quinta-feira, 12 de abril de 2007

Messenger - 6

Ela:
então? paraste o blog? outra vez?
Ele:
é...
Ela:
não sabes o que lá hás-de escrever, é? falta-te inspiração?
Ele:
não é bem isso...
Ela:
então? (smiley sorridente, amigável)
Ele:
ou é. já nem sei. acho que o que escrevo não deve ser tão público. ainda à dias perguntei num post se era importante 'ser lido'. e digo-te, Inês, ainda não consegui responder bem bem a essa pergunta... baila-me cá dentro e ainda não encontrei resposta que me satisfazesse.
Ela:
então? (smiley interrogativo) porquê? porque é que fizeste este?
Ele:
manias. vício. cagança. fui na onda
Ela:
meti-te link e tudo...
Ele:
eu sei, já vi (smiley envergonhado)
Ela:
....
Ele:
tens ido lá? todos os dias?
Ela:
sim! e fico chateada por não haver nada de novo
Ele:
"nada de novo"
Ela:
isso
Ele:
...........
Ele:
gostas mais de me ler ou de estar comigo, "ao vivo"?
Ela:
isso não vale!!!! (smiley zangado)
Ele:
respondeste
Ela:
isso não vale... não é a mesma coisa
Ele:
respondeste de novo...
Ela:
tu tás parvo. já te disse que não é a mesma coisa (três smileys zangados)
Ele:
podia falar no Sócrates mas não quero. prefiro ler os outros
Ela:
tás cheio de medo de escrever!
Ele:
talvez
Ela:
podias escrever daquelas coisas bonitas que às vezes fazes... (smiley piscando o olho)
Ele:
esse às vezes é que me lixa... é por isso que puseste o link?
Ela:
claro! bem... também porque sou tua amiga, né? (smiley sorridente)
Ele:
má razão. os amigos falam, não se lêm
Ela:
ora essa!... queres dizer que se eu não tivesse um blog eras mais meu amigo???
Ele:
não é isso Inês. não era isso que queria dizer
Ela:
é é (smiley triste)
Ele:
não, Inês. é por isso mesmo. tendo "um blog", "escrevendo", perde-se a nossa personalidade, passamos a ser o que escrevemos. e eu não sei se gosto disso... (smiley triste)
Ela:
....
Ela:
explica-te. tu és um gajo complicado, sabias? (smiley sorridente) afinal queres ou não queres "ser lido"?
Ele:
já te disse. nem sei se vale a pena além do tal "às vezes"...
Ela:
entendo...
Ele:
os escritores eremitas escondem tudo o que escrevem. já o li. depois, ao fim de muito tempo, calha mostrarem. como o Luandino
Ela:
também li isso... gostavas de ser um? como o Luandino?
Ele:
eu??? lol
Ela:
(smiley a piscar o olho)
Ele:
bem, quase eremita já sou. e 'escrevo' todos os dias
Ela:
... só que tens medo de não fazeres 'todos os dias' coisas bonitas...
Ele:
poissss....
Ela:
és parvo!
Ele:
???
Ela:
ninguém o faz! nem o teu querido ALA!
Ele:
... mas a malta dos blogues acha que sim, que todos os dias se escrevem "coisas bonitas"!
Ela:
és mesmo um gajo complicado! um blog é SÓ um blog! (smiley triste)
Ele:
gosto mais de ter esta conversa contigo, aqui, do que estar a escrever qualquer coisa sem jeito para o blogue...
Ela:
(smiley sorridente)
Ele:
(smiley sorridente)
Ela:
amigos? (smiley de lábios a beijar)
Ele:
claro. sempre. o nosso link é outro lol (smiley de lábios a beijar)
Ela:
vá... vai lá escrever alguma coisa para o blog...
Ele:
... ou para a arca do eremita eheheh
Ela:
kiss. amanhã tc outra vez, ciao maluco (smiley sorridente)
Ele:
ciao, Inês. vou escrever-te "uma coisa bonita" (smiley a piscar o olho)
Ela:
eheh és mesmo mangusso, seu eremita safado! fui............

segunda-feira, 9 de abril de 2007

9-4-1955 - ?

(hoje faço 52 anos inteirinhos. «'tou velho», o primeiro pensamento... bem, se calhar estou mesmo pois passei o dia a ouvir o "My way" e a escrever mensagens de tom fúnebre. nos intervalos da auto-comiseração fui receber uma conta - e pagaram, bem bom... -, fui a uma consulta médica e a sumidade sossegou-me, e fui pagar uma conta atrasada de electricidade pois já estava sob ameaça de corte. a vidinha em real time.
de bom bom foi o telefonema que recebi do meu filho que me disse chegar a Pt daqui a menos de quinze dias e, o sol dele, está apaixonado! para além de mo ter dito senti-o na sua voz, na forma empolgada como me/nos contou do seu amor...
afinal o dia que nascera carregado de cinzento de aniversários de mau agoiro está a terminar bem. a vidinha também tem disto, e que o ponto de interrogação se mantenha por muitos e muitos no vago omisso de por cá andar, uns dias assim e outros como calhar.
também espero que o blogue vos conte mais além do trivial, da vidinha afinal igual a tantas todas. senão, para quê? os 'diários' não são por tradição secretos?)

sábado, 7 de abril de 2007

manual de construção de papagaios fálicos

parei de existir. pairo, um cordão preso a um pé para não me deixar levantar muito e para ser puxado quando (me) calhar. além dos óbvios balões (eu pensei num tipo salsicha, vermelho e com uns cornos e um nariz em linguiça numa ponta - reparem que não disse "com uma pila na ponta") lembrei-me dos papagaios, no gosto que dava fazê-los, arranjar o caniço perfeito, resistente e sem lascas, o papel, a fita para o rabo do lastro onde lá calhava dar largas à imaginação e não era só laçarotes que depois voavam, ondulantes.
o fio. lembro-me sempre do fio. como sabem o meu pai foi padeiro muitos anos, "industrial de panificação" oh yé, e eu pedinchava e às vezes recebia grossos rolos daquele fio em que as sacas de rainha vinham cosidas, bem resistente e uns bons dois metros e tal em cada saca pois ele cosia dobrado. é que desde que o papagaio voasse - e depois é que vinham as 'afinações' ao lastro para o estabilizar, etc, - o truque que 'fazia a diferença' era o tamanho do fio. quem não se recorda de meter a mão em pala, binóculo para olhar um papagaio que se perdia no céu, pequenino e gigante, tão gigante que se perguntava 'de quem é?' e depois vinha a correria do " 'bora lá ver!" e, lá na ponta mestra do fio, numa mistura derretida entre o orgulho e o à rasca, havia um puto (e também uma ou outra vez eu) que segurava a linha e sentia-a como a tarefa mais importante que naquele momento se passava em todo o Mundo, "ele" aos comandos tal como doutras vezes se teleportara para o cockpit dum jacto, nas sombras das noites mais quentes correra escondido ao longo dos muros do prédio, mochila a tiracolo cheia de pilhas-granadas e uma lanterna na mão, um molho de pedras no bolso e entre a camisa e o calção a pistola que fora dos cow-boys quando ele era miúdo, ora, de facto e nas sombras da noite, um temerário guerreiro que zelava pela segurança do prédio, da família e dos amigos e dos vizinhos, perante ou o pesadelo dos 'turras' de que ouve falar ou sobreviventes dos nazis que tenham estado escondidos, e ele vai-os "caçar", infalível e imortal. que durava até soar o odiado "ó Carlitos! ó Carlitos! anda para casa que já está muito escuro, anda te deitar! ó Carlitos!".
papagaios. pairo. quem me dera ser águia e agarrar o cabrão do papel, fugidio como o papagaio quando apanhava ventos acima dos topos dos prédios, das árvores. árvores: o terror deles, assim como os fios dos postes - mas esses era mais para ao pé da estrada: nos terreiros internos do bairro se os havia era só em linha única, e já gozas. o fio enrolava-se num pau, e quanto mais fio era maior era o artefacto e mesmo nessas merdas o tamanho do joystick impressiona, (ou da fama não se livra), mais se inchava o peito e tremia-se por dentro com receio de correr mal, o pior de tudo que era nem levantar voo - mas isso imputava-se sempre ao 1º candidato a "depois deixas segurar um bocado?" que ficava com a missão de se esgadelhar todo a correr com o papagaio levantado no braço, coitado que à conta do desejo de segurar os comandos por "um bocado" servia de motor e desculpa para erros de construção.... o caniço principal, o vertical, teria entre o meio-metro e os setenta centímetros, pois essa coisa de construir super-papagaios é treta, ficam tão pesados que nem dois 'tractores' simultâneos - e em dia de vento!... o conseguem fazer ganhar velocidade e altura para, por si, se elevar. o peso... depois o 'horizontal' terá metade e mais um bocado, o rabo (que 'pesa' e bem... tem de ser comprido q.b., ou seja é coisa que só se v~e quando estiver no ar, tira-se e põe-se, "afina-se". mas nunca é menor que para aí o dobro da altura do papagaio. (além de que tem pinta vê-lo a ondular, cobra aérea que morde o papagaio e enche a paisagem no seu movimento hipnótico) o papel obedece como tudo aos factores peso e resistência, em inversos. o de embrulho, pardo - não confundir com o para o bacalhau, rude e sem mais jeito que para o salgado e bilhetes "fui à loja e não demoro. não desarrumem" - de tipo 'de seda' e onde se faziam desenhos cuja visibilidade era incompatível com a glória do seu suporte, que era voar até "ficar longe de vista", Peter Pan disfarçado antes da massificação Disney e quando ela era o regalo de Super Pateta contra o Mancha Negra, os queridos irmãos Metralhas (adorava o 13 13 !... lol), o cofre do Patinhas e mais a mítica moeda nº 1 - hoje há o Euro Milhões, é (-me! -me!) substituto? - e das patinhas todas gostava da vovó Donalda e da namorada do Peninha, uma pata freak que aparecia pouco mas era uma maravilha!... nunca gostei muito dos ratos, se não entrasse o Bafodeonça às vezes nem as lia. os sobrinhos também eram fixes e o profº Pardal uma maravilha. ele e outro que havia, agora não me lembra o nome. vocês sabem que tudo aquilo que eles inventavam, era absolutamente claro e viável, necessário, e era brilhante eles terem-se lembrado disso, tão óbvia era a sua viabilidade teórica e necessidade social? e o Super Homem existe, o Batman e o Capitão América são mal-encarados mas o Super Homem existe e até se lhe sabia os porquês, como ficara assim e donde viera, os pais, em miúdo, a kriptonite, tudo isso? claro que sabem, o Super Homem existe, tal como os papagaios: é preciso é desenhá-lo - construí-lo.
depois é voar, dar-lhe fio, por vezes puxá-lo e até dar uma corrida para forçá-lo à resistência do ar e ele trepar por aí acima... e 'comandá-lo', quando começa em loopings (mau sinal, rabo muito mal calibrado...) e a ameaçar fazer um mergulho directo a um telhado uma copa, um chão sabe-se lá onde, metros e metros de fio enredados por tudo o que é crosta abaixo do céu que o papagaio recusara. quando calha eleva-se, e não há puto mais feliz em toda a rua, não há impossíveis e o céu fica à mão, paira-se junto com o papagaio, o rabo e os laçarotes e toda a tralha ondulando, esta merda dos papagaios é fálica e ainda por cima na versão pedofálica (não confundir nem baralhar), o que está muito certo pois a pilinha, a existir, não se situa lá em cima na cabeça da salsicha-balão mas na parte de baixo, para os lados do cordão que prende os sonhos à terra e, maior terror, partir-se e perder-se a tesão (coisas 'de gajo', e à matéria digo estou bem, obrigado)

é Páscoa. nada me diz além do trivial. o feriado e a tolerância de ponto de quem anda com as cuecas no ar por causa dum faitdivers transformado em diploma nacional, o farejar para morder a canela se ela estiver descuidada, esta nacional "à espera" de ajuste de contas com o odiado e amado, o charme do autoritário - «haja quem mande!...» e a rebeldia e a revolta por, em contas muito simples, sentir-se que alguém nos anda a chicotear como se esta merda da UE fosse um hipódromo e eu, pacato cavalo que só não quer é ser pileca, fosse obrigado a sempre, sempre, cumprir não sei quantos segundos por volta, senão lá vem o chicote. o voto não foi um bilhete de aposta de tão, tanto, valor. este murmúrio surdo procura megafones, espartilhado que se sente busca até no irritante silvo da panela de pressão uma imagem do silvo que nele ouve, sente. "o diploma" espremido dá isto, todo o mundo já percebeu que há/houve é a cagança dos títulos mas que burocraticamente terão havidos os cuidados devidos e as formalidades académicas cumpridas: não é falso. mas... mas o assunto não morre e há um ouvido nacional a ele ligado, voz de fundo e em baixo volume mas não apagado, se se lhe descobrir um carimbo fora do sítio ou outra maneira de lhe morder as canelas ninguém hesita, e lá vais disto e agora toma pelo que nos tens andado a fazer, cabrão!. é Páscoa, pois é. ontem almocei e jantei carne o que suponho ser pecado menor. para me redimir à noite fui ver um 'musical' religioso (a Webita anda nessa fase de participar no fenómeno místico) e até bati palmas a umas cenas, além das de pai-babado. para completar a absolvição e ela ser mais ampla, à saída do cine-teatro estava a passar a procissão da concorrência e aguentei-a até aos últimos sem recolher ao interior. vendo e sendo visto, involuntariamente incluído na exibição de forças entre Situação e Oposição, maiorias e minorias, concorrências.

dia catorze passa na Culturgest (CGD) uma colecção de 'curtas' sobre e de Guy Debord. quero ver se vou, se meto fio ao papagaio e o molho de pedras no bolso como lastro. gosto do cheiro de Lisboa, perdoe-me quem está fartinha dele. gosto do cheiro da poluição, do buzinar, das multidões. dum snack em cada esquina, das bancas de jornais com milhares de capas, do cheiro a fritos e dos cromos, gosto de Lisboa. a Culturgest é pretexto, e suspeito que o Debord sabe-o, soube-o. catorze, que já não é Páscoa, lá vou, haja o pairar. mai-lo namorar a namorada do Peninha, pitinha e freak, oyé!.... :-)

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Messenger - 5

Ela:
"oi"
Ele:
"oi"
Ela:
"tás fixe? já h ´tempo k não apareces. xatiado cmg?"
Ele:
"..." (smiley envergonhado)
Ela:
"k foi? conta..."
Ele:
"parti um pé kd estava a tc"
Ela:
"????? cOMO?????"
Ele:
"a m mulher devia estar c ciúmes e veio sentar-se no m colo e eu t/um pé mal apoiado"
Ela:
"lol" - e bloqueou-o para uma (melhor) convalescença de, digamos, um mínimo de trinta dias.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

em letra pequena

olho as estantes, cheias, a abarrotarem de páginas por ler. delas vem o cheiro de naftalina dos sonhos acabados no tampo desta secretária onde não há um papel escrito que valha a pena ler, e se levanto os olhos vejo o diário virtual que anos de monitor me mostram. o resto do cenário é o princípio, meio e fim do post.
há coisa dum mês e picos atrás, um tipo que conheci e que é um gajo porreiro, pensa e escreve bem e é tão razoável no trato como qualquer urso fora do habitat, felizmente, enquanto me indicava uma nesga de sol - "o mais importante...", segredou-me - pôs-me a Dúvida assim, os olhos mirando a tal nesga de céu que valia a pena olhar: «e será mesmo importante ser lido?» eu fiquei calado, sentado no muro como se tivesse recuado no tempo e estivesse de novo a começar, a reparar minuciosamente na laçada, a pergunta certeira, lança, lança em flanco com muitas fraquezas, e que ficou mal sarado pelos vistos com esta pluri reincidência, já mania.
leio parte da resposta aqui. parte. a parte que me diz que, lá calha, há vezes em que 'se escrevem' coisas catitas, peças de boa escrita e cheias de substracto, "bem esgalhadas". fora nove-em-dez que são rascunhos e ideias abandonadas, rolinhos de papel que fazem qualquer um armar-se em basquetebolista e 'sacar' dois-pontos sem espinhas, pumba no cesto. coitado do blogue: de vez em quando enche, enche, e no tampo da secretária nada. leio a parte que diz que o escrever para municiar bolinhas de papel, com elas a caminharem para o cesto sem fazer tabela no monitor, é coisa em nada compadecida com o gasto contínuo da produção diária de posts, o gastar da criatividade na escrita, "secá-la". portanto muito do que se 'edita' num blogue non-stop (todos) deveria em vida não virtual não ter outro caminho senão o óbvio, o caixote do lixo do que sabe que, tentando de novo, faria muito melhor que aquilo, bolinha de papel e dois-pontos, começar de novo, afinal as estantes preservam tanta coisa boa. qualquer bloguista o sabe, mesmo as 'eminências' quer dum quer do outro mundo, escritos.
falta a outra parte. o Sol que brilha numa nesga e dá gosto ficar a senti-lo - a única resposta que em mim encontrei, lá, lá à porta do meu então 'topo do mundo', uma espécie de congresso de escritores. o orgulho de quem escreve é o seu sol, essa chama aquece-o. olha para as estantes e acredita, e esses momentos quando acontecem há vezes em que geram coisas de que há orgulho suficiente para desejar serem lidas, (com muitos dois-pontos no meio, não esquecer... ), é tão bom estar ao quente do sol, nesga, nesga boa em manhã chuventa, tristonha. a nesga é a outra parte: está lá o sol que se procura, sentado no frio muro de cimento do quotidiano. porque há coisas que escrevemos (todos) e de que nos orgulhamos, tanto que as desejamos lidas por não duvidar em que serão apreciadas.
força. toda a força a quem pensa e escreve bem e é tão razoável no trato como qualquer escritor pode ser - ei-los bichos, e a Rosa Montero contou-o bem no "A Louca da Casa", tanta página onde me vi ao espelho... há um mês e picos que me releio e penso em tabelas de basquetebol. a pergunta: "será mesmo importante ter um diário público, um blogue?"... e, parando, que laços se quebram? é justo fazê-lo, havendo quem queira 'saber de mim', o que escrevi? clic, e acabou-se, morre? a verdade do meu lado é a de que dei mais um erro ortográfico e este é o quinto blogue, com umas três (com esta) promessas-e-juras de ser aquele o abandono definitivo. mas verdade verdadinha é que tenho o tampo da secretária vazio, olho para cima e vejo as estantes cheias com tanto livro que nunca conseguirei ler, e, mais perto dos dedos e na beira do tampo da secretária vejo o monitor, carregado de ensaios & bocados, um ou outro conto ou crónica com princípio meio e fim e cosidos em escrita de "está bom, não mexe mais".
ela também vai manter a folha-em-branco do monitor e, lá, eu e ela e todos fazemos tabela quando atiramos posts-rolinhos de papel, para dois-pontos e começa-se mas é outro que aquele 'já era'... que haja força para manter o outro registo, o papel não público antes de terminado, o 'não ser lido' antes de ser realmente importante sê-lo. o "escrever no papel". olho as estantes e penso que do bom que tenho lido extraio o que não vou conseguir ler, e perder por não ter encontrado essas palavras que alguém pensou como importantes de serem lidas, encaixilhadas em formato standart. que, seja sobre que tampo for, têm é de ser escritas pois tu sabes fazê-lo, e bem: FORÇA, MUFANA!

masturbações a grilos

da minha obra poética
relevo o nada, esse tudo.

o níveo que porfia o branco
da ebúrnea folha, enfado
e vazio, meu cândido tudo.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Messenger - 4

Quando entrou na Urgência ia quase cadáver: os dedos das mãos tinham como sinal de vida o tremor das tendinites, o palpitar das chagas sobre cicratizes.
Ligaram as máquinas todas, o desfibrilhador cardíaco, deram-lhe injecções e chapadas mas tudo debalde.
Até ligarem a net e o Messenger, e ele teclar em tamanho 6 «puta k pariu o vosso mundo»; meteu um smiley 'zangado' e bloqueou toda lista de contactos, em silêncio igual a uma internet desligada, então e só então foi-se.
Puxado o lençol e fechada a janelinha, restou a caixa-de-correio que quinze dias após o funeral ainda recebia spam e pps's de florinhas e anedotas, mails com insultos vários.
Quando entrou na Urgência era quase cadáver e não um inteiro pelo vício do Messenger, teclar, teclar, teclar, era quase cadáver porque já nem conseguia falar: e faltava despedir-se...

"diz-me, espelho meu..."

surdos. surdos além dos seus pequeninos pensamentos. “ninguém ouve ninguém” – disse-me uma ela, não é importante quem. ela, idem praticante, idem todos todos cegos na contemplação umbigal, tão lindos tão feios que são, somos…
somos uma cambada de heróis. arquitectamos planos de destruição alheia à medida das derrotas sofridas, às vezes nem isso mas só suspeitadas – as ‘fraquezas’ e as ‘inseguranças’, os Medos, medo do Outro: tanto que já se filosofou sobre isto e ninguém lê, ninguém ouve ninguém… mentalmente construímos edifícios de pés pequenos, medida nossa e isso não aceitamos. “não altero a minha maneira de pensar que já tem anos”. e porque não? se? se ora envelhecida, mais que as rugas que disfarçamos? sedimentada, é? vale mais um creme, uma coloração do cabelo, uma limpeza de pele ou uns dentes novos? não se usa a maiúscula na palavra verdade porquê? perene, porque é perene e sujeita a contradicta contínua e mais longos são os Medos, a centenária surdez e os altivos muros da individualidade. também a falsa segurança dos bastiões, a solidez da nossa verdade abusivamente maiusculada em regime de permanência. daí não ouvirmos, cegos como ficamos no desespero de procurar argumentos que defendam a nossa Verdade, quando se lêm lanças em lábios que não são do nosso espelho, querido, mil vezes reflectido e querido…
e para quê abrir os ouvidos, e deixar o cérebro tratar o ouvido, se o mundo é (tão) injusto, se não nos ouvem a nós quando aliçamos, quando dizemos e não somos ouvidos? oh, mundo cão, rafeiros que todos somos, desesperados na busca do nosso osso e deixando mijinhas em todos os cantos em elegante e alçada perna, vestida à medida do nosso espelho. ninguém ouve ninguém. eis um drama humano, o vozeirar e as "palavras sábias" que ninguém ouve na multidão. multidão? que multidão-desculpa é essa se nem quando os olhos vêm outros olhos nas ondas das palavras, nem assim o seu afagar é bem recebido e se mergulha nas ondas d'olhos que vêm? as tais que no solitário da praia são prazer, e molham com desconforto quando vêm de olhos, palavras d’outros, o Outro? quem ouve quem? alô, alô! morremos todos? maldita insegurança que nos leva a, tais castores de rabo alçado, passarmos o tempo a edificar muralhas, em pânico por não serem à prova de som?
dizem – e acredito muito, ao que ouço e li – que há um livro que trata com azedume, natural, e com pontaria louvável o nosso caso particular, o 'tuga': “O medo de existir” de José Gil. irei lê-lo logo que puder, ainda não calhou e mantenho a minha mania de não ler no imediato um ‘best-seller’. compro com maior facilidade um desconhecido cuja contra-capa me pisque um olho que retiro uma grama ao monte de árvores mortas, com foto a corpo inteiro do lenhador moral, que são colocados às entradas das livrarias e junto às caixas de pagamento, impulsos à multidão e sinais de trânsito ao intelecto: pago muita multa mas às vezes compensa e, de best-sellers, estão as feiras de livros e os alfarrabistas cheios. mas pelo “que ouvi e li” a matéria é a mesma, e acredito que a acidez seja igual, passe a esperada acutilância académica. o medo do Outro, sempre ele, lá tratado como proto-fenómeno, nacional, nosso nacional este falado “fado”, choramingas, subsidio-dependente de afagos e tantos que são hipócritas, “dou-te e tu dás-me”, défice de auto-estima que, entre outras maleitas, provoca a surdez ao lutar constantemente contra moinhos imaginários que se atravessam no seu pacato caminho rumo ao espelho mais próximo, constante.
serôdia questão, afinal como todas as que valem a pena ler, ouvir, et voilá
o outro lado: há razões para ter medo, o Medo: há olhos que metem medo, há “más ondas” em excesso no ar, na multidão no bairro e nas caras conhecidas, teme-se suspeitá-las nas outras. bum! mais uma fileira de tijolos, a cerca reforçada, a segurança recriada mas há o problema da voz. soa o zum-zum que afugenta, e quando se individualiza o som perde-se o seu sentido no tratar mental imediato da contra-argumentação, o Medo, a defesa da Verdade ameaçada. dói, e muito, olhar para trás do espelho e ver a merda que se acumulou em anos. o envelhecer, aí, é mais rude, feio, que aquele do espelho, o outro lado, aquele que procuramos para conforto sem olhar para a parte oculta, a traseira do reflexo. teias de aranha e outras miudezas e grandezas amontoam-se, cómodas no seu aconchego ganho por anos de… inacção intelectual, “verdades” assumidas como imutáveis. daí a surdez, será? (comecei o parágrafo como ‘pró’ mas descaiu; é a andropausa no seu fulgor)
este post termina aqui. a seguir vou fazer dele espelho e vou relê-lo três vezes. “as usual”, espelho meu…
(eu não existo: flutuo e um dia destes desapareço. que ninguém inale as cinzas)

esclarecimento

O post-poema-puzzia anterior refere-se, hermeticamente reconheço... ao mítico ombro onde se choram as dores, que lá calha um dia a todos (ditado popular).

terça-feira, 3 de abril de 2007

que Sim

“consegues dar sem perguntar?”
esta é a dúvida que tenho,
a rubra questão do ombro para gotejar.

haja sim e não soará soluço, será rouco o som
do indistinto, esse que tem frio e tem medo, estremece
interroga-se e pergunta se se consegue deixar o silêncio
arfar.

“que Sim”, a palavra mais bonita para escutar.

rubra dúvida

há um blogue final?

e-mail não-sei-quantos

"(...) trauteio. the house of rising sun. yesterday. my way. e mais algumas: trauteio, dedilhando ouço a minha inaptidão para trautear - paradoxo. calo-me. sorrio. calo-me de novo. agora um sms (ainda soa o yesterday?), uma lembrança e um selo de correio, estas algemas que a mim mesmo pus, elo a elo. e só escrevo mails. cartas, trauteio. um dia o telefone calar-se-á e começa a campainha. onde estás tu? e o rising sun, como é? olho-me e não acredito: desapareci, eu não me vejo. cantos. tocas. animal escondido do rising sun. trauteio, my way. com toda a inaptidão para trautear e sem música de assobio que valha mais qu'o paradoxo de, my way, os cisnes passarem a ter dentes e assobiarem enquanto cantam (e sim: ela, my way, é a campeã das estatísticas), mails mails e trautear (...)"

segunda-feira, 2 de abril de 2007

pois...

Sou um devasso: vejo erotismo altamente sofisticado numa banca de peixe na praça, andar num transporte público é perder a paragem pela certa. Neste elejo coitadas vidinhas a aventuras escabrosas mas em ambientes que compensam (veludos & etc), nas bancas olho as vendedoras e, acreditem-me..., vejo sorrisos no desdentar das venturas da truta que mais ninguém vê, a dourada e a sardinha são outras, são outras pois é...
Há momentos em que, mesmo calado, tenho medo de ser preso pelo que penso. Sou mesmo um devasso, confesso para quem não o sabia pois ainda não me tinha visto com o ar aéreo, aquele 'sem ver' que é pior que o ver, é imaginar de partida do (pouco) que viu... (lol especial para "as pitinhas", eheh)

Messenger 3

Ela disse:
«tens câmera?»
Ele confirmou. Lá mais para a noitinha arrependeram-se mas nada disseram e usou-se 'Kleenex' antes de novos bloquear, este cada vez maior desagrado com a vida sexual virtual, bloqueante, havendo tanta pele e tanto poro a suspirar pela adsl se avariar.
(não houve tempo ou vez a smileys: foi "a despachar", reza o registo virtual)

Fotos

Não gosto em especial, é gasto de tempo procurá-las, e gosto muito muito de as ver nos blogues dos outros: não ando com vontadinha nenhuma de pô-las.
'tá dito, até prova em post do contrário, lol

Blogo-nada

Há três anos e picos que ando na blogosfera. Tempo. É fácil dizer que ela é uma "feira de vaidades"... venha o primeiro... Mas, no entretanto, digo eu: na vida real é igual, na vida é. E a blogosfera "é". Puta qu'a pariu. Puta que está desejosa de abrir as pernas ao primeiro que a loe, que mais a envaideça. Fanáticos, adictos. Eu. Pois, eu. Vaidoso. Cagão. Puta que me pariu, fora a minha mãe, coitada, que nem sabe que o querido filho ainda mais se envaidece na Internet (ela é "testemunha de Jeová", entendam...). Voltando aos insultos, estava bom: cambada de insanes, tímidos escondidos com as orelhas de fora, feios e feias que se julgam bonitos: somos uma merda, eis o que não se lê em nenhum blogue. Cobardes. Falsos calados, hipócritas. Raro é o que fala como escreve. O link é a medalha, outro cobarde que nos descobriu e acredita ter encontrado outro ombro, "tão bem que ele/a fala, escreve, pensa...." Vou armar-me em 'bom', em 'diferente': eu quero é olhos, é olhar, e este blogue como os outros quatro é uma capa e nova desculpa para dizer e confessar que, bloguista, sou uma merda. O que eu penso é igual a ti, tu, tu a matutares e calares. Só que eu quero é ver-te os olhos, lê-lo em ti.
Caçaste-me: eu quero, afinal, é que tu o leias em mim. Isso, isso tudo. Quero safar-me, quero o meu blogue especial. Tenho pena de não ter conseguido (ainda...) apagar as referências totais, o perfil e a assinatura: já não me revejo no passado escrito, de não ter conseguido renascer doz ero, do total zero, esse mítico zero onde nascem os nossos Euro Milhões, a audiência perfeita que nos acende as luzes do espelho. Deste blogue, deste link - esse elo que se entrega com mais fervor e cagança que antes um 'cartão de visita'... já nada espero: será igual aos outros quatro, mais dia menos dia, mais post menos post... é 'o Gil', e vocêm sabem quem é ainda desde antes de eu sabê-lo, vê-lo, compreendê-lo.
Um dia que virá eu conseguirei: sei que tenho escrita, que sei como e não tenho merdas em deixar as minhas emoções escritas, e elas valem o que valem mais o arredondado de ser eu o próprio a escrevê-las: há aquele momento em que se pára a olhar para o teclado e é fatal, o segundo antes de se disparar no pente e desatar a pentear o retrato, o espelho. Mas sei "que morro" se parar. Aliás: quando parar. Um dia destes aconterá, mesmo que não o programe ou decida (eu) por impulso. Até lá é assim, vai o resto e é meu amigo que conseguir olhar o que sobrar e olhá-lo nos olhos, a tal carícia.
O que mais desejo?: recuperar os meus amigos. Os que a minha cagança os fez perder, os que as suas caganças fizeram perder-me. Foda-e, que ninguém me diga que uma trip é razão para mudar de passeio, que uma cena marada é mais do que uma cena marada: há gajos e gajas atrás delas, há pessoas com quem trocamos olhares e, lê-se de vez em quando, há flores que nascem em pantanais, essa coisa viscosa e aderente de que, todos!, estamos fartos. Iguais. Tu e eu, tu e todos, eu que me deixe "de merdas". Quem me irá ler conhece-me, fora um (Olá, bem-vindo!) que cá google-caia ainda sei lá porquê vós e eu conhecemo-nos, noventa e nove vírgula nove e mais o resto que sabemos já nos olhamos, sentimos a química, corporalmente reagimos tal como no café d'esquina. Este blogue - oh que choramingas estou... - vejo-o mais como "meu último" que qualquer dos anteriores, e olha-se sempre assim para eles, um dia... Valha quem para além de vocês cá calhar que 'o Gil' ninguém é e, desejo este provável como certo... - ninguém será. É com vocês, apenas, esta "carta a Inês" pessoal, construção de patíbulo remendada com mais uma rodada tal como na "real". O casamento das duas que, como nos dos 'reais e literais', conduz que nem um truz ao divórcio de sentires especiais, e viva a rotina e o quotidiano, palavras sem nenhuma musicalidade mas que rapidamente são forçadas a adquirir a rima do... do... quotidiano.
Cada vez me lembro mais da "Internacional Situacionista" e do que ela terá a dizer sobre o mundo da net, também a blogosfera. Cada vez estou mais parvo a perder-me em juízos inúteis pois o que ela terá a dizer é que eu, (tu, todos os daqui) estamos a dizê-lo. E é assim, é assim quem daqui a dez ou aos anos que calhar será dito e escrito, assinado um 'Internacional' qualquer. Este fogo lento, este marinar antes dum final que ainda não se conhece assim, tão como o medo dos outros indefinidos, o divino, o vida para além da morte, o mundo dos fantasmas e das almas, o sempre tremor íntimo quando se joga-pensa ao jogo da mesa pé-de-galo. Que raio de post...
Tenho uma porta fechada que não desejo ver aberta. Que tenho a fazer? mantê-la fechada e blindar os muros para que nunca dela venha o toc-toc? antes dele 'esconder-me'? 'final'? (gostava que este post fosse lido por quem ainda não conheço mas ainda deverei conhecer, uma tarde chegará a carta e escreverei de mão própria data na agenda) Nada disto cai ou se resolve assim, nuns Cala-te, não sei que dizer ou que dizia: se está certo que tive uma interrupção noutro o é que, voltando à releitura, já não apanhei sentido e sequência ao pensamento escrito, e nada de apagar. Igual? afinal é igual ao resto, às tantas atitudes sem sentido da "outra", do ser sem adsl? rolos no cabelo ou ganchos que já já o formatam, o embelezam, o espelho sempre? Stop, até já: já estou suficientemente baralhado para dizer "até já", nada mau. Bem pior é este sentimento de Páscoa festa menor, de parte da inspirada poesia da vida foi-se e nem deu sinal de ida. De, além da Tropabana haverem escarpas, além de nadas haverem Nadas, e duma mão fechada nada ter além desta mentira gostosa, deste espelho que me finje quando me penteio, deste post da treta para quem, como vós, já "me leu" e sabe, sente, se é ou não meu Amigo, e ponto final (do post).

domingo, 1 de abril de 2007

Messenger 2

Ele diz:
"m perfil: 1 dia serei + chato d/ aturar k hoje"
(smiley à escolha entre o 'envergonhado' e o 'óculos escuros')
Ela diz:
"na boa. gostei do "hoje" e também fumo."
bloquearam-se mutuamente e continuaram na pesca à linha, a consumir recursos naturais.

a audição do silêncio

no silêncio há muitas letras e todas e cada são secretas.
como este parêntese de silêncios que se distendem
e se escreve.

Messenger

"faço broches e actas", disse ela.
era 31 de Março: meteu um smiley a rir-se e bloqueou-a, está claro.

sábado, 31 de março de 2007

no silêncio há oitentas letras

(e todas e cada são secretas)

tal como este parêntese de oitos

que se distende e o escreve.