é a recordar-me do man a comer a sua própria mão, foi a cena que se me gravou. por isso volta não volta e quando a conversa resvala para aí, cinema dos 'velhos tempos', vem-me sempre à baila e foi aí que ele me contou a saga vivida para o filme ter passado, ameaçado que esteve até ao próprio dia da sessão em ser 'vetado', ameaças de demissões compulsivas e até dalgumas coisas ditas entredentes e bem piores... uns tempos depois gritadas a bom som, numa espiral de ortodoxia que estrangulava qualquer veleidade 'cultural' ou de 'liberdade de imprensa' que fosse além da dita cartilha "boa", que culminou, como te disse, na total incompatibilidade pessoal e ameaças directas à liberdade (pelo menos) do "perigoso reaccionário" encoberto em capa de "agente cultural". história e estórias, que é destas que se faz a outra, a com agá. reconheçamos que ao menos por estas duas coisas valeu a pena o Arrabal ter visitado a então jovem Revolução Moçambicana: terá sido dos primeiros sinais de que as águas não eram tão mansas e plácidas como se sonhava, e 'chocou' os espectadores - touchée! - ao ponto de três décadas e picos depois ainda ser falado, comentado, à mesa da interminável bula-bula do passado, mérito que em certo a maioria dos filmes que vimos não merece.

depois há os UFO's mais o resto, ganzas e Celeste incluídas. saiba Vossa Senhoria de eriçada barba que o je, ao que se lembre, na noite das aparições nada mais inalou que a suave fragância dos sovacos da Celeste e a pestilência que vinha dos frangos e das sardinhas a assar. no máximo, mas já no limite, concedo que tenha aviado meio maço de Kart, que era então o tabaco que a casa gastava. ganzas nicles, niente, n'a pas de rien. ou então tratrar-se-ia da oficial queima dumas boas toneladas de suruma apreendida, e o manto de fumo psicadélico não só bordejava a Feira Popular e inspirava oníricamente todos os que de nariz no ar olhavam o "fenómeno", como a nuvem do "pão dos deuses" se estendeu para os lados do aeroporto pois, segundo contaram os jornais da manhã, lá na torre também os viram sem que as agulhas se agitassem ou da estática saísse qualquer comunicação: "eles andam aí, eles andam aí..." :-)

enfim, verdade ou mentira nos UFO's, isso não sei. sei e lembro-me é da covinha no queixo da Celeste, dos seus lábios brilhantes, o jeito maroto do seu cabelo, a estonteante anatomia dos seus maravilhosos 'vinte anos'. em seu e meu prejuízo nessa noite 'corri' atrás de discos voadores e, fictícios como são, fizeram perder-se a magia dos encontros, dos 'dates'. no dia seguinte fomos ver um filme musical (Led Zepellin? the Who? já não sei...) ao Nimas e recordo-me de haver uma lágrima silenciosa enquanto lhe segurava a mão, num afago último à noite de paixão perdida algures nos céus da ilusão. coisas da vida, que nem sempre é celestial."

memórias, quem as não tem...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

O ruído do aparo; eu e Sócrates, covilhanenses mas parolos; o luxo de ter Sol em Abril como nem os finlandeses nem os chineses têm

Arrasto a caneta em patéticas construções como o rabo preguiçoso arrasta a cadeira, rangidos que incomodam quem tem a delicadeza de ser sem incomodar. Cansa-me escrever muito e gostava de ser poeta porque estes escrevem pouco e muito, precisam de escrever pouco para terem 'muito' escrito. Eu não: zaca-zaca, viro folhas a cuspo de tanto nelas me esconder, chinelo de medida trinta e oito que sonha jogar na NBA e sabe-o assim difícil curto como é, zaca-zaca toca a abastardar a pegada. Vou votar no José Sócrates (seja para que freguesia for e esteja ele em que associação estiver) se se confirmar algum do bruá da Universidade Independente: tenho simpatia por um gajo que é tão nabo e tão esperto que chega a general por artes próprias mas é tão parolo que cai no risco de falsificar o diploma de sargento-ajudante, aspirante a fazer pela ´vidinha’ o melhor que conseguisse se aquilo da Política “não desse certo”.
Que tem isto a ver com Poesia, ou com o meu tamanho de chinelo? o laço é a falsificação do bilhete de identidade. Explico. Como ele sou um parolo, a provar-se que falsifiquei a vida substituindo uma caneta administrativa com alguma arte e engenho – diziam alguns…, por outra em que tais dotes foram sobrestimados, tornando o tal rabo preguiçoso. Daí os rangidos ao arrastar da cadeira que incomodam quem à poesia tem o respeito devido, até pela leitura de muita da sua invejosa, a prosa. Em arrastar para a frente descobri que não é de meu jeito encontrar a pura rima da poesia, mais chiar no erro da obsessão pela rima óbvia, ter ‘diploma’.
Fechar-se-á o círculo se, a serem as coisas assim mais que sugerido é dito, juntando Sócrates a sua cadeira à minha no canto dos poetas falhados, retribuir-me a atenção e simpaticamente comprar-me um livro, cada um na sua parolice e dizendo de sorriso parvo que o que traz no colo são rosas, lindas ideias em flores e escritas, rosas e poemas, senhores.
Tenho dificuldade em avaliar o desempenho do Governo: nota-se que se esforça mas não se vê a rima prometida e, olhando-o, vejo o meu espelho a olhar para mim, tanta boa ideia e intenção mas tanta remela em volta dos olhos, amarelos de tanta ruga olharem; lá no departamento que nos governa cada mês que passa há ministros atrás de ministros que engrossam os já não escondem a cara de desiludidos com o País que era suposto governarem rumo a futuros que, vê-se na falta de sintonia e rima, não são para ele, são-lhe mundos estranhos ao seu pé pequeno e de curto ritmo. Sócrates impinge-nos a falsificação colectiva da identidade, quer transformar este Abril que para nós já é mês de Sol num qualquer calendário ‘moderno’, daqueles da Era da Globalização que dizem que é mais importante o custo da sua edição que a beleza da foto que mostram, banais folhas que se arrancam sem saudade, apenas preocupados que haja outra nova que lhe suceda, e outra, e outra, a sobrevivência. Aterroriza-nos com os rácios de produção finlandeses em tecnologias de ponta e ao dizer aos chineses que a nossa pobreza é um ‘cluster’. Como presidente de junta com uns tostões guardados, nas festividades solta foguetório para que haja bailarico, no discurso fala em um dia se ser uma grande cidade e, no dia seguinte, aperta com os funcionários para ver quem tem a licença do ‘caniche’ em atraso e vai almoçar com os empreiteiros, sonhando a sua freguesia pejada do que não é e, suspeito tal como à minha poesia, nunca será, cidade.
Somos ambos “da Covilhã”: as aspas vêm por mim que, não lá nascido tecnicamente pois razões de precaução aconselharam os meus pais a eu nascer na maternidade Alfredo da Costa, lá vivi do ano zero ao sete, antes de pisar o tombadilho do ‘Infante D.Henrique’, paquete até aos vinte. O Alçada Batista também é da Covilhã mas ao que dele sei tem mais tias e gosta mais delas que eu ou o José Sócrates, e é melhor pessoa que nós: que se saiba, nenhuma delas é imaginária, falsificada como é a política do “engenheiro” e diz-se que o seu diploma também, e já agora o tamanho do meu pé, tropeção e arrastão sem rima, viver diário sem Sol em Abril e Poesia no resto do ano que lhes valham ou o futuro prometido antevendo-se como possível, não se sendo por bilhete de identidade finlandês ou chinês, Poeta ou Escritor: nem todos os beirões triunfam, zaca-zaca a abastardar a pegada, é nas estantes que estão os romances e os livros de História e odeiam-se as rugas do espelho.
Rimar um País com o Mundo como se não houvessem fusos horários, trópicos ou glaciares, é tão utópico ou tinta perdida como acreditar que quem escreve três mil e seiscentos caracteres é um poeta e não um industrial da rima, um prosador. Toda uma fronteira de diferença, toda a arte de em poucas letras soltar um suspiro, a elegância de se saber ser governante da sua própria freguesia e não da sede de concelho ao lado, passem os seus exotismos nórdicos ou orientais que afinal pouco valem ao pé da nossa tipicidade de ter Sol em Abril, medida trinta-e-oito mas quarenta e seis sonhado e portuguesmente bronzeado, passe agora o rangido do aparo que à falta de melhor rima havia de soar.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

d'Almeirim

a sopa da pedra é mais leve quando em animada companhia. não é caldo que se compadeça com repastos solitários. feijão, batata e enchidos temperados ao que dizem ser segredo mas eu sei, só se degusta e desmói dando-lhe a honra de tchin-tchins em vinho tinto e muita bula-bula de boa casta. tenho alguns em olho para breve. ’07 mostra-se ano de grande colheita, “pão e vinho sobre a mesa” que sopa de pedra e boa companhia tem sido ementa repetida, uma coluna de valores cheia dos melhores algarismos entre todos: o relacionamento humano, olhos nos olhos ou “vis a vis” como diz a outra, mas eles sabendo o quanto conta cada silêncio escrito, os pensamentos falados no tic-tac dum teclado, que as rugas escondem sorrisos e eles brigam por espreitarem, cansados de não serem ‘ouvidos’. é aqui que entra a sopa, e podia ser uma caldeirada se fosse na Nazaré. o segredo da dita é sempre o reforço dos sentidos do aroma e paladar, lendas e mitos e ervas aromáticas, a pedra é facultativa mas todos gostamos de a encontrar: preenche um dos mais fortes sabores, a fábula onde os reinos mineral e animal se sentam à mesa, colher garfo copo e corpo ao serviço do ronronar da mente, ela de babete quando assim em confraria. no “diário” de volta não volta frequentar essas mesas, o caldo da pedra não me atrai mais que, estando o tempo a recomendar um caldo quente, o de peixe, uma rica sopa de peixe. mas, dou por mim sempre em sugerir a sopa de pedra quando por cá passam olhos que estão é atrasados na chegada ao ‘vis a vis’ pois de ‘nos lermos’ já são conhecidos, e, mal começo a pensar num jantar/almoço agradável, além do factor tipicidade a quem vem de fora junta-se um salivar que vai nascendo, eu gosto de sopa da pedra como companhia quando da outra me sento à mesa, quando cá em Almeirim é pavloviano: vou estar com um cyber-amigo ainda ‘desconhecido’? encontrar-me com quem já não vejo há que tempos? à amizade junto logo o caldo da sopa da pedra, cheira e sabe bem e desmói melhor, mesmo que haja um feijão a mais o traque não fica a soar no silêncio dos lugares vazios à mesa, que esses é que são dos cheirosos.
para além da “reunião familiar” de hoje à noite (esta manhã chegou o Miguel e já não nos vemos há dois anos, todos menos a Filipa que esteve com ele no final do ano), acabei de mandar um mail a fazer convite para stop por cá a um xitimela que há-de vir do Porto no fim-de-semana direito a Lisboa, intervalo para “uma sopa de pedra” e muita conversa, alguém que não é dos blogues mas é como se fosse: quando calha vermo-nos fico horas a falar com ela, igual ou até melhor que fazer uma série de leitura de dez posts seguidos, todos bons: os cliques do saltitar duns para outros é uma lotaria onde há vezes em que há prémio, e quando calha gostarmos assim tanto do que lemos e aparece a oportunidade do tal “finalmente! és tu o ‘tal’!”, não hesitar e espreitando a oportunidade falar também no xitimela e na tal dita, a exótica e fumarenta pedra, no caso já apalavrada e na fase de telefonema para acordar data, o que vou fazer mal faça ‘edit’. e a ementa já é conhecida!... :)

quarta-feira, 18 de abril de 2007

terça-feira, 17 de abril de 2007

pelosidades

esta tarde, ao aparar a barba - uso-a curta, tipo "de dois dias" que regularmente 'estico' - aventurei-me demais no bigode e que é de uso semi farfalhudo há dezenas de anos, e, acerta dum lado acerta do outro acabei por concluir que o melhor que conseguia já só era reduzi-lo à dimensão da barba, um pouco menos aparada... enfim, há sempre uma não razão para acabar com uma tradição.
mirei-me bem e não gostei. o ânimo só chegou quando a Paula veio e, no pós choque, comentar que eu estava dez anos mais novo. muito gosta de mim esta mulher e tão farta que estará do chato de bigodes... bem, mirei-me bem no espelho e por mais duma vez - há qualquer coisa na imagem que faz com que aquele não seja eu-eu... -, e verifiquei que tenho o lábio de baixo 'torto': num dos lados a pele do queixo quase tocando o lábio de cima, só com um consolador traço a unir e a separar. do outro lado, o lábio bem desenhado: que os tenho bonitos, facto, fora o pormenor descoberto e revelado. do mesmo lado existe a já minha velha conhecida diferença nos vincos de expressão da face, em que numa delas é mais profundo que na outra, mais vincado. isto, já conhecido, agora aliado à revelada diferença no lábio, fez-me pensar em se terei tido algures uma mini trombose, coisa tão ligeira que se confunde no saco do irrecordável dos soluços, e aquelas são as marcas, é a fotografia da sua passagem. sei lá, sei lá mas a cara é minha e é nova, é-me nova, deixem-me gozá-la em primeiro lugar - que inclui seus possíveis mistérios e possibilidades ficcionais.
bem, mas a razão da crónica autobiográfica é outra: a dado momento da observação, já depois do "que horror!" e a Carla ter-se refugiado na sala, furiosamente a ver concursos na tv, a Paula observa o que depois confirmei em pormenor como agora era bem visível, sob a mata mal plantada em que ficou transformado o meu venerando bigode: no lábio superior há uma cicratiz, e recordo-me bem de que foi à porrada. de quando-quando em exacto já não me lembro mas sei da idade doutras duas em igual origem que tenho; a no nó dum punho, felizmente já quase desaparecida, terá sido aos dezoito, dezanove, e, a mais antiga de todas - ao que me lembro... - ainda terá sido feita cá em Portugal, Covilhã, antes de aos sete ir para Moçambique: tenho uma mancha no branco dum glóbulo ganha num jogo de "à pedrada", eu cá e tu lá e até podemos ser amigos pois somos vizinhos e tudo e temos mais brincadeiras fixes mas, entretanto, jogo é jogo e toma lá, estou quase-quase a acertar-te... duma vez calhou-me a mim levar com um calhauzito qualquer num olho e ficou marca para sempre. mas o tal, o do lábio, o 'novo', esse que veio em momento de que não tenho grande memória - olha quem, para esquecer as cargas de porrada que leva eh eh... esse situo-o algures nos quinze, à volta dessa idade ou até um pouco menos; sei lá porquê pois nunca me considerei muito 'brigão' mas volta não volta estava metido nas amarelas e aí tanto cai para um lado como calha para o outro, é sempre uma chatice.
cabronas de marcas. mais a trombose fantasma que me entortou um lábio e fez-me a cara como se estivesse permanentemente com ela torcida em desdém ou resmungo, mais o raio do lábio torcido, agora. acresce, junta-se no espelho, que há dias e dias que ando com a minha honrosa ponta-batata do nariz vermelha, eu que não tenho ido além duma raríssima 'imperial' com uma refeição fora de casa, e normalmente até bebo Coca-Cola ou água lisa.
tenham cuidado, tenham muito cuidado: aparar sim, mas com lembrança do que está por baixo das pelosidades, há tromboses e tremores fantasmas a espreitar, há cicatrizes espalhadas por tudo o que é canto e, às vezes, basta um aparar descuidado e vêm-se ossadas do passado, cabronas de marcas. quanto ao resto, estou hipocondríaco de mim: suspeito e acho má cara ao gajo sem bigode no espelho, novo demais a uns olhos, ainda mais desse demais se aos meus - esses, que reconheço.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

contas por/para encerrar

Numa parte qualquer do Xicuembo-livro fecho uma página, com tintas de empolgada e em relação ao período revolucionário moçambicano, com a pergunta mais coisa menos coisa: que se passou entretanto para, em três meses (?) ter-me metido nas bichas do consulado português e tirado o passaporte, tratado do mínimo resto e ala que se faz tarde, Mavalane way?
Há dois meses atrás conheci na Póvoa um intelectual com longas décadas de intervenção cívica e política, vividas e escritas e que não deixam dúvidas sobre o seu posicionamento ideológico e quais as piscinas políticas onde nada quando desvia as braçadas do seu pensamento dos mares académicos em que veleja em letras grandes, vela de referência, e, tratando a conversa à mesa (as melhores, sei lá se do informalismo do jarro se pelo agradável do treca-treca no vozear de pratos à frente) de memórias de Moçambique e da sua revolução, os sonhos e os dramas, comentou-lhe gozão o L., que estava á minha frente e que era quem eu conhecia pois ele é que chamou o H. para o seu canto, a meu grato benefício pois não o conhecia senão em nome e muito vagamente: a exemplo nunca tinha lido nada dele mas, por isso, pelo que gostei do relacionamento com a ‘personagem’ quer na informalidade do tal trato à mesa, quer depois aquando da sua alocução na Mesa em que estava integrado (uma das melhores que lá ouvi, e ouvi muitas), bem, falava-se da democracia popular, da onda revolucionária e de como ela é dada ao exagero acerca do aprazível que é o mar das ‘ditaduras do proletariado’ ou das ‘democracias populares’, e como disso foi montra o Moçambique de 74/75, diz-lhe o L., rematando uma conversa em que se abordara as razões que levara tantos como o H. a “abandonarem” a revolução moçambicana e o país, no caso dele mesmo com portas muito grandes declaradamente abertas, mão estendida ao seu ingresso: “houve uma altura em que o H. era dos poucos brancos que assumia que queria continuar branco!”. Claro que se falava na população ‘engajada’ nos ventos revolucionários e não da que lhe tinha profundo eczema.
Sem a mesma clareza de explicação intelectual/ideológica que do H. se tratava e, por via do seu exemplo, se justificava (vivi e vivo há três décadas com a conta mal-arrumada do meu ‘abandono’ da revolução moçambicana), senti esse sentimento crescer dentro de mim até se ter tornado incontornável, mais a mais sabendo-lhe cura e apimentada pela aventura de ir conhecer um Mundo mais "evoluído", ao que todos contavam e o cinema injectara anos e anos – todos até ao momento: a Europa, afinal minha matriz cultural, raiz familiar e até berço. Ao desconforto ideológico cada vez mais forte aliou-se à realidade de saber de claras provocações e perseguições racistas sob capas revolucionárias, uma mão de casos a que assisti, neles um ou outro onde fui personagem. Daí à bicha e ao passaporte “do passado” foi um instante. De ter declarado de todas as formas que me eram possíveis que Moçambique era o meu novo país e eu era e queria ser cidadão moçambicano, passei a uma inscrição no consulado como “estrangeiro”, tratei de me despedir no trabalho e de dar fins aos tarecos, nasceu uma agenda de bolso com números de telefone e moradas ‘em Lisboa’, fiz um plano mínimo e tratei de burocracias como o tal “papel azul”: ainda o tenho, não há muito tempo atrás e a mexer em pastas com papéis amarelados dei com ele, a colecção de carimbos que diz que eu nada devia ao fisco e aos serviços públicos da cidade, ela a dizer que, contas feitas, não tinha o menor problema em ver-me pelas costas, leitura desagradável mas que não evito quando dele me lembro: se eu queria “fugir”, a cidade, o país e a revolução também não mostravam irem ficar com saudades minhas, tantos carimbos a darem-me oficiais despedidas.
Um desencanto que foi crescendo, um desconforto diário, uma certeza em “eu não gosto do que está a passar aqui, eu não quero viver assim”. Tinha vinte anos, alguém a rondar os trinta era “um velho” e nos meus círculos de relacionamentos íntimos não havia ninguém com quarenta ou mais. Comprava o “Luta Popular” e outros quando lá apareciam e não podia deixar de me abismar com a liberdade que havia na revolução do meu ‘outro país’: as manchetes, os relatos das manifestações e a liberdade intelectual que adivinhava pelo que lia, não podia deixar de compará-los com o que se passava no meu dia-a-dia, na revolução que lá vivia. E a pobreza intelectual dos artigos e colunas do jornal e da revista de lá, então acho que até únicos: o “Notícias” e a “Tempo”, quando em confronto com o que me vinha em qualquer publicação que conseguisse, vinda ‘de Portugal’. Até da “Afrique Asie” que era então a minha única leitura internacional que recordo. Em Moçambique-LM editava-se só propaganda, única e de má qualidade como norma. Mesmo os ‘textos revolucionários’ em livro que imperavam nas livrarias era da cartilha aprovada, e não havia lugar a devaneios intelectuais alternativos, a exemplo os textos anarquistas e da quarta Internacional e outras dissidências desaparecem após a (boa) euforia livreira do pós 25A: havia livros que já não se compravam e cobiçavam-se a quem os tinha, restava ler “A Sagrada Família” do Engels (comecei este ‘n’ vezes e nunca consegui ir além das primeiras páginas, por isso o cito à cabeça), e inflamados discursos de Enver Hoxha e Kim Il-sung, a exemplos da parvoíce com que enchia o cérebro, e é se queria ir além da dieta nacional…
Depois havia o racismo de sinal contrário que era utilizado em abuso justificado com os abusos do outro tempo, perguntando-me eu o que tinha a ver com isso além da coincidência pigmentária… só que ouvia e via, e também recebi a minha dose, e não gostava do que ouvia, via, e senti. “não gosto disto assim, vou-me embora”. Dito e feito. À minha maneira e portanto às meias pancadas e por isso esta conta que sempre tive como mal encerrada. No fundo no fundo eu, passada a vertigem da tal onda, já esticado na areia da praia após os irresistíveis mergulhos na sedutora, pensava para comigo que não via mal nenhum em ser ‘branco’ e (já) não queria ser ‘preto’. E se em relação às paixões revolucionárias não sentia perda de fulgor, já era muito baço o brilho duma onde tais práticas existissem, tornando irreais os discursos oficiais. Perdia a galope acusadores emaranhados intelectuais pela cor da pele que tinha e assumia que gostava dela, gostava de mim assim como era e não via erro nenhum nisso, nem na cor nem em mim. E não gostava que não gostassem de mim por pensar assim.
Foi mais ou menos assim que “fugi”, estão aqui quase todas as parcelas desta conta que tenho por fechar. Se digo ‘quase todas’ é porque há sempre em cada um de nós um qualquer pormenor vivido que se nos agigantou a passou a estatuto de parcela, e das fortes, dalguns calhará falar valendo o que vale o testemunho sempre emocional de quem foi parte, doutros nem isso merecerão tão menores que são os 'grandes' problemas quando olhados ao telescópio que o tempo lhes arranja. Enfim e em resumo, em ‘três meses’ devolvi a casa ao senhorio, dei ao Luis de Brito, o meu melhor amigo, os livros e os lp’s (desconfio que se desfez dos primeiros ainda eu estava em voo, mas acredito se me disserem que os meus lp’s ajudaram a muitos fins de noite em ‘boa onda’), comprei bilhete e fiz duas malas, numa delas uma lata de pó talco “Jonhson’s” com, lá dentro, uma pequena banana de suruma de Nampula embrulhada em capa dupla de plástico, que nem isso a salvou de vir a ser autêntica pestilência fumada, tal o cheiro que deitava. Entreguei a BSA ao pai do Luis Kurika – era o acordo de quando lha ‘comprei’ por, salvo erro, dois contos e quinhentos: se eu mudasse de ideias e viesse para Portugal, deixava-a ao pai pois podia ser ele a mudar de ideias e a regressar a LM; o carro que tinha ‘herdado’ quando o meu pai faleceu foi entregue à minha mãe para o vender, e nada mais tinha ou trouxe além de quinze contos que transferi ao abrigo dum acordo qualquer de câmbios de divisas e com bichas numa esquina qualquer da praça 7 de Março, mais quinhentos escudos que troquei no aeroporto. Trouxe um lp com discursos do presidente Samora, que me aprestei a dar a uma 'velha' paixão e que ela recebeu com cara amarela. Eis as parcelas, arrumadas num instante. Menos a ‘tal’, a que não olhava de caras e que deixou a conta por fechar trinta anos: havia racismo “contra o branco” que ia muito além de margens dissimuladas, e eu nem tinha culpas pessoais pela saga colonialista nem vergonha em ser ‘branco’, dando-me mal com a constante ameaça e episódica realidade de, por tais, ser pessoalmente 'acusado'. Hoje, finalmente hoje, aceito que tomei a opção certa.
Estou a ficar fã de pontos finais.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

purgatório

na clássica divisão do condomínio lá de cima o Purgatório nem é carne nem é peixe, será como um albergue espanhol onde se espera que duma celestial lupa advenha uma revisão de sentença. as bacantes, essas doidivanas, deverão ir direitinhas ao Inferno, alegremente a infernizar as eternidades que lá pairarem. às musas, as seráficas, está guardado o dossel do Céu, obviamente, e ai de quem se queixe que eu não se lá me alanbazar.
extraio que no Purgatório ficam "nem carne nem peixe", nem inspiram nem (me) suspiram, outra grande razão para desejar o eterno Além bem definido e sem passar pelo entreposto de triagem. porque acreditar em vida para além da morte inclui acreditar na continuidade do frou-frou da sua vertente sexual, seja na quietude das santas nuvens ou nos encalorados domínios do caldeirão.
este post é obviamente dedicado aos crentes na eternidade das coisas que praticaram como boas, vida e suas musas e bacantes em primeira linha.